Günde 1 Dolardan Azla Yaşayan Yoğun Genç Nüfuslu 10 Ülke, 2002
8. BİR TOPLUMSAL SORUN OLARAK ŞİDDET VE GENÇLİK
8.1. Çocuğa Yönelik Şiddet
O reconhecimento oficial da pós-graduação como um novo nível de ensino e o estabelecimento de sua estrutura ocorreu somente em 03 de dezembro de 1965, com o Parecer 977, conhecido como Parecer Sucupira. Neste ano, segundo dados da CAPES, havia no Brasil, 27 cursos classificados no nível de mestrado e 11 no de doutorado.
O Parecer Sucupira originou-se a partir de um pedido do Ministro da Educação e Cultura, Flávio Suplicy de Lacerda ao Conselho Federal de Educação (CFE)25 sobre a necessidade de implantar e desenvolver a pós-graduação, visando sanar a imprecisão existente sobre a natureza de tais cursos. Tal pedido corroborara uma indicação feita pelo conselheiro Clóvis Salgado para uma conceituação mais precisa dos cursos de pós-graduação, e de caráter mais operacional do que doutrinária, justificando que a definição legal era vaga e podia gerar interpretações discordantes. O próprio relator do Parecer afirma: “Com efeito, o exame dos estatutos e regimentos nos tem mostrado que, de modo geral, falta às escolas uma concepção exata da natureza e fins da pós-graduação, confundindo-se frequentemente seus cursos com os de simples especialização.” (BRASIL, Conselho Federal de Educação, 1975, p. 124)
De acordo com o relator do Parecer, o aviso ministerial, em síntese, apresentava três motivos fundamentais para a instauração imediata da pós-graduação:
1) formar professorado competente que possa atender à expansão quantitativa do nosso ensino superior, garantindo, ao mesmo tempo, a elevação dos atuais níveis de qualidade; 2) estimular o desenvolvimento da pesquisa científica por meio da preparação adequada de pesquisadores; 3) assegurar o treinamento eficaz de técnicos e trabalhadores intelectuais do mais alto padrão para fazer face às necessidades do desenvolvimento nacional em todos os setores. (BRASIL, Conselho Federal de Educação, p. 130)
Segundo o próprio Parecer, o “aviso ministerial” não apenas solicita uma interpretação da LDB, mas também indica pontos básicos que deveriam compor a regulamentação da pós- graduação. Sugere que os cursos sejam organizados em dois ciclos sucessivos, a semelhança do master e doctor do sistema norte-americano, e que sejam uma atribuição das universidades e não de estabelecimentos isolados.
Na introdução do Parecer, o relator salienta que a LDB26, não autorizava o CFE a regulamentar a pós-graduação, sendo necessário buscar apoio jurídico no Estatuto do Magistério Superior27 que em seu art. 25 assegurava: “O Conselho Federal de Educação, no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da data da publicação da presente Lei, conceituará os cursos de pós-graduação e fixará as respectivas características.” (BRASIL, Lei 4.881-A).
25
Os membros do CFE que assinaram o Parecer 977/65 foram: Alceu Amoroso Lima, Anísio Teixeira, Antonio Ferreira de Almeida Júnior, Clovis Salgado, Dumerval Trigueiro, José Barreto Filho, Maurício Rocha e Silva, Newton Sucupira (relator), Rubens Maciel e Valnir Chagas.
26 O artigo 70 da LDB, somente autorizava o CFE a regulamentar cursos superiores que assegurassem o exercício de profissões liberais.
Depois de justificar a necessidade de definir os cursos de pós-graduação, o Parecer discorre sobre a pós-graduação em sete tópicos. Inicia destacando sua origem histórica, reportando-se ao modelo norte-americano, que a compreende como os estudos regulares em grau superior após o bacharelado, e também ao modelo germânico, o qual imprimiu à pós- graduação a característica de ser uma atividade de pesquisa científica e tecnológica.
Em seguida, argumenta que a necessidade da pós-graduação é uma consequência da ampliação de conhecimentos e da especialização das técnicas. Contando somente com a graduação, seria necessário, ou o aumento da duração dos cursos, ou multiplicação das especialidades dos cursos, ou sobrecarregar o currículo. Assim, “[...] o desenvolvimento do saber e das técnicas aconselha introduzir na universidade uma espécie de diversificação vertical com o escalonamento de níveis de estudo que vão desde o ciclo básico, a graduação até a pós-graduação.” (BRASIL, Conselho Federal de Educação, 1975, p. 128) Inspirado no modelo francês, de escalonamento do ensino superior em ciclos sucessivos, propõe uma “infra-estrutura”, que seria responsável pelo ensino, com uma parte humanista e outra de formação profissional, e uma “superestrutura”, destinada à pesquisa. Com isso a pós- graduação torna-se cúpula dos estudos, responsável pela pesquisa científica e pelo treinamento avançado.
Sobre o conceito de pós-graduação, o Parecer explicita sua natureza fazendo a distinção entre pós-graduação sensu stricto e sensu lato. Este segundo sentido corresponde a qualquer curso que se segue a graduação, como os cursos de especialização, tendo como objetivo a formação prática e profissional específica. Já a pós-graduação sensu stricto é “o ciclo de cursos regulares em segmento à graduação, sistematicamente organizados, visando desenvolver e aprofundar a formação adquirida no âmbito da graduação e conduzindo à obtenção de grau acadêmico.” (BRASIL, Conselho Federal de Educação, 1975, p. 132). Possui, pois, objetivos mais amplos e aprofundados, e realiza os fins essenciais da universidade, de conferir grau acadêmico como atestado de alta competência científica em um determinado ramo de conhecimento.
Com a afirmação de que a experiência brasileira em pós-graduação é incipiente justifica a busca por modelos estrangeiros, não para copiar, mas para servir de orientação. Atendendo a sugestão do “aviso ministerial”, recorre ao modelo norte-americano, “[...] cuja sistemática já provada por longa experiência tem servido de inspiração a outros países.” (BRASIL, Conselho Federal de Educação, 1975, p. 132). Destaca inicialmente a divisão em nos níveis de mestrado e doutorado, e a distinção entre mestrado profissional e mestrado
acadêmico (M.A. ou M.S.), e o doutorado profissional e o doutorado de pesquisa (Ph.D.)28. Discorre sobre a relação entre os dois níveis, afirmando que embora hierarquizados, o M.A. não é uma exigência para o Ph.D., e pode ser um grau terminal como sinal de competência profissional e para o magistério secundário. Já o Ph.D. é voltado para o ensino universitário e ligado a atividade de pesquisa. Quanto à duração e métodos, além da defesa de tese, dissertação ou ensaio, exige-se a participação em cursos, a realização de seminários, pesquisas e exames, com, no mínimo, um ano de residência acadêmica, podendo prolongar-se no caso do Ph.D. Destaca ainda a organização em áreas de concentração (major) e matérias conexas (minor), a flexibilidade na escolha de cursos e a necessidade de um professor orientador. Destaca enfim, que a organização sistemática da pós-graduação deve oferecer assistência ao aluno, sem prejuízo de liberdade de iniciativa.
O parecer analisa em seguida o artigo 69 da LDB, afirmando que nele não se determina a natureza da pós-graduação. Faz então uma exegese da lei, explicitando que a pós- graduação é distinta da especialização, constituindo-se como sensu stricto, e deve ser organizada em cursos regulares. O relator reafirma que o CFE tinha competência legal apenas para definir a pós-graduação, e que buscou no Estatuto do Magistério o amparo legal para realizar a regulamentação dos cursos.
Apresenta, então, a definição e características do mestrado e do doutorado em seus aspectos fundamentais, evitando padrões rígidos que prejudicariam a flexibilidade essencial a pós-graduação. Confirma o escalonamento em dois níveis: mestrado e doutorado, mas preserva a autonomia de cada nível; assim o mestrado não é um requisito obrigatório para o doutorado, e pode ser um grau terminal. Propõe duração mínima de um ano para o mestrado, e dois, para o doutorado, com um programa de estudos variado, a ser definido pelo aluno, orientado por seu diretor de estudos; sugere 360 a 450 horas de aula, trabalhos, seminários por ano letivo, além dos estudos e pesquisas individuais. O programa de estudos é composto por duas fases: a frequência às aulas e seminários, culminando com um exame geral, e a elaboração da dissertação, para o mestrado, e tese, para o doutorado. Sobre o doutorado acadêmico ou de pesquisa, não adota a designação americana (Ph.D.) e sugere sua articulação em quatro áreas: Letras, Ciências Naturais, Ciências Humanas e Filosofia; quanto ao
28 Segundo o relator do Parecer, a expressão usada para designar o mestrado acadêmico, Master of Arts ou M.A., tem origem na prática das universidades medievais, referindo-se ao conteúdo da Faculdade das Artes, que era constituído pelas matérias do trivium e do quadrivium. Mestre era o título outorgado ao licenciado no momento da inceptio, quando passavam a fazer parte da corporação de professores. Já a designação do doutorado de pesquisa, ou Ph.D. (Philosophiae Doctor), tem origem germânica, onde a Faculdade de Filosofia, originada na primitiva Faculdade das Artes, é responsável pela outorga do título de doutor, o qual passou a ser conferido a todas as ciências e letras.
doutorado profissional seriam designados pelo curso correspondente. Igualmente não assume a expressão Masters of Arts para o mestrado, propondo que ele seja qualificado pela denominação do curso, área ou matéria correspondente.
O Parecer é encerrado com a enumeração de dezesseis tópicos, a título de conclusões, que, além do explicitado anteriormente, define as áreas de concentração com um campo específico do conhecimento, e o domínio conexo qualquer matéria não pertencente àquele campo; o curso de pós-graduação pode receber diplomados em cursos de graduação diversos, desde que tenham alguma afinidade; que a seleção intelectual seja rigorosa, pois “Se os cursos de graduação devem ser abertos ao maior número, por sua natureza, a pós-graduação há de ser restrita aos mais aptos” (BRASIL, Conselho Federal de Educação, 1975, p. 148); a pós- graduação de pesquisa ou acadêmica, nas universidades, tenha uma coordenação central; aconselha que ao candidato ao doutorado sejam confiadas tarefas docentes e que a pós- graduação seja feita em tempo integral; e finalmente afirma que os cursos devem ser aprovados pelo CFE.
O Parecer foi homologado pelo Ministro da Educação em 06/01/1966 e publicado no Diário Oficial da União em 20/01/1966, tornando-se a referência de conceituação e normatização da pós-graduação no Brasil. Segundo Cury (2005): “[...] do ponto de vista doutrinário, em matéria oficial, esse parecer continua sendo a grande, senão a única referência da pós-graduação em nosso país. Correspondeu, assim, a uma das exigências profundas do movimento da reforma universitária deflagrado na segunda metade da década de 50.” (CURY, 2005, p. 17). Na opinião do relator, o Parecer não impôs um sistema de cursos totalmente distinto da realidade do ensino superior brasileiro, mas “[...] veio ao encontro de experiências que já se generalizavam, embora ainda vacilantes. Deu-lhes forma precisa definindo uma sistemática que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da pós-graduação.” (SUCUPIRA, 1980, p. 17). Na avaliação de Saviani (2008b, p. 310), o modelo de pós- graduação assumido, no que diz respeito ao processo de formação, foi o norte-americano, mas conservou influência do modelo europeu na exigência do trabalho teórico conduzido de forma autônoma pelo aluno.