4.2. Viking Ödüllü Baskıresim Sergilerine İlişkin Akademisyen / Sanatçı Görüşleri
4.2.4. Ödüllü Baskıresim Sergi Faaliyetlerinin Diğer Yarışmalı Sergilerde Ortaya Çıkardığı
A memória individual existe a partir da memória coletiva, uma vez que todas as lembranças são constituídas no grupo. Partindo desta afirmação, pretende-se utilizar cada memória individual para a recuperação das lembranças que possam levar à reconstrução da memória sobre o curso de Relações Públicas da Feevale.
Toda fonte histórica derivada da percepção humana é subjetiva, mas apenas a fonte oral permite-nos desafiar essa subjetividade: descolar as camadas de memória, cavar fundo em suas sombras, na expectativa de atingir a verdade oculta. (THOMPSON, 1992, p. 197).
Bergson (2010) afirma que a memória parte da lembrança (que é do domínio do espiritual) e se prolonga através de um processo cerebral, com o qual se materializa. A relação
11 O uso contínuo da memória desacelera ou reduz o déficit funcional da memória que ocorre com a idade. As
funções cerebrais são o exemplo característico de que “a função faz o órgão”. No referente à memória, quanto mais se usa, menos se perde. Perde antes a memória um indivíduo que dedica a maior parte do seu tempo a dormir ou a não fazer nada, do que outro que se preocupa sempre em aprender, em manter a mente ativa [...]. (IZQUIERDO, 2002, p. 32).
entre a realidade do espírito e a realidade da matéria (corpo) é a memória. É preciso observar as funções do corpo e suas potencialidades em relação às imagens exteriores. O corpo é um componente na relação imagens/subjetividade. Através das imagens particulares é possível produzir algo novo. Imagem é também memória porque através dela retiram-se os acontecimentos que constituem os seres sociais e reiteram-se a relação com outros objetos.
Ainda segundo Bergson (2010), pode-se representar duas memórias teoricamente independentes. A primeira registraria, sob forma de imagens-lembranças, todos os acontecimentos da vida cotidiana à medida que se desenrolam. Ela não negligenciaria um detalhe; atribuiria a cada fato, a cada gesto, seu lugar, sua data. Armazenaria o passado pelo mero efeito de uma necessidade natural. Por ela, se tornaria possível o reconhecimento intelectual de uma percepção já experimentada. Nela as pessoas se refugiariam todas as vezes que buscassem uma certa imagem, a encosta da vida passada.
Mas toda percepção prolonga-se em ação nascente. À medida que as imagens, uma vez percebidas, se fixam e se alinham nessa memória, os movimentos que as continuam modificam o organismo, criam no corpo disposições novas para agir. Assim se forma uma experiência de uma ordem bem diferente e que se deposita no corpo, uma série de mecanismos inteiramente montados, com reações às diversas interpelações possíveis. Toma- se consciência desses mecanismos no momento em que entram em jogo, e essa consciência de todo um passado de esforços armazenados no presente é ainda uma memória, mas uma memória diferente da primeira, sempre voltada para a ação, assentada no presente e considerando apenas o futuro. Esta só reteve do passado os movimentos inteligentemente coordenados que representam seu esforço acumulado. Ela reencontra esses esforços do passado não em imagens-lembranças que os recordam, mas na ordem rigorosa e no caráter sistemático com que os movimentos atuais se efetuam.
A bem da verdade, a memória já não representa o passado, ela o encena. Se ela merece ainda o nome de memória, já não é porque conserva imagens antigas, mas porque prolonga seu efeito útil até o momento presente. Das duas memórias, das quais uma imagina e a outra repete, a segunda pode substituir a primeira.
Halbwachs (2006) acredita que se constrói a memória a partir das lembranças, que podem ser só as próprias, como também podem ser as dos outros. Para isso ocorrer, é necessário que a lembrança dos outros não seja apenas um testemunho, mas tenha uma base comum com a lembrança de todos. Desta forma, a lembrança do outro de determinado evento ou situação passa a fazer parte, novamente, da memória de todos os envolvidos. Para o autor, seja nos processos de produção de tal memória ou de rememoração da mesma, o outro exerce papel primordial, posto que a memória individual está limitada no espaço e no tempo.
As influências que ocorrem dentro do grupo permitem que as lembranças sejam reconhecidas e que se continue em contato com elas. Por força das circunstâncias, em alguns casos, a duração de uma memória está limitada à duração do grupo. Não basta, porém, a presença física. A concentração e a vivência são importantes durante a ocorrência dos fatos.
Halbwachs (2006, p. 42) comenta: “Assim, na base de qualquer lembrança haveria o chamamento a um estado de consciência puramente individual que chamamos de intuição sensível – para distingui-lo das percepções em que entram alguns elementos do pensamento social”. A intuição sensível está ligada a relações sociais (fora das pessoas) e nelas mesmas, e não a ambientes. A intuição sensível está sempre no presente. Não se pode esperar que ela seja capaz de se recriar espontaneamente.
Refletindo a respeito da constituição intelectual da memória, sobre a memória individual e coletiva, transcorrendo sobre o fato de que o individual e o coletivo percorrem caminhos adjacentes, torna-se necessário conjeturar sobre a memória institucional. No
presente trabalho, foi reconstruída a memória institucional de uma organização de ensino superior, a Feevale. Tendo em consideração que parte dessa memória já está sistematizada no Centro de Documentação e Memória Luci Therezinha Bridi e em bibliografia elaborada por pesquisadores da instituição, a reconstrução que se pretende está relacionada com um aspecto específico: o fato de ser um dos cursos pioneiros de Relações Públicas do Estado.