2.2. TÜRK BANKACILIK SEKTÖRÜNDE İNOVASYON UYGULAMA
2.2.4. Türkiye İş Bankası’nın Bankacılık Sektöründeki İnovasyon Uygulamaları
Deduz-se que somente a promulgação de leis não basta! Sugere-se dessa hipótese que a demanda questão indígena , baseada que é na cobiça sobre as terras indígenas não existiria, se realmente se fizessem cumprir as leis no Brasil. Ainda que os direitos indígenas estejam garantidos na Constituição Federal e em outros dispositivos legais, raros são os casos em que as leis vêm sendo observadas com o devido rigor, principalmente no embate entre populações indígenas e os interesses econômicos focados sobre suas terras, o que tem causado sistematicamente efeitos deletérios aos modos de vida dessas populações atingidas.
No contexto de encontros oficiais do Estado com os povos indígenas, integrando as expedições militares desde 1892, Cândido Mariano da Silva Rondon, encarregado de instalar linhas telegráficas, acabou por despertar as atenções do governo e da opinião pública para a situação em que viviam os índios no Brasil, sistematicamente empurrados, dizimados e ignorados no interior. Em 1910, foi criado o Serviço de Proteção ao Índio – SPI, sob sua direção e a égide positivista, com o objetivo precípuo de pacificar os índios para posterior integração à sociedade nacional. O SPI atuou até 1967, quando, durante o Governo Militar, em meio a denúncias de corrupção, a despeito das boas intenções e integridade de seu fundador, foi extinto, dando lugar à Fundação Nacional do
Índio - Funai, ratificando a função do órgão antecessor, de integração e emancipação dos índios brasileiros, ainda que o conhecimento acerca dessa população nativa tão diversificada sequer tangenciasse a realidade.
Também a Expedição Roncador-Xingu, conhecida como Marcha para o Oeste,37 iniciada
em 1943, precursora da Fundação Brasil Central, sob o Governo Getúlio Vargas, oficializou muitos dos encontros entre índios e brancos, entre brasileiros de várias regiões entre si e com estrangeiros, entre populações em movimento e autoridades governamentais.
O Estado Brasileiro, a partir da Constituição de 1967, assegura a posse permanente das terras habitadas pelos índios e reconhece o usufruto exclusivo dos recursos naturais nela existentes. Com a emenda Constitucional nº 1, de 1969, são atribuídas à União, como bens seus, as terras indígenas. Esta constituição determinou tanto a inalienabilidade dessas terras nos termos da lei federal como a nulidade e a extinção dos efeitos jurídicos de qualquer ato que tenha tido por objeto sua posse, domínio e ocupação. O texto da atual Constituição, promulgada em 5 de outubro de 1988, no que concerne ao Capítulo dos Índios, estabeleceu algumas conquistas em relação ao da Carta anterior, reconhecendo, em seu artigo 231, a organização social, costumes, línguas, crenças e tradições dos índios e o seu direito originário sobre as terras que ocupam, cuja demarcação e proteção são de competência da União.
Ora, o mesmo governo que estabelece as políticas de desenvolvimento econômico (que visam o enriquecimento do país) é o que estabelece as políticas indigenista e ambiental, que são vistas como barreiras a serem vencidas pelas frentes de “desenvolvimento”. Entretanto, o que sustenta a condução da política econômica é o capital privado, sob a forma de investimentos, enquanto as políticas indigenista e ambiental dependem, via de regra, de recursos públicos, que representam despesas. Desta forma, parece natural que o órgão responsável pela condução da política indigenista no Brasil – a Funai – viesse a ser utilizado ao longo do tempo, em maior ou menor grau, para servir aos interesses do poder econômico. Para tanto, utilizam-se mecanismos variados, desde a ocupação de cargos de confiança até a escassez de recursos, minando a capacidade operacional do órgão que, a despeito de tudo, ainda conta com alguns funcionários bem intencionados.
Como decorrência da redução de sua capacidade operacional, a Funai foi gradativamente substituída em várias de suas funções, tais como a responsabilidade pelas ações de assistência à saúde, de programas de educação e da proteção ao meio ambiente das terras indígenas, tendo sido obrigada a abrir mão de seus especialistas em favor de outros órgãos públicos da administração
37 A Marcha para o Oeste teve como objetivo mapear o centro do país e abrir caminhos que ligassem a região ao resto
do Brasil, ao resto do mundo. Cf. Decreto Lei nº 5.878 de 4/10/1943. Disponível na página www.senado.gov.br. Acesso
51 federal, pulverizando os recursos orçamentários nos seus respectivos ministérios. Diante das dificuldades em conduzir o que seriam suas obrigações institucionais, tem se omitido, legando ao Ministério Público Federal as ações no sentido de preservar os mínimos direitos constitucionais aos povos indígenas.
Desse modo, parece premente que sejam revistos os princípios da política indigenista nacional, estabelecendo -se novas bases de relacionamento com os povos indígenas e garantindo-se o mínimo de autonomia ao órgão responsável pela sua condução. A dotação orçamentária condizente com suas funções e responsabilidades, a coordenação integrada dos programas de saúde, educação, fundiários e de proteção física e ambiental, entre outros, são condições essenciais para a existência do órgão, que não pode ficar ao sabor das correntes políticas a que pertencem os titulares das diversas pastas ministeriais da Administração Federal.
Os fatos levam a supor que falta vontade política dos governantes em encontrar mecanismos eficazes que garantam a eficiência na condução da questão indígena no país, inclusive no sentido de se fazer cumprir as leis. O Estatuto do Índio, que vigora desde 1973, encontra-se defasado, contrapondo-se em vários artigos com os preceitos da Constituição de 1988, ainda que à época tenha sido considerado um instrumento avançado na defesa dos direitos indígenas. Uma adequação de seu texto aos comandos constitucionais vem sendo protelada há mais de uma década. O projeto de lei visando uma nova versão do Estatuto do Índio, composta de 175 artigos, no sentido de atualizar a regulamentação dos direitos indígenas, a partir da Constituição de 1988, tramita desde 1991 pelo Congresso Nacional, sem definição. Um projeto substitutivo foi aprovado por unanimidade, em 1994, seguido, entretanto, de um recurso ao plenário da Câmara que impediu sua tramitação.
O que se seguiu foi que, em vista dessa paralisação, em 2000 o governo federal levou ao Congresso Nacional uma nova proposta, contendo 130 artigos, mantendo a estrutura, no que se refere aos títulos e capítulos, da proposta emperrada na Câmara, ainda que apresentando alterações significativ as no seu conteúdo e base conceitual, não contemplando, por exemplo, o conceito de sociedade, que no projeto da Câmara dá sentido e unidade às organizações sociais próprias dos povos indígenas.
Assim, enquanto não se chega ao consenso em relação ao novo p rojeto de lei, o que se tem concretamente em termos de legislação na defesa dos direitos indígenas além da Constituição Federal (art. 231 e 232), é a Lei 6001, de 1973, denominada Estatuto do Índio, ainda desatualizada e, portanto, não adequada ao texto constitucional, o Decreto 1.141, que entre outras providências determina sobre as ações potencialmente modificadoras do meio ambiente no entorno de terras indígenas e o Decreto 1.775 de 1996, que regulamenta o processo de regularização fundiária das terras indígenas.
Outros dispositivos legais, como a Lei 9836/99, que transfere à Funasa a responsabilidade pela saúde indígena no Brasil e o Decreto 026/91, que passa ao Ministério da Educação as ações pertinentes à educação indígena, complementam a legislação dirigida às sociedades indígenas brasileiras.
Sugere-se, aqui, a existência de fronteiras que necessitam ser mais bem definidas para permitir a solução equilibrada dos impasses. Ao que parece, a inexistência de instrumentos institucionais que mobilizem a discussão das questões torna ainda mais exacerbada a postura dos oponentes, reduzindo as oportunidades de se obter acordos vantajosos para ambas as partes, principalmente pelo fato de que essas posturas são apoiadas por conceitos antagônicos de meio ambiente e de sua utilização.
PARTE II - FRONTEIRAS ÉTNICAS