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BÖLÜM II: KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.4. Epistemolojik İnanç

2.4.2. Sistem yaklaşımları

A criação da metáfora da “caixa preta”23 é atribuída a James Clark Maxwell e

expressa “um mecanismo que só pode ser entendido ao comparar inputs e outputs e assim, criar uma relação constante”24, como uma maneira de dizer

que não sabemos o que acontece dentro de um sistema. Tal abordagem pressupõe que o observador não pode observar outro sistema de dentro, mas determinar as relações entre inputs e outputs.

Desta maneira, como observadores, construímos uma descrição de comportamentos, que é, de fato, a diferença entre nós mesmos e o “outro”, que é impenetrável. Quando o observador interage tempo suficiente para criar uma descrição da caixa, isto é, ele acredita ter encontrado padrões de comportamento entre inputs e outputs (i.e., regularidade), então a caixa se branqueia. O fato de a caixa parecer preta ou branca faz parte de uma construção do observador, porque, de fato, a caixa preta será sempre preta e Capítulo 4

21 HAYLES, Katherine. How we became... 1999 p. 50.

22 GEYER, Felix; van der ZOUWEN, Johannes. Norbert Wiener and the Social Sciences, 1994. p.40-61. 23 A criação do termo foi atribuído a Maxwell por Ashby, embora Glanville (2001a, p. 654) afirme não

encontrar nenhuma outra fonte que o faça.

24 GLANVILLE, Ranulph in GAGE, Stephen. How to Design a Black and White Box, 2007. “a mechanism

78 seu interior permanecerá um mistério. A descrição é sempre uma tentativa25.

Glanville, em seu artigo “Inside Every White Box there are two Black Boxes trying to get out”26, explora a relação entre um observador e uma caixa preta

em detalhe27. Na interação entre observador e caixa preta, tem-se que o

observador observa inputs e outputs, e porque existem diferenças entre eles, constrói a distinção que justifica assumir a existência de uma caixa preta (FIG. 08).

Isso quer dizer que o observador percebe se determinado acontecimento ocasiona determinada ação. Desta maneira, o observador deseja construir uma relação entre input (I) e output (O). A descrição gerada a partir de constante comparação entre esses elementos leva o observador a gerar uma descrição do que acredita ser a caixa p r e t a . S e a d e s c r i ç ã o p a r e c e funcionar por grande número de vezes, tal descrição passa a funcionar como se fosse estática, estabilizando o sistema caixa preta – observador. Tal estabilidade é, porém, experimental, porque não há verdade absoluta na descrição construída28.

Para garantir que tal construção se mantenha, o observador pode testar outros inputs, e, se esses levam ao resultado esperado, a confiança do observador na sua construção aumenta, e, assim, expande seu suposto conhecimento sobre a estrutura da caixa preta. Do contrário, levam o observador a fazer novas A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus

25GLANVILLE, Ranulph. And he was magic. 2001a, pp. 658.

26 em Português: Dentro de cada caixa branca existem duas caixas pretas esperando para sair. Em:

GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982.

27 A razão de eu ter escolhido Glanville em relação a todos os outros autores que exploram a relação entre a

caixa preta e observador é sua clara aproximação à linha de pesquisa de Gordon Pask, seu professor. O autor também dá importância ao caráter conversacional da cibernética, elemento essencial da cibernética de segunda ordem e que influencia o desenvolvimento dessa dissertação.

28 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982 p. 3.

FIGURA 8– Processo de construção da caixa preta Fonte: Baseado em GLANVILLE, 1982

79 descrições. Na relação caixa preta - observador, o output da caixa preta é o input do observador, e o output do observador, o input da caixa preta. Isto é, as observações feitas da caixa preta pelo observador são usadas para a sua análise. O produto desta análise, por sua vez, influencia o funcionamento da caixa preta. Neste sentido, existe uma interação entre os dois sistemas29.

Nesta situação, a questão a ser colocada é sobre onde está o controle. Primeiro, podemos pensar que o observador controla o input – e também espera controlar o comportamento – da caixa preta; mas por outro lado, a própria caixa preta influencia o comportamento do observador. Desta maneira, assim como input e output, o controle se relaciona com o papel estipulado na relação entre eles30.

Se a interação entre os dois acontece de maneira a validar a descrição, podemos afirmar que a caixa preta branqueou-se. Glanville se vale de Wiener para afirmar que “o branqueamento [...] não é uma propriedade da caixa, mas da interação do observador com ela. Embora a descrição que branqueie a caixa possa ser mantida historicamente, ela ainda é simulada e arbitrária”31.

Embora para si mesmo, o observador possa ser uma caixa branca, para a caixa preta, ele também se comporta como uma outra caixa preta. A estabilidade da descrição entre eles produz o branqueamento das caixas, mas tal estado é privado aos dois. Enfim, os dois se mantém caixas pretas que se comportam como caixas brancas entre si32. “Desta maneira, cada caixa branca

consiste de duas caixas pretas interagindo de tal maneira que uma (e, por consequência, a outra) tem uma descrição funcional da outra (ou da uma)”33.

Um novo observador que observe o sistema “observador 1 – caixa preta” verá Capítulo 4

29 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982.p 4. 30 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982 p. 4.

31 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982. 4, “This whiteness [...] is not a property of the box, but of the observer’s interaction with it. Although the whitening description may hold historically, it is still simulated and arbitrary”.

32 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982 p.4.

33 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982 p.4, “Thus, every white box consists of two black boxes interacting in such a way that one (and, by implication, the other) has a working description of the other (or the one)”.

80 somente uma caixa preta. Por dentro, isto é, para o observador 1 e para a caixa preta, a caixa será branca. O observador 2 está na mesma posição que o observador 1 estava na situação inicial (FIG. 09)34 em um processo

teoricamente infinito.

Este tipo de interação acontece quando conversamos com outras pessoas35.

Não sabemos o que o outro está pensando, e por isso, construímos n o s s o e n t e n d i m e n t o d o o u t r o . Geralmente, tal entendimento funciona bem, ou porque estamos corretos, ou porque o outro age da maneira que acha que esperamos. O mecanismo da caixa preta

não só protege a privacidade do que nos faz diferentes de todos os outros, mas também permite (pede) a introdução (através desta diferença) do que pode ser pensado como uma novidade sinergética: isto é, cada um traz diferenças no entendimento de forma que a conversação caminha para áreas que não pertencem a nenhum, mas que é requerido por ambos!36

Geyer37 afirma que o conceito da caixa preta está diretamente relacionado à

cibernética de primeira ordem porque parte da ideia de que não podemos observar os sistemas por dentro. Glanville, por outro lado, demonstra que, mesmo que indecifráveis, duas caixas pretas podem se comunicar quando, temporariamente, compartilham uma observação. A comunicação, como dito anteriormente, é uma variável essencial de diversos sistemas quando A Cibernética como arcabouço para a avaliação dos museus

34 GLANVILLE, Ranulph. Inside Every White ... 1982.

35 GLANVILLE, Ranulph. And he was magic. 2001a, p. 658.

36 GLANVILLE, Ranulph. And he was magic. 2001a, p. 658. “not only protects the privacy of what makes us each different from every other, but also allows for (demands) the introduction (through that difference) of what might be thought of as synergetic novelty: that is, each brings differences in understandings such that the conversation goes into areas belonging to neither, yet claimed by both!”

37 GEYER, Felix. The Challenge of ... 1995.

FIGURA 9 – Relação entre o observador 2 e o sistema “observador 1 – caixa preta”

81 analisados pela cibernética de segunda ordem. O mecanismo da caixa preta também pode ser válido e útil para situações de segunda ordem38.

Benzer Belgeler