1. KAVRAMSAL VE TEORİK ÇERÇEVE
1.8. Doğrudan Yabancı Yatırımları Çeşitleri
1.8.3. Diğer Doğrudan Yabancı Yatırımlar
De acordo com Magnani, o circuito é uma categoria analítica para designar uma prática ou serviço especifico em estabelecimentos ou equipamentos urbanos que não possuem entre si uma relação contigua.
Trata-se de uma categoria que descreve o exercício de uma prática ou a oferta de determinado serviço em estabelecimentos, equipamentos e espaços que não mantém entre si uma relação de contiguidade espacial, sendo reconhecido em seu conjunto pelos usuários habituais: por exemplo, o circuito gay, o circuito dos cinemas de arte, o circuito neoesotérico, dos salões de dança e shows black, do povo-de-santo, dos clubbers, dos evangélicos gospel e tantos outros (MAGNANI, 2007, p. 97)
O circuito possibilita a sociabilidade daqueles que frequentam o mesmo espaço, por “meio de encontros, comunicação, manejo de código” (MAGNANI, 2007, p.97), fazendo parte de sua totalidade os equipamentos urbanos e espaços que oferecem bens, serviços ou práticas culturais, sendo reconhecidos como pontos de encontro. No âmbito do evento HQPB, podemos dizer que este faz parte de um circuito da cultura pop na cidade de João Pessoa, ao
reunir diversas práticas e ofertas de bens e serviços destinados a um público que se encontram no equipamento urbano (no caso, a FUNESC).
As ofertas de serviços no âmbito da cultura pop na cidade de João Pessoa se concentram entre as lojas de videogames, comic shop (loja especializada em venda de diversos quadrinhos nacionais e internacionais), lojas de vendas de animes, loja de acessórios (roupas, bonés, mochilas, etc) com temáticas de quadrinhos ou mangás, lojas de brinquedos, cinemas, shoppings, escolas de desenho de quadrinhos ou de artes visuais digitais. Os eventos de cultura pop geralmente abarcam estes serviços, sendo uma prática cultural que integram diversos grupos sociais que são atraídos de acordo com seus interesses identitários:
cosplayers, lojistas, jogadores, dançarinos, leitores de quadrinhos, fandoms, fãs, desenhistas, etc. Além do HQPB, outros eventos são realizados ao longo do ano em menores proporções em João Pessoa, como o Cosplay Nordeste, Festival Gakussei, AnimAnime e SuperCon. E em cidades circunvizinhas, o Animaeux, no município de Bayeux, Anima Patos e Festival
PlayComic, em Patos, AnimeOkay, na cidade de Itambé, Encontro Nipon e Hero Spirit, ambos em Campina Grande.
O HQPB possui um calendário anual que faz com que os diversos grupos sociais se organizem para frequentar o espaço. Com datas marcadas entre os dias 01 e 02 de novembro, a sétima edição do evento é esperado pelo público que o frequenta meses antes, e parte dessa espera e mobilização é vista na internet. É nesse espaço onde se desdobram as expectativas, as divulgações, a consolidação das atrações e as trocas de informações entre os idealizadores do evento e o público. Pensando na categoria de circuito, Magnani (2014) ressalta que o circuito atinge alguns casos particulares “que pode agregar uma nova dimensão (...) cujo ‘mundo’ não é constituído apenas por uma determinada prática” (MAGNANI, 2014, p.4), mas sim de estilos compartilhados. Ainda assim, o circuito apresenta relações com outras categorias, como a de trajetos. É a partir dos trajetos que se podem determinar a abrangência dos circuitos.
E porque não dizer, que as comunidades virtuais, neste caso, o site do Facebook82 pode ser pensado através da metáfora de trajeto, como parte da movimentação e circulação em
82 Tipo de site de rede social, onde o usuário necessita realizar um cadastro para começar a utilizado. Este
cadastro é chamado de perfil e lá se podem colocar fotos, informações e adicionar outros perfis, formando uma lista de contatos. A ferramenta possui algumas peculiaridades: termos como curtir, compartilhar, postar são funções conversacionais (RECUERO, 2014) que fazem parte de sua estrutura. Curtir é simbolicamente representado por o ícone de uma mão com um sinal positivo (em que o polegar é virado para cima, enquanto outros dedos se voltam para a palma da mão). Quando se curte algo é porque o usuário se identifica com o que é informado ou quando quer receber notificações em sua linha do tempo (uma espécie de mural, onde o usuário pode visualizar informações cronologicamente). Curtem-se fotos, páginas (um tipo de perfil voltado para empresas, corporações, instituições, produto ou qualquer outro serviço que queira obter visibilidade e
busca de novos territórios? Pois, além das lojas, equipamentos urbanos, cinemas, escolas, o
Facebook também é outro ponto de encontro e de fluxos recorrentes (comunicacionais, simbólicos, informacionais) entre os participantes e idealizadores do evento. Pode-se dizer que o Facebook é parte do trajeto de circulação, caminho escolhido para se chegar ao HQPB. Não que todo o público frequentador do HQPB escolha o Facebook como trajeto, mas é possível perceber o interesse do público interagindo a partir das informações divulgadas. Na analogia a categoria dada por Bourdoukan (2007) sobre pedaços virtuais, em que diz que o pedaço virtual é um “espaço no qual são criadas e recriadas relações sociais que envolvem o estabelecimento de códigos de comportamento e de comunicação” (BOURDOUKAN, 2007, p. 76), podemos dizer que o Facebook é parte de um trajeto virtual a caminho do HQPB, em que são estabelecidas rotas preferenciais de circulação entre os usuários. E quais rotas seriam essas? Os links, os vídeos, as informações que direcionam para o blog do evento, os comentários, as curtidas.
A forma de uso do trajeto diferencia-se do uso do pedaço: o trajeto abre o pedaço para fora, pois “sem essa abertura, corre-se o risco de cair numa perspectiva reificadora, fechada e demasiadamente ‘comunitária’ da ideia de pedaço – com códigos de reconhecimento, laços de reciprocidade e relações face a face exclusivistas” (MAGNANI, 2012, p. 96). O Facebook pensado como trajeto virtual para se chegar ao evento, levam as pessoas a transitarem pelas peculiaridades do HQPB antes mesmo de fazer-se presente fisicamente nele. Dessa forma,
São os trajetos que acionam essa movimentação, produzindo configurações no interior do circuito: podem ser mais amplas ou mais restritas, mais duradouras ou efêmeras – uma festa, uma invasão, a apresentação da Tucandeira ou de danças “típicas” num colégio, uma exibição de skate, uma batalha de rap. Desta forma, são os trajetos que instauram os circuitos, e são eles que põem determinados segmentos em movimento, produzindo novas configurações (MAGNANI, 2014, p. 8).
É, portanto no Facebook que o HQPB começa meses antes de sua idealização física. As informações, fotos e vídeos que tem como conteúdos a divulgação do evento publicadas desde o mês de agosto de 2014, eram acompanhados pela hashtag #VaiterHQPB. A hashtag é um tipo de marcação linguística que servem para ser associada a uma discussão ou assunto. Utilizar uma palavra procedida do # (símbolo sustenido) nas comunidades virtuais facilita que
popularidade na rede social), informações, etc. Essas informações podem ser partilhadas através do botão compartilhar. Compartilhar algo no Facebook é auxiliar a sua potencialização e visualização, tornando o que é partilhado, quase como algo viral. Já o postar é quando o usuário disponibiliza para todos em sua rede, fotos, informações, enunciados e vídeos em sua linha do tempo.
o item associado a ele seja visualizado mais facilmente em sites de buscas e pesquisas, alcançando assim, um público maior que pode visualizar as informações divulgadas na internet. O uso dessa linguagem indica uma disputa simbólica nas redes sociais, de diferentes identidades e grupos sociais que demarcam seus espaços, por meio de linguagens especificas (AMARAL, 2011). Neste contexto, o #VaiterHQPB tornou-se uma estratégia utilizada pelos membros do Studio, na busca pela visibilidade e maior número de acesso pelo usuários das comunidades virtuais.
À medida que se aproximavam as datas do evento, as informações sobre os convidados principais eram divulgadas. Aos poucos, anunciava-se o nome do convidado e seus trabalhos correspondentes, a fim de gerar expectativa do público. A página do Facebook do HQPB era mantida diariamente com novidades sobre o evento. Por volta do mês de outubro, essas imagens eram acompanhadas da hashtag #TeVejonoHQPB. As divulgações também aconteciam em menores proporções, no blog do HQPB, mas que eram também compartilhadas no Facebook. Aos poucos foram reveladas as atrações e a estrutura física da sétima edição. Abaixo temos um Mapa (Figura 9) do espaço, divulgado no blog. Apenas para conhecimento, sinalizei alguns pontos necessários para uma boa visualização do espaço. Do lado do Mapa há uma legenda indicando os nomes e posições espaciais das lojas e patrocinadores que estariam presentes:
Figura 9 – Mapa de localização espacial da 7ª HQPB
Quem entrasse no evento, já poderia ver os estandes montados, mas com toda parte expositiva das lojas em direção à Praça do Povo. A legenda ao lado do Mapa serve para sinalizar a localização de cada estande, formado por lojas que comercializavam os produtos ligados a videogames, música, revistas em quadrinhos, acessórios e roupas com temática de
animes, quadrinhos e de rock. Além destes, foi destinado um estande para três estabelecimentos alimentícios.
Ao observar a legenda com os nomes das lojas e estabelecimentos participantes do HQPB, pesquisei sobre a localização física (bairros) dessas lojas na cidade de João Pessoa. Algumas delas são lojas virtuais (com produtos demonstrados em comunidades virtuais) e outras são de Estados circunvizinhos da Paraíba: Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará. Nas lojas de João Pessoa, a maior parte delas concentra-se no bairro do Centro (situado na Zona Norte). É importante o destaque para esse detalhe, pois se levarmos em consideração a localização do Studio Made In PB (na época da pesquisa) no bairro de Manaíra, observamos que a FUNESC, local da realização do HQPB, está na passagem no trajeto Centro-Manaíra. A localização destas lojas em João Pessoa revela os deslocamentos que o público do circuito da cultura pop realiza na busca por serviços. E com isso, é possível verificar os trajetos e sua visibilidade na paisagem urbana.
Figura 10 – Localização das lojas e equipamentos participantes da 7º edição do HQPB
PARQUE SÓLON DE LUCENA
Legenda:
1. Casa do Studio Made In PB 5. Vip Games
2. Fundação Espaço Cultural da Paraíba 6. Musica.Com (Loja Matriz) 3. GRACOM Escola de Artes Visuais 7. Musica.com (Loja Filial) 4. Shazam Animes
Fonte: Base do Google Maps83.
Vale salientar que o bairro Centro concentra uma grande quantidade de estabelecimentos comerciais e que todos os transportes públicos, independente do destino, passam por este bairro, pois há diversas paradas de ônibus próximo ao Parque Solón de Lucena. Destaca-se que estes equipamentos instalados em espaços próprios e bem localizados incorporam-se na paisagem da cidade, oferecendo de forma regular, bens e serviços para consumidores, constituindo um campo de atividades bem organizado. Alguns donos destes estabelecimentos são amigos ou conhecidos dos membros do Studio e já participaram de outras edições do HQPB.
Parte das lojas citadas acima serviram como pontos de venda dos ingressos, para que o público pudesse comprar antecipadamente. Para a sétima edição, foi cobrado um valor de dez reais antecipado (para os dois dias de evento) e o valor de quinze reais, se fossem comprados no dia do evento. A compra dos ingressos funcionava numa logística interessante: um bilhete só garantia a entrada de uma pessoa nos dois dias do evento, ou a entrada de duas pessoas em apenas um dia (sábado ou domingo). Essa logística fazia com que as pessoas comprassem mais de um bilhete e assim, diminuíam os custos de impressão de um bilhete para cada dia. De acordo com o Studio, os valores cobrados já incluíam a meia-entrada para todos, sendo entrada gratuita para crianças de até 03 anos de idade e idosos a partir dos 60 anos.
A escolha dos lojistas para participação do HQPB, assim como a organização dos espaços das atrações foram resultados de intensas reuniões entre os membros do Studio Made In PB. Foi no mês de agosto de 2014 que me deparei com uma das primeiras reuniões sobre o HQPB, no Studio. Márcio, Januncio, Paloma e Bela discutiam sobre a busca de patrocinadores e sobre as cotas necessárias para a realização do evento84. A pauta da reunião
83 Disponível em <https://maps.google.com.br>. Acesso em 20 maio. 2015.
84 De acordo com os membros do Studio, não há um dinheiro em caixa para se começar o evento. É necessário
pedir um financiamento antes, através das cotas de patrocínio (ou por meio de parcerias), para só então haver um investimento financeiro para a organização do evento. Nas cotas de patrocínio, os valores variavam de cinco a onze mil reais de investimento. A negociação é realizada sem haver dinheiro na hora, pois só depois é que pode
era principalmente sobre investimentos financeiros, planejamento da estrutura e a seleção de
staff. Descrevo a seguir um pouco mais sobre este processo o qual pude participar.