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II. 3.2. 17-19. YÜZYIL GAZAVÂTNÂMELERİ

III.2. I. ORDU

III.2.1.2. Yol ve Sefer

Sabemos que os jornais dominicais não se atem às notícias do dia anterior e, portanto, adquirem um perfil específico. Até hoje é assim. As edições dos jornais escritos que circulam aos domingos (muitas vezes, na tarde do sábado) trazem discussões de matérias vistas nos dias anteriores e recheadas com cadernos especiais voltados para os mais diversos públicos, como animais de estimação, automobilismo, colunas sociais, moda etc.

O Canto de Página que circulou na Gazeta de Notícias no dia 27 de março de 1960 permaneceu como fio condutor dessa abordagem historiográfica muito mais pelo que não diz e somente aponta, que propriamente por conta dos fatos que registrava.

Nesse dia, o texto da coluna pareceu ser mais literário que jornalístico, mais fantástico, que realista, mais preditor que objetivo. A autora criou um cenário de desgraça e o descreveu de forma especulativa, perpetuando as imagens apocalípticas disseminadas uma semana antes do rompimento da barragem. O texto estava repleto de ―verdades de sentido‖ que povoavam o imaginário social dos cearenses que estavam materialmente longe do acontecimento, abastecido possivelmente pelos boatos que circulavam.

Esqueçamos os culpados

Aquilo que temíamos, infelizmente aconteceu: ruiu a parede do Orós e quase um milhão de metros cúbicos d‘água está se espalhando pela região jaguaribana, arrastando casas, árvores, terra, animais e até gente.

A despeito das advertências dramáticas das autoridades, da imprensa e das rádios, milhares de pessoas ficaram em suas casas, ainda na esperança de que o grande reservatório resistisse. Muitas criaturas, acreditando que sua obrigação moral era ficar em seus cantos, talvez nesse instante tenham encontrado suas sepulturas, depois do abraço trágico das águas revoltas.

A esperança, a crença, a confiança, o futuro, o sonho, o ideal de um povo, tudo foi levado de roldão, não ficando pedra sobre pedras, restando, talvez num futuro não distante, nada mais do que imensos sulcos abertos na terra, outrora agreste e dura. Agora, após o desmoronamento da barreira do Orós e com a consequente evacuação das populações, o Ceará assiste – contristado e com o coração amargurado e alma sangrando e a mente conturbada – o desfile tétrico de milhares de seus filhos através de suas outrora caatingas e hoje regiões completamente inundadas e submersas. O Ceará, banhando por um verdadeiro dilúvio, é palco de uma cena apenas imaginada pela inteligência fecunda dos narradores bíblicos, com milhares de criaturas – famintas e nuas, desamparadas e doentes – como sonâmbulas e mortas vivas – tateando no escuro de suas existências frustradas, palmilhando – arrastadas e inconscientemente – a via crucis da desgraça apenas iniciada.

O Ceará, como um só homem, constituindo talvez pela primeira vez de sua história – uma verdadeira comunidade, está unido pelo sofrimento, pela dor, sem distinção de classes, de credos religiosos ou políticos.

Do Governo, ao simples homem do povo, todos os cearenses agora só têm um propósito, um pensamento, um ideal: ajudar seus irmãos tão duramente atingidos pela natureza.

Tudo fizemos para salvar o Orós – lutamos mesmo é verdade, como pigmeu à frente com um monstro apocalíptico; entretanto, nosso trabalho foi em vão: a besta era mais forte, mais poderosa, gigantesca.

Aí estão os nosso irmãos desabrigados, desorientados à nossa porta, não pedem pão, não imploram abrigo, não solicitam remédio, não desejam nada. Nosso irmão nada

pedem, nada imploram, nada solicitam, nada desejam, porque estão massacrados pelo tremendo impacto emocional causado pela tragédia do Orós.

O momento é de ajuda, de solidariedade humana, de cooperação, de alma aberta, de fraternidade, de crença, de esperança num futuro melhor. O momento é de simpatia, de amor, de amizade, não de ódio, não de ressentimentos, não de acusações, não de críticas, não de protesto, não de blasfêmias, não de revolta, não de desespero. O fato está consumado e a miséria aí está – na face de milhares de desabrigados, que carecem dos nossos apoio, que precisam de nosso ombro, que necessitam de nosso coração.

Não nos percamos no emaranhado dos raciocínios, à cata de um responsável, seja presidente da República, seja ministro do Estado, seja Diretor Geral do DNOCS, seja engenheiro.

O Ceará precisa que seus filhos venham ao seu encontro, deixando para depois talvez, o desabafo, o acuso. (Grifos nossos) (Gazeta de Notícias, 27 mar.1960, p. 03)

Embora o título seja ―Esqueçamos os culpados‖, essa não é a tônica do artigo. O assunto foi referido apenas no parágrafo final como quem prenunciava o que estava por vir. Outro aspecto igualmente tocante é o chamamento à unidade, necessário ao povo cearense naquele momento. A autora apresentou outra face dominante das páginas dos jornais e dos discursos políticos do período: a ajuda humanitária e as campanhas por solidariedade, temática a ser tratada no próximo tópico.

Havia ainda um último aspecto a ser destacado: a força da natureza. O artigo trouxe o relato de uma luta perdida, pautada num esforço hercúleo que não logrou sucesso. Como a próprio texto diz, buscando tornar todo cidadão cearense personagem da história, ―tudo fizemos para salvar o Orós – lutamos mesmo, é verdade, como pigmeu à frente do monstro, apocalíptico. Mas nosso trabalho foi em vão: a besta era mais forte, mais poderosa, gigantesca‖.

Mais uma vez, o texto jornalístico reverberou a mentira mais verdadeira dessa história. A notícia deve ter sido, imagino, recebida com angústia pelos leitores. No entanto, não demoraria muito para as páginas do mesmo periódico desconstruir o imagético divulgado. A luta não fora tão perdida assim como se construíra. Em pouco tempo, as mesmas personagens deitariam forças para construir outra imagem.

Para entendermos o caminho desse raciocínio, partimos da frase da jornalista destacada no texto. Embora defenda não buscar culpados, a disposição de suas ideias parece nos oferecer um minueto simplório a qualquer brasileiros que quisesse buscar os responsáveis pela catástrofe. Quando diz ―não nos percamos no emaranhado dos raciocínios, à cata de um responsável, seja presidente da República, seja ministro do Estado, seja Diretor Geral do DNOCS, seja engenheiro.‖, Adísia colocou os principais suspeitos na sala das investigações.

A Gazeta de Notícias, à época um periódico que, digamos, não dialogava harmoniosamente com os poderes constituídos, não foi o único veículo a se manifestar pelo

esquecimento dos culpados. Em resposta às palavras iniciais do deputado cearense Paulo Sarasate, que no dia 29 de março de 1960, à tribuna do Congresso Nacional, iniciara seu discurso relembrando os versos de Demócrito Rocha – ―Depressa, uma pinça hemostática em Orós!‖ e ―Quem é o presidente da República?‖, a deputada Ivete Vargas, do PTB de São Paulo fez eco ao texto jornalístico citado:

Senhor deputado Paulo Sarasate, a casa está acompanhando com maior atenção o discurso de V. Exª. como o Brasil inteiro emocionado acompanha o drama de Orós. [...] Esta hora, no entanto, não é de crítica, de ataque. É uma hora em que todos se devem unir, num coração só, numa alma só, num instinto só, para prestarem às vitimas e à região o amparo que o Brasil não lhes pode negar. (BRASIL, Diário do Congresso Nacional, 29 mar. 1960, p.1909).

A mensagem era simples: agora, nesse momento pelo menos, o esforço deveria ser direcionado para o resgate das populações atingidas, a reconstrução das localidades, a recuperação da terra, o combate à fome e às doenças. Sem dúvida a catástrofe teve um culpado. Mas este poderia ser procurado e responsabilizado outro dia.

Quando escrevemos, parecem ficar os sentimentos muito organizados no texto acadêmico, mas não é assim que funciona no território da política, visto que o mesmo é aparelhado como um cenário de conflitos. Depois de aquiescer à colega parlamentar, de ouvir outros deputados repetirem o mesmo mote, Paulo Sarasate não se fez de rogado. No fim do discurso, quando exigiu maiores explicações sobre o ocorrido. Afinal, o que havia acontecido em Orós?

O tema do discurso, já trabalhado no ponto 03 desse texto, pode ser devidamente aprofundado na seguinte perspectiva: se os parlamentares cearenses não muito se contemporizaram nas recomendações da jornalista, seus próprios companheiros de redação, também não se demoraram muito na reprodução dos fatos advindos do front.

Após uma intensa semana esmiuçando a situação dos municípios do baixo Jaguaribe, as campanhas de solidariedade, as ações dos governos, os projetos de reconstrução idealizados pelo DNOCS e pelo presidente Juscelino, a distribuição de mercadorias para os desalojados pela enchente, os periódicos da cidade de Fortaleza começaram a promover uma intensa interrogação, cuja questão primordial centrava-se na busca pelos culpados da catástrofe de Orós.

Dentre os repórteres locais, destacamos novamente a atuação do jornalista Juarez Furtado Temóteo, dos Diários Associados. Seus textos, publicados à época pelo Correio do Ceará e Unitário, deram vazão aos processos conflituosos em torno da busca pelos culpados do ocorrido em Orós. A matéria de capa da edição do jornal Correio do Ceará de 06 de abril de 1960 é um desses primeiros exemplos.

Imagem 18: Capa do Correio do Ceará – 06 abr. 1960.

Fonte: Acervo da ACI

Juarez Temóteo escreveu o texto a partir de entrevista de Celso Furtado, concedida em 31 de março de 1960 ao Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Na ocasião, concentrou significante esforço argumentativo sobre um dos personagens desse acontecimento: Anastácio Maia, engenheiro do DNOCS, responsável pela construção do açude.

Para o jornalista, as críticas de Celso Furtado foram ―enérgicas.‖ Limitou-se o engenheiro Anastácio a desmentir o diretor da SUDENE e a desconversar sobre o limiar dos acontecimentos. Para Temóteo, entretanto, o cenário era bastante claro: Anastácio Maia sabia o que havia ocorrido e quem eram os culpados. Para o repórter, seu interlocutor guardava um importante segredo:

Por que foge o governo à evidência de recursos para a marcha rápida das obras? Porque a confissão o levaria a confirmação de que para as obras ligadas à Brasília foram canalizadas as verbas da barragem.

Por que o diretor do DNOCS foge à idêntica confissão preferindo arrostar com as críticas que lhe fazem? Porque a confissão significaria de que lhe faltou coragem para protestar, no momento devido, o propalado desvio.

Exatamente no silêncio que guardou e guarda até hoje reside o maior pecado do engenheiro Anastácio Maia. Não sentia ele a necessidade de construir-se, até janeiro, 50 metros da parede do Orós? Não lhe faltaram recursos para levar no ritmo necessário às obras? Não foi ele ao Rio tentar obter esses recursos? Conseguiu-os? Por que não?

Anastácio tem segredo desse episódio. A guarda do mesmo, levando-o à ciência de que a barragem não tinha salvação sem o sangradouro, foi o que o levou ao gesto louvável do alarme. (Grifos nossos) (Jornal Correio do Ceará, Fortaleza, 06

abr. 1960, p.12).

Mesmo o Correio do Ceará, jornal que pertencia aos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, um dos apoiadores do Governo Kubistchek, permitiu que o redator da notícia

arrematasse seu texto referindo-se ao papel do diretor do DNOCS no episódio, insinuando que o mesmo guardava segredos do evento e dando a ele o protagonismo no processo de evacuação das populações que seriam atingidas pelas águas, numa crítica velada aos poderes constituídos.

No diálogo com as fontes jornalísticas e através dos relatos orais, já percebemos a urgência no processo de retirada dos moradores das cidades da região. Como já tratamos no terceiro tópico do terceiro ponto dessa tese, José Camilo Filho, delegado da cidade de Limoeiro do Norte, afirmou que toda a retirada de moradores iniciara por volta de 10 dias antes do arrombamento do açude. Igualmente, as páginas dos jornais nada registraram sobre a situação das chuvas na região e das obras da barragem antes de semelhante intervalo de tempo.

A afirmação de Juarez Temóteo, registrada no parágrafo final da notícia, faz todo o sentido no que diz respeito à ausência de referência aos eventos sobre o campo de trabalho de Orós nos jornais e nos relatos orais poucos dias antes da tragédia. Sob os auspícios de Anastácio Maia, o cenário de possível hecatombe só foi assumido no último instante.

No dia seguinte, o Correio do Ceará destacou a entrevista realizada pelo repórter Orlando Mota, envidado pelos Diários Associados do Rio de Janeiro ao Ceará, com uma figura de destaque no cenário científico local: Thomaz Pompeu Sobrinho, chamado pelo jornal de ―Pai do Orós‖.

O engenheiro ressurgiu na trajetória do açude e trouxe consigo a força de um artigo de sua autoria intitulado ―O fator moral na construção de grandes açudes‖, publicado originalmente nas páginas de O Povo em março de 1931 e reeditado pela Revista do Instituto do Ceará em 1933. No artigo, já referido aqui, no momento em que nos debruçávamos sobre as disputas em torno do açude, Pompeu Sobrinho interrogava-se sobre o quadro possível diante do arrombamento do mesmo.

Nenhuma novidade acrescentaria o famoso técnico se não fosse a insistência do repórter. Antes de afirmar que não queria ―fazer carga sobre pessoas‖ (referindo-se à figura do engenheiro Anastácio Maia), declinou que nada sabia sobre o projeto do açude, salvo o que pode ser visto pela imprensa. Para ele, não seria sensato culpar as chuvas, ―o que houve foi imprevidência‖, visto que ninguém sabia, ao certo, o que previa o projeto de barragem que estava sendo executado.

[...]

- De minha parte, bem que fiz todo o possível para conhecer, estudar e se possível opinar sobre o projeto em execução. Mas o DNOCS não permitiu. Há uns dois anos, quando eu era presidente do Conselho de Economia do Estado, solicitei oficialmente que os planos do Orós fossem postos à nossa disposição. (...)

Mandamos vários ofícios pedindo principalmente os projetos do Orós e do Banabuiú, mas não obtivemos respostas. O Banabuiú já estava sendo construído. Falava-se muito no Orós, como de tempos em tempos acontece no Ceará. Natural era, portanto que eu insistisse, chegando ao ponto de enviar um emissário do Conselho ao Rio com o objetivo de entender-se pessoalmente com o dirigente do órgão das secas. Não deu resultados positivos. Nada conseguimos senão evasivas, desculpas, promessas. (Jornal Correio do Ceará, Fortaleza, 07 abr. 1960, p.05).

Se buscarmos explicações simples para o ocorrido, podemos achar uma coerente e, por conseguinte, óbvia, baseada na mesma argumentação teórica referida no instante em que versamos sobre as contradições, os conflitos de interesse, a defesa dos ideais no campo da política. A negativa à Pompeu Sobrinho foi um claro sinal dos órgão constituídos, nesse caso o DNOCS, de um ressentimento político àquele que já a partir da década de 1930 passou a ser visto como um dos detratores do projeto.

De forma diplomática, o jornalista encerrou a entrevista sem creditar ao entrevistado uma imagem inflexível, de cientista melindrado pronto a declinar nomes dos responsáveis pela catástrofe. De fato, Pompeu Sobrinho não disse de quem era culpa pelo arrombamento. Pelo menos diretamente. Mas se, no dito popular, sabe-se que ―para o bom entendedor, meia palavra basta‖, muito mais podemos dizer de uma resposta inteira como esta:

[...] E para finalizar a nossa conversa, pergunto-lhe o que ele acha da intenção do presidente Juscelino Kubischek de reconstruir a barragem até o dia 15 de novembro próximo.

- É perfeitamente possível. Tudo depende de recursos suficientes e oportunos. (Jornal Correio do Ceará, Fortaleza, 07 abr. 1960, p.05).

Para Pompeu Sobrinho faltou dinheiro na construção do açude. Se assim como a chuva, os recursos igualmente não faltassem, o Orós poderia ser construído sem maiores preocupações.

Como podemos ver, os conflitos permaneceram. Para nós, é importante pensarmos o processo de busca por culpados e o jogo de acusações na medida em que a ideia final dos poderes constituídos era confundir os atores sociais envolvidos (populações atingidas, técnicos, engenheiros e políticos) e finalizar a discussão sem apontar culpados ou ainda fazendo pior, responsabilizando somente a natureza.

Na edição do Jornal Correio do Ceará publicada no dia 08 de abril, Juarez Furtado Temóteo retomou o viés misterioso que ele próprio tentou dar à figura do engenheiro Anastácio Maia, numa reportagem que fugia às características do texto jornalístico.

Imagem 19: Correio do Ceará – 08 abr. 1960. Capa.

Fonte: Acervo da ACI

A chamada estava na capa do jornal e, na matéria, publicada à página 02 do periódico, guardava uma surpresa. Após afirmar que Anastácio guardava o segredo do que houve em Orós, o jornalista declinou, num texto sem introdução ou conclusão, o registro de vinte perguntas, que, segundo o editor-chefe da publicação, deveriam ser levadas a cabo pela CIP – Comissão de Inquérito Parlamentar, instaurada a fim de investigar o caso de Orós.

1. Qual dos dois projetos de Orós era o oficial em 18 de setembro de 1958, data do início das obras? O de 4 bilhões ou o de 2 bilhões de metros cúbicos d‘água? 2. Quais os técnicos nacionais e estrangeiros, além dos que formam os quadros do

DNOCS, consultados ou que tiveram em mãos o projeto oficial da barragem de Orós?

3. Se, retendo apenas 600 milhões de metros cúbicos d‘água, a represa de Orós ameaçou Iguatu, a montante, destruindo-lhe, inclusive, com o alargamento do rio, algumas casas, ao ser atingida a capacidade máxima (4 bilhões) o que ocorreria com relação àquela cidade?

4. Sendo indispensável fosse alcançada a altura de 50 metros na barragem para que entrasse em funcionamento, em caso de cheia, o sangradouro natural, a 202 metros do nível do mar, programaram-se tarefas para que até janeiro estivesse efetivada aquela cota?

5. Quais o osbstáculos encontrados pelo engenheiro Anastácio Maia ao cumprimento dessas tarefas, obstáculos que impediram que fosse a barragem levantada, não somente até janeiro, como se previa, mas até fins de março, quando se deu o arrombamento?

6. Qual o objetivo, da viagem ao Rio, logo após os apelos da Assembleia Legislativa no sentido de que fosse entregues os recursos necessários à não paralização ou arrefecimentos da marcha das obras de Orós do dr. Anastácio Maia?

7. Que contatos, relacionados com a obra que executava, manteve na Capital da República?

8. Quanto recebeu a comissão de Orós, de setembro de 1959 a março de 1960 das verbas orçamentárias que lhes eram devidas ou da verba de equipamento do DNOCS?

9. Qual o volume de trabalho realizado entre agosto de 1959 a março de 1960 na barragem de Orós?

10. O presidente da República autorizou, em janeiro desse ano, ao Ministério da Fazenda, efetuar o pagamento de cerca de 200 milhões de cruzeiros ao DNOCS para fazer face às despesas do Orós e do Banabuiú.

11. Também em janeiro de 1960, o Presidente Juscelino despachou favoravelmente processo do Ministério de Viação e Obras Públicas determinando a utilização de 200 milhões de cruzeiros do DNOCS em serviços da estrada Nordeste-Brasília, em execução pelo mesmo DNOCS?

12. A que serviço daquele departamento se referia, para emprego, a importância a ser desviada para a estrada da nova capital?

13. Que providência adotou o diretor do DNOCS com relação à observação feita à autoridade quanto a defeito existente à barragem de Quixabinha?

14. Em que data de março teve início o sangradouro de emergência do Banabuiú e em que dia registrou o DNOCS as primeiras precipitações pluviométricas na região?

15. Em janeiro de 1959 o Banabuiú esteve ameaçado de arrombamento, logo caída as primeiras chuvas, por ausência de sangradouro que auxiliasse as duas galerias?

16. Estava em funcionamento o velho túnel Orós-Lima Campos, construído pelos americanos?

17. Qual o montante das dívidas das Comissões do Orós e do Banabuiú?

18. Qual o montante das dívidas da União para com as duas Comissões no que se refere a atraso no pagamento das verbas orçamentárias?

19. Por que foi fretado em Brasília o avião que conduziu o Diretor do DNOCS em suas viagens entre Orós e Banabuiú?

20. Por que não constrói o DNOCS, como se aconselha em obras de grande açudagem, os sangradouros provisórios destinados a evitar acidentes como o de Orós, Banabuiú e Quixabinha? (Jornal Correio do Ceará, Fortaleza, 08 abr. 1960, p.02).

Levadas à cabo tantas interrogações, não resta dúvida que a CPI teria muito a investigar. Da mesma forma é preciso dizer que o próprio Anastácio Maia poderia ter dirimido parte dessas questões, e assim, ter dada por encerrada a questão. No entanto, ao que parece,