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3.2 GENÇLĠK GARANTĠ PROGRAMI

3.2.6 Gençlik Garanti Programı Örnek Ülke Planları ve Değerlendirmeler

3.2.6.1 Yunanistan

A significação das palavras está intimamente relacionada com o mundo das ideias e também com as experiências do falante no seu contexto sociocultural. A pragmática, ao considerar a linguagem a partir do uso que os interlocutores fazem em função da ação que exercem uns sobre os outros, fez surgir preocupações que não haviam sido registradas pela Linguística da Frase, destacando o lugar do sujeito da enunciação no campo dos estudos

linguísticos. Portanto, a significação se manifesta na língua em processo, isto é, na perspectiva da enunciação e do seu contexto.

No funcionalismo, a significação não se baseia numa relação entre símbolos e dados de um mundo real. As palavras assumem os seus significados no contexto, o que implica a noção de que os conceitos decorrem de padrões criados culturalmente. (MARTELOTTA, 2003)

Isso significa que certas expressões linguísticas são entidades carregadas de significação, acrescentando ao enunciado dados informativos, frequentemente, ligados às intenções dos falantes, que, entretanto, não se integram na estrutura lógico-sintática da oração. Ou seja, ao se materializar no discurso, elas acionam também a expressão de valores, crenças, desejos e até sentimentos que alteram os seus significados, tornando-as outras palavras em cada contexto de uso.

Para Benveniste (1970), esses aspectos demonstram a presença do homem na língua e são historicamente importantes para colocar em cheque várias visões limitadoras da significação.

Nos estudos linguísticos e filosóficos, diferentes premissas e conceitos sobre a relação da linguagem com a realidade têm sido desenvolvidos, ressaltando em particular a questão da referência. A maior parte dessas premissas pressupõe ou visa uma relação de correspondência entre a palavra e as coisas e acredita, não só que os objetos são estáveis e dados a priori de um ponto de vista perceptual como também que eles têm propriedades intrínsecas e inerentes que são mantidas, mesmo quando o objeto evolui perceptualmente ao sofrer transformações materiais.

Consciente desse equívoco, Benveniste (1970, p. 84) defende que “a referência é parte integrante da enunciação, sendo por ele concebida como um processo de apropriação individual da língua pelo locutor”. Discurso e enunciação, na perspectiva funcionalista do trabalho de Benveniste, pertencem à língua, pensada em forma de funcionamento. Nessa perspectiva, só o discurso tem referência. A referência é então incluída no quadro do funcionamento dialógico da língua.

Nas concepções atuais, a referência (nomeação das coisas) não depende apenas da percepção, mas da interpretação e do desenvolvimento cognitivo e das experiências culturais. Não mais se questiona como os estados do mundo são representados. Indaga-se, então, como as atividades humanas cognitivas e linguísticas estruturam e dão um sentido ao mundo.

É nessa direção que se estrutura a concepção de referência nos estudos de Mondada e Du Bois (2003), Apothéloz (2003). Para esses estudiosos,

A referência pode ser revisitada por duas linhas de abordagem: uma concernente à categorização, graças às pesquisas psicológicas sobre os processos pelos quais os sistemas cognitivos dão estabilidade ao mundo, e outra, relacionada a uma perspectiva lingüística interacionista e discursiva, que considera os processos de referenciação em termos de construção de objetos de discurso e de negociação de modelos públicos do mundo. (MONDADA e DU BOIS, 2003, 48).

De acordo com esta concepção, as categorias e os objetos pelos quais os sujeitos compreendem o mundo não são nem preexistentes, nem dados, mas se elaboram no curso das atividades, transformando-se a partir dos contextos. Assim sendo, as categorias e objetos de discurso são marcados por uma instabilidade constitutiva, observável através de operações cognitivas ancoradas nas práticas, nas atividades verbais e não verbais, nas negociações dentro da interação.

Nessa perspectiva, deve-se falar em referenciação, uma vez que se busca a relação entre o texto e a parte não-linguística da prática em que ele é produzido e interpretado (MONDADA e DU BOIS, 2003). Em outras palavras, significa questionar os padrões e a estabilização, levando-se em conta um sujeito real, sócio-cognitivo mediante uma relação indireta entre os discursos e o mundo. Esse sujeito constrói o mundo no curso de suas atividades sociais e o torna estável graças às categorias manifestadas no discurso.

Essa perspectiva pauta-se em alguns princípios: i) As categorias utilizadas para descrever o mundo não são estáticas, ao contrário, elas mudam sincrônica e diacronicamente. ii) a instabilidade das categorias está relacionada às suas ocorrências. No seio das atividades discursivas, a instabilidade se manifesta em todos os níveis da organização linguística, indo das construções sintáticas às configurações de objetos de discurso. Esta instabilidade é observável, sobretudo, na produção oral, mas acontece também nos textos escritos. iii) As categorias ou as interpretações que os homens fazem do mundo são estabilizadas, tanto no nível psicológico quanto linguístico, mediante diferentes processos cognitivos. E entre os processos acionados cognitivamente para a estabilização dessas categorias estão a dêixis e a anáfora.

Nos estudos linguísticos, os fenômenos da dêixis e da anáfora têm suscitado controvérsias e discussões. Porém, a despeito de andarem sempre juntas e até apresentarem as mesmas características, esses conceitos desempenham funções bem distintas na linguagem, fazendo-se necessário explicitar aspectos que distinguem um fenômeno do outro.

A dêixis diz respeito às expressões linguísticas cuja interpretação tem como apoio parâmetros de lugar ou do momento da sua enunciação ou ainda da pessoa que as enuncia. São palavras, comumente, conhecidas como dêiticas.

Apothéloz refere-se à dêixis como:

[...] a localização e a identificação das pessoas, objetos, processos, eventos e atividades em relação ao contexto espácio-temporal acreditado e mantido pelo ato de enunciação, e a participação de um locutor único e de pelo menos um interlocutor. (APOTHÉLOZ, 2003, p. 67)

A categoria dos dêiticos compreende, portanto, os localizadores espaciais e temporais (aqui, ali, agora, ontem, amanhã) e os pronomes de primeira e de segunda pessoa. Em situações dêiticas, mesmo apresenta-se sempre junto a uma expressão de lugar ou de tempo, reforçando-a.

Costuma-se classificar a dêixis em:

i) Pessoal – diz respeito ao papel do participante no evento comunicativo.

(21) . Eu mesmo eu num gosto de política. Eu gosto não: e principalmente cum esse negócio de vota0. <Eu mesmo> num vou tira0 o meu título nunca p0a vota0. (Inf. 1 fem, p.17).

ii) Espacial – diz respeito à localização do participante no momento da fala.

(22) E* Já houve assim, outro caso de violência aqui no seu bairro?

I* Houve, aí na outra rua, mais aqui vizinho, aqui perto mesmo de casa que mataram {inint.} barraca muito violenta. (Inf, fem

iii) Temporal – diz respeito ao momento em que se acha o falante. (23) E* Como era esse bairro quando a senhora chegou pra morar aqui? (fem 25,p.276)

I* Não, desdø que eu cheguei que é como hoje mesmo, com essas casaø que tem hoje. (Inf.25, fem ,p. 276)

A anáfora, por sua vez, tem sido tradicionalmente entendida como o processo de remissão a conteúdos já expressos no texto/discurso, estabelecendo uma relação entre os segmentos constitutivos da frase.

Para diferenciar a dêixis da anáfora, Apothéloz (2003) propõe conservar no conceito de dêixis o que lhe dá especificidade semiológica. Para que haja dêixis é necessário que o meio utilizado para identificar o referente relaciona-se ao lugar, ao tempo, ou a pessoa da situação de enunciação. O modo de referência dos dêiticos apóia-se num referencial, e não nos significados. A anáfora consiste em identificar objetos, pessoas, momentos, lugares e

ações por alguma referência a outros objetos, pessoas etc., anteriormente mencionados no discurso. Todavia, deve-se observar que alguns dêiticos costumam ser interpretados como anafóricos, por engano. Nem todas as expressões dêiticas (ou melhor, os falsos dêiticos: na véspera, no ano anterior, hoje em dia) são suscetíveis de um uso anafórico.

A primeira coisa que marca os estudos linguísticos em relação à anáfora é a ênfase que se dá à frase ou ao texto. Segundo Apothéloz (2003, p.53), “as expressões anafóricas têm propriedades diferentes; elas são dependentes dos fatores contextuais e pragmáticos e não são controladas sintaticamente por seu antecedente”.

Koch e Marcuschi (1998) concebem a anáfora (ou retomada anafórica) como uma estratégia de progressão discursiva especial e complexa, considerando a expressão retomada como uma espécie de remissão que estabelece o contínuo tópico. Assim, ampliam a noção de anáfora, levando em conta, também, as relações estabelecidas por nomes e outras categorias.

Halliday e Hasan (1976) tomam a referência como um processo de coesão textual que se distingue em três tipos:

i) a referência pessoal (retoma a situação da fala, através dos pronomes pessoais e dos possessivos);

ii) referência demonstrativa (retoma entidades mencionadas no discurso, localizando-as no espaço e no tempo através dos artigos, demonstrativos e advérbios de lugar e de tempo);

iii) referência comparativa (retoma entidades promovendo uma comparação implícita entre elas, através dos identificadores assim, tal, como).

A referência, segundo Halliday e Hasan (1976), pode ser: endofórica, que se processa de duas formas no discurso: i) anáfora – retomada de conteúdos verbalizados no discurso anterior; ii) catáfora – retomada de conteúdos verbalizados no discurso posterior; e exofórica - faz remissão a conteúdos não verbalizados, mas presentes na situação discursiva (inferível).

Para Castilho (1991), o conceito de referência proposto por Halliday e Hasan envolve dois processos: a remissão propriamente dita, desempenhada pelas classes gramaticais referenciadas, e um processo de localização de entidades no eixo do espaço e do tempo (denominado dêitico pelos gregos e traduzido pelos romanos como demonstratiuus = mostrar), que parece distinto da simples retomada de conteúdos. Com o tempo, esse termo

sofre uma restrição de sentido, vinculando-se apenas a alguns pronomes de “3a. pessoa”, do “próximo” e do “remoto” (dêiticos), que podem também ser anafóricos.

O item mesmo enquadra-se nesse conceito, uma vez que retoma porções de conteúdos já enunciados bem como reforça a localização espacial e/ou temporal de entidades no texto/discurso. Por exemplo, o enunciado “é isso mesmo” não só se refere a algo já expresso como reforça o que já foi dito. A próxima seção destaca esse duplo conteúdo do item.