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Yoksunluk veya İhmali İçeren Şiddet

BÖLÜM 1: KAVRAMSAL ÇERÇEVE

1.2. İslamofobinin Temel Göstergeleri

1.2.4. Şiddet

1.2.4.4. Yoksunluk veya İhmali İçeren Şiddet

m sentido de mundo pode ser expresso pelo artista em formas, volumes, matérias, texturas, luzes, conceitos e ideias - um conhecimento adquirido ao longo das experiências da própria vida e que se revela como construção de linguagem a partir de sentidos vividos no mundo. Neste sentido, podemos abordar as experiências híbridas e combinadas da arte atual enquanto uma multiplicidade e variedade de inclusões que revelam uma intencionalidade do artista ao situar-se em uma lacuna percebida entre a arte e a vida. Esta evidência do contemporâneonos permite falar, a partir da leitura dos escritos pontianos, de uma experiência criadora atual que pressupõe um cogito tácito. Os tênues contornos do fenômeno corporeidade, então, se compõem também por uma experiência sensível e bruta das coisas inserida no âmbito da própria vida.

109 MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. 2º Edição - São Paulo : Martins Fontes,

1999. (Tópicos), p. 442.

110 CHAUÍ, Marilena. Experiência do pensamento: ensaios sobre a obra de Merleau-Ponty. São Paulo :

Martins Fontes, 2002. (Coleção Tópicos), p. 242.

84 (...) Para além do cogito falado, aquele que está convertido em enunciado e em verdade de essência, existe um cogito tácito, uma experiência de mim por mim. Mas essa subjetividade indeclinável só tem sobre si mesma e sobre o mundo um poder escorregadio. Ela não constitui o mundo, advinha-o em torno de si como um campo que ela não se deu; ela não constitui a palavra, ela fala assim como se canta porque se está feliz; ela não constitui o sentido da palavra, este brota para ela em seu comércio com o mundo e com os outros homens que o habitam, ele se encontra na intersecção de vários comportamentos, ele é, mesmo uma vez 'adquirido', tão preciso e tão pouco definível quanto o sentido de um gesto. O Cogito tácito, a presença de si a si, sendo a própria existência, é anterior a toda filosofia (...).111

O cogito tácito está no corpo próprio. Sua experiência está enraizada no mundo e a sua reflexão articula-se em descrições dessa experiência vivida112

. Configura-se como um pensamento que sai de si e entra no mundo para encontrar a circularidade entre o corpo próprio do artista e o mundo primordial do sensível. O cogito tácito, então, desvela a implicação do corpo próprio em sua relação com as coisas. Em essência, pode ser entendido como um experimentar de si mesmo que também convida o outro a empregar-se neste processo: a constituição de uma individualidade do artista em uma relação de alteridade com o mundo e com os outros, similar a como se constrói o pensamento nos próprios escritos pontianos113

. Essa identidade de limiar revela que ao ser colocada diante da “incerteza do mundo”, não encontra nos códigos disponíveis cifras para decifrar, interpretar ou explicar suas sensações e, por isso, é impulsionada a criação. O mundo se apresentará liberto de formas já constituídas e representadas. Oferece-se como matéria a ser trabalhada enquanto potência para o instituinte, por meio de novos arranjos.

(...) Existe certeza absoluta do mundo em geral, mas não de alguma coisa em particular. A consciência está distanciada do ser e do seu ser próprio e ao mesmo tempo unida a eles pela espessura do mundo. O verdadeiro cogito não é o face a face do pensamento com o pensamento deste pensamento: eles só se encontram através do mundo. A consciência do mundo não está fundada na consciência de si, mas elas são rigorosamente contemporâneas: para mim existe um mundo porque eu não me ignoro; sou não dissimulado a mim mesmo porque tenho um mundo. Restará analisar essa posse pré-consciente do mundo no cogito pré-reflexivo. 114

As produções plásticas reencontram, neste sentido, por meio de materiais e técnicas, o caráter pregnante do mundo. Os códigos utilizados na linguagem artística configuram-se como pistas de um todo refletidos no trabalho como fragmentos selecionados de uma

111 MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. 2º Edição - São Paulo : Martins Fontes,

1999. (Tópicos), p. 541.

112 Id., O olho e o espírito. In: ______. O olho e o espírito: seguido de A linguagem indireta e as vozes do

silêncio e A dúvida de Cézanne. São Paulo: Cosac & Naify. 2004, p. 30-33.

113 CHAUÍ, Marilena. Experiência do pensamento: ensaios sobre a obra de Merleau-Ponty. São Paulo :

Martins Fontes, 2002. (Coleção Tópicos), p. 46.

114 MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. 2º Edição - São Paulo : Martins Fontes,

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existência no mundo. Vão se constituir, também, pelos silêncios, desvios, recuos e ausências, suas referências no mundo, como uma "empresa de reconquistar explicitamente tudo que somos primeiramente como naturantes de modo ativo, que o mundo só é nosso lugar natal porque somos, de início, como espíritos, o berço do mundo (...)”115

.

A imagem é sempre uma forma estruturada. Nela se condensa toda uma gama de pensamentos, emoções e valores. Entretanto, por parte do artista que os formula, esses valores e pensamentos raramente ocorrem balizados. (...) Ele pensa diretamente nos termos de sua linguagem visual, ou seja, ele pensa em cores, linhas, ritmos, proporções.116

Os escritos pontianos colaboram na compreensão da ideia que a concepção artística, na arte atual, pode revelar um cogito no qual é inextrincável o envolvimento do homem com o mundo e a sua similaridade de condição em relação ao outro, o que torna recorrente o uso de metáforas corporais a serem decifradas na experiência da “comunicação intercorporal”. Ou seja, os códigos já instituídos e os novos significados a serem atribuídos tomam o corpo como passagem, - de mediação entre o eu-outro/outro-eu. É este entrelaçamento no corpo que o torna um “circuito reflexionante”, abre a possibilidade de uma “intercorporeidade” 117

, uma “experiência da intercorporeidade como existência do eu no outro” 118

.

(...) 'Um filme significa como acima vimos uma coisa significar: não falam, um e outra, a um entendimento separado, mas dirigem-se ao nosso poder de decifrar tacitamente o mundo ou os homens e de com eles coabitar.' Essa capacidade de decifração obtemo-la, como diremos, por nossa existência indivisa, presente pelo corpo que somos. Acedemos à experiência artística por via do corpo, mercê da nossa condição de seres encarnados numa existência. 'Compreender' a obra artística é abrir-lhe o nosso próprio corpo, reconhecendo-lhe a autoria em um outro corpo.119