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1. KAVRAMSAL VE TEORİK ÇERÇEVE

2.1. Yugoslavya Federasyonu Dönemi

As pessoas que apóiam prestando serviços voluntários para a realização do HQPB fazem parte do staff. De origem inglesa, a palavra staff tem em sua tradução o significado de equipe de apoio ou corpo de assistentes auxiliares. O termo é comumente utilizado nas áreas de Administração e Marketing. No contexto do HQPB, o staff é fundamental para o andamento do evento, já que sozinhos, os membros do Studio não dão conta de todas as atividades e tarefas que precisam ser realizadas no evento. Esperei abrir a seleção para a equipe de apoio do HQPB. A chamada para seleção era divulgada no perfil do evento no

Facebook, Twitter e no blog do Studio85 durante o mês de setembro.

A seleção era feita através de um formulário online (ver Anexo B), no qual o candidato informaria seu nome, apelido que gostaria de ser chamado, idade, contato, email e quais as áreas que gostaria de trabalhar. As áreas eram as seguintes86: Oficinas, sketch session,

Artist's Alley, setor de Imprensa, áreas temáticas, swordplay, RPG, card games, boardgames,

Playtoy Station/Arcades, exposições, games, estandistas/ lojistas, exibição de animações, guarda volumes, concurso Cosplay, K-Pop, roadie/ bandas e PPTO, que significa “pau pra toda obra” – esta função seria para aqueles que ajudassem e desse suporte em todas as áreas.

Aqueles que se inscreveram para a equipe foram adicionados por Glauber em um chat coletivo87 (com um pouco mais de 40 pessoas) no Facebook, chamado “nome mais genérico para deixar o espaço de socialização”. Ali os membros do Studio davam informações sobre as atrações do evento e motivavam os inscritos a compartilharem e a curtirem as notícias sobre o HQPB. Essas notícias eram chamadas de drops HQPB por serem curtas e instantâneas.

As inscrições não garantiam que o candidato se tornasse apto para integrar a equipe. Digamos que o formulário serviu para afunilar e diferenciar aqueles que se empenhariam e os

ser realizado um montante de investimento; o valor cobrado nas cotas de patrocínio visa uma estimativa no qual o investimento pedido possa ser acima do estipulado, para que assim, caso sobre dinheiro este seja revertido para o Studio.

85 Disponível em <https://studiomadeinpb.wordpress.com/2014/08/19/hqpb-drops-02-abertas-as-inscricoes-para-

selecao-da-equipe-de-staffs-do-hqpb-2014/>. Acesso em 09 jun. 2015.

86 Cada uma destas áreas será explicada mais a frente.

87 Chat é também chamado de bate-papo. Trata-se de um espaço no próprio Facebook em que é possível a

conversação de dois ou mais usuários, realizados de forma privada, sem o acompanhamento e visualização de outros usuários na rede social.

que não. Este empenho era observado pelas vezes em que os inscritos compartilhavam os

drops no Facebook, demonstrando interação e interesse, tanto online quanto presencialmente, com ajuda para espalhar panfletos pela cidade, buscar materiais, etc. Os inscritos selecionados participaram de uma reunião coletiva realizada na FUNESC no mês de Setembro. Nesta reunião, Márcio, Glauber, Januncio e Marília88 davam informações sobre o evento, sobre as áreas das atividades, sobre o espaço e alguns direitos e deveres dos staffs, como o direito a camisa do evento, entrada gratuita, alimentação (almoço e jantar) e alguns privilégios, como estar perto dos artistas convidados.

Nos deveres, a equipe teria que chegar cedo ao evento, ter responsabilidades e não se ausentar do local sem aviso prévio, comunicando sempre que possível aos membros do Studio algum imprevisto. É interessante destacar aqui o perfil indicado para ser parte do staff, dentre outras atribuições, como ser responsável, ser pontual e prestativo, o candidato teria que ter alguma afinidade com a temática da cultura pop. Sobre esta última informação, só pude constatá-la ao perceber nos dois dias do evento, que as pessoas do staff possuíam alguma familiaridade com a cultura pop, eram público de outras edições do HQPB e conheciam o trabalho de ensino do Studio Made In PB. Alguns candidatos por já se envolverem em atividades que estavam no evento ficaram responsáveis por elas. Por exemplo, quem é jogador de Role-playing games (RPG) ficaria na organização dessa área.

Ao preencher o formulário, escolhi oficinas, Pau Pra Toda Obra (PPTO) e Artist

Alley89. Na reunião, o nome de cada pessoa inscrita era anunciado junto com a área em que estaria responsável, escolhidas pelos membros do Studio. Não falaram o meu nome e nem em que área eu estaria. Só quando perguntei a Glauber, ele me disse “ah, você já é de casa, vai tá

nos auditórios”. Como eu era novata na organização e não tinha experiência com nenhuma

das outras atividades, embora já conhecesse os membros do Studio, escolheram me colocar na organização dos auditórios já que não era necessário um conhecimento prévio sobre as atividades.

Depois desta reunião, a comunicação entre a equipe e os membros foram mais intensas. Glauber criou um grupo virtual no Facebook90 (que não era mais o chat coletivo, mas um ambiente virtual próprio, com notícias e informações objetivas) no qual só os selecionados participariam. Ali seriam divulgadas novidades e informações sobre o evento e

88 Nome fictício para esta pesquisa. Além dela, outras pessoas fazem parte do Studio Made In PB, ao colaborar

com suas atividades. Amigos e conhecidos colaboram para a realização do evento, prestando ajuda voluntária e mútua. Essas pessoas fazem parte da rede de contatos do Studio.

89 Cada uma destas áreas será explicada mais a frente.

convocações para ajudar na busca de materiais, caronas e divulgação. No mês de Outubro, Márcio começou a convocar a presença dos selecionados na carimbagem dos ingressos. Prontifiquei-me a ajudar neste processo. Os ingressos necessitavam ser carimbado em duas vias, uma ficaria com quem pagou e outra seria o canhoto que comprovaria a venda. Foram quase três dias de carimbagens, alternando entre as pessoas que compareciam ou no turno da tarde ou no turno da noite, na FUNESC. Toda essa colaboração acontecia de forma voluntária. Quem quisesse ajudar avisaria se poderia ir e qual horário, conforme os membros do Studio iam comunicando pelo Facebook e solicitando ajuda.

No Facebook, a sociabilidade acontecia no virtual para desmembrar no real, como os primeiros contatos via chat coletivo. Entretanto este fato não deve ser naturalizado como uma simples forma de se comunicar, pois suas funções conversacionais contribuem para uma interação rápida e momentânea com outros usuários. Os organizadores informavam de maneira direta e simples tanto a convocação de ajuda coletiva (Figura 11) quanto detalhes sobre as atrações e convidados ilustres para o HQPB. As curtidas e comentários dos participantes da equipe era uma forma de manifestar atenção e reciprocidade para com as informações que ali eram compartilhadas.

Figura 11 – Paloma convocando a equipe para ajudá-la

Na publicação acima, Paloma convoca sua equipe para ajudá-la na Artist Alley. Nota- se que ela não os conhecia pessoalmente e utilizou o Facebook para convocar a uma reunião pessoal. Utilizar esta ferramenta como mediadora serviu para atingir os seguintes objetivos: rapidez na informação, potencialização das atividades, contato prévio com quem ainda não se conhecia pessoalmente, autonomia na divulgação e manifestações de informações. Diferente do chat coletivo realizado nos primeiros contatos com os candidatos a staff, o grupo no

Facebook surge como uma forma de reunir os interessados em prol de um objetivo específico. No chat coletivo (chamado nome mais genérico para deixar o espaço de socialização) eram debatidos vários assuntos que fugiam da temática sobre a organização do evento. Eram compartilhadas informações sobre filmes, quadrinhos, seriados; a interação mais intensa entre os participantes aconteciam no horário da noite. Para acompanhar os diálogos eu tinha que voltar às mensagens antigas para entender do que se estava falando. Era preciso estar presente (estar online91) no momento da interação no chat, já que eram muitas conversas paralelas.

Diferentemente, no Grupo de Staffs era possível acompanhar as informações ali postadas de forma objetiva, com informações vinculadas às imagens como fotografias e vídeos. Percebe-se que as interações tanto no Grupo de Staffs quanto anteriormente no chat coletivo são maneiras de se formar uma unidade. Baseando-se nas ideias de Simmel, a interação obriga o indivíduo que possuem instintos, interesses, etc., “a formarem uma unidade” (SIMMEL, 1983, p. 166). Ainda de acordo com o autor, a interação dos indivíduos, com seus interesses, instintos, propósitos, fazem com que os homens vivam entre si, “ajam por eles, com eles, contra eles, organizando, reciprocamente, as suas condições – em resumo, para influenciar os outros e para ser influenciado por eles” (SIMMEL, 1983, p.165-166). Logo, no Facebook os interesses e propósitos sobre o HQPB – sua organização, ajuda coletiva, planejamento – formam a base da interação entre toda equipe organizadora, englobando staff e membros.