Teoría y técnicas de la traducción Sara M. Parkinson de Saz
L a t r a d u c c i ó n e n e l p a s a d o
S e g ú n ciertos escritores italianos d e los c o m i e n z o s del R e n a c i m i e n t o , las traduc- c i o n e s s o n c o m o las mujeres: feas si s o n fieles, e infieles si s o n h e r m o s a s '. Sin en- trar d e m o m e n t o e n la p o l é m i c a ya bastante s u p e r a d a d e las t r a d u c c i o n e s literales frente a las libres, ni m u c h o m e n o s e n la d e la fidelidad d e las m u j e r e s , q u e r e m o s señalar ú n i c a m e n t e q u e la traducción es u n q u e h a c e r m u y a n t i g u o y, p o r tanto, al- g u n o s d e los c o n c e p t o s q u e v a m o s a tratar n o s o n n u e v o s . L o q u e quizá e s n u e v o es el e n f o q u e d e ciertos p r o b l e m a s d e s i e m p r e .
A pesar d e la a n t i g ü e d a d d e la traducción la figura del traductor n o se h a valo- r a d o s i e m p r e s u f i c i e n t e m e n t e . Parece ser q u e e n Europa goza a c t u a l m e n t e d e m a y o r prestigio q u e e n los Estados U n i d o s , d o n d e e v o c a la i m a g e n , s e g ú n u n autor, d e u n a p e r s o n a d e m e d i a n a e d a d , m a l v e s t i d o , q u e habla inglés c o n u n a c e n t o m u y p r o n u n c i a d o y p r o b a b l e m e n t e e s i n m i g r a n t e
2. Incluso e n Europa n o se r e c o n o c e a v e c e s la c o n t r i b u c i ó n cultural del traductor y es m u y f r e c u e n t e q u e n o figure siquie- ra su n o m b r e e n el libro traducido (quizá por prudencia e n a l g u n o s casos, d a d a la p é s i m a calidad d e ciertas t r a d u c c i o n e s e x i s t e n t e s e n el mercado). N o o b s t a n t e la tra- d u c c i ó n h a sido f u n d a m e n t a l e n la historia d e la cultura, facilitando la difusión d e obras q u e , d e otra m a n e r a , h u b i e r a n t e n i d o u n público m u c h o m á s restringido.
La antigua civilización babilónica utilizaba traductores y, e n t i e m p o s m á s m o d e r - n o s , r e c o r d a m o s el p a p e l d e la traducción e n el R e n a c i m i e n t o . P e n s e m o s t a m b i é n e n el caso d e la Biblia q u e e n la actualidad está traducida (por c o m p l e t o o e n parte) a 1.109 leguas. La i n m e n s a m a y o r í a d e estas t r a d u c c i o n e s bíblicas se h a realizado e n los ú l t i m o s d o s c i e n t o s a ñ o s ya q u e al principio del siglo x i x e x i s t í a n t r a d u c c i o n e s s o l a m e n t e e n s e t e n t a y u n a l e n g u a s
s.
A v e c e s la traducción n o se limita a transmitir u n m e n s a j e s i n o q u e p u e d e llegar incluso a influir d e c i s i v a m e n t e e n el desarrollo d e la l e n g u a , c o m o e s el c a s o d e la traducción d e L u t e r o d e la Biblia (1522) e n el a l e m á n o la d e la «King J a m e ' s Bible»
(1611) e n el inglés.
Si c o n s i d e r a m o s obras m á s r e c i e n t e s p o d e m o s p r e g u n t a r n o s si el p e n s a m i e n t o d e Saussure, p o r e j e m p l o , h u b i e r a t e n i d o la r e p e r c u s i ó n q u e h a t e n i d o si n o se hu- biera traducido a otras l e n g u a s . El francés, se a r g u m e n t a r á , e s u n a l e n g u a tan c o n o - cida q u e , d e t o d a s m a n e r a s , h u b i e r a l l e g a d o el Cours a u n g r a n público, p e r o ¿qué
1
Citado en E. A.
N I D A ,Towards a Science of Translating, Leiden: E. J. Brill, 1964, p. 2.
2
«The image is of a middle-aged person in a shabby jacket who speaks English with a noticeable ac cent and is probably an immigrant to the United States.)) Richard W.
BRISLIN,((Introduction)), en Transla- tion. Applications and Research, edited by Richard W. Brislin, New York: Garner Press, 1976, p. 27.
3
E. A.
N I D A ,Language Structure and Translation, Stanford, California: Stanford University Press, 1975, p.
BOLETÍN AEPE Nº 31. Sara M. PARKINSON DE SAZ. Teoría técnicas de la traducción
4
Cifras de Peter
N E W M A R C K ,Approaches to Translation, Oxford: Pergamon Press, 1982, p. 3.
5
Véase L. G.
KELLY,25 Centuries of Languague Teaching, Rowley, Mass.: Newbury House, 1969, pp.
173-180.
h u b i e r a p a s a d o c o n la o b r a d e H j e l m s l e v q u e se publicó e n d a n é s e n 1943? P a s a r o n diez a ñ o s hasta q u e se tradujo al inglés c o m o Prolegómeno, to a Theory of Language (1953).
V e a m o s t a m b i é n el caso d e los lingüistas del Círculo Lingüístico d e Praga. D a d o el carácter internacional del g r u p o q u e incluía al h o l a n d é s A. W. d e Groot, al aus- tríaco Karl Bühler, al inglés D a n i e l J o n e s , al y u g o s l a v o A l e k s a n d e r Belic, a los fran- c e s e s L u c i e n T e s n i é r e y A n d r é Martinet y a los rusos Karcevski, J a k o b s o n y Trubetz- koy, t u v i e r o n q u e elegir u n a l e n g u a c o m ú n , e n este c a s o el francés, para la difusión d e sus trabajos. U n o d e los rusos J a k o b s o n , c o n s e g u i r í a p o s t e r i o r m e n t e m a y o r difu- sión d e sus o b r a s a través del inglés.
En a l g u n o s casos la tardanza e n traducir u n a o b r a p u e d e retrasar considerable- m e n t e la difusión d e las ideas c o m o e n el c a s o d e Pensamiento y lenguaje d e Vygotsky q u e se p u b l i c ó p o s t u m a m e n t e e n r u s o e n 1934, fue retirada p o r las a u t o r i d a d e s ru- sas e n 1936, v o l v i ó a a p a r e c e r e n 1956 y n o fue traducida al inglés hasta 1961. A pesar d e este lapso d e casi treinta a ñ o s e n t r e la publicación d e la o b r a y su traduc- c i ó n al inglés h a h a b i d o cierta suerte ya q u e los t e m a s q u e trata Vygostky s i g u e n es- t a n d o c a n d e n t e s y hay varios filósofos y lingüistas d e habla inglesa q u e se o c u p a n e n la actualidad d e c u e s t i o n e s q u e él suscitó e n los a ñ o s treinta.
L a t r a d u c c i ó n e n e l p r e s e n t e
H o y día m u c h a s o b r a s salen al m e r c a d o s i m u l t á n e a m e n t e c o n su traducción a g r a n variedad d e lenguas. N o se trata s o l a m e n t e d e obras literarias s i n o t a m b i é n técnicas. La f a m a d e g r a n n ú m e r o d e escritores d e s c a n s a e n parte e n la traducción d e sus obras, s o b r e t o d o si e s c r i b e n e n u n a l e n g u a minoritaria. T a m b i é n la traduc- c i ó n p u e d e ayudar a los a u t o r e s q u e e s c r i b e n e n i d i o m a s n o minoritarios. S e g ú n al- g u n a s m a l a s l e n g u a s , Gabriela Mistral d e b i ó e n parte e l P r e m i o N o b e l a q u e l o g r ó m u y r á p i d a m e n t e la traducción d e t o d a s sus o b r a s al s u e c o .
En c u a n t o a las t r a d u c c i o n e s tecnias, s ó l o la CEE e m p l e a a c t u a l m e n t e u n o s 1.600 traductores y o t r o s o r g a n i s m o s i n t e r n a c i o n a l e s i g u a l m e n t e c u e n t a n c o n n u m e - rosos traductores. Ya e n 1967 se traducían u n a s 8 0 . 0 0 0 revistas científicas al a ñ o y el n ú m e r o va e n c o n s t a n t e a u m e n t o
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A nivel nacional, cualquier firma d e cierta e n v e r g a d u r a , s e a d e ingeniería, pa- tentes, c o m e r c i o y n o d i g a m o s las e m p r e s a s m u l t i n a c i o n a l e s , t i e n e n su plantilla fija d e traductores. D e h e c h o , el e m p l e o d e traductor e s u n a d e las m e j o r e s salidas q u e t i e n e n a c t u a l m e n t e los l i c e n c i a d o s e n l e n g u a s m o d e r n a s .
La t r a d u c c i ó n y l a e n s e ñ a n z a
El e m p l e o d e la traducción e n la e n s e ñ a n z a d e las l e n g u a s h a g o z a d o d e m a y o r o m e n o r popularidad e n d i f e r e n t e s é p o c a s . En Inglaterra durante el R e n a c i m i e n t o se e s t u d i a b a n los l l a m a d o s «vulgars» e n las escuelas. Eran o r a c i o n e s e n inglés q u e trataban diversos a s p e c t o s d e la vida cotidiana y los a l u m n o s traducían al latín, cui- d a n d o e s p e c i a l m e n t e el estilo. La traducción c o m o h e r r a m i e n t a e n la e n s e ñ a n z a d e las l e n g u a s m o d e r n a s n o se hizo p o p u l a r hasta el siglo xrx, a u n q u e se e n c u e n t r a n casos a n t e s d e e s a fecha
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BOLETÍN AEPE Nº 31. Sara M. PARKINSON DE SAZ. Teoría técnicas de la traducción
En el siglo XVIII, p o r e j e m p l o , u n p r o f e s o r d e francés d e la Real Escuela Militar d e Avila, P e d r o N i c o l á s Chantreau, publicó u n a gramática d e francés para e s p a ñ o l e s e n la q u e llama la a t e n c i ó n sobre los peligros d e la traducción:
«El principiante que en sí tiene ya conceptuado en castellano lo que quiere ex- presar en francés, sigue en la repentina traducción que hace, lo genial de su lengua;
y cuando éste no conviene con el francés, prorrumpe en disparates, aunque tenga muy estudiadas las reglas de la Gramática: v.g. Uno quiso decir que el Excelentísi- mo Señor Conde de Aranda hacía mucho papel en París; como en ninguna parte habían encontrado el equivalente de esta frase, construyó literalmente, y dixo: Mr. le Comte de Aranda fait beaucoup de papier a París lo que significa en francés que su Exce- lencia fabrica una gran porción de papel en París.»
6Este p e l i g r o q u e v e C h a n t r e a u d e i m p o n e r las estructuras d e la l e n g u a m a t e r n a e n la s e g u n d a l e n g u a al realizar la traducción se r e c o n o c e h o y y d e h e c h o existe u n a t e n d e n c i a hacia la s u p r e s i ó n d e las traducciones inversas p r e c i s a m e n t e para evi- tarlo. L o s o r g a n i s m o s oficiales, r e c o r d e m o s , e x i g e n a sus traductores la traducción a su l e n g u a m a t e r n a y n o la traducción inversa.
A pesar d e sus dudas, C h a n t r e a u p e n s a b a q u e la traducción t i e n e su lugar e n la e n s e ñ a n z a y a c o n s e j a estudiar u n t e x t o e n el original c o n «algunas b u e n a s traduc- ciones» al l a d o para contrastarlas y sacar c o n c l u s i o n e s s o b r e las reglas d e la segun- da l e n g u a
7. Quizá el h e c h o d e q u e C h a n t r e a u se r e c o n o c e m u y e n d e u d a d o c o n los g r a m á t i c o s d e la Escuela d e Port Royal e insiste r e p e t i d a m e n t e e n su Gramática e n el p r o c e s o c o g n o s c i t i v o para el aprendizaje d e las l e n g u a s e s lo q u e le lleva a consi- derar la traducción c o m o b u e n m é t o d o auxiliar d e llegar a e n t e n d e r las estructuras d e la n u e v a l e n g u a .
En los ú l t i m o s a ñ o s el p a p e l d e la traducción e n la e n s e ñ a n z a d e las l e n g u a s se v i e n e revalorizando d e s d e q u e los m é t o d o s estructuralistas h a n sido sustituidos pau- l a t i n a m e n t e p o r otros b a s a d o s e n los c o n o c i m i e n t o s q u e n o s h a p r o p o r c i o n a d o la gramática transformacional generativa.
En el siglo xrx el m é t o d o c o n o c i d o c o m o « G r a m m a r Translation M e t h o d » se a p o y a b a e n la traducción c o m o sistema para el aprendizaje d e las l e n g u a s m o d e r - nas. Por tanto, se p r o p o r c i o n a b a , incluso a los a l u m n o s n o avanzados, diversos tex- tos d e los clásicos para su traducción. B i e n e n t r a d o el siglo xx se h a s e g u i d o in- c l u y e n d o la traducción e n m u c h o s m a n u a l e s . En el m é t o d o inglés, English Lessons af- ter S. Algés Method d e S o p h i e H a m b u r g u e r
8, p o r e j e m p l o , e n c o n t r a m o s e n la 13 edi- c i ó n d e 1919 u n a s e l e c c i ó n d e t e x t o s para traducir c o m o « T h e b o y s t o o d o n the b u r n i n g deck» o p o e m a s d e L o n g f e l l o w , W o r d s w o r t h y Charles Kingsley, m i e n t r a s q u e The New British Method. Método de Inglés de Girau, e n su e d i c i ó n d e 1925 sugiere la traducción al e s p a ñ o l d e u n a serie d e frases q u e incluyen:
«Alas! I have lost all my fortune. Hark! how it thunder! Behold! what a beautiful landscape! Pooh! do not believe it. Fie! what a gloomy scene. Farewell, my dear oíd country! Hurrah! our master has just arrived.»
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P. N.
C H A N T R E A U , Arte de hablar bien francés o Gramática completa, Madrid, 1 8 0 9 (5.» ed), p. 14. No hemos podido localizar todavía la primera edición pero la tercera data de 1797. Fue una obra muy popular con
No hemos podido localizar todavía la primera edición pero la tercera data de 1797. Fue una obra muy popular con
muchas ediciones, tanto en Madrid como en Barcelona. La última data de 1875. Para un análisis de esta
obra véase: S. M.
P A R K I N S O N DE SAZ,La lingüística y la enseñanza de las lenguas. Teoría y práctica, Madrid: Em-
peño, 14, 1980, pp. 157-169.
7 P. N. C H A N T R E A U , id. loe. cit.
8
Sophie
H A M B U R G E R ,English Lessons after S. Alge's Method, St. Gall: Fehr Publishers, 1919.
9