BÖLÜM II: KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.13. İlgili Araştırmalar
A partir do desenvolvimento da cibernética de segunda ordem, surge, na década de 1970, uma linha de pensamento que foca nas especificidades dos sistemas sociais: a cibernética social. Ao mencionar a crescente complexidade das relações propiciadas e intensificadas pelo desenvolvimento da comunicação, Wiener, uma das figuras mais importantes para a formação da cibernética, alerta que tal complexidade é
ignorada pelo homem comum, e particularmente, não tem papel tão importante quanto deveria na nossa análise habitual da sociedade; do mesmo modo que respostas físicas individuais podem ser vistas por esse ponto de vista, respostas orgânicas da sociedade também podem. Eu não quero dizer que o sociólogo não está ciente da existência e da natureza complexa das comunicações na sociedade, mas até recentemente, ele tendeu a ignorar a extensão a qual elas são o cimento que unifica o tecido.40
Mas ao mesmo tempo em que ele alerta para o fato de ignorarmos a importância da comunicação da formação da sociedade, Wiener se mostra cético na aplicação da cibernética aos sistemas sociais. É importante lembrar que Wiener estava imerso na cibernética de primeira ordem, e mesmo antes do desenvolvimento da cibernética de segunda ordem, já posta a difícil relação entre observador e observado como questão central de sua formulação. Tal influência é a mais complexa de ser minimizada41.
Capítulo 4
38 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982.
39 Parte desta seção foi desenvolvida em artigo com Baltazar para apresentação de artigo na conferência Media and Proximity, em Siegen, 2010.
40 WIENER em GEYER, Felix; van der ZOUWEN, Johannes. Norbert Wiener and the Social Sciences, p.
40-61. pp. 47. “This complex of behavior is ignored by the average man, and in particular does not play the role that it
should in our habitual analysis of society; for just as individual physical responses may be seen from this point of view, so may the organic responses of society itself. I do not mean that the sociologist is unaware of the existence and complex nature of communications in society, but until recently he has tended to overlook the extent to which they are the cement which binds its fabric together”.
82
4.3.1 A dificuldade em se estabelecer uma cibernética social
Wiener coloca dois problemas básicos, e de certa forma, complementares, para a utilização da cibernética nas ciências sociais. O primeiro se relaciona à dificuldade de se obter dados confiáveis - por causa da influência do ambiente, e pelo tempo necessário para uma coleta de dados eficiente. O segundo, mencionado acima, justifica-se pelo fato de a mera observação já influenciar o objeto da observação. Quando o observador influencia o que observa, ele retira da pesquisa a constância necessária para a observação42.
Cientistas sociais, por sua vez, também recebem as teorias da cibernética de forma cautelosa, e na maioria das vezes, negativa. Wiener não era um cientista social, e suas críticas foram vistas como um ponto de vista arrogante dos “novos revolucionários científicos”43. Além disso, muitos dos sociocibernetas
discípulos dos precursores da cibernética se exaltavam com o potencial da abordagem cibernética na solução dos problemas sociais, com uma abordagem tecnocrática ingênua e totalitária, segundo Robert Lilienfeld44.
Desta maneira, mesmo que os princípios da cibernética e da Teoria Geral dos Sistemas logo tenham sido aplicados extensivamente, já após a Segunda Guerra Mundial, somente na década de 1960 que observa-se um uso muito limitado e artificial nas ciências sociais45, como aponta Walter Buckley. O
problema está na análise de sistemas sociais a partir do equilíbrio, uma vez que grande parte dos fenômenos sociais (como conflitos sociais e mudança social) não podem ser explicados desta maneira.
Buckley e outros cientistas, entre eles Etzioni, Kuhn, Sutherland and Geyer, compreendem a necessidade de conceitos mais complexos que a cibernética clássica. A nova cibernética, de segunda ordem, cujo desenvolvimento se A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus
42 GEYER, Felix; van der ZOUWEN, Johannes. Norbert Wiener ... 1994. p. 48. 43 DUNCAN, in GEYER, Felix, van der ZOUWEN, Johannes. 1994, pp. 54. 44 GEYER, Felix, van der ZOUWEN, Johannes. 1994 p. 54.
45 GEYER, Felix, van der ZOUWEN, Johannes. Epilogue: Sociocybernetics as the evolving interface
83 mostra forte na década de 1970, apresenta o cenário propício para o desenvolvimento da cibernética social.
4.3.2 Estabelecendo o conceito da cibernética social
O termo “cibernética social”46 foi estabelecido em 1978, especialmente com a
premissa de estabelecer que sistemas sociais devem ser vistos como auto- organizáveis, auto-guiáveis e auto-referenciáveis. Isso significa dizer que os sistemas sociais podem referenciar a si mesmos. Eles “ [...] desenvolvem seus objetivos em modos não previstos que não podem ser dirigidos de fora, mas dependem de suas próprias atividades de planejamento, executadas na base de seu ʻmapeamentoʼ do ambiente e seu próprio lugar nele”47.
Desta maneira, a cibernética social pode oferecer ferramentas úteis para a análise das relações sociais que acontecem no espaço. Além disso, estudos sociais e cibernética compartilham hoje a importância da inclusão do indivíduo como agente ativo no processo em que se insere, como afirma Geyer:
Na teorização sociológica, o foco tem mudado lentamente nas últimas décadas, da tentativa de explicar a estrutura e a estabilidade de sistemas sociais para a análise dos processos que levam esses sistemas a mudarem e evoluírem em direção a níveis mais altos de complexidade, da tentativa de manter a homeostase de maneira top-down para explicar morfogênese como o resultado de processos que começam na base. Cibernética sempre se concentrou nos dois: o resultado de processos de transformação que se relacionam com o input-output podem ser explicados pela estrutura do sistema, enquanto a estrutura pode, em troca, ser pensada como uma resultante dos processos anteriores. Recentes desenvolvimentos na cibernética, porém, tem se concentrado cada vez mais na análise de processos interativos, que incluem os observadores destes processos e, consequentemente, a possibilidade de uma transferência teórica potencialmente fértil não deveria, Capítulo 4
46 em inglês: sociocybernetics.
47 GEYER, Felix. Cybernetics and Social Science: Theories and Research in Sociocybernetics, 1991. p.84. “they develop their own goals in often unforeseen ways that cannot be steered from the outside, but depend on their planning activities, executed on the basis of their "mapping" of their environment and their own place in it”
84 certamente, ser excluída48.
A cibernética de segunda ordem49 é fortemente baseada nas áreas biológicas50.
Stuart Umpebly explicita uma diferença básica entre os sistemas vivos, sistemas tecnológicos e autômatos, e suas implicações em sua análise: o fato de se auto-produzirem (autopoiesis) garante aos sistemas vivos a possibilidade de serem organizacionalmente fechados, mas informacionalmente abertos. Como resultado, tem-se que tais sistemas não podem ser dirigidos tão facilmente. A cibernética de segunda ordem foca mais no entendimento da evolução dos sistemas sociais e biológicos que em modos de controlá-los51.
A Cibernética de segunda ordem auxilia também o estudo da natureza do conhecimento, linguagem, cognição e comunicação. O conceito de auto- referência foi desenvolvido e utilizado em campos como cognição, no qual uma boa teoria deveria proporcionar a compreensão do entendimento em si, e a linguagem deixou de ser simplesmente um conjunto de símbolos que representem uma realidade para ser vista como uma ação para coordenar ações. O sistema possui a habilidade de refletir suas operações no ambiente de maneira recursiva. Observações podem ser observadas, comunicações podem ser comunicadas52
4.3.3 A cibernética social versus cibernética de primeira e segunda ordens
A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus
48 GEYER, Felix. The Challenge of Sociocybernetics, 1995, p. 7. “In sociological theorizing, the focus has slowly
shifted, over the last few decades, from trying to explain the structure and stability of social systems to analysing the processes that cause them to change and evolve towards greater levels of complexity, from trying to help maintain homeostasis in a top-down fashion to explaining morphogenesis as a result of interpenetrating bottom-up processes. Cybernetics has always concentrated on both: the results of input-output transformation processes may be explained by the structure of the system, while that structure can in turn be conceived as the resultant of previous processes. Recent developments in cybernetics, however, have concentrated increasingly on the analysis of interacting processes, including even the observers of these processes, and thus the possibility of a potentially fertile theory transfer should certainly not be excluded”.
49 Para uma análise geral da influência das cibernéticas de primeira e segunda ordem na formulação da
cibernética social, ver GEYER, Felix. The Challenge ...1995.
50 UMPEBLY em GEYER, Felix. The Challenge ...1995. Pp. 12. 51 UMPEBLY em GEYER, Felix. The Challenge ...1995. Pp. 12. 52 GEYER, Felix. The Challenge... 1995. p.13.
85 Segundo Umpebly53, a necessidade de separar a cibernética biológica da
social existe porque os interesses acadêmicos dos dois campos são distintos. Fenômenos físicos e sociais comportam de maneira diferente frente a mudança de um paradigma ou teoria. Se teorias físicas mudam, assume-se ainda assim que o fenômeno em si não tenha mudado – a exemplo da mudança de paradigma da física newtoniana para a quântica, podemos dizer que não houve uma mudança nos fenômenos observados, mas na maneira de observá-los. Fenômenos sociais, por sua vez, são influenciados pelas teorias que os estudam e a mudança da sociedade gera respostas no campo teórico. Ambos operam circularmente, dialogam. O QUADRO 01 apresenta as diferenças entre as cibernéticas. O próprio desenvolvimento da sociedade está provocando uma reavaliação da ciência, na qual a
[...] visão newtoniana do mundo que enfatiza estabilidade, ordem, uniformidade, equilíbrio e relações lineares entre ou dentro de sistemas fechados está sendo substituída por um novo paradigma. Este novo paradigma se alinha mais com a mudança social acelerada, e estressa desordem, instabilidade, diversidade, desequilíbrio, relações não lineares entre sistemas abertos, morfogênese e temporalidade”54
Esta objetividade científica é questionada por Flusser, em carta a Milton Vargas:
Ele [o cientista ou o técnico] está errado por supor que!a valoração!ética e estética é uma ação externa ao conhecimento e à!práxis, a qual pode ou não ser "adicionada" ao conhecimento e à práxis, quando na realidade todo o conhecimento e toda a práxis são, desde o começo, informados por valores. Se não, eles não poderiam existir. E ele está errado por não considerar que sua negação de valores resulta, na realidade, na afirmação de valores da classe dominante que ele conhece e age. Calcular barragens ou programas de computador são atividades políticas e estéticas, e se tornam! atividades políticas e estéticas "opressivas" se não iluminadas pela consciência política e estética daquele que as Capítulo 4
53 UMPEBLY, Stuart.!What Comes After Second Order Cybernetics? , 2001.
54 GEYER, Felix. The Challenge... 1995. p.13, 1995, p. 24. “The mechanistic and deterministic Newtonian world
view – emphasizing stability, order, uniformity, equilibrium, and linear relationships between or within closed systems – is being replaced by a new paradigm. This new paradigm is more in line with today’s accelerated social change, and stresses disorder, instability, diversity, disequilibrium, non-linear relationships between open systems, morphogenesis and temporality. Prigogine and Stengers call it the science of complexity”.
86 executa. Como os cientistas e técnicos decentes não mobilizam essa consciência, tanto a ciência "pura" quanto a técnica "funcional" estão se
A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus
QUADRO 1:
Quadro Comparativo das diferentes abordagens da cibernética Fonte: UMPEBLY, 2001. Ponto de vista epistemológico Distinção importante Quebra-cabeças a ser resolvido
O que deve ser explicado Pressuposto chave Consequencia importante
Cibernética de
Engenharia
Realista: conhecimento como uma ïmagem darealidade realidade x teorias científicas construção de teorias que representem os fenômenos observados
como o mundo funciona
processos naturais podem ser explicados por teorias científicas
conhecimento científico pode ser utilizado para
modificar processos naturais para beneficiar
as pessoas