3 16 YÜZYIL OSMANLI DÖNEMİ SANAT HAYAT
6.2. Çadırın Tarihi Sürec
Ao propormos neste estudo desvelar as condições de precariedade em que sobrevivem as famílias dos Adolescentes Privados de Liberdade, desejamos ressaltar, como já mencionado na Introdução deste trabalho, que esta intenção de pesquisa está vinculada a nossa trajetória como Assistente Social, Coordenadora do Centro Educacional Pitimbu – CEDUC – Município de Parnamirim/RN, no período de 1997 a 1999. Experiência que nos fez crescer profissionalmente, implicados na vivência do cotidiano dos adolescentes do CEDUC, quase que sempre marcado por situações de dor. Uma experiência desafiadora que nos impulsionou a levantar questionamentos que se assemelhavam àqueles questionamentos dos familiares que, diante da miserabilidade da vida e da dor, se constituem de fato em Famílias Privadas de Liberdade.
Situando a historicidade desta experiência é importante destacar que nos primeiros meses da administração, tínhamos um número muito alto de evasão dos adolescentes, muitas fugas, e isso nos preocupava muito.
Quando da nossa chegada à Instituição, na primeira semana, recebe-se a notícia de que um dos adolescentes que estava evadido tinha sido assassinado. Logo tínhamos que tomar todas as providências legais, inclusive de comunicar ao Juizado da Infância e da Juventude. Naquele momento percebemos todo o trabalho que teríamos pela frente, que era necessário começar primeiro, a desconstruir algo que historicamente foi construído e que parecia não ter mais jeito, para depois reconstruir ou construir novos valores, costumes, etc., pois em nível de senso comum ouvíamos diariamente, (da parte de alguns técnicos e profissionais), que “esses meninos não têm mais jeito”, “pau que nasce torto, morre torto”, “isso já é ruim de família, é trabalho perdido”, “esse é o
destino desses meninos, cemitério ou penitenciária”. No nosso entendimento, esses “ditados” expressam uma forma de justificar, a incompetência de muitos técnicos ou profissionais que ali se encontram sem o devido preparo e formação para trabalhar nesse tipo de Instituição, não lhes sendo possível fazer uma leitura de uma realidade tão complexa, dúbia, nebulosa e dramática em que vivem esses adolescentes e suas famílias. Uma realidade desafiadora, com possibilidades e limites que necessita ser desvelada para que se possa perceber o processo de desenraizamento pelo qual passam essas famílias com suas crianças e adolescentes.
Diante do caso do assassinato do Adolescente com o qual nos defrontamos, a própria família procurou a FUNDAC, solicitando ajuda para o funeral, pois não tinha condições para pagar o funeral do filho. Presenciando a dor daquela mãe aflita, muitos questionamentos nos eram postos. O adolescente deveria estar no CEDUC, então era responsabilidade da Instituição, do Estado. O que de fato estávamos fazendo? Por que tantas evasões? O que estava favorecendo as fugas? Eram múltiplos os determinantes sociais, econômicos, uma combinação de carências ligadas ao espaço físico, aos recursos humanos e materiais. Parecia-nos, à primeira vista, uma contradição, retirar esses adolescentes de suas casas, das suas famílias, e o que lhe dar em troca? Ou, o que mais lhes oferecer?! Racionalmente pensávamos: cometeram um homicídio, assaltos ou roubo, por isso eles estavam privados de liberdade. Faz-se necessário intensificar o trabalho com esses adolescentes. Em meio a essas indagações e pensamentos, dirigimo- nos à casa do adolescente de onde sairia o funeral. Foi uma dificuldade para o carro se aproximar e chegar na favela, em virtude das ruelas e becos; caminhamos cerca de um quilômetro à pé até a casa. A cena com a qual nos deparamos foi por demais cruel, quase indescritível. Entretanto, é preciso que a relatemos para podermos dar visibilidade a nossa opção de estudo, tendo como foco de análise as famílias dos adolescentes tidos
como Autores de Atos Infracionais. Nada além do que observamos, nos chocaria tanto. O corpo do adolescente no caixão estava do lado de fora do barraco porque não cabia no interior da casa; ao lado do caixão, a mãe e os irmãos chorando, desesperados, uns em cima dos outros, os vizinhos, os curiosos; confundíamos os vivos com o morto, e, ao lado, no mesmo local, córregos de lama e fedentina atravessavam o cenário. O barraco era tão pequeno, que não entendíamos como morava tanta gente dentro daquele espaço construído com papelão e algumas tábuas. Não saímos as mesmas daquele beco, daquela ruela, não há como esquecer, nem descrever tanto sofrimento, tantas privações pela qual passavam aquela e as demais famílias que ali sobreviviam. Começamos a nos indagar?! A que este adolescente teve direito?! À vida ao Deus-dará?! À deriva da sorte?! Que sorte?! Se não tinha nem como viver?! Depois de morto, onde enterrar?! Como enterrar?! Até as roupas para o enterro foram providenciadas pela FUNDAC. As dificuldades enfrentadas como o direito à vida, projetavam-se após sua morte. Que tipo de infância teve este adolescente?! Infância?! Que infância?! Se até o dia da sua morte só tivera direito à fome, à miséria, à dor, ao desafeto, à violência, às drogas.
A partir desse momento começamos a perceber que de nada adiantaria realizar um trabalho junto aos adolescentes sem analisar as condições de vida das famílias, não somente como um diagnóstico familiar para encaminhar a avaliação solicitada pelo Juiz para dizer o óbvio, ou seja, falar da falta de condições objetivas dessas famílias, mas sim, que leve a proposições objetivas que possam mobilizar a sociedade civil e reivindicar junto ao Estado, Políticas Públicas que possam atender às populações que sobrevivem nas periferias dos centros urbanos que se encontram abaixo da linha de pobreza – são os sem teto, sem saúde, sem educação, sem trabalho, sem lazer – “espalhados” por todo país.
Aprofundando as nossas reflexões, analisando as situações vivenciadas no cotidiano institucional, é que lançamos novas indagações no processo de apreensão do real, das famílias dos Adolescentes que à mercê de uma pretensa “reeducação” possam voltar às suas famílias. E depois de passar dois, três, seis meses, 2 e até 3 anos com esse adolescente no CEDUC? Encaminhá-los de volta à favela para voltar ao seu ambiente, ao convívio de suas famílias, de seus amigos? Devolvê-los à miséria? A partir desses questionamentos percebemos a complexidade do trabalho no CEDUC.
É necessário compreender, que este adolescente não está isolado, ele é um ser social, entretanto, faz-se necessário dar visibilidade às formas de sociabilidade desse indivíduo (adolescente), que compõe uma família, como também construirá uma família. Portanto, não podemos continuar negando os direitos de um adolescente que, historicamente, vêm sendo negado. Essa é uma herança perversa que muitos jovens têm herdado.
O ECA vem se propondo a dar direito a ter direitos no processo de conquista de cidadania, sendo pensado um trabalho de atenção à família, em uma rede de atendimento integral para, a partir daí, se poder pensar em cidadania inclusiva.
Ao fazermos esse detour, trazendo à tona momentos vividos intensamente em nossa experiência profissional, tivemos a intenção de mostrar que a problemática que envolve as famílias dos Adolescentes Privados de Liberdade é muito mais complexa do que parece e só deve ser analisada perquirindo os nexos que se estabelecem na vida dessas famílias e de seus filhos.
Retomemos ao porquê de “famílias privadas de liberdade”: O que é liberdade? Direito de ir e vir? De onde para onde? Direito à instrução? Qual a
possibilidade real da classe subalterna6, instruir-se? Direito à Liberdade de Imprensa? Quem são os donos dos jornais, da mídia? Quem os financia? Direito à Liberdade de expressão? Falar o que quiser, quando quiser e como quiser? Fazer o que quiser? Acreditamos que a princípio temos que amadurecer estes conceitos de liberdade e necessidades tão propagados, mas vivenciados por poucos.
Neste sentido, gostaríamos de ressaltar que muitas vezes o termo “necessidade humana” tem uma conotação ampla, tornando-se difícil identificar os conteúdos, contornos e particularidades desse conceito. Por isso, vamos aqui refletir sobre o conteúdo das necessidades, ou seja dos “mínimos sociais”, inserido na agenda política brasileira a partir dos anos 90, pela LOAS7 .
Para Pereira (2000), a providência dos mínimos sociais, como mínimos de subsistência, historicamente tem feito parte da pauta de regulações das políticas públicas de uma sociedade capitalista, assumindo preponderantemente a forma de uma reposta isolada e emergencial da pobreza extrema. Obviamente, esses tipos de respostas sociais nem sempre são éticos e muito menos inspirados no princípio da cidadania, o qual concebe o assistido como sujeito de direito à proteção social8 dar pelos poderes públicos.
É importante ressaltar que, segundo Pereira (2000), não podemos negar que o conceito de necessidades básicas assumiu papel preponderante na justificação dos direitos sociais e das políticas públicas, estando os direitos sociais apoiados,
6 A categoria subalterno, legado gramsciano, por sua expressividade, e por dar conta de um conjunto
diversificado e contraditório de situações de dominação. Historicamente, os subalternizados vêm construindo seus projetos com base em interesses que não são seus, mas que lhes são inculcados como seus. Experienciam a dominação e a aceitam, uma vez que as classes dominantes, para assegurar a sua hegemonia ou dominação, criam formas de difundir e reproduzir seus interesses como aspirações legítimas de toda sociedade. (Almeida, B., 1990, p. 35).
7 Lei Orgânica da Assistência Social – Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Esta Lei regulamenta os
artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988.
8 Conceito amplo que, desde meados do século XX, engloba a seguridade social, ou seja constitui-se em
sistema programático de segurança contra riscos, circunstâncias, perdas e danos sociais cujas ocorrências afetam negativamente as condições de vida dos cidadãos. (Pereira, 2000, p.16).
principalmente, em conceitos como liberdade ou autonomia individual. Os direitos sociais por sua própria natureza coletiva, guardam estreita vinculação com o conceito de necessidade, que tem relação com os princípios da igualdade, eqüidade e justiça social, princípios defendidos pela Constituição Federal de 1988 e LOAS. Mas efetivamente, como estes princípios têm se concretizado objetivamente na vida das pessoas?
Na realidade não iremos nos deter nessa discussão conceitual tão ampla e complexa em relação às necessidades humanas, mas apenas tentar pensá-la criticamente já que vem sendo tão negligenciada, inclusive na perspectiva dos direitos sociais, principalmente nas últimas décadas, tendo afetado radicalmente a classe subalterna da sociedade, como por exemplo as famílias dos adolescentes privados de liberdade.
Inicialmente, ao caracterizar essas famílias, pudemos, no decorrer desta pesquisa, analisar as condições sócio-econômicas e culturais das famílias dos adolescentes privados de liberdade, identificando suas estratégias de enfrentamentos em relação à problemática vivenciada e analisando as relações sociais estabelecidas. Por outra parte, buscamos a partir das entrevistas com os adolescentes e suas famílias, estabelecer os nexos buscando apreender o movimento do real à medida que se vêem ressaltadas as condições e as determinações sociais e econômicas da problemática estudada.
Em verdade, o que foi percebido é que os adolescentes que se encontram privados de liberdade, já nascem submetidos a esta privação, uma vez que essas famílias estão historicamente privadas de liberdade, considerando que estas não têm acesso às necessidades básicas ao ser social, como: educação, habitação, saúde, lazer, trabalho, como já nos reportamos neste estudo.
O não acesso a essas necessidades vulnerabiliza os adolescentes, despertando-os para um mundo de criminalidade e de drogas, ou seja, a ingressarem no
mundo da violência que permeiam suas vidas e de suas famílias, violência vivenciada e praticada por estes adolescentes, uma vez que o sonho e a esperança de cidadania nessas famílias estão cada vez mais distantes. Segundo Volpi (2001, p.128) “é falho um sistema que não consegue dotar o seu público de um capital mínimo para enfrentar os desafios da vida com alguma possibilidade de ser incluído como cidadão na participação da vida social”.
Portanto, não podemos falar nessas famílias sem falar do seu pertencimento a uma classe social ou a um grupo constituidor de uma identidade coletiva que designa o status do indivíduo perante a sociedade, pois para Volpi (2001, p.117), “o status se constitui em um valor, ou seja, capital social, a definir o comportamento, as expectativas e as atribuições ou papéis que se espera que se desempenhe”.
Volpi (2001, p.118) em seu livro “Sem Liberdade, Sem Direitos” discute que espera-se de uma família pobre que trabalhe, eduque seus filhos, economize, esteja sempre unida e se esforce o bastante para melhorar sua condição de vida. Fora dessas condições fala-se em uma “desestruturação familiar”, expressão essa carregada de caráter funcional e valorativa, já que atribuem à família todos os tipos de fracassos. Observemos como essa visão expressa o sentimento de culpa que está arraigado na concepção de uma das mães entrevistadas, que em nível de senso comum se culpa por ter fracassado:
[..] Agora eu acho que ele não é um menino viciado, aquela pessoa que todo dia tem que fumar aquele negócio, entendeu? Daqui de dentro da minha casa ele nunca tirou nada, também ele nunca chegou com roubo de fora, sempre pergunto! De onde é que foi isso aqui? Nunca aceitei esse tipo de coisa na minha casa, é por isso que eu me questiono tanto, onde foi que eu errei, que ele partiu pra esse lado. Porque ele sempre foi um menino que como pobre, ele teve uma infância boa. O jardim de infância foi todo em escola particular, não é? Terminou o período de jardim de infância, aí botei ele num colégio pertinho de casa, mas era sempre perto, observando. Por que eu sempre meu Deus?, eu já não tenho marido, o pai dele nem precisa dele, vou ao menos tentar fazer deles alguém, não é?”. (F.A.L., 39 Anos).
Observa-se nessa fala, o “peso nos ombros”, o “sentimento de culpa” que se reproduz no discurso das famílias. Essa visão, segundo Volpi (2001, p.118) ignora que o social é uma construção de mão dupla, pois :
O conceito dominante de sociedade impõe a forma de a sociedade ser e a forma de a sociedade ser referenda ou reconstrói o conceito de si própria. Assim também a família é uma construção social que a cada período da história modifica-se segundo as ações dos atores sociais na qual se insere.
Nessa direção, o conceito de família é entendido numa perspectiva dialética, em cujo processo a produção, reprodução, desconstrução e reconstrução desenvolvem- se a partir de múltiplas forças, interesses e ideologias que determinam o conceito social vigente. Porém, a composição familiar ao qual pertencem os adolescentes autores de atos infracionais e suas famílias, não é apenas um dado objetivo, mas também uma produção social, política e ideológica.
A pesquisa realizada junto às famílias dos adolescentes privados de liberdade evidenciou que estes são adolescentes que pertencem a famílias de baixa renda, baixa escolaridade, composta majoritariamente pela mãe e irmãos, sendo a figura paterna ausente ou ignorada e substituída na forma de companheiro ou padrasto, ou seja, das chamadas “famílias desestruturadas”, e em virtude da ausência do pai, recai sobre a mãe toda responsabilidade sobre sua prole, como também foi observado o agrupamento de vários “núcleos” familiares num só, com condições mínimas de sobrevivência, estando estas famílias em situação de maior vulnerabilidade.Vejam o que uma mãe afirma em relação ao pai de seus filhos:
O pai de P.H.A.M, ele conhece o pai dele, às vezes ele vai lá, mais também não me ajuda em nada não! Nunca me ajudou. Ele era novinho, quando o pai me deixou. Nunca deu nada. A responsabilidade toda vida foi minha... eu não tive sorte com os pais
Estado Civil das Famílias Entrevistadas 87,5 12,5 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Separadas Casadas Separadas Casadas
de meus filhos, não! Tive não. Já o da minha menina, quando a menina nasceu, ele só fez ver ela nascer, eu vivia com ele, vivi três anos com ele, fiquei grávida quando a menina nasceu, ele só viu ela na maternidade, aí foi embora pra Natal, desapareceu, nunca mais. Não sei nem onde anda, nem ninguém nunca procurou por ele. O pai que eles dois conhecem é o meu pai. (F.A.L., 39 Anos).
Em verdade, são famílias que se desagregam, maridos que abandonam a família para constituir uma segunda ou terceira família, difundindo dessa forma, uma paternidade omissa e irresponsável. Martins (2002), afirma que o grupo familiar vai se definindo sociologicamente em torno da figura do pai ausente, dizendo que não se sabe ainda a extensão dos efeitos dessa ausência na formação da personalidade básica dos imaturos e das novas gerações.
Das oito pessoas entrevistadas que são responsáveis pelos adolescentes privados de liberdade, sete delas são mães, são separadas e tem um companheiro, representando 87,50%, e apenas uma delas é casada, (12,50%), que é a avó de um dos adolescentes e é responsável pelo neto em virtude da sua filha ter sido assassinada, conforme mostra o gráfico seguinte:
GRÁFICO 1
Fonte: Pesquisa realizada nas residências das famílias dos adolescentes Privados de liberdade, de Fev. a Mar/2003
Com relação ao consumo de drogas, foi identificado que 88,88% dos adolescentes entrevistados tinham envolvimento com drogas de vários tipos como maconha, crack, cocaína, mesclado, etc., ou seja, 8 tinham algum envolvimento, enquanto apenas 1 dos entrevistados, que corresponde a 11,12 %, revelou não ter envolvimento com drogas.
GRÁFICO 2 88,88 11,12 0 20 40 60 80 100
Envolvimento dos Adolescentes com Drogas
Envolvidos Não envolvidos
Fonte: Pesquisa realizada no CEDUC, de Fev. a Mar/2003
No entanto, o Estado conta somente com poucos centros e/ou casas de recuperação de drogaditos, ou seja, o APTADE (Ambulatório de Prevenção e Tratamento de Tabagismo, Alcoolismo e outras drogadições) e o CAP’s (Centro de Atenção Psico-Social), sendo insuficiente o número de instituições que oferecem esses serviços. Entretanto, observemos o que relata o Coordenador do CEDUC, em relação à questão em tela:
Temos pouquíssimos adolescentes que não são envolvidos com drogas aqui. Positivamente apenas um nunca se envolveu com drogas aqui, o restante se envolveu. E o programa do CEDUC não é preparado para uma dependência química, é preparado para uma outra coisa. Sabemos que no Estado não existe nenhum programa neste sentido. Há o NAPS e o CAPS, mas não têm atingido esse contingente de adolescentes, eles atendem adultos. Minha maior experiência é na área de drogadição e então vamos desenvolver um trabalho na área da recaída. É um grupo de recaída. É um trabalho só dentro da Instituição, por que eles passam aqui um ano sem usar constantemente drogas e eu não vou mentir para você e dizer que não entra droga aqui, em função da visita íntima, em função de você não ter o toque, embora eu seja contra o toque na revista, pela segurança externa não ser legal. Acho que vai melhorar agora com guarita fora, os policiais fora porque passa alguém e joga pelo muro e ninguém está vendo. E eu sei porque de vez em quando alguém me diz alguém fumou, mas não é constância de dependência, ele passa um período sem usar drogas e ele está preparado para um tratamento. E se você fizer um trabalho legal com esse adolescente nesse processo há uma possibilidade de ele se recuperar na questão da drogadição. Este é o grande problema nosso.
Observa-se, dos estudos de pesquisa que vimos realizando que o envolvimento com drogas e as práticas de delitos ocorre em todas as classes sociais, o que as diferencia como nos mostra Volpi (2001), é a resposta social que é dada a cada caso.
Conforme afirma Volpi (2001, p.119),
A justiça não atua como órgão de aplicação da lei e sim como uma instituição composta a partir das forças de poder estruturadas para legitimar o sistema e preservar as diferenças. O que temos então não é uma delinqüência produzida pelos pobres. Temos um sistema de controle social que prioriza como alvo às pessoas desprovidas de capitais para responsabilizá-las e dar uma resposta à sociedade sobre a questão do delito.
Os ditados populares reforçam essa idéia quando anunciam as frases denunciando a discricionariedade da justiça, como por exemplo: “Rico quando rouba é cleptomaníaco, pobre é ladrão”; “Rico corre para se exercitar, pobre para fugir da
polícia”; “Adolescente rico tem desvio de conduta, adolescente pobre é menor infrator”. Para Volpi (2001), são apenas alguns exemplos que evidenciam que se torna difícil entender a prática de delitos, sem analisar a atuação da justiça como mecanismo