4. ÇOCUK İZLEM MERKEZİ (ÇİM)
4.6 ÇİM’ nin İşleyişi
Este capítulo tem o objetivo de apresentar as conclusões da pesquisa realizada e oferecer sugestões de estudos futuros voltados para a área da administração pública, mais especificamente a informatização em organizações de saúde.
A pesquisa teve seu objetivo definido pela seguinte questão: A contratação de sistemas informatizados de gestão hospitalar terceirizados, em detrimento do desenvolvimento de sistemas próprios, é a alternativa mais viável para a melhoria da qualidade organizacional da unidade de saúde de alta complexidade componente do SUS estudada? Por quê? A busca da resposta
concentrou-se no estudo de caso único da informatização do Imip.
A análise do referencial teórico, a pesquisa bibliográfica e documental e a pesquisa de campo, esta última abrangendo a aplicação de questionário misto aos colaboradores, questionário aberto aos gestores, e observação simples, que focou o processo de escolha e a avaliação da compatibilidade entre os processos do Instituto e o sistema adotado, possibilitaram chegar à seguinte conclusão, de acordo com o caso estudado:
A contratação de sistemas terceirizados é, de fato, a alternativa mais viável para a melhoria da qualidade organizacional da unidade de saúde estudada.
Esta constatação se deve ao fato de que, segundo os dados coletados na pesquisa, a opção por um sistema terceirizado diminui o tempo de entrada em operação da ferramenta, tornando sua implantação mais rápida, e mantém os processos da organização em consonância com os melhores processos praticados nos diversos hospitais utilizadores do sistema contratado.
Os custos envolvidos também são vantajosos, uma vez que os investimentos iniciais são mais baixos e não se faz necessário a contratação de uma equipe especializada para tratar do desenvolvimento do sistema. Além disso, como o tempo de entrada em operação do sistema terceirizado é menor, os custos com a equipe de profissionais na implantação são mais baixos.
Quanto aos gastos com o funcionamento, a manutenção e o suporte do sistema, também é possível perceber que a opção de terceirização se torna mais interessante. Neste caso, uma comparação entre os valores envolvidos no contrato de manutenção e atualização tecnológica do software terceirizado e os custos com uma equipe própria de programadores e analistas de sistemas para a manutenção de um sistema com a quantidade de processos envolvidos na administração do hospital demonstrou que o contrato de manutenção é menos dispendioso.
DiMaggio e Powell (2005, p. 78) confirmam estes benefícios constatados na pesquisa, quando afirmam que: “As vantagens do comportamento mimético, em termos de economia de ações humanas, são consideráveis”, refletindo de forma importante na racionalização dos custos envolvidos nos processos de implantação, manutenção e suporte ao sistema contratado.
Quando a pesquisa analisa a adaptabilidade dos processos do IMIP àqueles do sistema terceirizado, é possível perceber que, em diversos casos, o sistema terceirizado otimizou os processos organizacionais, uma vez que agrega ao Instituto a experiência trazida pela empresa fornecedora do software, a partir de sua atuação em outras organizações do mesmo campo. Além disso, nota-se uma melhora na qualidade das informações processadas para o faturamento ao SUS.
Tratando desta relação entre as organizações de um campo e seus fornecedores e da possibilidade de desenvolvimento que estes podem agregar à sua operação por meio do intercâmbio, DiMaggio e Powell observam que:
Uma vez que a organização escolhe determinado fornecedor ou distribuidor para determinados componentes ou serviços, o fornecedor ou distribuidor desenvolverá tanto uma expertise para realizar a tarefa como um conhecimento idiossincrático sobre o relacionamento de intercâmbio (2005, p. 82).
É de se notar ainda, quanto à melhoria dos processos organizacionais do Imip, o fato do sistema terceirizado trazer, em sua concepção, modelos desenvolvidos de forma a se adaptar às normas legais vigentes, o que elimina etapas de produção de documentos externamente à sua operação. Neste caso, uma clara alusão a vertente normativa do isomorfismo.
Com o fim de constatar o comportamento isomórfico das instituições em seus mais diversos campos organizacionais, e especialmente nas unidades de saúde, a pesquisa buscou, nas respostas dos utilizadores do sistema e dos gestores da organização, outras características que confirmassem, ou não, traços desta conduta.
Com base nas respostas dos utilizadores e dos gestores ao questionário aplicado, que abordou diversos aspectos da escolha, do treinamento, da implantação e do uso do sistema de gestão hospitalar, a pesquisa pôde constatar em ambos os grupos de respondentes, que a experiência em outros hospitais, ou mesmo sua percepção quanto à similaridade entre as tarefas executadas no Imip e em outras organizações de saúde eram fatores que direcionavam para a contratação de um sistema já existente no mercado. Constatação esta que alude ao comportamento mimético e, à difusão de padrões por meio da contratação de profissionais já habituados à atuação em um determinado modelo. Conforme observado por DiMaggio e Powell (2005, p. 82) ao afirmarem que “Os modelos podem ser difundidos involuntariamente, indiretamente por meio da transferência ou rotatividade de funcionários”.
Ao analisar os objetivos intermediários do estudo, foi possível ainda, identificar diversos elementos que facilitam ou dificultam a implantação de sistemas de informática em unidades de saúde pública, sendo os principais fatores limitadores à implantação de um sistema próprio: o tempo necessário ao desenvolvimento deste tipo de sistema, os custos relativos à montagem da equipe de desenvolvimento e sua posterior manutenção, além do possível isolamento institucional, uma vez que um sistema próprio tenderia a ser desenvolvido segundo as condições internas da organização, o que poderia comprometer o nível de inovação que se buscava.
Os elementos facilitadores, neste caso, seriam uma maior adesão dos funcionários mais antigos aos aspectos do novo sistema, além de uma forte tendência à transposição da cultura organizacional aos processos informatizados.
No que concerne à contratação de sistemas “de mercado”, a pesquisa constatou uma série de fatores positivos, numa clara alusão ao isomorfismo mimético: os custos envolvidos, a velocidade no processo de implantação e a possibilidade de evolução da ferramenta sem a necessidade de investimento em equipe de pesquisa e desenvolvimento, além da similaridade existente entre os processos das diversas organizações de saúde e do intercâmbio organizacional ocasionado pelo próprio uso do sistema.
Os fatores negativos estão relacionados, mais especificamente, às possíveis divergências ou incompatibilidades entre os processos organizacionais e aqueles desenhados no sistema contratado, minimizados pelo comportamento isomórfico existente entre as organizações do campo da saúde, atestado no referencial teórico.
Outros fatores, tais como: o curto período para treinamento, a alta rotatividade dos empregados no nível operacional e a inserção de informações discrepantes com a realidade, também se apresentam como limitadores ao uso do sistema, e estão ligados a ambos os modelos.
Quanto à contribuição do uso de sistemas informatizados na qualidade da gestão da unidade de saúde, o estudo constatou, por meio da pesquisa de campo, que o trabalho dos profissionais pesquisados foi potencializado, segundo a percepção da ampla maioria dos respondentes. Foi clara, também, a percepção dos gestores a este respeito e um deles, inclusive, chegou a afirmar que não seria possível ao Imip atingir o nível organizacional a que chegou sem a contribuição dos sistemas informatizados.
No caso estudado, foi ainda possível observar que o uso do sistema de informação trouxe um benefício não esperado quando de sua implantação, que foi a contribuição para a área de pesquisa clínica. Este aspecto foi notado a partir das crescentes solicitações feitas pelos pesquisadores do instituto à área de tecnologia da informação para que a mesma emitisse relatórios que lhes indicassem tratamentos específicos realizados por pacientes internados no instituto, especificando os mesmos por idade, sexo, endereços e patologias relacionadas, isso sem a necessidade de intervenção ou criação de novas rotinas, fator que aponta para a usabilidade do sistema de informação.
Hoje o Imip utiliza em sua operação um sistema de gestão hospitalar totalmente integrado, que, por meio da operação dos diversos utilizadores, permite aos seus gestores a visualização de diversos pontos ligados à gestão operacional da unidade, como por exemplo, a taxa de ocupação dos leitos, os pacientes internados e o consumo ligado aos pacientes atendidos no hospital, assim como aqueles dados ligados ao estoque ou a administração financeira. Já do ponto de vista da assistência é possível aos profissionais de saúde visualizarem os exames de apoio ao diagnóstico realizados em seus pacientes assim que seus resultados são inseridos nas diversas modalidades laboratoriais, além do acompanhamento das prescrições de medicamentos solicitadas para os pacientes do hospital.
Dessa forma é possível afirmar que a pesquisa de campo, os argumentos e até mesmo o referencial teórico atestam que foi alcançado o objetivo final da pesquisa, qual seja: “Verificar se a contratação de sistemas informatizados de gestão hospitalar terceirizados, em detrimento do desenvolvimento de sistemas próprios, é a alternativa mais viável para a melhoria da qualidade organizacional da unidade de saúde de alta complexidade componente do SUS estudada e por qual motivo”
Contudo, existem aspectos devem ser considerados: primeiro, a atuação do pesquisador como dirigente da organização pesquisada, fato já citado como limitante à aplicação do método. Segundo, alguns fatores relevantes levantados durante a pesquisa de campo, relacionados com a qualidade e o tempo do treinamento apontam para uma atuação da organização no sentido de melhorar este elemento, assim como a necessidade de uma atuação no que se refere a qualidade e a temporalidade da informação inserida no sistema, posto que estes fatores, segundo diversos gestores afeta o uso do sistema de informação. A pesquisa também apontou para a necessidade de se desenvolver ações que venham a minimizar os problemas relacionados com a rotatividade de funcionários, uma vez que o treinamento aos novos contratados foi citado pelos gestores pesquisados como sendo um elemento a ser melhorado.
Quanto ao aproveitamento da pesquisa para outras organizações de saúde, do mesmo perfil, ou de perfil diferente, é de se notar que este estudo não atesta o sucesso de uma ou outra estratégia, pois, como estudo de caso único não pode ser generalizado, todavia este trabalho pode indicar uma referência para estes estudos, desde que, se observem os portes dos sistemas de informação quanto à suas funções e os seus custos com implantação e funcionamento e sua adequação com relação à organização que se pretende informatizar.
Finalmente pode-se colocar que o tema não foi esgotado neste estudo e seu aprofundamento pode ser resultante de pesquisas futuras que explorem, a princípio, três vertentes observadas durante o desenvolvimento do trabalho:
A informatização dos processos em organizações de saúde. Nesta perspectiva, podem ser desenvolvidos estudos que aprofundem esta análise, por meio do estudo de caso de outras organizações de saúde, públicas ou filantrópicas, que tenham adotado outros sistemas, ou mesmo sistemas próprios, de modo que seja possível efetivar comparações.
Uma análise neoinstitucionalista da administração pública sobre a possível presença do isomorfismo institucional no campo da saúde pública, gerado na relação triangular entre as organizações de saúde públicas prestadoras de serviços ao SUS, as empresas fornecedoras de softwares de gestão hospitalar e o Estado, a partir da padronização exigida no funcionamento destas organizações (como exemplo, o fenômeno da acreditação hospitalar) e nas funções destes softwares e seus desdobramentos na gestão das organizações de saúde envolvidas.
A usabilidade dos softwares de gestão hospitalar por parte dos profissionais de saúde, com foco nos médicos e enfermeiros, de organizações de saúde pública, com a perspectiva de explorar os motivos da adesão ou não adesão destes profissionais aos sistemas disponibilizados nestas organizações e os reflexos deste comportamento no trato dos pacientes.