• Sonuç bulunamadı

II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ÇALIŞMALAR

2.4. Yurtiçinde Yapılan Araştırmalar

A criação de uma empresa exige a mobilização inicial de recursos, para a aquisição de bens de capital, máquinas, equipamentos e insumos, que possibilitem a confecção e a venda de produtos no mercado. Entretanto, os recursos particulares de idealizadores de projetos se apresentam, geralmente, insuficientes para a implantação de uma nova empresa, impedindo a realização de muitos empreendimentos, que poderiam contribuir com o desenvolvimento da sociedade. O financiamento do ciclo produtivo também não pode depender apenas das receitas oriundas da comercialização de bens e serviços, pois somente serão recebidas depois de se incorrer nos custos de produção, o que enseja a busca de fontes alternativas de recursos.

A constituição de uma empresa se encontra limitada pelos recursos dos proprietários e pela capacidade de obterem crédito pessoal, sendo lenta a expansão de suas atividades, por se vincular fortemente à retenção de parte dos lucros advindos dos negócios (fonte interna). Sendo assim, o financiamento das operações da empresa requer a utilização de recursos de terceiros (fonte externa), através da canalização da poupança, compreendida como a parcela da renda não empregada no consumo, para o investimento em capital econômico, constituído pelos recursos físicos que materializam a produção. A intermediação entre poupadores e investidores, proporcionando fontes externas de recursos, ocorre no mercado financeiro, que pode ser dividido basicamente em mercado de crédito e em mercado de capitais, de acordo com os prazos das operações, com a forma de repasse dos recursos e com as características dos instrumentos financeiros.

O mercado de crédito se caracteriza pelo conjunto de agentes e de instrumentos financeiros relacionado com as operações de curto e médio prazos, que fornecem os recursos para o financiamento do capital de giro das empresas. Neste segmento do mercado financeiro, um intermediário, na maioria das vezes um banco comercial, adquire os recursos de diferentes poupadores, responsabilizando-se pelos valores depositados, e os repassa a uma empresa investidora, procedimento denominado financiamento indireto ou sistema de crédito. Os instrumentos financeiros do sistema de crédito são definidos como instrumentos de dívida, pois estipulam a obrigação fixa do tomador de pagar o aplicador, independentemente dos resultados de mercado obtidos pela empresa ou pelo projeto financiado (renda fixa) (ANDREZO; LIMA, 2002, p. 1-3; GREMAUD; VASCONCELLOS; TONETO JR., 2004, p. 173-175).

O mercado de capitais representa a divisão do mercado financeiro especializada em operações de prazos médio e longo, que disponibilizam recursos para os investimentos empresariais em capital fixo. O procedimento de financiamento direto, realizado neste mercado, consiste no repasse de recursos sem a participação de intermediário e, por isso, o próprio aplicador assume integralmente o risco de não ser pago pelo tomador. Os instrumentos de participação se configuram como os instrumentos financeiros do mercado de capitais, se distinguindo por estabelecerem que o poupador passa a compartilhar os resultados do negócio financiado, segundo o desempenho de mercado alcançado pela empresa tomadora (renda variável) (ANDREZO; LIMA, 2002, p. 1-3; GREMAUD; VASCONCELLOS; TONETO JR., 2004, p. 173-175).

O endividamento no mercado de crédito e a emissão de ações no mercado de capitais podem ser analisados como modos alternativos de governança que, de acordo com o critério de eficiência econômica, são empregados para financiar diferentes conjuntos de projetos. O financiamento através do sistema de crédito requer da empresa tomadora o pagamento de juros em intervalos regulares e a predefinição das condições de liquidez do negócio, pois a inadimplência pode resultar em liquidação antecipada da dívida, comprometendo a própria continuidade da atividade produtiva. Diante das adversidades do ambiente econômico, a empresa tomadora não recorrerá ao mercado de crédito para financiar investimentos especializados, na maioria das vezes associados ao capital fixo, devido ao elevado grau de risco a eles inerente, mas ativos de maior flexibilidade na sua reutilização, que apresentam retorno mais seguro dos recursos emprestados (WILLIAMSON, 2005, p. 43-44).

O menor custo de capital proporcionado pelo emprego de ativos genéricos acarreta elevação nos custos de produção, uma vez que os investimentos especializados apresentam maior produtividade. O mercado de capitais corresponde à alternativa de financiamento para os projetos que envolvem ativos específicos, distribuindo o risco do empreendimento entre aplicador dos recursos e empresa tomadora, a ela competindo decidir, nos limites do ordenamento jurídico, os prazos e as formas de pagamento de juros e dividendos, mais compatíveis com a maturação do investimento. Desta maneira, a aquisição de ações no mercado de capitais, ao conferir uma parte ideal da propriedade da empresa tomadora ao aplicador dos recursos, faz com que ele participe dos negócios empresariais, partilhando os resultados alcançados no mercado, sejam lucros ou prejuízos (WILLIAMSON, 2005, p. 44).

O setor público também desempenha um papel relevante no fornecimento de recursos para a atividade empresarial, criando sistemas de financiamento ao desenvolvimento produtivo, especialmente quando o mercado não oferece condições financeiras adequadas aos investimentos. A grande maioria dos Estados adota políticas econômicas comprometidas com a expansão da atividade produtiva, que se concretizam na destinação de recursos públicos aos investimentos empresariais, sob as formas de subsídios, de empréstimos e de isenções fiscais. Todavia, o principal apoio financeiro estatal consiste no financiamento de empreendimentos que exigem grande quantidade de capital e longo prazo de maturação, como a construção da infra-estrutura necessária à realização da produção (transporte, energia, educação), a industrialização de regiões carentes e o estímulo ao crescimento tecnológico e aos demais setores estratégicos.

A conjuntura econômica exerce considerável influência sobre os planos de inversão, interferindo diretamente no risco dos projetos e na capacidade de endividamento dos agentes, não podendo ser desprezada na análise do financiamento das operações empresariais. Os contextos de alta inflação ou de estabilidade, economia protegida ou aberta e crédito externo abundante ou racionado, afetam as decisões empresariais de retração ou expansão da capacidade produtiva, de desendividamento ou de alavancagem financeira e de investimentos de curto ou de longo prazo9. A

9 Um exemplo de interferência da conjuntura econômica na estrutura financeira das empresas pode ser

encontrado no financiamento empresarial, entre as décadas de 1980 e de 1990, na economia brasileira: o contexto de alta inflação, economia protegida e racionamento do crédito externo (1981/1989) fez com que as empresas buscassem a retração da capacidade produtiva, o desendividamento e os investimentos de curto prazo. A sobreposição de reinserção financeira externa, abertura comercial e alta instabilidade (1990/1993) levou as empresas a reverterem a queda do grau de endividamento, a retomarem a expansão da capacidade produtiva e a realizarem investimentos de prazo mais longo. A combinação de economia aberta, crédito externo abundante e estabilização (1994/1998) conduziu o comportamento empresarial ao crescimento da alavancagem financeira, à expansão da capacidade produtiva e aos investimentos de longo prazo (PEREIRA, T., 2000, p. 89-126).

escolha do melhor esquema de financiamento para os investimentos das empresas sofre, então, as ingerências da dinâmica da institucionalidade financeira, composta pelos incentivos da política econômica do Estado e pela organização eficiente de mercados de crédito e de capitais, viabilizando a conversão da poupança em crescimento econômico.