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BÖLÜM II: KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.4. Epistemolojik İnanç

2.4.1 Epistemolojik gelişim modelleri

2.4.1.1. Gelişimsel modeller

2.4.1.1.1. Zihinsel ve ahlaki gelişim modeli

A cibernética clássica, ou cibernética de primeira ordem, surge na década de 1940, com o objetivo de ʻdirigirʼ sistemas observados. Ela tem como principal A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus

3 Ashby define em 1956 a ‘lei da variedade requisitada’ (Law of requisite variety). Nesta lei, ele determina

que, em um sistema cibernético, o sistema que controla deve ter, no mínimo, o mesmo número de estados que o sistema a ser controlado, de forma que o controlador tenha a variedade requisitada para que o controle não seja restritivo (GLANVILLE, Ranulph. Try again. Fail Again. Fail Better, 2007). “com cada um controlando o outro, a variedade requisitada só pode ser a mesma” (GLANVILLE, Ranulph. The Purpose of Second Order Cybernetics, 2004)

73 foco ciclos de retroalimentação negativos4, controle dos sistemas como forma

de atingir um objetivo estabelecido a priori e manutenção da estabilidade5. O

termo foi cunhado por Norbert Wiener em seu livro ʻCybernetics – Control and Communication in the Animal and the Machineʼ e passa a ser utilizado por Heinz von Foerster para resumir uma série de conferências de nome The Macy Conferences. A definição de cibernética surge destas conferências como o “estudo dos mecanismos circulares, causais e de retroalimentação em sistemas biológicos e sociais”6.

4.1.1 Norbert Wiener e o conceito da cibernética de primeira ordem

Na década de 1950, Wiener estende seu conceito para “o estudo das mensagens como modo de controlar máquinas e a sociedade”7 e, para tornar

seus conceitos mais compreensíveis para o público leigo, lança o livro The human use of human beings: Cybernetics and society, que explica o contexto no qual a cibernética se tornou relevante8.

O autor associa comunicação e controle porque acredita que, quando uma pessoa se comunica com outra, envia uma mensagem, e, ao ser respondida, esta fornece informações somente acessíveis a ela, em um primeiro instante. Quando uma pessoa controla as ações do outro, a essência da mensagem dada não muda, embora o seu tom seja imperativo. Além disso, para que a ordem seja eficiente, é preciso buscar indícios de que a mensagem foi Capítulo 4

4 Quando um ciclo de retroalimentação negativo acontece, naturalmente ou construído, a performance ou

o output do sistema é comparado com um objetivo pré-estabelecido e ações corretivas são tomadas se um desvio do objetivo inicial é detectado (GEYER, Felix. The Challenge of Sociocybernetics, 1995, p. 8).

5 HAYLES, Katherine.!How we became... 1999.

6 Esta definição toma como premissa os estudos da cibernética de segunda ordem pela sua relevância para

os estudos dos campos sociais. Von Foerster (1979, p. 3) atribui a importância da cibernética de segunda ordem: “From this it appears to be clear that social cybernetics must be a second order cybernetics […] in order that

the observer who enters the system should be allowed to stipulate his own purpose: he is autonomous”. Para uma

compreensão mais ampla da cibernética de segunda ordem, ver “GLANVILLE, Ranulph. Second order cybernetics (6.46.3.3)”.

7 REICHARDT, Jascia (ed.):!Cybernetic Serendipity. The Computer and the Arts, 1968, p. 9. 8 REICHARDT, Jascia (ed.):!Cybernetic Serendipity... 1968, pp. 9.

74 entendida9.

Wiener afirma que sua tese é de que a sociedade só pode ser entendida a partir do estudo das mensagens e das instalações de comunicação presentes. Ele admite também que a natureza dos problemas oriundos de diversos tipos de comunicação são diferentes, e embora seja necessário pensar em formas de tratar a comunicação em geral, um repertório de ideias e técnicas para estudar manifestações particulares também é necessário10. O autor aponta a

limitação de se avaliar a comunicação se as modificações trazidas pela evolução das ferramentas que permitem que tal comunicação aconteça não sejam levadas em conta.

4.1.2 Exemplificando a cibernética de primeira ordem: O sistema de aquecimento

O exemplo universalmente utilizado para entendermos o conceito da cibernética de primeira ordem é bem menos complexo que as interações humanas11, mas demonstra de maneira clara o pensamento no qual a

cibernética se baseia: um sistema simples de aquecimento que consiste de dois elementos - o sensor e o espaço que será aquecido. Entre estes sistemas haverá um ciclo de retroalimentação (feedback loop) entre o sensor (e consequentemente, o aquecedor) e o espaço12.

No caso acima, o feedback desejado é negativo, isto é, o objetivo do aquecedor é de sempre manter a temperatura no valor já pré-estabelecido, característica também chamada de homeostase – a capacidade do sistema de A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus

9 Retirado de WIENER, Norbert. The human use of human beings, em REICHARDT, Jascia

(ed.):!Cybernetic Serendipity... 1968, p. 9.

10 Retirado de WIENER, Norbert. The human use of human beings, em REICHARDT, Jascia

(ed.):!Cybernetic Serendipity... 1968, p. 9.

11 Glanville (Try again. Fail Again. Fail Better, 2007) questiona a decisão de diversos profissionais do campo

do design de se basearem na cibernética clássica para sua prática. Como afirma “é muito estranho que mesmo agora, o que parece ser um novo despertar de interesse entre artistas e designers em cibernética, que eles ainda estejam olhando para a versão mais antiga da cibernética que é bem menos relevante que a cibernética de segunda ordem” p. 1176. E alerta para o perigo de estarmos voltando para um “determinismo inapropriado” a partir de “argumentos antigos da cibernética”

12 GLANVILLE, Ranulph. Second order cybernetics, 2001 e GLANVILLE, Ranulph. The Purpose of

75 manter seu equilíbrio através da autorregulação. Processos mais complexos, que envolvem relações entre pessoas, máquinas e espaços físicos, podem beneficiar-se de feedbacks positivos13, isto é, que causam morfogênese.

Morfogênese é a capacidade do sistema de se transformar a partir de estímulos externos e está relacionado, por exemplo, com a evolução. Desta maneira, Feedbacks positivos permitem o desenvolvimento de novos pontos de vista de dada situação e, por isso, este campo é muito mais fértil para relações subjetivas. Este é o princípio da cibernética de segunda ordem. O observador deixa de ser observador de um sistema (como na ciência clássica) e passa a ser um observador em um sistema, consciente de que suas decisões afetam o resultado final de sua observação.14

4.1.3 A cibernética de segunda ordem

Na Cibernética de primeira ordem o observador é externo ao processo observado. Para Pask15, isso significa que ele só estipula os objetivos do

sistema. Já na cibernética de segunda ordem (ou cibernética da cibernética), o observador é parte do sistema, alterando-o sempre que o observa. Para Pask, isto significa que o observador estipula os seus próprios objetivos. Esta nova cibernética foi resultado da avaliação do problema de sistemas cibernéticos em refletir sua própria natureza com o uso de instrumentos científicos tradicionais, porque estes separam o observador da experiência, mesmo quando o observador é o ponto central do feedback16.

Roy Ascott, por sua vez, afirma que a “janela da ciência para a realidade se Capítulo 4

13 Todo organismo se vale de feedbacks positivos e negativos. “Sem feedbacks negativos, o organismo não pode

se manter no ambiente, e sem feedbacks positivos, não tem nenhuma chance de sobrevivência frente a mudanças ambientais no qual ele tem que se adaptar, criando novas metas” Van Zouwen em GEYER, The challenge of... 1995 pp.9.

14 GLANVILLE, Ranulph. Try again. Fail Again. Fail Better, 2007. p.1173-1206.

15 Gordon Pask é uma das figuras mais proeminentes da cibernética. Ele desenvolve conceitos essenciais

para a avaliação da interação em um sistema. Seu trabalho será mais detalhadamente tratado ao longo do capítulo.

76 estilhaçou pelo próprio processo de tentar medi-la [a realidade]”17 e cita a

análise de Wheeler para basear seu argumento:

Nada é mais importante em relação ao princípio do quantum que isso, que ele destrói o conceito do mundo como “parado lá”, com o observador seguramente separado dele por uma chapa de 20 cm de vidro. Mesmo para observar um objeto tão minúsculo quanto um elétron, ele [o observador] deve estilhaçar o vidro. Ele tem que alcançar. Ele tem que instalar o equipamento de medições que escolheu. Ele quem decide se deve medir posição ou momento... a medida muda o estado do elétron. O universo depois nunca mais será o mesmo. Para explicar o que aconteceu deve-se cortar a palavra “observador” e substituí-la por “participador”. De uma maneira estranha, o universo é um universo participativo18.

A mudança da posição do observador reflete também nos propósitos (purpose) do sistema, isto é, se são internos ou externos. Se o sistema é analisado pela cibernética de primeira ordem, então os propósitos se associam a objetivos externos ao sistema. Este sistema é direcionado ao objetivo estipulado. Se é analisado de acordo com a cibernética de segunda ordem, o observador é interno e o objetivo a ser alcançado caminha junto com o sistema no processo de alcançá-lo19.

Enquanto observamos externamente um processo, podemos falar em estabilidade do sistema. Mas quando estamos dentro dele, mesmo que ele pareça estar estável para nós, um observador externo pode considerar que o sistema está constantemente e abruptamente mudando sua direção20.

O fato é que, como qualquer campo da ciência, a cibernética deve ser avaliada a partir de um ponto de vista crítico, porque assim como sempre aconteceu A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus

17 ASCOTT, Roy. Is there Love in the Telematic Embrace!, 1990, p. 242.: “science's picture window onto reality

has been shattered by the very process of trying to measure it”.

18 WHELLER em ASCOTT, Roy. Is there Love in... 1990. pp. 242. “Nothing is more important about the

quantum principle than this, that it destroys the concept of the world as ‘sitting out there’ with the observer safely separated from it by a 20-centimeters lab of plate glass. Even to observe so minuscule an object as an electron, he must shatter the glass. He must reach in. He must install his chosen measuring equipment. It is up to him whether he shall measure position or momentum... the measurement changes the state of the electron. The universe will never afterwards be the same. To describe what has happened one has to cross out that old word ‘observer’ and put in its place "participator”. “In some strange sense the universe is a participatory universe”.

19 GLANVILLE, Ranulph. Try again... 2007 p. 1194 20 GLANVILLE, Ranulph. Try again... 2007 p. 1194

77 com as teorias científicas, serve a determinado período da história e a propósitos específicos para os quais foram formuladas. O desenvolvimento da cibernética clássica, por exemplo, surge no ambiente técnico-científico típico ao período da Segunda Guerra Mundial e aos anos que se seguem21. E, porque

diversos sociólogos se apropriaram da cibernética para uso em “sistemas sociais” sem levar esse fato em consideração, o desenvolvimento da cibernética neste campo foi, por muito tempo, prejudicado, i.e., o uso das teorias da cibernética foi visto como uma abordagem equivocada de avaliação da sociedade.22

4.2 A caixa preta para a cibernética e o seu possível

Benzer Belgeler