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O petróleo é uma mistura de óleo cru, gás natural em solução e semi-sólidos asfálticos espessos e pesados. Todos os depósitos de petróleo contêm gás natural, mas nem todos os depósitos de gás natural contêm óleo.

O petróleo bruto deve passar por uma série de estágios durante o processo de refinação para que seja convertido em produtos úteis. Há tipos leves e claros como a gasolina, outros marrons, amarelos, verdes, alguns ainda pretos e outros verde-escuros. Petróleos ácidos ou acres são os que possuem

147PETROBRÁS. Espaço conhecer. Disponível em: <www.petrobrás.com.br/portugues/index.asp>. 148AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. ANP.

compostos de enxofre em alta porcentagem, tendo odor peculiar, contendo gás sulfídrico em concentração acima de trezentos e oitenta ml por cem litros, sendo perigosamente tóxicos. Já os óleos doces não contêm gás sulfídrico, pois contam com baixo teor de enxofre.149

O petróleo é extraído, de forma comum ou primária, por dutos que vão do poço até a superfície da terra ou mar, dependendo da localização da jazida, e é bombeado até a superfície ajudado pela mobilidade do líquido e, por sua pressão interna. Para ser extraído por esse método, é necessário que haja gás dissolvido no óleo para que este borbulhe acima das camadas de óleo e de água. Desta forma, são recuperados de quinze a vinte por cento do volume original de óleo do reservatório, sendo esta a forma de extração primária.150

A partir daí, se utiliza a forma secundária, com aplicação de outras técnicas de retirada do petróleo existente na jazida. Um método muito utilizado consiste em injetar água pressurizada no poço, fazendo com que o óleo flutue, pois sua densidade é inferior à da água, facilitando assim a retirada deste. A água destinada à injeção pode ser doce ou salgada; é indispensável, porém, que seja limpa. Para isso se faz a filtragem, que visa à eliminação de sólidos em suspensão, bem como do tratamento com produtos químicos bactericidas e inibidores de corrosão.151

O método mais comum de extração terciária é utilização de processos térmicos. A injeção de vapor d’água no poço aquece e diminui a viscosidade do óleo, facilitando o seu bombeamento. Pode ser de injeção cíclica, que consiste em injetar vapor no poço produtor (cerca de uma semana), fechá-lo durante alguns dias para se dar a troca de calor com a jazida e colocá-lo em atividade por vários meses, até quando a vazão do petróleo começar a declinar. A operação deve ser repetida enquanto o aumento de produção compense os gastos. Pode haver também a injeção contínua de vapor neste processo que é semelhante ao da injeção de água.152

Outro método é o que envolve a injeção de gás carbônico ou nitrogênio diretamente no petróleo, para aumentar a pressão no reservatório e

149NEIVA, J. Conheça o petróleo. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1986. 150Id. Ibid.

151Id. Ibid. 152Id. Ibid.

liberar o produto da rocha. Outra forma também empregada é a utilização de produtos químicos, tais como polímeros em vez de gases, para forçar as moléculas dos componentes de petróleo para fora das rochas do reservatório. Na figura abaixo, mostramos os três processos de extração / recuperação do petróleo:

Os processos normalmente empregados nas refinarias modernas para o processamento do petróleo são: destilação, craqueamento, polimerização, alquilação, dessulfurização, dessalinização, desidratação e hidrogenação.153

A destilação separa as frações do petróleo usando para isso os seus diferentes pontos de ebulição. O petróleo é inicialmente aquecido e depois entra numa torre de fracionamento. Os diversos derivados de petróleo são condensados a diferentes temperaturas na torre para serem coletados. Os produtos mais pesados se acumulam na parte inferior, enquanto que a gasolina bruta é condensada no topo.154

Os vapores, ao se elevarem, condensam-se nos pratos correspondentes a temperaturas de condensação. Esse resíduo é então reaquecido e levado para outra torre, onde seu fracionamento ocorrerá a uma pressão abaixo da atmosférica. Nesta torre é extraída mais uma parcela de óleo diesel e um produto chamado, genericamente, de gasóleo, que não constitui um produto pronto.155 Ele serve como matéria-prima para a produção de gases

combustíveis, gasolinas e outros. As frações de ponto de ebulição mais elevadas são retiradas pelo fundo da torre, na forma de asfalto. Esses poderão ser usados para o craqueamento catalítico ou, ainda, processados para a fabricação de óleos lubrificantes.156 Nessa etapa são extraídos, por ordem crescente de densidade, gases combustíveis, GLP157, gasolina, nafta, solventes e querosene, óleo diesel e um óleo pesado, chamado resíduo atmosférico, que é extraído do fundo da torre. Na próxima figura, temos o esquema dos produtos obtidos pelo refino.

153PETROBRÁS. Disponível em: <http://www2.petrobras.com.br/portugues/index.asp>. 154HINRICHS, R. A; KLEINBACH, M. op. cit.

155PETROBRÁS. Disponível em: <http://www2.petrobras.com.br/portugues/index.asp>. 156NEIVA, J. op. cit.

Figura 02 - Produtos Obtidos Pelo Refino Fonte: Hinrichs, Roger A.

A maior parte dos derivados que saem da torre sofrem um tratamento químico e/ou térmico posterior, para fornecer produtos tais como a gasolina, óleo para aquecimento, combustível de aviação, óleo diesel, parafinas e asfalto.158

A produção da refinaria pode ser ajustada de acordo com o consumo e a necessidade da indústria química, que precisa de insumos tais como metano, etano, benzeno e tolueno. Estes são utilizados na produção de fertilizantes plásticos, solventes, náilon, borracha sintética, etc.159

No craqueamento há a quebra das moléculas de hidrocarbonetos pesados, convertendo-as em gasolina e outros destilados com maior valor comercial.

O objetivo do processo de polimerização é produzir gasolina com alto teor de octano, que possui elevado valor comercial.

Olhando o petróleo como fonte de energia, parece-nos que só nos traz coisas aproveitáveis, mas essa afirmativa não é cem por cento assertiva, visto os males que sua exploração causa ao meio ambiente.

158HINRICHS, R. A; KLEINBACH, M. op. cit. 159HINRICHS, R. A; KLEINBACH, M. op. cit.