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Öğretmenlerin Cinsel İstismar Durumlarını Bildirme Tutumları Ölçeği

3.3. Veri Toplama Araçları

3.3.2. Öğretmenlerin Cinsel İstismar Durumlarını Bildirme Tutumları Ölçeği

Não pretendemos aprofundar, nesta parte do texto, a discussão sobre o sistema punitivo, mas apenas destacar que uma nova legislação penal que define o poder de punir como uma função geral da sociedade teve início no final do século XVIII e começo do século XIX. No entanto, é preciso ressaltar aqui que a história do desenvolvimento da prisão está estreitamente vinculada ao desenvolvimento da sociedade capitalista. E, a pena de prisão, enquanto mecanismo de recrutamento e de disciplina firma-se como principal castigo adotado por esta sociedade com o intuito de proteger os seus bens. Com isso, torna os indivíduos “indesejáveis”, dóceis e úteis ao sistema45.

A visão negativa de Foucault acerca da prisão tem sido, ao longo das últimas décadas, absorvida por alguns teóricos e ganhado espaço entre os estudiosos brasileiros, que admitem o cárcere como sendo um local que favorece a “violência, a reincidência e a produção de criminosos” (OLIVEIRA, 2008, p. 24).

No contexto prisional brasileiro, Piedade Júnior (1995) assinala uma problemática social bem característica da legislação penal, que contribuiu decisivamente nos últimos anos para a “crise do sistema prisional”, conhecida por fatores como: superpopulação carcerária, ausência de atividade laborativa, promiscuidade, inexistência de projetos de vida, falta de apoio familiar, fragilidade na assistência (educacional, médica e jurídica) prestada pelo Estado, enfim, um panorama bastante favorável a não recuperação das pessoas encarceradas, bem como, à reincidência.

Giddens (2002), ao adotar um enfoque sociológico declara que, na contemporaneidade, o princípio essencial das prisões é “melhorar” os indivíduos e prepará-los para cumprirem uma função apropriada e correta na sociedade após a saída da prisão.

No Brasil, as penas de longa duração são interpretadas por alguns legisladores e a sociedade de modo geral, como um mecanismo eficaz de combate ao crime. Entretanto, questiona Giddens (2002, p. 197): “será que as prisões produzem o efeito pretendido de “reformar” criminosos condenados e de evitar que novos crimes sejam cometidos?” A resposta para essa dúvida ainda está longe de existir, dado a complexidade que envolve o tema, porém, os fatos indicam para uma resposta negativa.

Segundo o sociólogo, de modo geral, os apenados são privados de todo tipo de necessidades básicas, como também do contato com familiares e amigos, de relacionamentos amorosos, entre outros. Tal cenário tende a “erguer um muro” entre dois lados: o lado interno (prisão) e o externo (sociedade), dificultando ainda mais a adaptação do primeiro às normas sociais.

Para Giddens (2002), embora haja uma remota possibilidade de que a prisão impeça as pessoas de cometerem crimes, considerando as condições do encarceramento, a tarefa de reabilitação no ambiente carcerário, é praticamente improvável. Isto é, mesmo que os criminosos não demonstrem receio antes de cometerem algum delito, a possibilidade de viver em uma prisão por um período, às vezes incerto, pode impedir a prática de “crimes”. Contudo, a realidade prisional brasileira nos leva a crer que outras formas de deter a criminalidade, diferente da prisão, precisam ser lançadas.

Na análise sociológica do crime realizada por Giddens (2002), o autor explica que não existem “mágicas”. As suas origens estão estreitamente vinculadas às condições estruturais da sociedade, dentre essas, a pobreza, a decadência de muitas áreas urbanas (reforçada pelo abandono do Estado) e as condições de vida degradante a que muitos jovens estão submetidos. No Brasil, são inúmeros os estudos que tratam sobre as debilidades do sistema de justiça criminal, porém, não é nossa intenção aqui aprofundar essa discussão, uma vez que essas fragilidades surgirão de uma forma ou de outra, nesta tese, e o que é pior: como mais um elemento agravante no contexto prisional feminino e na história de vida das mulheres encarceradas.

As prisões femininas foram criadas com a justificativa de que se transformasse em um lugar de redenção e exorcismo. Era nesses espaços que se buscavam restaurar nas mulheres suas características inatas (aptidões domésticas) e extirpar os impulsos negativos (sexuais). Isto é, a finalidade da prisão feminina era de que sua função fosse capaz de conduzir as mulheres “desviadas” de volta para o caminho dos valores, da obediência e passividade (ESPINOZA, 2004).

Entretanto, a proposta de domestificação, abraçada pelas freiras, obteve resultados opostos aos desejados. A disciplina excessiva, através da qual as detentas eram submetidas, apenas acentuou a agressividade das mesmas, motivo que levou as freiras, algum tempo depois, desistir de tal empreitada.

De qualquer modo, é preciso registrar que a presença das irmãs de caridade contribuiu, de modo decisivo, para imprimir às prisões femininas – mesmo em momentos posteriores em que já se admitia uma racionalidade penal mais moderna – o caráter de expiação moral e de regeneração pela pena.

É interessante pensar ainda que essas irmãs de caridade eram símbolos da pureza e castidade inspirados na Virgem Maria, modelo ímpar na constituição do imaginário feminino.

Dentro deste contexto, as primeiras notícias de criminalidade feminina estão relacionadas diretamente com a bruxaria e com a prostituição46. É importante que se diga que tais condutas eram condenadas pelo fato de irem de encontro aos padrões morais e éticos da sociedade vigente, mas, sobretudo, pelos princípios estabelecidos pela Igreja Católica, a qual defendia a preservação da família, calcada na fidelidade e na castidade. Esta criminalidade feminina tem um espaço específico, qual seja: o ambiente familiar. Neste, intensifica-se a noção cultural e social de que a mulher pertence ao espaço doméstico e não público.

Mesmo considerando todos esses aspectos, as questões relativas ao gênero continuam a apresentar aspectos inusitados quando se trata do grupo de mulheres presas.

É possível admitir que, independentemente do gênero a que pertencia o(a) prisioneiro(a), a carga imposta pela prisão atingiu todas as pessoas que por ela passaram e permaneceram por anos a fio, deixando profundas e diferentes marcas. Mulheres e homens são diferentes, logo possuem necessidades também diferentes. Nessa direção, a história das prisões guarda evidentemente, alguns aspectos particulares quando se trata do aprisionamento de mulheres.

Se, por um lado, observarmos que a prisão constituiu-se, para os criminosos, desde suas origens mais remotas, como um lugar de execução da pena em função de um crime cometido, por outro, no caso das mulheres, apresentou-se não só com a função de punir, mas de controle social genérico.

Os diferentes entendimentos sobre a responsabilidade penal de homens e mulheres, derivadas de distintas noções (conceituais) sobre o “sexo” feminino e masculino, persistiram por vários séculos e, incontestavelmente, influenciaram, diretamente, não apenas no modelo de punição destinado às mulheres acusadas, mas também nas condições carcerárias

46 Na tentativa de esclarecer essa questão, Buglione (2007), lembra-nos que surge a partir de 1400, o estereótipo de que a feitiçaria é inerente a toda mulher, isto é, faz parte da natureza feminina. E, esta noção acompanha o direito criminal até o final do século XVII.

proporcionadas para que elas, efetivamente, cumprissem suas penas e pudessem sair recuperadas.

Boa parte dos registros históricos aponta para a necessidade de ofertar um tipo diferenciado de tratamento para mulheres presas bem como algumas legislações e documentos oficiais também fazem tal recomendação, no entanto a realidade mostrava uma situação totalmente adversa, reforçando mais uma vez, a condição de invisibilidade das mulheres (GRAZIOSI, 1999).

A história das prisões femininas mostra tipos variados de tratamento penal destinado às mulheres. Na Espanha, por exemplo, adotava-se um regime denominado Galera47 nos mesmos moldes do tratamento que se dava aos condenados ao remo nas galeras. Também era empregado às mulheres o castigo da mordaça para os crimes de blasfêmias, as algemas para as furiosas, os grilhões para impedir que outras se movimentassem e vários aparatos de tortura para aquelas que tentassem fugir (BIERRENBACH, 1998).

No interstício dos séculos XVIII e XIX, tanto na Itália como na Espanha, o internamento de mulheres era motivado pela necessidade de “salvaguardar a honra e a saúde do corpo e da alma”. Em outros termos, os castigos eram aplicados, sobretudo, como uma tentativa de controlar os crimes que guardavam relação com a questão da sexualidade. As mulheres, independentemente do papel social que representava: viúvas, órfãs (necessitada de refúgio e proteção), prostitutas arrependidas, esposas rebeldes ou ainda vítimas de doenças venéreas, eram internadas para a corrigirem seus desvios ou bloquearem a manifestação de potenciais desvios (GRAZIOSI, 1999; ARÚS, 1995).

É nesse período, que se registram os primeiros avanços relativos ao tratamento penal, os quais apontavam para a necessidade de separar e classificar os condenados de ambos os sexos, respeitando critérios de caráter mais científicos. Sendo assim, as diferenças envolvendo elementos como faixa etária, tipo de delito e de pena e comportamento na prisão se tornaram a base de um novo tipo de classificação.

Essa separação e classificação objetivavam atender às especificidades do sexo feminino e a moralidade sexual. A separação originou dois grupos e sua formação obedeceu ao seguinte critério: um composto por meretrizes ou mulheres de má fama; outro formado por aquelas que tivessem cometido outros tipos de delitos.

Alguns registros mostram que, nesse período, muitas mulheres encarceradas eram mães, porém não se encontra praticamente nenhuma referência ao tipo de atendimento ofertado

47 Foi uma privação de liberdade utilizada pela Inquisição espanhola. Criada por decreto real para a escassez de mão de obra para esse trabalho, indispensável para a comunicação marítima, especialmente com as colônias espanholas, e segurança do reino. A duração da pena era arbitrária, como tantas outras, dependendo em alguns casos, da gravidade do delito cometido. Emilio Temprano. El mar maldito, (1989).

àquelas que ficavam grávidas na prisão48 ou se mantinham alguma relação com os filhos que haviam deixado fora do cárcere (GRAZIOSI, 1999).

A mulher criminosa é duplamente discriminada, por ser mulher e por ter rompido com o modelo inferiorizado que a sociedade impôs a ela historicamente. Quando comete um crime a mulher assume um lugar, aparentemente, reservado ao homem: o lugar de violadora da ordem estabelecida, uma agressora. Para Spangerberg (apud GRAZIOSI, 1999), a mulher que pratica uma ação criminosa fazendo uso de agressividade é temida e repudiada por boa parte da população.

O binômio mulher e agressão, ao ser submetido à apreciação e ao imaginário social, não forma um par aceitável. Assim, a resposta social às mulheres que cometeram crimes tem se revelado sutilmente desprezível e excludente, sobretudo, por parte do Estado, isto é, por mais que se discuta a necessidade de diferenciação, tudo continua como se essas necessidades não existissem.

No instante em que a mulher criminosa tornou-se objeto de estudo, o direito penal imputou a ela, a condição de portadora de desvios psicológicos e, estes passaram a ser a principal motivação para o cometimento de delitos. Na atualidade, observa-se, na mulher criminosa, um perfil diferente do daquela época, assim como, as razões para a prática de atos delituosos são gerados por outras motivações que não sejam apenas os desvios psicológicos: a mulher atenta contra a vida de seu companheiro por não aceitar a condição de submissa na relação conjugal; comete crimes de toda espécie e praticamente os mesmos que são cometidos por homens, embora a maioria deles, sem violência e crueldade.

De acordo com Soares; lgenfritz (2002, p. 25), os dados mais antigos que retratam a situação da mulher encarcerada no Brasil, são, em geral, “esparsos, difusos, descontínuos e muitas vezes truncados”. Prova disso é de que as primeiras informações do Relatório do Conselho Penitenciário do Distrito só irão surgir no XIX, precisamente por volta de 1870.

Como se vê, a história do encarceramento de mulheres no Brasil conta com poucos registros, de qualquer forma, os que ainda são encontrados, deixa claro que o objetivo da pena, seguia os mesmos modelos empregados em outros países.

Na verdade, são muito imprecisos os dados sobre o que realmente acontecia com as mulheres encarceradas antes do século XIX, porém não é difícil imaginar que, assim como os homens, elas devem ter sofrido as mais diferentes atrocidades e maus tratos no cárcere. Os registros mais precisos que existem sobre a prisão de mulheres, se limitam ao Estado de São Paulo.

Conforme já ocorria em outros países, também no Brasil esperava-se que a segurança de mulheres deveria sob a responsabilidade de pessoas íntegras, honestas, de vida regrada costumes exemplares. Embora não se tenha certeza de que essas mulheres eram de reconhecida dignidade, cabe ressaltar que durante um bom tempo, a indicação de irmãs de caridade e de mulheres consideradas firmes e austeras na diretoria de presídios femininos tornou-se uma prática corriqueira (SALLA, 1999b).

Por mais de três séculos as mulheres foram mantidas presas em instituições destinadas a prisioneiros do sexo masculino. A elas, raramente eram destinados espaços específicos49. Salla (1997a, p. 295), ao realizar uma análise histórica sobre o encarceramento em São Paulo, destaca que, na Cadeia50,

Misturavam-se em um mesmo recinto condenados e aqueles que aguardavam julgamentos; condenados à pena de prisão simples permaneciam juntos aos que cumpriam pena de prisão com trabalho; galés, dementes, homens, mulheres, crianças conviviam no mesmo espaço.

Dessa feita, as mulheres presas, em sua maioria, prostitutas e escravas, eram trancafiadas juntamente com os homens e, o que é pior: na maior parte das vezes, dividia a mesma cela com eles. Segundo Lima (apud SOARES; ILGENFRITZ, 2002), foram às alterações nas legislações criminais da década de 1940 que permitiram uma alteração na situação da mulher encarcerada51.

Em 1924, Brito, o principal ideólogo das prisões femininas no Brasil, após visitar todas as prisões do Brasil, criou um projeto de reforma penitenciária em que sugeria ao Governo Federal a construção de um reformatório especial, direcionado ao tratamento específico para a mulher. Ou seja, que não fosse aos moldes das prisões masculinas.

É verdade que, neste período, as mulheres presas já estavam separadas dos homens, mas os relatórios das visitas mostram a preocupação com o fato de elas ainda estarem juntas, desconsiderando o delito que cada uma havia cometido. Abaixo destacamos um trecho de um dos relatórios:

[...] as mulheres condenadas continuam em compartimento separado da Casa de Detenção, mas em promiscuidade com as processadas e as vagabundas e as ébrias habituais enviadas pela polícia. (RELATÓRIO DO CONSELHO PENITENCIÁRIO DO DISTRITO FEDERAL de 1929).

49 A situação do encarceramento feminino é ressaltada em inúmeros relatórios e estudos. São exemplos, o relatório da casa de correção da capital, de 1905, o projeto de reforma penitenciária apresentado por Lemos de Brito em 1924, bem como o estudo de Cândido Mendes “As Mulheres Criminosas no Centro mais Populoso do Brasil”, de 1928. (ILGENFRITZ; SOARES, 2002, p. 53).

50 Até o surgimento das prisões, os criminosos eram colocados em cadeias públicas.

Como se pode perceber, trata-se de um discurso marcado por uma concepção moral que, de certo modo, resguarda as presas comuns, condenadas por infanticídio, aborto, furto etc., distinguindo-as de todas as outras que eram capturadas pela polícia, em razão de terem cometido crimes de vadiagem, embriaguez ou prostituição, qualificadas, portanto, de vadias ou desocupadas.

Apesar da recomendação quanto à necessidade de um tratamento específico voltado às presas, continuou inexistindo essa preocupação, o que só vai ocorrer com a promulgação do Código Criminal Brasileiro de 1940 (SALLA, 1997).

As pesquisas de documentos mostram que uma das primeiras menções em que se verifica uma explícita preocupação acerca do encarceramento de mulheres está no “Projeto do Código Criminal Brasileiro” de 15 de maio de 1938, redigido pelo Jurista Alcântara Machado expresso nos seguintes artigos:

Art.33 - As mulheres cumprirão as penas privativas da liberdade em estabelecimentos distintos, ou, onde não os houver, em secções distintas dos estabelecimentos destinados aos homens.

§ único – Só no estabelecimento e suas dependências e em ocupações adequadas ao sexo, às condenadas serão obrigadas ao trabalho.

Art.38 - Não se dará início à execução da pena privativa da liberdade:

II – enquanto perdurar gravidez da condenada ou não decorrerem seis meses sobre a data do parto;

§ 2.º - Na segunda, o prazo ficará reduzido há 40 dias, se o filho morrer ou for confiado à outra pessoa; poderá ter ampliado até um ano, se não houver como confiar a outrem a criança.

Após o surgimento do Estado Novo e as consequentes mudanças advindas desse período, os estudos para a reforma do Código Penal, do Código Processual Penal e da Lei de Contravenções ganham reforço. Dessa maneira, a reforma penal de 1940 contribui na elaboração de um Projeto de Lei para a criação da Penitenciária Agro-Industrial, da Penitenciária de Mulheres e do Sanatório Penal. Mais tarde, sob a liderança de Lemos Brito foi aprovado, transformando-se em Lei. Ao fazer a defesa do Projeto, Lemos de Brito (1930, apud SOARES; ILGENFRITZ, 2002, p. 45), se mostra bem sintonizado com os padrões moralistas da época. Nele, enfatizava a necessidade de colocar as mulheres longe dos presídios masculinos, evitando com isso a influência maléfica que elas poderiam ocasionar. “É que a presença das mulheres exacerba o sentimento genésico dos sentenciados, aumentando-lhes o martírio da forçada abstinência”.

Como é possível depreender dos argumentos acima, certamente a construção de presídios femininos, ao invés de dar mais dignidade às mulheres, tinha como objetivo principal promover a paz nas prisões masculinas, garantindo desta feita, a tranquilidade almejada pelos seus administradores.

Com a criação da Penitenciária feminina e seguindo as teses de Lemos de Brito, surgiu a preocupação em definir normas pedagógicas que convertessem as “meretrizes, vagabundas e perniciosas” em mulheres dóceis, submissas às regras prisionais; educadas, caridosas e afeitas às prendas domésticas e aos cuidados com os filhos. Quanto à sexualidade, essa responderia aos objetivos da procriação e a satisfação do marido.

Sendo assim, a institucionalização da prisão feminina no Brasil data do começo da década de 40 do século XX, coincidindo com o momento em que as mulheres (que cometiam crimes) passaram a ser denominadas de “novas figuras delituosas”. Antes desse período, as mulheres já haviam sido condenadas, no entanto, os crimes por elas cometidos estão entre os de menor potencial ofensivo como: prostituição, contágio venéreo e furto. Portanto, bem distante do cenário atual. Hoje, os crimes cometidos pelas mulheres são praticamente os mesmos cometidos pelos homens. A diferença está, apenas, na incidência.

Os primeiros administradores responsáveis pelas unidades prisionais femininas foram as freiras da Congregação de Nossa Senhora do Bom Pastor D’Angers, especializada em instituições pedagógicas, como de orfanatos, escolas e internatos. As religiosas ficaram responsáveis por cuidar “da moral e dos bons costumes, além de exercer um trabalho de domesticação das presas e vigilância constante da sua sexualidade” (LIMA, 1983; apud SOARES; ILGENFRITZ, 2002, p. 47).

Nesse sentido, os dois primeiros estabelecimentos prisionais femininos brasileiros – o Presídio de Mulheres construído junto ao complexo do Carandiru, em São Paulo, em 1941; e a Penitenciária de Mulheres, em Bangu, no Rio de Janeiro, em 1942 – foram inicialmente administrados por essas religiosas, que conforme já sinalizado tinham o objetivo de recuperar nas mulheres o seu lado santo, bom e maternal.

De acordo com o regulamento interno da prisão, elaborado e aplicado pelas irmãs, denominado Guia das internas, as internas só tinham dois caminhos para terem seus pecados remidos: tornarem-se aptas para retornar ao convívio social e familiar, ou, no caso de solteiras e idosas ou sem vocação para o casamento, seriam preparadas para a vida religiosa.

No entanto, este projeto de “purificação” de mentes e corpos não atendeu às expectativas que se criou em torno dele. Treze anos depois, a Penitenciária de Mulheres deixa de ser administrada pelas Irmãs do Bom Pastor sob a alegação de que não conseguiram controlar a indisciplina violenta, nem possuíam conhecimentos dos processos penitenciários e administrativos necessários para controlar um contingente populacional maior do que a capacidade do estabelecimento. Essa foi inclusive a realidade da maior parte das penitenciárias femininas criadas em vários estados do país.

Segundo dados do DEPEN (2011), nos últimos anos, o índice de mulheres presas vem