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2. KURAMSAL TEMELLER ve KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.4. Karbon Ayak İzi Tanımı

2.4.1. Çevre Mühendisliğinde Karbon Ayak İzinin Önemi

Como o eixo que norteia este trabalho é a retórica do medo nos gêneros escolares, parece relevante, de início, situar historicamente a retórica e as paixões, para, em seguida, tratar dos estudos dos gêneros, inclusive na perspectiva dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Língua Portuguesa. Como referência teórica, buscaremos as idéias de Platão, Aristóteles, Mosca, Meyer, Perelman & Olbrechst-Tyteca (sobre retórica e argumentação), Bakhtin, Bazerman, Marcuschi, Meurer e Motta- Roth (sobre os gêneros textuais).

Na antiga Grécia, havia duas escolas que preparavam o cidadão para a vida pública da cidade. O que se ensinava nessas escolas oscilava entre a geometria, a filosofia e a retórica. Na escola isocrática, predominava o ensino da filosofia e da retórica. O falar bem pertencia ao campo retórico e o pensar, ao da filosofia. Eram disciplinas equivalentes, que formavam um único corpo de estudos. Na escola platônica, procurava-se mostrar a diferença entre a filosofia e a retórica. Há em Platão conceitos e conteúdos diferenciados para essas disciplinas: a retórica ocupava-se da arte do bem falar; a filosofia abordava, especificamente, questões relativas à alma. Na visão platônica, a filosofia era superior à retórica, e, como pertencia ao plano das idéias, não fazia parte do logos, do discurso, pois o discurso carregava as marcas do humano e de suas contingências, constituindo-se em campo fértil para engendrar e arquitetar as proposições e os julgamentos demonstrados por meio do caráter convincente que poderiam adquirir, por habilidade do orador, como verdadeiros.

Assim, há na filosofia platônica uma dicotomia entre os planos físico e espiritual. Platão afirmava que o homem comum vivia de suas paixões e o filósofo, de suas idéias. Neste contexto, deve-se entender "idéia" como o espaço onde são criados os conceitos. Para melhor explicar essa distinção entre mundo espiritual e mundo físico, o pensador comparou a alma a uma carruagem movida por cavalos e dirigida por um cocheiro. Nessa imagem, os cavalos simbolizariam o desejo sensível e força da resistência desse desejo — o mundo físico, portanto, com seus apetites e paixões. O cocheiro, por sua vez, representaria a razão, elemento harmonizador entre o apetite da carne e a elevação do espírito. Nessa visão alegórica, a razão buscaria o Bem, a Beleza espiritual e de sua prática, enquanto a ignorância, ou a ausência da razão, seria mero produto da paixão cega e automática. O filósofo considerava como sábio, portanto, o homem que buscasse o Bem e, com isso, conseguisse superar suas paixões.

Em O banquete, Platão idealizou uma complexa situação em que várias personagens, inclusive Sócrates, reúnem-se para discorrer sobre o Amor, uma das paixões de que falará mais tarde Aristóteles. Platão aborda o tema por intermédio de seus personagens e de um verdadeiro jogo dialético em que cada orador advoga seu ponto de vista, sem excluir nenhuma das teses apresentadas. Conteúdo e forma parecem igualmente importantes, haja vista a quantidade de referências mitológicas, proverbiais, as imagens, as analogias, tudo visando, entre outras questões, à qualidade da argumentação.

Fonseca (2003) observa, na introdução de Retórica das paixões, que Aristóteles elaborou a retórica com o intuito de mostrar o caráter deficiente e pouco filosófico do tratamento dado a esse campo de conhecimento pela escola de Isócrates. A concepção aristotélica do saber humano diferia muito das exigências de Platão, já que Aristóteles preferia utilizar-se do mundo da

doxa, da opinião, e não se prendia aos questionamentos filosóficos que

tentavam levar a certezas filosóficas. Comenta ainda a autora que Aristóteles foi quem estabeleceu leis e regras para a retórica, que, para ele, devia ser, sobretudo, uma rigorosa técnica de argumentar.

Se a lógica procura alcançar a demonstração irrefutável, a retórica utiliza silogismos que, embora convincentes, são refutáveis e a que o pensador denomina entimemas. Ainda segundo Fonseca (2003), mesmo quando se tratava de fins políticos, o pensador não acharia aconselhável a utilização exclusiva de verdades universais, pois seria significativo o papel das opiniões que, de fato, constituíam as premissas do raciocínio retórico. Assim, para sustentar ou anular uma tese, era de responsabilidade do orador descobrir o que havia de persuasivo em cada questão.

Para esclarecer diferenças entre Platão e Aristóteles no tratamento dado à questão retórica, vale observar que, na concepção platônica, a retórica seria imoral; para Aristóteles, nem moral nem imoral — consistiria, antes, em uma forma de defender idéias mediante o uso da palavra e não da força física. Assim, para Fonseca (2003:XIII), "seria absurdo que fosse vergonhoso não poder defender-se com seu corpo, e que não fosse vergonhoso não poder defender-se pela palavra, pois isso é mais próprio do homem do que servir -se do corpo".

Mas as divergências entre os dois pensadores não dizem respeito só ao mundo da opinião e ao caráter moral, imoral ou neutro da retórica. Ainda de acordo com Fonseca (2003), se Platão restringiu a exploração das paixões, Aristóteles deu total apoio a estas, exigindo, porém, orientação e comedimento para não se chegar a exibições dramáticas.

As paixões na filosofia aristotélica devem ser entendidas como emoções de caráter transitório e passageiro, provocadas pelo orador naqueles o que o ouvem, com a intenção de atingir seu objetivo, ou seja, a concordância com suas idéias. Logo, ao se referir às emoções e seu caráter efêmero, melhor seria pensar em estar e não em ser: a primeira ação reenvia ao princípio de transitoriedade característico do terreno dos sentimentos; a segunda, ao da permanência — e, por isso, de modo algum se integra ao caráter das emoções. Ademais, os meios de que se deve servir o orador para acionar as paixões não são apenas os de ordem objetiva lógica e intelectual, que permitem aproximação às verdades irrefutáveis; são também os de caráter subjetivo: o ethos, o logos e o pathos.

De acordo com Meyer (1993), se as paixões já estão engendradas na filosofia platônica, Aristóteles é quem sistematiza os princípios da retórica e da lógica utilizados para chegar à verdade dos raciocínios silogísticos e dos entimemas. A diferença, porém, consiste no fato de que, para a lógica, o objetivo é a verdade irrefutável e, para a retórica, embora silogismos e entimemas sejam convincentes, a verdade daí proveniente pode ser contestada, o que admitiria concordância entre teses aparentemente contrárias entre si. Portanto, na concepção de Aristóteles, um orador poderia sustentar ou refutar determinada tese, desde que, pelo exercício do pensamento e da reflexão, descobrisse aquilo que cada questão encerrava de persuasivo. Seria isto a busca da verdade pela dialética.

Aristóteles escreveu três compêndios sobre a retórica (cf. Aristóteles, 2003). No primeiro, demonstra que a retórica não se restringia apenas à arte do bem falar, da eloqüência, concepção esta ainda comum sobre a retórica. Veja-se, por exemplo, a definição de retórica no Dicionário Houaiss da língua

portuguesa: "retórica s. f. 1 Fil. Ret. a arte da eloqüência, a arte de bem

argumentar; arte da palavra 2 p. ext. Ret. conjunto de regras que constituem a arte do bem dizer, da eloqüência; oratória." Mesmo considerando a expressão "bem argumentar", não há referência ao aspecto persuasivo do discurso, mas indicações claras sobre a arte da eloqüência e do bem dizer. Idéia bem compatível com a do senso comum, que designa qualquer discurso empolado e sem sentido como "só retórica", que sugere ser a retórica um amontoado de palavras bonitas e vazias de significados.

Em lugar de limitar a retórica à mera palavra bonita e bem colocada, Aristóteles referia-se ao grau de objetividade do discurso (logos), ou seja, à palavra empregada com racionalidade, pois, para o filósofo, a argumentação demonstrativa devia acontecer através de provas (pisteis), elemento constituinte essencial do discurso e, portanto, da tarefa do orador para conduzir racionalmente o que pretendia demonstrar. Incluía-se também como elemento integrante das provas o provocar emoções no auditório. Seriam estas as provas de caráter subjetivo, também utilizadas com a intenção de convencer ou de persuadir.

Aristóteles afirma, no segundo livro dedicado à retórica que apenas as provas demonstrativas não seriam suficientes para se obter a confiança do auditório. E, tendo a retórica como finalidade um julgamento, seria necessário não só atentar para o discurso, a fim de que fosse demonstrativo e digno de fé, mas também provocar paixões que, para o pensador, eram todos os sentimentos que causavam mudanças nas pessoas e faziam diferir seus julgamentos. Para o pensador, as paixões constituiriam um teclado no qual o bom orador devia tocar para convencer. Nessas condições, para despertar o pathos, seria preciso, antes, conhecer o ethos do orador. Observa-se nessa concepção uma verdadeira dialética passional em que a retórica sempre servia para ajuste das diferenças, das contestações. O bom orador devia estar atento, se pretendia persuadir ou convencer. Assim, "para quem se preocupa com o resultado, persuadir é mais do que convencer [...]. Em contrapartida, para quem se preocupa com o caráter racional da adesão, convencer é mais que persuadir" (Perelman & Olbrechst-Tyteca, 1996:30). Isto é, o orador deve buscar a interação com o outro, por meio da harmonia discursiva em que ethos, pathos e logos são elementos indissociáveis para o afiançamento social do discurso.

Meyer (2003), no prefácio de Retórica das paixões, enfatiza que a questão passional já se fazia presente em Aristóteles e Platão, nos sofistas e, talvez, em Sócrates. Sobre os sofistas, diz este autor: "utilizavam-se da abertura do pensamento, com suas alternativas tornadas insolúveis, para promover as mais presunçosas opiniões sem se constranger, quando de seu interesse, ao defender depois a tese contrária" (Meyer, 2003:20).

O autor esclarece que Sócrates tinha a intenção de desmascarar os sofistas, ao questioná-los quando tentavam justificar suas teses em função de seus próprios interesses e, por isso, não lhe perdoariam ter provado ser injustificável seu desejo de alcançar altos postos políticos.

Ao comentar as idéias de Platão, Meyer (2003) diz que o filósofo pensava ter criado uma nova teoria do logos, um logos racional que determinaria as condições para um novo responder possível e que resolveria os questionamentos socráticos. Isso,ressalta o autor, talvez tenha levado

Platão a rejeitar "a incerteza das alternativas, a insolubilidade dada à multiplicidade das opiniões, o caos do sensível" (Meyer, 2003:20).

Se as idéias máximas do pensamento platônico, como Amor, Justiça, Verdade e Beleza, fazem parte das essências e remetem ao mundo inteligível ou espiritual e as paixões dependem do mundo sensível ou material, cabe uma pergunta: a teoria das idéias teria nascido da restrição do

logos? Tudo faz crer que sim, e o próprio Platão, na opinião de Meyer

(2003), parece responder a tal questionamento, quando recorre, no Fedro, à alegoria, ao mito, às imagens para falar do que escapa à razão, do que a esta se opõe e que, apesar disso, deveria a esta voltar.

Não há como limitar o humano ao aspecto racional, pois nele um princípio ativo e outro passivo estabelecem uma dinâmica de compensação, em que paixão e ação entram em conflito, ainda que em convivência. Entretanto, a paixão no pensamento platônico visa explicar que o homem não se preocupa com a razão nele oculta. Ou seja, para Platão, a paixão é o que retém o homem na ignorância e a razão, o que lhe permite o conhecimento.

Aristóteles, ao retomar os questionamentos platônicos por meio da dialética ou da retórica, restitui ao logos seu caráter opinativo, de possibilidade, de provável, e é isso o que o aproxima do terreno das paixões onde estão os conflitos e opiniões humanas.

A questão passional, no pensamento aristotélico, ao contrário do que se lhe impunha a restrição platônica, ocupa o lugar em que os homens se enfrentam, concordam ou discordam consigo mesmos e na interação com o outro, movidos pelo temor, pela coragem, pela vergonha, pela inveja ou outra paixão — mas, com certeza, fazendo uso da linguagem.

Meyer (1993) observa que o sujeito, para Aristóteles, é uno e múltiplo ao mesmo tempo e do mesmo ponto de vista — uno como sujeito e múltiplo no predicado —, sendo essa multiplicidade predicativa o que Aristóteles chama de categorias do ser. A categoria predicativa seria o lugar em que se encontram os adjetivos, os qualificadores, isto é, as características subjetivas, tão variáveis e, por isso mesmo, dependentes do contexto

histórico, social e cultural. Mesmo que cada ser apresente características intrínsecas ao seu próprio eu, não se pode negar o aspecto de mutabilidade variável de acordo com as circunstâncias. Se assim não fosse, perder-se-ia o que é inato no humano, ou seja, a possibilidade de crescer, aprender, sofrer, alegrar-se, indignar-se, etc.

A noção de paixão (pathos) discutida por Meyer (1993) apresenta uma ambigüidade por ser, em princípio, a voz da contingência, da qualidade que se vai atribuir ao sujeito e, portanto, está fora dele. O pathos seria, sob esse ponto de vista, tudo o que não é o sujeito e, ao mesmo tempo, tudo o que ele é. Seria, por outro lado, a afirmação da identidade. Como afirma o autor, o homem em Aristóteles jamais está só, pois, além da companhia de outros e de suas paixões, não haveria lugar onde se pudesse esconder as paixões de cada um. Depreende-se assim que, se o eu não tiver a companhia do outro com suas paixões, terá, inevitavelmente, a própria companhia e de suas próprias paixões. Idéia que Meyer (1993) confirma, ao dizer que a paixão não está só na relação com outro e na representação interiorizada da diferença entre esse outro e nós, mas é o lugar onde se negociam identidades e diferenças, sendo, então, o momento retórico por excelência, constituindo-se, portanto, como respostas às inferioridades e às superioridades.

Compreende-se, assim, que é no campo das paixões que se dão os conflitos e as diferenças entre os humanos, que devem resolver tais conflitos e diferenças pelo bom uso do discurso, sem, contudo, deixar-se levar pelo descomedimento. O que, sem dúvida, deve acontecer pela habilidade do argumentar na intenção de construir uma identidade onde há diferenças e contestações.

Como observa Meyer (1993), Aristóteles apresenta uma concepção de paixão um tanto incongruente com a concepção do senso comum — que, provavelmente, não imagina pertencerem ao terreno das paixões sentimentos como favor, vergonha, impudência, temor, segurança, inveja, indignação, desprezo, amor, compaixão, emulação, ódio, indignação e desprezo e, muito menos, que as paixões aristotélicas, na Retórica, refletem

as representações que fazemos do outro, considerando o que esse outro é para nós, realmente ou no domínio na nossa imaginação.

Mosca (1997) justifica a vitalidade dos estudos retóricos na atualidade, não só pela solidez e perenidade das idéias de Aristóteles — que admitem a aceitação da mudança, a alteridade e a consideração da língua como lugar de confrontos e de subjetividades —, mas também porque a retórica se insere no exercício da reflexão pessoal, no domínio dos conhecimentos prováveis, no terreno da verdade e aparência de verdade, da verossimilhança, logo, no espaço em que há lugar para a sensibilidade, a sedução, o fascínio, as crenças e as paixões. Ademais, o universo retórico é formado pelo embate de idéias e pela habilidade em manejar o discurso. E, se argumentar é fruto de uma atividade interativa, vale considerar o outro como capaz de reagir e de interagir ante as teses e propostas que lhes são apresentadas.

A autora esclarece que,

[...] a partir dos anos 60, as teorias retóricas modernas representadas, sobretudo pela teoria argumentativa de Perelman e seus continuadores e pela Retórica Geral ou Generalizada, do Grupo U de Liége (Bélgica), vêm retomar a velha Retórica e, ao mesmo tempo, renová-la, valendo-se dos avanços trazidos por diversas disciplinas que se afiguraram no nosso século: a Lingüística, a Semiologia \ Semiótica, a Teoria da Informação, a Pragmática (Mosca, 1997:18).

Entende-se, a partir dessas observações, que o campo da retórica está longe das restrições que lhe impuseram no decorrer da história, como, por exemplo, o estudo das figuras retóricas, a questão da mera eloqüência. Hoje, a retórica trabalha em outro nível de linguagem que não apenas o verbal. Se a limitaram, no passado, à rigidez dos cânones com fórmulas que nortearam toda a produção e a avaliação de obras concretas, houve, por outro lado, quem lhe conferisse o estatuto de ciência:

De todas as disciplinas antigas, é a que melhor merece o nome de ciência, pois a amplidão das observações, a sutileza da análise, a precisão das

definições, o rigor das classificações constituem um estudo sistemático dos recursos da linguagem, cujo equivalente não se encontra em qualquer dos outros conhecimentos daquela época (Guiraud, apud Mosca, 1997:19).

Outro fator que, na opinião de Mosca (1997), ainda valida a retórica são as representações, os simulacros de que todos nós fazemos uso em nossos discursos, nas nossas relações, idéia amparada pelo pensamento aristotélico na referência sobre verdade e aparência de verdade.

Sobre a arte de argumentar e a retórica como técnica para convencer e persuadir, lembremos a pertinência entre os estudos modernos da argumentação e o que preconizava a retórica aristotélica:

O objetivo de toda argumentação, já o dissemos, é procurar aumentar a adesão dos espíritos às teses que se apresentam a seu assentimento: uma argumentação eficaz é a que consegue aumentar essa intensividade de adesão, de forma que se desencadeie nos ouvintes a ação pretendida (ação positiva ou abstenção) ou, pelo menos, crie neles uma disposição para a ação, que se manifestará no momento oportuno (Perelman & Olbrechst- Tyteca, 1996:50).

Observe-se que estão contidas nas idéias de Perelman & Olbrechst- Tyteca (1996), além da noção do discurso persuasivo que atua sobre o ouvinte pelos logos (palavra, razão), a do caráter do orador (ethos), que deve estar em afinidade com o ouvinte, despertando-lhe confiança e ganhando credibilidade ao que vai dizer, e o movimento das paixões (pathos), reações que o orador desencadeia no ouvinte. Também para Mosca (1997), as noções de logos, ethos e pathos, como elementos de persuasão de que se utiliza o orador, constam das definições posteriores à retórica clássica, como instruir (docere), comover (movere) e agradar (delectare). Sendo assim, as novas retóricas mantêm forte vínculo com as idéias do passado, visto que se apóiam no caráter interativo e dialógico da linguagem, tanto ontem, quanto hoje.

Perelman & Olbrechst-Tyteca, em seu Tratado da argumentação, tratam dos vários tipos de argumentos de que um orador pode dispor na

organização de seu discurso e que os autores classificam em três categorias: quase-lógicos, baseados na estrutura do real e os que fundam a estrutura do real. Dentre os inumeráveis argumentos estudados pelos autores, nessas categorias, destacamos aqueles expostos a seguir, visando reconhecê-los em nosso material de análise.

a) Quanto aos argumentos que se fundamentam no ridículo: uma afirmação é ridícula, na opinião dos autores, se entra em conflito, sem justificativa, com uma opinião aceita, contraria o princípio da lógica, embora seja um recurso que permite ao orador contrariar as manifestações opostas às premissas de seu discurso.

b) Argumentos que recorrem à ironia: exigem de quem os utiliza conhecimentos complementares acerca de fatos e normas, bem como um acordo entre orador e ouvinte, pois a opinião do orador não pode gerar dúvidas.

c) Sobre o exemplo: na argumentação, o exemplo, na opinião dos autores, deve usufruir do estatuto de fato, por ser incontestável, pois fundamenta uma regra e deve ser incontestável. Já a ilustração tem como função reforçar a adesão ao auditório a uma regra já conhecida e aceita e, por isso, pode ser duvidosa, embora deva impressionar.

d) Argumentos pragmáticos: são aceitos pelo senso comum, porque não requerem nenhuma justificativa, posto que permitem apreciar um ato ou acontecimento, conforme suas conseqüências sejam favoráveis ou desfavoráveis ao que se defende ou contraria.

e) O recurso ao lugar da quantidade: na argumentação afirma ser uma coisa melhor que outra pela quantidade, assegurando, portanto, por razões quantitativas, a superioridade do que aparece em maior número de vezes.

f) O argumento de autoridade: é de extrema importância, pois, mesmo que se conteste seu valor, não se pode descartá-lo como irrelevante, já que