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1.8 Çocuk Resimler

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Com a intensa industrialização, advento de novas tecnologias, crescimento populacional e aumento de pessoas em centros urbanos e diversificação do consumo de bens e serviços, os resíduos se transformaram em graves problemas urbanos com um gerenciamento oneroso e complexo considerando-se volume e massa acumulados, principalmente após 1980.

Os problemas se caracterizam por escassez de área de deposição de resíduos causadas pela ocupação e valorização de áreas urbanas, altos custos sociais no gerenciamento de resíduos, problemas de saneamento público e contaminação ambiental (JOHN, 1999).

Durante a ECO-92 e a definição da Agenda 21, destacou-se a necessidade urgente de se implementar um adequado sistema de gestão ambiental para os resíduos sólidos (GUNTHER, 2000).

Uma das soluções encontradas para a gestão dos RCD é a reciclagem dos resíduos (JOHN, 2000).

A reciclagem do material da construção civil foi iniciada na Europa após a segunda guerra mundial. No Brasil, encontra-se ainda muito atrasada quando comparada a países do primeiro mundo, com a possível exceção da reciclagem praticada pelas indústrias de cimento e aço. Este atraso possui vários componentes, entre eles, estão os repetidos problemas econômicos e os prementes problemas sociais, que ocupam a agenda das discussões políticas, deixando pouco espaço para a discussão dos problemas relacionados ao desenvolvimento sustentável (JOHN, 2000).

Para Marques Neto (2005 apud MARQUES, 2007), embora a reciclagem seja uma solução encontrada para os impactos dos RCD, a idéia de aproveitar resíduos da construção civil na confecção de novos materiais, passíveis de serem usados nas diversas etapas de uma obra é vista com descaso em razão da falta de conhecimento técnico dos empresários da construção e de muitos que nela operam.

Contudo, alguns municípios brasileiros já possuem usinas de reciclagem instaladas, e outros estão iniciando estudo para a implantação de tais usinas, especialmente após a Resolução nº 307/02 do CONAMA (MARQUES, 2007; NUNES, 2004).

John (2000) e Pinto (1999) apresentam os seguintes benefícios advindos da reciclagem dos resíduos da construção civil: redução no consumo de recursos naturais não-renováveis, quando substituídos por resíduos reciclados (JOHN, 2000); redução de áreas necessárias para aterro, pela minimização de volume de resíduos pela reciclagem. Destaca-se aqui a necessidade da própria reciclagem dos resíduos de construção e demolição, que representam mais de 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos (PINTO, 1999); redução do consumo de energia durante o processo de produção. Destaca-se a indústria do cimento, que usa resíduos de bom poder calorífico para a obtenção de sua matéria-prima (co-incineração) ou utilizando a escória de alto-forno, resíduo com composição semelhante ao cimento (JOHN, 2000); e redução da poluição; por exemplo, para a indústria de cimento, que reduz a emissão de gás carbônico utilizando escória de alto forno em substituição ao cimento portland (JOHN, 1999).

A disponibilização de locais e instalações para a recepção, triagem e processamento dos resíduos da construção civil, proporciona às cidades e suas comunidades benefícios ambientais, econômicos e sociais. De acordo com Carneiro et al. (2001), a reciclagem apresenta as seguintes vantagens econômicas, sociais e ambientais: economia na aquisição da matéria-prima, com a substituição de materiais convencionais por entulho; decréscimo da poluição gerada pelo entulho e de suas conseqüências negativas, como enchentes e assoreamento de rios e córregos; prevenção das reservas minerais não renováveis; preservação e redução de áreas de aterros de inertes, minimizando os impactos decorrentes da deposição maciça de RCD; criação de alternativas para as mineradoras, cada vez mais sujeitas às restrições ambientais; e redução do consumo de energia e de geração de CO2 na produção e

no transporte de materiais.

Para Carvalho (2003), a reciclagem de resíduos da construção civil, elimina em grande parte os despejos clandestinos, melhora a paisagem urbana e possibilita uma melhor qualidade de vida a seus habitantes; além de reduzir os custos operacionais da administração com a remoção de RCD, estimada em US$ 10 por metro cúbico de entulho clandestinamente depositado.

A reciclagem, além de representar uma redução de até 75% (setenta e cinco por cento) do custo da remoção e tratamento de doenças para o município, produz uma cadeia de benefícios de relevante importância. Estende o tempo de vida útil dos aterros, preserva os recursos naturais, transforma uma fonte de despesa em fonte de receita e impede a contaminação de novas áreas de despejo. A produção de agregados a partir dos entulhos, que é um das formas mais simples de seu aproveitamento, gera economias de cerca de 80% (oitenta por cento) em relação ao preço dos agregados convencionais (CARVALHO, 2003).

Sua reutilização, por sua vez, dispensa a extração de matéria prima da natureza, conservando-a sob dois aspectos: não degrada o solo com a remoção e não polui o ar com os gases emitidos pelas máquinas e caminhões empregados na extração e transporte (SCHNEIDER; PHILIPPI, 2004).

Com relação à aplicação de materiais reciclados dos RCD, Zordan (1997) apresenta os seguintes modos de utilização:

• Utilização em pavimentação – a forma mais simples de reciclagem do entulho é a sua utilização em pavimentação (base, sub-base ou revestimento primário) na forma de brita corrida ou ainda em mistura de resíduos com solo.

• Utilização como agregado para o concreto – o entulho processado pelas usinas de reciclagem pode ser utilizado como agregado para o concreto não estrutural, a partir da substituição dos agregados convencionais (brita e areia).

• Utilização como agregado para a confecção de argamassa – Ao ser processado por equipamentos denominados argamasseiras, que moem o entulho na própria obra, em granulometria semelhante a da areia, pode ser utilizado como agregado para a argamassa de assentamento e revestimento.

• Outros usos – utilização de concreto reciclado com agregado; cascalhamento de estradas; preenchimento de vazios em construções; preenchimento de valas de instalações e reforço de aterros.

O estudo de soluções práticas que apontem para a reutilização do entulho na própria construção civil contribui para amenizar o problema urbano dos depósitos clandestinos deste material – proporcionando melhorias do ponto de vista ambiental – e introduz no mercado um novo material com grande potencial de uso (ZORDAN, 1997).

A reciclagem é essencial para o desenvolvimento sustentável, haja vista que é impossível pensar em uma sociedade que não gere resíduos. No Brasil as políticas de incentivo à reciclagem ainda estão em fase embrionária, existindo um longo caminho a ser percorrido (JOHN, 2000).

A cadeia produtiva da indústria da construção civil já é a maior recicladora da economia, mas, possui um enorme potencial para aumentar o volume de materiais que recicla, dada a massa de materiais que consome sua capilaridade regional e as características dos seus materiais. Assim, a reciclagem de RCD torna-se um grande desafio a ser enfrentado (JOHN, 2000).

Levando-se em consideração o grande potencial poluidor da indústria da construção, necessário se faz que a iniciativa privada, em conjunto com as municipalidades, busquem meios de implementar projetos que visem à prática da reciclagem dos RCD, o que trará bons resultados não somente sentida nas questões ambientais, mas, também, no aspecto econômico.