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1. KAVRAMSAL VE TEORİK ÇERÇEVE

1.5. Dış Ticaret Teorileri

1.5.4. Dış Ticareti Açıklayan Yeni Teoriler

Tudo começou no ano de 2008. A princípio o “HQPB: quadrinhos e cultura pop na Paraíba”, brevemente chamado pelos integrantes de apenas HQPB, mantinham um formato de

uma pequena feira de troca e venda de revistas em quadrinhos e action figures. Essa feirinha acontecia semanalmente, aos sábados, dentro da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC) e tinha como principal público, os frequentadores da Sociedade Filatélica e Numismática de João Pessoa, isso porque este grupo realizava seus encontros na Fundação, e nos intervalos de suas reuniões, visitavam a feirinha. Com o tempo, o que era uma feira de troca e venda, tornou-se um dos principais eventos de cultura pop na cidade, com atrações que vão desde danças e desfiles a campeonatos, exibições de filmes e palestras.

As mudanças e readaptações do HQPB aconteceram após a segunda e a terceira edição, ambos no ano de 2009. Os membros do Studio decidiram tornar o evento anual (para diminuírem os custos) e com o aval da FUNESC, puderam fazer o HQPB em um final de semana sempre no segundo semestre do ano. Foi na quarta edição, no ano de 2010, que o evento teve um tema o Guitar Hero (tipo de jogo musical eletrônico interativo), havendo também maior presença de estandistas e a criação de um prêmio para homenagear artistas quadrinistas paraibanos, chamado Prêmio Made In PB de Cultura Pop.

Em busca de um referencial teórico que mostrassem pistas de como começaram esses eventos de cultura pop no país, Machado (2009), em sua tese de doutorado79, denomina de animencontro, os eventos feitos por fãs de cultura pop japonesa, caracterizado por atividades específicas a fim de construírem coletivamente uma forma de aproximação com estas produções culturais. De acordo com ele, o evento que serviu de modelo para a estrutura dos animencontros brasileiros foi a Convenção Nacional de Mangá e Anime – Mangacon I, realizada no ano de 1996 pela Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações (ABRADEMI) em Curitiba.

O evento tinha como objetivo proporcionar a troca de ideias e divulgação da cultura midiática japonesa no Brasil por fãs da cultura pop japonesa (MACHADO, 2009, p. 54). As atrações consistiam em desfiles de cosplays, exibição de animes, convenções de dubladores de desenhos e mostra de mangás. O termo animencontro foi criado por um dos dirigentes da ABRADEMI, ao realizar exibições periódicas de animes. Com o tempo, foram inseridas outras atividades como palestras, presença de lojistas e jogos de perguntas e respostas (RAMOS 2006 apud MACHADO, 2009, p. 59).

Paralelamente à pesquisa de Machado (2009), Winterstein (2009) destaca que estes eventos no Brasil possuem uma demanda mercadológica semelhantes aos festivais japoneses. Para ela:

79Machado realizou uma pesquisa de campo sobre os animencontros em quatro regiões brasileiras: Nordeste,

Esses eventos, com o objetivo de atrair o maior público possível, oferecem aos fãs uma grande lista de atrações e atividades dentre as quais destaco aqui os torneios de vídeo game, workshops de ilustrações (e outras atividades relacionadas ao universo mangá), partidas de RPG (Role Playing Games), Karaokê, exibições de animes, shows de bandas que tocam anime songs (músicas que integram a trilha sonora dos animes), concursos dos mais variados (dentre os quais o grande destaque vai para os concursos cosplay), além é claro dos estandes – montados por editoras e lojas especializadas – nos quais são vendidos livros, dvd’s, fitas VHS, brinquedos, mangás, fanzines, cd’s de anime Songs e uma infinidade de “bugigangas” (WINTERSTEIN, 2009, p.39).

Algumas dessas atrações podem ser vistas também no HQPB. No entanto, não há a celebração de uma cultura de nacionalidade específica, mas de produtos globalizados. Não se trata de um evento de cultura pop especificamente japonesa, mas de um evento que abarca gêneros midiáticos transnacionais, voltados para o entretenimento e diversão. Na Paraíba, os eventos desta característica em que se tem conhecimento surgiu a partir dos encontros de

Role-playing game – RPG80. Em conversa com Glauber, certa vez me informou que “tudo

começou com o RPG e o pessoal da cultura underground. Aí essas mesmas pessoas curtiam animes e no mesmo espaço do RPG, eram exibidos os animes”. Estes encontros aconteciam

em escolas, shoppings, casa de amigos. Trata-se, portanto de encontros no qual indivíduos interagem e compartilham suas afinidades, tendo como suporte os consumos de produtos culturais.

Numa pesquisa realizada por Campos (2010) sobre o RPG na cidade de João Pessoa, a autora constatou que o ano de 2005 foi um marco importante para os adeptos do RPG na cidade. O evento “RPG & Cultura”, tendo como tema “Nos Tempos Medievais” atraiu cerca de 10.000 pessoas para Praça de Eventos do Mag Shopping (CAMPOS, 2010, p.74). De acordo com Campos, este evento alcançou o status de maior evento de RPG do Nordeste, atraindo participantes de outros Estados. Em 2007, o evento RPG & Cultura inseriu-se no calendário turístico e cultural de João Pessoa, através da Lei nº 10.962 de Janeiro de 200781.

É possível encontrar jogadores de RPG no evento do HQPB, mas não só eles. Com edições anuais, o HQPB é um ponto de encontro de diversos grupos sociais dentro de um

80 Role playing games são jogos de interpretação de personagens, de modo que cada participante desempenha a

interpretação de um personagem dentro de um enredo de aventura ou fantasia. Em pesquisa realizada com alguns jogadores de RPG no Brasil, os autores Saldanha e Batista (2009) constaram que o fator amizade é motivacional para a prática do jogo. As trocas de experiências e convivências promovem a interação social dos jogadores de RPG formando círculos de amizades entre eles.

81Disponível em <https://www.leismunicipais.com.br/a/pb/j/joao-pessoa/leiordinaria/2007/1097/10962/lei-

ordinaria-n-10962-2007-estabelece-que-o-evento-rpg-e-cultura-passe-a-fazer-partedocalendarioturisticoe- cultural-de-joao-pessoa>. Acesso em 04 jun. 2015.

mesmo espaço. Realizado sempre no interior da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC), o evento tem como objetivo atrair um bom número de público, logo a escolha da Fundação é feita por ter um espaço amplo, comportando um grande número de atividades que podem ser realizadas de forma simultânea. Outro ponto a ser considerado na escolha na FUNESC é que o estabelecimento possui um trabalho de divulgação de quadrinhos, em que a realização do HQPB só dialoga ainda mais com a proposta.

A escolha da FUNESC, portanto, não é feita de forma aleatória. Refletindo sobre os usos de equipamentos físicos/espaços urbanos e serviços da cultura pop é possível dizer que as atividades que se relacionam ao universo da cultura pop em João Pessoa não se reduzem a práticas desconexas. Para um melhor entendimento dessas relações, compreendo o evento HQPB como parte de um circuito, termo dado por Magnani (2007, 2012) para abarcar os diferentes atores sociais num espaço de práticas ou serviços específicos, que se pautam pela organização de um calendário para sua realização. Vejamos a seguir, como se dá o entendimento dessa categoria analítica, tendo como destaque as formas de realizações do espaço urbano pelos atores sociais envolvidos, assim como a flexibilização deste espaço (MAGNANI, 2012), marcado pelas interações e sociabilidades na internet.