em 1998, a Division of Bibliographic Control e o Universal Bibliographic
Control e o International MARC Program da iflA nomeou o grupo de traba-
lho Functional Requirements and Numbering of Authority Records (fRANAR). um dos três encargos do Grupo de Trabalho era “definir requisitos funcionais de registros de autoridade, continuando o trabalho dos fRBR” (iflA, 2009). o Grupo de Trabalho preparou vários resumos de um modelo conceitual que define esses requisitos funcionais. em 2003, o modelo era denominado fRA- NAR, como o nome do grupo de estudos (Patton, 2003). em 2005, a primeira versão preliminar do modelo, então chamado Functional Requirements for Au-
thority Records (fRAR), foi disponibilizada para revisão e renomeada para Functional Requirements for Authority Data (fRAD) (Moreno, 2009).
o modelo conceitual que o Grupo de Trabalho desenvolveu pode ser mais bem descrito como: entidades no universo bibliográfico, como os identifi- cados no fRBR, são conhecidos por nomes e/ou identificadores. No processo de catalogação esses nomes e identificadores são usados como base para a cons- trução de pontos de acesso controlados.
simplificando, no fRAD, uma entidade bibliográfica como uma obra, uma pessoa ou objeto é “conhecido por” um nome e/ou identificador; por sua vez, o nome e/ou identificador é a “base para” um ponto de acesso controlado, isso como uma entidade fRAD. Por sua vez, um ponto de acesso controlado pode ser “registrado em” um registro de autoridade, outra entidade fRAD. esse conceito é representado na figura 44.
Figura 44 – Base fundamental para o fRAD. fonte: Baseado em iflA (2007a, p.4 e 63).
Entidade nome
o modelo fRAD não inclui “Título” como um atributo da obra, expres- são ou Manifestação. isto acontece porque o fRAD trata o “Nome” ou “Títu- lo” da obra, expressão ou Manifestação como uma entidade separada dentro do modelo. A entidade Nome é ligada às entidades obra, expressão ou Mani- festação no fRAD por meio de um relacionamento “conhecido por”, isto é, a obra, expressão ou Manifestação é “conhecida por” um ou mais Nomes. A entidade Nome no fRAD contém vários atributos, incluindo “Tipo do nome”, definido como a categoria do nome, por exemplo, nome pessoal ou nome cor- porativo. No caso do nome de uma obra, o tipo do nome seria “Título da obra” (figura 45).
Figura 45 – Relacionamento da obra com outras entidades fRAD.
Entidade identificador
o modelo fRAD define também a entidade identificador que é definida como “um número, código, palavra, frase, logo, dispositivo, etc. que é associa- da unicamente com uma entidade, e serve para diferenciar esta entidade de outras entidades dentro do domínio no qual o identificador está associado” (iflA, 2007a, p.13).
um número de código de barras, por exemplo, é um número que identifica unicamente uma entidade como o item (figura 46), entretanto a entidade identificador do fRAD pode estar relacionada a qualquer entidade fRBR para identificá-la unicamente.
Figura 46 – Relacionamento do item com outras entidades fRAD.
o grupo também desenvolveu tarefas do usuário, à semelhança das encon- tradas nos fRBR (iflA, 2007a, p.50) e definiu qual o grupo de usuários a que se destinam os dados de autoridade.
Para os propósitos desta análise, os usuários de dados de autoridade são amplamente definidos a fim de incluir:
– criadores de dados de autoridade que criam e mantêm arquivos de autoridade; – usuários que utilizam informação de autoridade através de acesso direto aos arquivos de autoridades ou indiretamente através do ponto de acesso con- trolado (formas autorizadas, referências etc.) em catálogos, bibliografias na- cionais, outras bases de dados similares etc.
segundo Patton (2009), no fRAD, do mesmo modo como no modelo fRBR, as entidades, atributos e relacionamentos foram mapeados em conso- nância com as tarefas do usuário, com o objetivo de explicar como os dados de autoridade apoiam cada tarefa específica do usuário.
Ainda, o autor destaca que os fRAD já têm sido incorporados no Interna-
tional Cataloguing Principles (icP) e no RDA.
As tendências futuras mostram os fRBR com um conceito acima dos códi- gos e normas, entretanto são baseados nelas, como as isBDs e como forma de revisão de formatos como o MARc, isso os torna passíveis de expansão e ob- jeto de pesquisa na área da catalogação e provavelmente gerará um grande im- pacto no futuro da organização do conhecimento.
6
O USO
DA
MODELAGEM
CONCEITUAL
DE
DADOS
NO
PROCESSO
DA
CATALOGAÇÃO:
UMA
PROPOSTA
BASEADA
NOS FRBR
A principal função dos modernos profissionais da informação está na me- diação da informação entre os ambientes informacionais e os usuários. Nesse sentido, justifica-se a visão de Araújo e freire (1999, p.10):
[...] na era do conhecimento, cabe a nós, profissionais da informação, esse pa- pel de mediador dos discursos, aproximando produtores e usuários do conheci- mento [...]. e precisamos fazê-lo de tal forma que a consciência dos receptores seja respeitada em seus limites e aproveitada em suas possibilidades: além da organização do conhecimento em sistemas, nosso campo de atuação abrange a análise e a reformulação dos conteúdos da informação. isso significa um maior envolvimento não somente com o fazer, com a prática profissional, com o co- nhecimento em si dos conceitos e tecnologias disponíveis na ciência da infor- mação e áreas correlatas – significa uma profunda interação com o usuário final.
A metodologia de construção do catálogo é derivada do conceito da catalo- gação vista como um processo subdividido em duas fases:
1) o projeto do catálogo: fase em que o catalogador baseado em neces- sidades e requisitos informacionais define as estruturas dos objetos e elementos de representação e seus relacionamentos;
2) A descrição do objeto documentário: fase em que o catalogador realiza a entrada de dados em um registro baseado em um padrão de metadados e a definição dos pontos de acesso deste registro com base em normas de catalogação.
É preciso concentrar esforços para que a disciplina Representação Descri- tiva deixe de ser encarada como um recurso meramente técnico da Bibliotecono- mia, em que o treino da redação de fichas catalográficas será suficiente para ca- pacitar um profissional ao desempenho de sua função em um sistema de informação. Providências imediatas são necessárias para modernizar e expandir o preparo do bibliotecário no que se refere a catalogação. É importante que se pense na reformulação do conteúdo e da metodologia da disciplina de Represen- tação Descritiva, para ser assimilada de forma coerente pelo aluno. É preciso que ele compreenda o papel da catalogação e conheça sua relação e inter-relação no contexto informacional de um sistema. É necessário, enfim, se desmistificar a ideia de que o fazer da catalogação seja um produto absoluto e completo que se encerra nele mesmo.
esta obra contempla a reflexão da extensão do processo de catalogação no que tange à etapa de projeto de um catálogo, no qual o profissional da informa- ção detém as competências necessárias para, com seus conhecimentos prévios da disciplina de representação tradicional, planejar e implementar modelos de dados, utilizando-se de métodos conceituais de modelagem.
Diante disso, apresenta-se o conceito de projeto de catálogo contemplando métodos e regras já estabelecidas na área da representação da informação sob os aspectos e requisitos dos fRBR e fRAD, somados a modelos oriundos da área da ciência da computação que estudam o tratamento da informação no âmbito conceitual, lógico e de persistência.