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3 16 YÜZYIL OSMANLI DÖNEMİ SANAT HAYAT

5.2. Hünername’nin Müellif

Em relação às políticas sociais, observa-se que estas, segundo Vieira (1996), compõem-se e recompõem-se de um conteúdo fragmentado, setorial, emergencial, sustentado pela necessidade de dar legitimidade aos governos que buscam bases sociais para manter sua hegemonia, aceitando seletivamente as pressões da sociedade.

Dos estudos que vimos realizando, pudemos perceber que as políticas sociais são de caráter compensatório, clientelista, seletivo e excludente, estando as mesmas fundamentadas no pensamento liberal, voltadas para a questão do individualismo.

Conforme mostra Vieira (1996), o mais grave é que os direitos sociais vêm sofrendo nos últimos anos no Brasil, claros ataques por parte da classe dirigente do país, que em nome da “modernização econômica”, vem garantindo apenas algumas políticas de atendimento mínimo aos setores mais pauperizados, colocando o Brasil, na posição de “candidato a campeão mundial das desigualdades econômicas” e de “monumento à negligência social”, consolidando a ideologia da privatização como uma das alternativas mais eficazes para garantir sua inserção na política de mercado e no enxugamento da máquina estatal, em detrimento da política de governo voltada para o atendimento aos interesses sociais. Reafirma-se dessa forma, a retração do Estado no campo das políticas sociais e a ampliação da transferência de responsabilidades para a sociedade civil, expressa através do incentivo ao serviço voluntariado, criação de ONG’s, filantropia empresarial, etc.

Nessa perspectiva, o Estado deixa de ser o provedor direto da oferta da produção de bens e serviços, assumindo meramente um papel de gerenciador dessas políticas, fazendo essa distribuição sem entrar diretamente nesse processo.

Observemos a forma como as políticas sociais emergem em nossa sociedade:

Eu morava em Brasília Teimosa com minha mãe, aí foi o tempo que eu ganhei uma casa, né? Eu morava com ela (mãe), aí ganhei uma casa, mas foi na Zona Norte, aí eu sempre venho aqui (Mãe Luíza), passo um mês. Foi assim, que eu consegui: invadiram uns terrenos, sabe! Tava trabalhando quando uma amiga chegou pra mim e disse: F. invadiram uns terrenos lá em Mãe Luíza, vamo lá vê se consegue um pra tu, aí eu fui, cheguei lá, mas não consegui o terreno lá, mas porque não era, não dava pra ficar lá, era negócio da área militar, sabe como é! Aí a prefeita na época, a prefeita era Vilma Maia, ela foi e disse, que quem quiser na Zona Norte eu vou doar os terrenos, mas tem que ser na Zona Norte, aí eu não ia perder essa chance, não é? Eu já não tinha casa, aí tinha que aproveitar. Aí tá lá, a casa lá, ela doou o terreno, e na época do governo José Agripino ele deu a casa. Lá é um embrião, é dois vão, sala, cozinha e banheiro, mas não tem quintal, não tem nada. Aí eu fico mais aqui (Mãe Luíza), eu prefiro mais, vim pra cá, porque aqui tem minha mãe, minhas irmãs, né? Às vezes eu passo dois dias lá. (M.F.S, 39 Anos).

É evidente a maneira como as políticas sociais chegam a essa população, em forma de benesse, favor, assumindo preponderantemente uma resposta isolada e emergencial aos efeitos da pobreza extrema, como também é claro as investidas que deflagram esse tipo de resposta social, nem sempre ética e muito menos inspiradas numa concepção de cidadania. Normalmente, essas investidas visam tão-somente, atenuar os conflitos de classe como também regular e manter viva a reprodução da força de trabalho, para garantir a dominação e a hegemonia da classe privilegiada.

Nesse sentido Yasbek (2001, p.37) afirma:

Esse modelo é um estado que reduz suas intervenções no campo social e apela à solidariedade social, optando por programas focalistas e seletivos caracterizados por ações tímidas, erráticas e incapazes de alterar a imensa fratura entre necessidades e possibilidades efetivas de acesso a bens, serviços e recursos sociais. Cresce o Terceiro Setor. Aparece com força a defesa de alternativas privatistas para a questão social, envolvendo a família, as organizações sociais e a comunidade. Esta defesa, como já afirmamos, é legitimada pelo renascimento de idéias liberais que referendam a desigualdade. Assim, as propostas neoliberais, em relação ao papel do Estado quanto à questão social, são propostas

reducionistas que esvaziam e descaracterizam os mecanismos institucionalizados de proteção social. São propostas fundadas numa visão de política social apenas para complementar o que não se conseguiu via mercado, família ou comunidade.

Como afirma Zaidan (1997), esse modelo corresponde de fato ao ideal de propriedade e de cidadania que não tem mais a ver com o cidadão do Estado fordista, ele vai se dirigir para um tipo de cidadão voltado para o consumo, diretamente daquele que é usuário, capaz de desfrutar, usufruir os serviços e bens públicos ou privados.

Portanto, não se pode negar que este é um modelo flexível, pensado apenas para uma sociedade de consumo, mas o núcleo do problema é que não se reflete nem se discute que se exerce uma cidadania restrita para quem pode consumir e estar no mercado, não reconhecendo exatamente os milhões de desempregados e excluídos de várias formas (econômica, político-cultural, moral e social) que são frutos desse processo, incluindo-se apenas de forma marginal e perversa.

Nessa perspectiva, como é possível se falar em desenvolvimento econômico e social para um Estado que só reconhece uma sociedade para quem pode consumir? E os pobres, miseráveis e indigentes que sobrevivem em condições subumanas não compõem este Estado? Como medir o direito à cidadania, à vida? Uns são mais humanos que outros? Uns têm mais direitos que outros? Como falar em igualdade e em inclusão numa sociedade que alimenta a desigualdade e a exclusão? Como pensar em liberdade, se a lógica do capital nos priva do acesso a bens e serviços, e nesse sentido, será que não os priva de liberdade?

Enfim, na nossa percepção, o que se dá é um processo de inclusão precarizada, como conquistar a cidadania! Questionemos: É a escola de pé no chão, de horários intermediários, de creches sucateadas, jardins informais, verdadeiros cubículos, varandas com grades? É o vendedor ambulante, o catador de lixo, o lavador de carro, o

carroceiro, atividades tidas como trabalho na luta pela sobrevivência? É o barraco de papelão, o embrião, a casa de taipa, o córrego de lama lá fora, a precariedade da moradia nas favelas e nos subúrbios? É a panela no fogo à lenha com água para o mingau com farinha? É o enfrentamento das filas para aquisição do leite e do pão, passando pela seletividade? É o posto de saúde com filas quilométricas? Das consultas marcadas para seis (6), oito (8) meses? E com a receita na mão, volta-se de mãos vazias por não conseguir o remédio que não tinha no posto?

Que cidadania é essa? Que cidadania se busca? É a do registro de nascimento e da carteira de identidade? Para se saber a população e os números de miseráveis? É a do título de eleitor? Para reafirmar as elites que alimentam a exclusão?

Para Almeida (2001), “de acordo com o padrão internacional, o Brasil possui 28,7% de miseráveis, sendo a pobreza e a exclusão social as expressões mais concretas da mais cruel desigualdade social”. Nesse sentido, o Nordeste brasileiro não está desvinculado dessa realidade, tampouco o Estado do Rio Grande do Norte. A edição do jornal O POTI, de 22/07/01, informa que a população em situação de miséria no Rio Grande do Norte atinge 47,69% do total de 1,3 milhões de habitantes, ou seja, quase metade da população norteriograndense sobrevive com renda inferior a R$ 80,00 por mês. (Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas).

Particularizando ainda o Rio Grande do Norte, observamos que, “em novembro de 1999, 51,5% dos indivíduos de 10 anos e mais, residentes na Região Metropolitana de Natal (RMN), participa do mercado de trabalho, tanto na condição de ocupados quanto de desempregados”. (...) Este mercado de trabalho tem, como nas demais regiões metropolitanas do país, uma grande dificuldade em gerar postos de trabalho suficientes para absorver o conjunto da força de trabalho. O desemprego registrado na Região Metropolitana de Natal é de 17,3%, a taxa de ocupação, de 82,7%,

sendo 71.000 desempregados e 351.000 ocupados numa população de 10 anos em diante – cerca de 981.215 pessoas (DIEESE, 2002), segundo estimativa do IBGE sobre a população dos municípios do país, em julho de 1999, publicada no Diário Oficial da União, em 30/08/99.

O Município de Natal tem um contingente populacional de 688.955 pessoas, concentrando 70,2% da população residente que compõe a Região Metropolitana de Natal, sendo os indicadores específicos para o município semelhante ao conjunto da Região Metropolitana de Natal, ou seja, 52,5% das pessoas com 10 anos ou mais anos de idade encontram-se no mercado de trabalho. Destas, 82,8% são ocupadas e 17,2%, desempregadas. Entre os ocupados, 41,0% são assalariados sem carteira, autônomos ou empregados domésticos. (DIEESE, 2002).

Diante deste perverso quadro de desastre social, concordamos com Mioto (2000, p.223), que, quando da sua análise sobre a família, afirma:

Muito se fala do que elas não fazem. Muito pouco se diz dos recursos (materiais, sociais, afetivos) que são disponibilizados para se manterem vivas; muito pouco se diz das estratégias utilizadas para responderem as demandas que lhes são impostas

Na nossa pesquisa, as dificuldades pelas quais passam as famílias dos adolescentes autores de atos infracionais, centram-se nas necessidades humanas do ser social, que são segundo Mello (1995, p.57):

[…] sobretudo de ordem econômica, marcada pelo desemprego, subemprego, formas precárias de trabalho, de alimentação, saúde, educação, habitação, ou seja, são essas famílias que normalmente estão excluídas dos serviços básicos, marcadas pelo que aparece como fracasso moral dos seus membros.

A cidade do Natal, lócus de nossa pesquisa, possui parte significativa da sua população com baixos rendimentos, além da instabilidade de trabalho, uma inserção precária e informal. Isso significa a subutilização da força de trabalho da região, que poderia ser mais bem aproveitada. (DIEESE, n. 10, 1994).

Na Região Metropolitana de Natal, verifica-se a presença acentuada no setor de serviços (49,5%), superior ao percentual de ocupados no comércio (16,7%) e no setor industrial (12,8%). No entanto, no setor público, somam-se 21,3%, proporção igual a dos trabalhadores autônomos (21,3%), ficando as empresas privadas apenas com 37,2% do total de ocupados. (DIEESE,2002).

Nesse sentido a taxa de participação na Região Metropolitana de Natal, de 51,5%, é relativamente baixa, sendo necessário criar condições para que o mercado de trabalho de Natal aumente sua capacidade de gerar novos postos de trabalho para se ter capacidade de absorver o estoque já acumulado de desempregados, como também os novos integrantes da PEA. (DIEESE, 2002).

Foi percebido que há grandes desigualdades de oportunidade quando se observam os atributos pessoais como a raça, sexo, idade e posição na família, pois são os trabalhadores de raça negra, as mulheres, os jovens, filhos e cônjuges que apresentam as maiores taxas de desemprego. (DIEESE,2002).

São as dificuldades de todas as ordens que, com certeza, irão refletir-se no processo de construção e reprodução social da família. Neste sentido, indica-nos Calixto (1999, p.141) que:

[…] apesar de não se negar o caráter institucional da família, concebê-la apenas enquanto uma organização sólida e intocável em detrimento de ser um espaço de conflitos e tensões é negá-la como construção social que se constrói e se reproduz no contexto das relações de classe, étnica e de gênero, ou seja: a família não seria algo homogêneo e nem os papeis familiares seriam complementares. Assim, o ponto de partida é que a família como algo multifacetado e

com múltiplos arranjos impõe como tarefa descobrir como suas estruturas incorporam as hierarquias de classe, raça, gênero e etnia, fontes geradoras de desigualdades e que responderiam pela forma e significado das mesmas.

Nas falas das mães dos adolescentes, uma das entrevistadas, expressa-se mostrando as dificuldades para manter a casa sozinha:

O pai dele nunca deu um friso. Um friso ele nunca deu, até hoje eu estou esperando a banheira que ele saiu pra comprar, até hoje eu tô esperando. Aí eu tive que criar sozinha. (M.F.S., 39 Anos).

Uma outra entrevistada acrescenta:

Eu nunca recebi nada desse plano do governo, o que eu consegui foi a bolsa escola da minha menina, e fora isso não recebo nada. Às vezes eu tenho ajuda do meu pai. (F.A.L., 39 Anos).

Com detalhes sobre suas despesas, demonstrando um certo conformismo, uma outra mãe entrevistada fala de suas dificuldades:

Olhe, pra mim manter tudo, é difícil, porque é como eu digo, a gente vai fazendo assim, cumpre uma obrigação aqui, falha ali e assim eu vou levando. Pois é, porque a gente passa tudo junto, mas a gente sofre, a minha sorte é porque já são tudo grande, se fosse pequeno, não dava não, não é? È tudo adulto, eu digo adulto porque eles já entendem. Quando ele era pequeno era eu e meu marido. Eu só senti falta do meu marido porque ele comprava bujão, ele pagava a luz e ainda na época me dava R$ 70,00 (setenta reais) do dinheiro dele pras compras. Isso agora acabou, quer dizer, foi mais dívida, mais uma conta pra mim. (...) Graças a Deus é difícil eles adoecerem, eu dou graças a Deus, eu acho que Deus está vendo. Já pensou se adoecer um filho meu, eu preciso gastar cem ou duzentos reais de remédio, não é? Ter que comprar tudo fiado, pagando um mês outro não, e é assim que a gente está vivendo. (P. S., 50 Anos).

As expectativas em relação à família são ainda da chamada família nuclear. Espera-se que a família possa cuidar, proteger e desenvolver laços de afetividade, em um processo de construção de identidades e vínculos relacionais de pertencimento. Que possam promover uma melhor qualidade de vida aos seus membros, favorecendo a efetiva inclusão social na comunidade e na sociedade em que vivem. No entanto, para Carvalho M. (2002, p.15) essas situações constituem-se apenas possibilidades e não garantias. “A família vive num dado contexto que pode ser fortalecedor ou esfacelador de suas possibilidades e potencialidades”.

Sabe-se, porém que “não é razoável falar de ausências de organização familiar, mas de poliformismo familiar”. “[…] a família não está desorganizada, mas organizada de maneira diferente, segundo as necessidades que lhes são peculiares” (MELLO, 1995, p.57).

A partir dessas reflexões, que envolvem a problemática das famílias dos adolescentes autores de atos infracionais, passamos a nos indagar até que ponto as políticas públicas vem contribuindo para a “inclusão” dessas famílias do ponto de vista da lógica da ordem de mercado econômico, política e social, diante da mundialização do capital gerador de “exclusão” e desigualdades sociais.

1.3 – A (des) proteção Social face à Problemática das Famílias dos Adolescentes

Benzer Belgeler