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3.4. ARAŞTIRMA BULGULARI VE DEĞERLENDİRMELER

3.4.2. Yorumlayıcı İstatistiksel Bulgular

3.4.2.4. Yol (Path) Analizi

O modelo de gestão do setor elétrico brasileiro, no que concerne à transmissão de energia elétrica, tem como fundamento as seguintes características principais: dimensões continentais do país; grande potencial de recursos hídricos; polarização dos centros de consumo e de produção de energia; e regimes pluviais diferenciados entre as várias regiões do Brasil. A associação dessas características determinou a opção por um sistema de transmissão de energia elétrica interligado que permite a transferência de grandes blocos de energia dos centros de produção para os de consumo, separados daqueles por grandes distâncias, de forma otimizada, flexível e segura. Os excedentes de uma determinada região podem ser transferidos para locais onde a demanda supera a disponibilidade energética regional.

A energia elétrica que abastece o país é transmitida, quase que integralmente, pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), formado por linhas de transmissão (LT) e subestações com tensões que variam de 230 kV a 765 kV.1 O planejamento da implantação de uma linha de transmissão tem

início com os estudos de alternativas para traçado, seguidos dos estudos de viabilidade do empreendimento, contemplando os aspectos técnicos, econômicos e ambientais, e sua implantação é condicionada por licenças prévias, de instalação e de operação emitidas pelos órgãos ambientais, isto é, em princípio só se obtém autorização para executar tal projeto, no caso do mesmo estar em conformidade com o estabelecido nas leis ambientais.

Atualmente os sistemas de transmissão brasileiros podem ser classificados em interligados ou isolados.2 No primeiro caso enquadra-se o sistema de transmissão de Itaipu, do qual faz parte a

LT aqui destacada. O Sistema Interligado Nacional (SIN) é composto por linhas de transmissão e

1 Excepcionalmente podem integrar o Sistema Interligado Nacional, instalações elétricas com tensões inferiores (138

kV e 69 kV), mediante autorização da ANEEL.

2 Sistemas formados por centrais geradoras e seu sistema de transmissão destinado ao atendimento exclusivo de uma

103 subestações pertencentes a concessionárias de transmissão, que compõem a rede básica3 ou

pertencentes a sistemas a elas conectados, operando sob coordenação ou supervisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A LT Itaberá-Tijuco Preto III,4 no estado de São Paulo, com extensão de 313 km, e tensão

de 750 kV, compõe o Sistema de Transmissão de Itaipu, que conecta os sistemas elétricos da região Sul ao Sudeste, integrando o Sistema Interligado Nacional. A concessão para implantação e operação desse Sistema de Transmissão foi atribuída pelo poder concedente a Furnas.

Nesse capítulo o enfoque será dado a um trecho na zona sul de São Paulo, no distrito de Parelheiros, considerando a proximidade da citada linha de transmissão com duas Terras Indígenas: Barragem (Aldeia Tenondé Porá) e Krukutu, onde vivem índios Guarani Mbya, e os desdobramentos advindos de uma interpretação unilateral por parte de Furnas no tocante à implantação do citado empreendimento. Tais fatos repercutiram desfavoravelmente aos interesses indígenas e motivaram a interveniência do Ministério Público Federal em defesa daqueles, obrigando a empresa a ajustar a conduta indevida, de modo a adequar a construção daquele empreendimento à conformidade da legislação ambiental e indigenista.

3.1.1. Necessidade do empreendimento e justificativa do traçado

O sistema de transmissão em corrente alternada de Itaipu foi concebido na década de 70, e previa a construção de três circuitos em 750 kV, desde Foz do Iguaçu (PR) até Tijuco Preto (SP), dois deles suficientes para o escoamento da energia produzida pelos geradores de 60 Hz da Hidrelétrica Itaipu Binacional e um para intercâmbio energético com o sistema elétrico da região Sul. Duas subestações intermediárias, uma em Ivaiporã, que se conecta com o sistema da Eletrosul, e outra em Itaberá, com função de secionamento e de controle de tensão.

Segundo relatório elaborado por Furnas em 1999, com apenas os circuitos I e II de 750 kV em operação, a confiabilidade do Sistema de Transmissão de Itaipu em corrente alternada encontrava-se bastante reduzida. Considerando a premente necessidade de elevar os intercâmbios entre os sistemas Sul e Sudeste, com vistas a reduzir os déficits de energia previstos para os anos seguintes, associada à necessidade de compra de energia dos países do Mercosul, a implantação do circuito III de Itaipu adquiriu caráter de urgência. A implantação desse circuito iria de encontro à necessidade de se evitar os iminentes racionamentos que se anunciavamm para os períodos de sobrecarga da demanda, sobretudo no verão e no caso de ocorrência de situações emergenciais,

3 Instalações de transmissão, integrantes dos sistemas interligados constituídos pelas linhas de transmissão,

barramentos, transformadores de potência e equipamentos com tensão igual ou superior a 230 kV, ou instalações em tensão inferior, quando especificamente definidas pela ANEEL.

4 Refere-se ao terceiro circuito da Linha de Transmissão, trecho que liga a subestação de Itaberá, à subestação de Tijuco

como as relacionadas a circunstâncias meteorológicas extremas que colocassem em risco a operação do sistema.

Diversos critérios norteiam a escolha do traçado das linhas de transmissão. Dentre eles, constituem objeto de estudos específicos as interferências relativas aos meios físico-biótico e sócio - econômico, tais como restrições ao uso e ocupação do solo e desapropriações em áreas rurais, travessias ou proximidade de áreas densamente povoadas ou áreas especiais (como por exemplo, terras indígenas) bem como as interferências na cobertura vegetal.

Os corredores de estudo, à época, eram definidos com a utilização de cartas geográficas e/ou imagens de satélite. Em seguida vêm as investigações in loco, como também levantamentos junto a organismos públicos e privados, visando ao conhecimento de eventuais projetos existentes para a região, bem como ao conhecimento da legislação de uso e ocupação do solo e da existência de unidades de conservação ambiental e outras áreas de uso especial.

A escolha do traçado é pautada pela consideração das possíveis interferências ambientais e pelas condicionantes de engenharia, buscando-se evitar a passagem da LT em ecossistemas particularmente sensíveis, em áreas de excepcionais atributos paisagísticos e em áreas em que a presença do empreendimento vá afetar significativamente as atividades humanas desenvolvidas na faixa de servidão e/ou próximo a ela. Do ponto de vista técnico de engenharia, o traçado deve buscar o menor cumprimento total, em trechos retos com poucas deflexões e terrenos pouco acidentados, sobre solos apropriados às fundações das torres, em locais de fácil acesso e passando por regiões pouco habitadas, que facilitem a obtenção da servidão de passagem e que permitam a prevenção, mitigação e compensação dos impactos ambientais.

De uma maneira geral, são evitados cruzamentos da linha com outras linhas, rodovias e ferrovias, principalmente em pontos elevados, em interseções e em pontes e viadutos, para que as LTs não sejam visíveis a grandes distâncias. Busca-se cruzar essas vias, sempre que possível, em depressões ou próximo a curvas, de modo a reduzir ao máximo o impacto visual das mesmas. A linha não poderá também ser inserida em zonas de aproximação de aeródromos.

Partindo da Subestação de Itaberá (SP) a Linha de Transmissão em 750 kV Itaberá-Tijuco Preto III, no estado de São Paulo, segue em direção a Tijuco Preto (município de Mogi das Cruzes), atravessando um total de 17 municípios, sendo oito pertencentes à Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e os demais à Região Administrativa de Sorocaba (RAS), desviando da Estação Experimental de Itapetininga, de propriedade do Instituto Florestal de São Paulo, bem como do Aeródromo de Lourdes, situado próximo àquela estação, passando por regiões geográficas bem distintas ao longo do seu trajeto. Essa linha se desenvolve em terrenos ora ondulados, ora fortemente acidentados, e cruza áreas rurais praticamente desocupadas, de aproveitamento extensivo e outras de uso intensivo, além de áreas de ocupação periurbana na região Metropolitana

105 de São Paulo. Segundo dados do IBGE referentes a 1996, a população da área de influência indireta do empreendimento somava 12.244.899 habitantes.

3.1.2. Orientação básica: afastamento entre os circuitos

Na fase preliminar de definição do traçado dessa LT, partiu -se da orientação básica de se manter afastamento de 10 km da mesma em relação aos circuitos I e II já existentes. Tal afastamento resultou da necessidade de proteger o sistema contra interrupções no fornecimento, devido a eventos meteorológicos de grande intensidade que possam avariar duas linhas simultaneamente, em função da proximidade entre elas. Além das avarias por fenômenos meteorológicos, o desligamento de duas ou mais linhas próximas pode ocorrer também devido a queimadas e incêndios naturais, acidentais ou provocados.

A determinação de afastamento de 10 km do circuito III em relação aos circuitos I e II originou-se de estudos acerca dos parâmetros meteorológicos que nortearam o projeto das linhas, efetivados pela empresa americana MRI – Meteorology Research, Inc., que realizou o levantamento de todas as informações e dados meteorológicos das estações existentes nos estados do Paraná e de São Paulo, dentro de uma faixa de 300 km de largura. No caso específico da região atravessada pelas linhas de Itaipu, pode-se apontar, como principais causas para o aumento do número de tempestades e velocidades do vento, as alterações climáticas provocadas pelo fenômeno “El Niño”.

Os indícios obtidos nas ocorrências, tais como árvores de grande porte desenraizadas e quebradas, indicam a ocorrência de ventos de velocidade elevada, superior a 150 km/h, nas regiões atravessadas pelo Sistema de Transmissão de Itaipu no estado do Paraná.

As torres, que são as estruturas que sustentam os cabos de transmissão, são projetadas de forma que possam ser submetidas a ventos de forte intensidade e duração, sem sofrerem avarias. No entanto, é possível a ocorrência de fenômenos meteorológicos atípicos capazes de desestabilizar o sistema, como os casos de queda de torres ocorridos nos circuitos I e II (em 1994, 1996, 1997 e 1998), ocasionando severos racionamentos de energia às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Em face do exposto, o afastamento das linhas em 10 km proporciona considerável redução da probabilidade de desligamento simultâneo dos três circuitos em razão de eventos meteorológicos que danifiquem as linhas, bem como reduz significativamente o risco de desligamento simultâneo devido à eventual ocorrência de incêndios de qualquer natureza nas faixas de servidão das mesmas.

Partindo dessa orientação básica de afastamento do Circuito III em relação à faixa dos circuitos anteriores, procedeu-se à definição do traçado, com os subsídios iniciais fornecidos pelas cartas do IBGE em escala 1:50.000 e por levantamentos de campo.

Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), devido à presença de áreas urbanas, na sua maioria densamente ocupadas, tecnicamente seria impossível atender à condicionante pré- estabelecida de afastamento de 10 km entre os circuitos. Cidades como Diadema, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, bem como de outras áreas urbanas mais ao sul – as cidades de São Lourenço da Serra e Embu-Guaçu e as áreas periféricas Parelheiros, Cipó, Embura e Colônia – e das represas de Guarapiranga e Billings impediram a manutenção do afastamento de 10 km entre as linhas. É justamente nessa região que estão localizadas as Terras Indígenas de Barragem e Krukutu, onde vivem as comunidades Guarani. Os equívocos do empreendedor ratificados pelos órgãos licenciadores, que dificultaram o licenciamento da mesma e as tensões sociais derivadas das interferências da LT Itaberá -Tijuco Preto III na região onde ficam localizadas as terras indígenas mencionadas, constituem o objeto deste capítulo.