3. ÇEVRESEL DEĞERLENDĠRME
3.3 Çevresel Sürdürülebilirlik
Esta segunda etapa da investigação, seguindo o caminho da Metodologia da Problematização com o Arco de Maguerez, inicia-se pela reflexão a respeito do problema, quando se busca fazer uma análise dos possíveis fatores relacionados ao mesmo, ou seja, daqueles aspectos que possuem maior proximidade com o problema, influenciando-o.
Também faz parte desta reflexão uma análise acerca de determinantes contextuais maiores possivelmente relacionadas ao problema, ou seja, de aspectos da realidade social mais ampla associados às dimensões pedagógicas, políticas, sociais e/ou econômicas, entre outras, que podem, de alguma maneira, estar influenciando a existência do problema e até os fatores elencados no primeiro momento da reflexão.
De acordo com Berbel (1998, p.17), as respostas surgidas dessa reflexão,
[...] darão origem à construção de uma lista de preocupações que merecem respostas, uma lista de novas perguntas a serem respondidas, um conjunto de tópicos a serem investigados ou ainda outras formas de elaboração. O que importa é que esses pontos- chave constituirão a orientação para a continuidade do estudo, que acontece com a Teorização.
Assim, por meio desta análise, busca-se definir qual o foco prioritário do estudo, para que seja possível a melhor compreensão do problema visando uma resposta para o mesmo.
Uma reflexão acerca do contexto acadêmico atual, em que a necessidade de desenvolver pesquisa torna-se crescente, permitiu-nos chegar a alguns elementos, que passaram a subsidiar os pontos-chave considerados essenciais para responder à problemática em estudo.
Tomando como base a IES que elegemos para o nosso estudo, pudemos constatar que um dos elementos relacionados à pesquisa, como forma de estudo dos alunos, está relacionado à tendência, cada vez maior, de atividades de pesquisa expressa pela crescente participação de alunos de graduação em atividades de Iniciação Científica, e pelo aumento de solicitação de bolsas e verbas
para projetos de ensino e pesquisa, envolvendo alunos da graduação. Além disso, notamos também que atualmente há um número maior de graduandos interessados em preparar-se para o ingresso em Programas de Mestrado e Doutorado, visto que o mercado de trabalho e as universidades têm exigido dos profissionais e dos docentes de diversas áreas, uma qualificação mais elevada, sendo a pós-graduação stricto sensu um dos principais caminhos para esta ascensão.
A respeito da pesquisa na formação continuada do professor, tem-se cada vez menos dúvida. Os programas de capacitação de professores, em nível de mestrado e doutorado, apoiados pela CAPES, têm exigido cada vez mais a produção e a disseminação de conhecimentos, advindos da pesquisa acadêmica.
Como já mencionamos, participamos recentemente de situações que envolviam a inserção da pesquisa na formação profissional, em uma IES particular, na qual trabalhamos. Estes fatos também levam-nos a considerar que a pesquisa está gradativamente sendo disseminada como uma atividade significativa na formação profissional, em função dos seus princípios científicos e educativos, o que avaliamos como um avanço.
No entanto, observamos que apesar dessa disseminação progressiva da pesquisa no ensino superior, inclusive em setores de IES que ainda não estão envolvidos com a pós-graduação e de IES particulares e/ou isoladas, que mantém apenas cursos de graduação, ainda não podemos considerar que seja suficiente para implicar uma cultura da pesquisa, haja vista que o fato de existirem programas de IC, e de alunos envolvidos em projetos de pesquisa na IES de referência para este estudo, e em outras universidades, não significa que os princípios educativos da pesquisa, embora possam estar presentes, estejam claramente organizados (sistematizados) e sendo amplamente explorados nessas atividades.
Além disso, verificamos que a literatura parece ainda não contemplar um número expressivo de trabalhos que tratem especificamente do referido tema. Temos buscado, em diferentes tipos de fontes e bases de consulta, por trabalhos que possam nos dar suporte para nossa discussão e, apesar de encontrar trabalhos significativos, alguns deles citados no decorrer deste trabalho, verificamos que a literatura acerca de pesquisa volta-se mais para métodos de pesquisa, seus pressupostos metodológicos, seus procedimentos, e bem menos a respeito da importância da pesquisa na formação das pessoas, ou seja, tratam bem
menos dos princípios educativos da pesquisa.
Com base nesses aspectos, perguntamos: por que esse conhecimento ainda não está suficientemente sistematizado e disponível na literatura? Para responder a essa indagação, apontamos para um possível fator associado ao problema: a pouca importância atribuída aos princípios educativos da pesquisa para o desenvolvimento de habilidades em seus participantes, fato esse que tem contribuído para uma produção restrita nesse sentido. No processo de realização de pesquisa, ao passar por suas etapas as pessoas podem exercitar e desenvolver inúmeras habilidades intelectuais e de outras ordens, contribuindo para a sua formação pessoal e profissional, o que talvez ainda não seja tão conhecido/ explorado no meio acadêmico e escolar.
Na universidade na qual nos formamos em Pedagogia, e também atuamos como docente vinculada ao Departamento de Educação, há programas de Iniciação Científica envolvendo alunos, que tiveram início no final da década de 1980, dado este que revela que a pesquisa, como atividade acadêmica dos alunos é, de certa forma, recente na graduação.
Nesse sentido, Jordão (2004, p. 14) relata em seu relatório, referente ao XIII Encontro Anual de Iniciação Científica, que há uma disposição da IES promotora do evento em oferecer aos seus estudantes uma formação mais abrangente, “que os torne cidadãos, aptos a contribuir para uma sociedade mais competente, igualitária e soberana”. Tal disposição, reflete a amplitude do seu atual Programa de Iniciação Científica – PROIC, que se constitui em um aprimoramento das iniciativas anteriores da instituição.
Por meio de uma tabela apresentada neste relatório, na qual constam números totais e relativos de trabalhos apresentados pelas diferentes IES do Paraná, nos Encontros Anuais de Iniciação Científica – EAICs – realizados, Jordão (2004, p. 14-15) expressa que “o número de trabalhos apresentados por Universidade, nas mais diversas áreas do conhecimento, vem crescendo nos EAICs desde 1991”, fato este que, segundo a autora, evidencia “a capacidade de produção científica das IES paranaenses e a consolidação destas reuniões anuais no Estado”.
Estas informações revelam que as pesquisas realizadas pelos alunos, nos cursos de graduação, vêm sendo cada vez mais valorizada nos últimos anos, o que parece ser um importante fator positivo relacionado à questão da contribuição da pesquisa na graduação e, especialmente, na formação de
professores.
No entanto, a mesma questão possivelmente esteja também ligada à problemática da dicotomia entre teoria e prática e à concepção que se tem de ensino, de conhecimento, a respeito do papel da Educação e das IES.
Em relação à concepção de universidade e ao seu papel, Demo (2005a, p. 75) afirma que “vige entre nós ainda a noção de universidade como organização sistemática de oferta de aula”. Acrescenta que “no aluno está cristalizada a imagem: vai à universidade assistir aulas e fazer provas; se passar estará formado”.
O autor argumenta que alguns elementos colaboram para “estabelecer a cópia como base da profissionalização” e contribuem para a “mediocridade acadêmica”, tais como:
[...] a aula copiada [...], o dirigente que nunca na vida produziu conhecimento próprio, a precariedade da biblioteca e de outros apoios didáticos essenciais, a oferta noturna encurtada, a presença apenas peregrina ou artificial da pesquisa, a própria estrutura física composta apenas de salas de aula [...] (DEMO, 2005a, p. 75).
Tais aspectos podem também estar contribuindo, tanto para a pouca presença de pesquisa na graduação em geral e na formação de professores, em especial, quanto na ausência de preocupação em relação à importância dos princípios educativos da pesquisa para esses grupos. Sabemos que as mudanças no mundo do trabalho influenciam profundamente as reformas educacionais e as políticas públicas, e que nesse cenário de profundas modificações nos modos de produção e nas relações do trabalho está em curso um processo que busca uma redefinição do papel da educação, numa tendência de fortalecimento intelectual e político do professor (KINCHELOE, 1997). Mas, por outro lado, julgamos ser necessário ficar atentos aos conteúdos presentes nas entrelinhas de documentos e de discursos, analisando-os cuidadosamente em relação aos aspectos que podem estar ocultos, dissimulados e, ao mesmo tempo, embasando documentos e discursos, repercutindo nas ações propostas. Portanto, ao questionarmos as concepções e abordagens que fundamentam algumas das propostas político- educacionais, ao consultarmos algumas análises acerca das implicações, finalidades, estratégias e possíveis consequências dessas propostas, tivemos a intenção de situá-las e refletir a respeito das mesmas.
Com essa reflexão, identificamos algumas possíveis determinantes contextuais relacionadas ao problema deste estudo e aos próprios fatores já elencados. São eles elementos ou decisões mais distantes e contextuais, mas, nem por isso, de menor importância, que exercem influência marcante ou interferem na realidade problematizada.
Opinamos que, dentre essas possíveis determinantes do grau da presença da pesquisa como atividade realizada pelos alunos nos cursos de graduação, especialmente nas licenciaturas, possa estar a atuação de grande parte dos professores, alicerçada ainda em concepções tradicionais e tecnicistas de educação e ensino, que enfatizam a transmissão e a reprodução de conteúdos e que não priorizam o exercício do pensamento crítico, o desenvolvimento da autonomia intelectual e nem a construção de conhecimentos.
Essa característica instrucional, típica do modelo tecnicista, parece estar ainda presente nas ações políticas, permeando a mentalidade e as posturas de seus envolvidos, o que, de certo modo, contribui para o quadro, tal como se configura: uma forte tendência reprodutivista que vai pela contramão da autonomia, produção de conhecimentos e formação com pesquisa.
Demo (2005a) levanta o aspecto da oferta privatista, que tem no lucro sua razão principal e que, por conta disso, cultiva apenas cursos caracterizados por meras aulas, como se isso fosse suficiente. O autor menciona a existência de licenciatura curta para professores básicos, explicando que esse encurtamento dos cursos de licenciatura compromete gravemente a formação de competência3 do professor. Também comenta que, agregando ao âmbito da oferta privada a situação de instituições públicas, universidades ou não, a questão financeira pode ter relação com a pouca proposta de pesquisa aos alunos e a consequente exiguidade de pesquisas a respeito de sua importância, pois, a realização de pesquisas demanda um tempo que custa às instituições.
Assim, conforme Demo (2005a), outra conseqüência desse sistema seria um quadro de professores com planilhas carregadas de aulas e outras atividades administrativas, e que, em geral não se sentem estimulados a pesquisar.
3 O termo competência é definido por Demo (2005a, p. 55) como “a capacidade de fazer e fazer-se
oportunidade [...]”; é definido também como “processo de formação do sujeito histórico capaz de inovar, mas sobretudo humanizar a inovação”, Tal conceito, segundo o autor, refere-se ao desafio da inovação por meio do conhecimento, para a formação do sujeito capaz de intervir eticamente na sociedade e na economia, jamais se restringindo à competitividade, embora a implique naturalmente.
Professores que não praticam e não valorizam a pesquisa como forma de construção de conhecimento e do desenvolvimento do futuro profissional, provavelmente não podem sequer cogitar em propô-la como atividade educativa aos seus alunos.
Salientamos que essa rede de eventos talvez esteja contribuindo para que a questão aqui tomada para estudo seja um campo de conhecimento ainda pouco desenvolvido, mas, reconhecemos que há também um conteúdo interessante, em potencial, a ser explorado, a fim de ampliar a nossa compreensão a respeito.
Conscientes de que nem todos esses aspectos poderão ser verificados com um só estudo, mas também cientes da relevância de se dar alguns passos na ampliação da construção desse conhecimento e de sua discussão, para a continuidade da investigação, elegemos os seguintes pontos-chave:
1. Pesquisa e formação de professores nas licenciaturas, a partir da literatura e de documentos formais.
2. O que expressam os autores a respeito do desenvolvimento de aprendizados do futuro professor a partir da pesquisa.
3. Contribuições proporcionadas pelas pesquisas realizadas por acadêmicos de licenciatura, para sua formação profissional, na percepção de docentes e alunos.
Passaremos, a seguir, a anunciar a Teorização, cujo desenvolvimento encontra-se descrito na Parte 2 deste trabalho.