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Susurluk Olayları ve Aydınlık İçin Bir Dakika Karanlık Eylemleri

BÖLÜM 1: KAVRAMSAL ÇERÇEVE

1.2. İslamofobinin Temel Göstergeleri

2.2.3. Susurluk Olayları ve Aydınlık İçin Bir Dakika Karanlık Eylemleri

ssas novas relações que o corpo assume com as linguagens das artes visuais, ao longo do século XX, desvelam um encontro com o corpo próprio como potencialidade no processo criador. O processo criativo na arte contemporânea, então, passa a envolver, cada

115 MERLEAU-PONTY, Maurice. O vísivel e o invisível. São Paulo : Perspectiva, 2005, p. 42.

116 OSTROWER, Fayga. Universos da arte. Rio de Janeiro: Campus, 1983, p. 59.

117 FRAYZE-PEREIRA, João Augusto. A tentação do ambíguo: Sobre a Coisa Sensível e o Objetivismo

Científico: Estudo e Crítica. São Paulo: Ática, 1984. (Ensaios; 104), p. 140.

118 CHAUÍ, Marilena. Experiência do pensamento: ensaios sobre a obra de Merleau-Ponty. São Paulo :

Martins Fontes, 2002. (Coleção Tópicos), p. 147.

119 CÂMARA, José Bettencourt da. Expressão e Contemporaneidade: a arte moderna segundo Merleau-Ponty.

Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005, p. 110.

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vez mais, a presença da noção de corpo enquanto expressão de uma corporeidade que se implica como ser entrelaçado solidariamente com o mundo. O corpo mostra-se, assim, constituído por uma “carne do sensível”, uma dimensão do conhecimento como um panorama fornecido pelo mundo com suas marcas no ser.

(...) A carne não é matéria, não é espírito, não é substância. Seria preciso para designá-la, o velho termo ‘elemento’, no sentido em que era empregado para falar-se da água, do ar, da terra e do fogo, isto é, no sentido de uma coisa geral, meio caminho entre o indivíduo espácio-temporal e a idéia, espécie de princípio encarnado que importa um estilo de ser em todos os lugares onde se encontra uma parcela sua. Neste sentido, a carne é um ‘elemento’ do Ser. (...).120

Este elemento, identificado na obra de Merleau-Ponty como carne, pode ser compreendido como uma camada geral do sensível alojada na nossa consciência, da qual participam, também o corpo, os sentidos e as coisas do mundo, ou seja, uma certa uniformidade carnal e sensível que compõe o corpo e que vai se transpor para o objeto artístico. É, então, este "elemento carne” que constitui a obra e, entrelaça no corpo reflexivo, o preenchimento do olhar do observador a partir das proposições do artista. O "equivalente interno do mundo no corpo"121

éa origem da obra artística, lugar no qual Merleau-Ponty vai situar a pintura moderna. No entanto, essa filosofia, em nosso entendimento, pode estender-se, como está sendo em nosso estudo, à compreensão e interpretação das manifestações artísticas contemporâneas permitindo, assim, indicar aqui o fenômeno corporeidade.

Feitos, o mundo e o meu corpo, da mesma ganga, pode dizer-se que a forma visível das coisas ‘reproduz’ no corpo uma forma secreta, interior, das mesmas, como crê o filósofo haver aprendido com Cézanne. Estando dentro do mundo, no meio das coisas, pelo corpo que é, o pintor conhece-o, tem como ele familiaridade. Não é uma natureza exterior ao homem, ao artista, que o interpela, outrossim um mundo que ele vê por dentro, dizendo-se aqui interioridade um duplo ponto de vista: relativamente ao corpo do pintor e relativamente ao próprio mundo, isto é, vemos a partir de um corpo, que está dentro do mundo. Assim, para além da visibilidade manifesta das coisas, há uma visibilidade íntima que, suscitada no corpo, repercute aquela – no que encontra o filósofo o sentido da afirmação de Cézanne de que ‘a natureza está no interior’, não fora de nós mesmos. 122

O corpo se configura como esse "nó de significações vividas" conjugadas às possibilidades do visível na arte123

. O corpo será o lugar de apropriação e de um "fazer existir" que se anuncia em “(...) nossa experiência por uma certa falta, e cujo advento reorganiza

120 MERLEAU-PONTY, Maurice. O vísivel e o invisível. São Paulo : Perspectiva, 2005, p. 136.

121 CÂMARA, José Bettencourt da. Expressão e Contemporaneidade: a arte moderna segundo Merleau-Ponty.

Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005, p. 149.

122 Ibid., p. 149.

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subitamente nosso equilíbrio e preenche nossa experiência cega".124

Conforme nos aponta Merleau-Ponty125

, é um olhar a partir de um lugar ocupado no mundo.

(...) O perpectivismo e inacabamento da percepção dão-se em virtude de ser próprio dos visíveis serem superfícies de uma profundidade inesgotável – profundidade está que existe, pois há sempre um ponto donde eu vejo e eu mesmo também possuo minha profundidade: o visível que vejo se fecha atrás de mim. É através da profundidade, enquanto dimensão de co-presença, que as coisas permanecem coisas. É através dela que as coisas podem se imbricar umas nas outras e se ordenar num campo perceptivo. É essa dimensão que reúne na simultaneidade perspectivas incompossíveis, articulando o visível sobre uma espessura de invisível. É ela, portanto, quem faz com que as coisas possuam carne (...). É essa carne comum à coisa e ao vidente que constitui a visibilidade da primeira, como a corporeidade do segundo. É a ‘espessura da carne’ entre eles que faz com que o vidente esteja no âmago do visível sem, no entanto, se confundir com ele. 126

Para a compreensão das produções artísticas não basta olhar, tocar, "passear" por uma obra: é necessário perceber a existência de um entremundo no qual o sujeito e objeto participam, ou seja, uma "carne" como "elemento" de ausência e presença que vai constituindo a noção de corporeidade como encontro, entrecruzamento, quiasma, enfim, linguagem tácita percebida pela sensibilidade do artista.

(...) Um pleno poroso, habitado por um oco pelo qual um positivo contém nele mesmo o negativo que aspira por ser, uma falta no próprio Ser, fissura que se preenche ao cavar-se e que se cava ao preencher- se. Não é, pois, uma presença plena, mas presença habitada por uma ausência que não cessa de aspirar pelo preenchimento e que, a cada plenitude remete a um vazio sem o qual não poderia vir a ser. A Carne do Mundo é o quiasma ou o entrecruzamento do visível e do invisível, do dizível e do indizível, do pensável e do impensável, cuja diferenciação, comunicação e reversibilidade se fazem por si mesmas como estofo do mundo. 127

A experiência perceptiva no corpo próprio, neste sentido, articula uma comunhão com o mundo128

que, neste caso, permite ao artista renovar suas experiências com o mundo e criar novas condições de linguagem. A arte atual, assim, afirma seu pluralismo a partir da imbricação entre a questão do corpo e sua relação com o mundo. Isto não pertence a um período preciso da história da arte, mas se atualiza em qualquer período pela inerência entre a percepção e o mundo, o que se configura como um indício do fenômeno corporeidade.

124 MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. 2º Edição - São Paulo : Martins Fontes,

1999. (Tópicos), p. 212

125 Ibid., p.212

126 FRAYZE-PEREIRA, João Augusto. A tentação do ambíguo: Sobre a Coisa Sensível e o Objetivismo

Científico: Estudo e Crítica. São Paulo: Ática, 1984. (Ensaios; 104), p. 133.

127 CHAUÍ, Marilena. Experiência do pensamento: ensaios sobre a obra de Merleau-Ponty. São Paulo :

Martins Fontes, 2002. (Coleção Tópicos), p. 156.

88 (...) Minha experiência desemboca nas coisas e se transcende nelas, porque ela sempre se efetua no quadro de uma certa montagem em relação ao mundo, que é a definição de meu corpo. (...) Portanto, é verdade que toda percepção de coisa, de uma forma ou de uma grandeza como reais, toda constância perceptiva reenvia à posição de um mundo e de um sistema de experiência em que meu corpo e os fenômenos estejam rigorosamente ligados. Mas o sistema da experiência não está desdobrado diante de mim como se eu fosse Deus, ele é vivido por mim de um certo ponto de vista, não sou seu espectador, sou parte dele, e é minha inerência a um ponto de vista que torna possível ao mesmo tempo a finitude de minha percepção e sua abertura ao mundo total enquanto horizonte de toda percepção.129

Estas reflexões permitem perceber que o corpo está inscrito em uma complexidade de circuitos, característicos do contexto do final de século XX, que envolve a cultura, a comunicação, o mercado130

. Para além de demandar uma nova fisicalidade, permite-nos apontar afinidades e influências vivenciadas pelo artista em uma organicidade ou um "tipo de comunidade" que torna possível pensar no campo artístico como "matriz de ideias", conforme propõe Merleau-Ponty.

O que não é substituível na obra de arte, o que a torna muito mais do que um meio de prazer: um órgão do espírito, cujo análogo se encontra em todo pensamento filosófico ou político quando positivo, é ela conter, mais do que ideias, matrizes de ideias, é nos fornecer emblemas cujo sentido nunca terminamos de desenvolver, é, justamente porque se instala e nos instala num mundo cuja chave não temos, ensinar- nos a ver e finalmente fazer-nos pensar como nenhuma obra analítica consegue fazê-lo, porque a análise encontra no objeto apenas o que nele pusemos. (...) Transporta-nos de um mundo já dito para outra coisa. E assim como nosso corpo não nos guia entre as coisas a não ser que paremos de analisa-lo para utiliza-lo.131

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pós estas reflexões, é possível a construção de um olhar que estabelece entre o ser e o mundo mútuas conexões e trocas, que os permite compartilhar do mesmo escopo, do mesmo solo de interrogações que apenas são retomados na expressão artística. Neste sentido, não podemos pensar em uma natureza humana acabada e definitiva, mas, com Merleau- Ponty132

, que o ser se constitui no processo de suas experiências e de suas relações, entendendo de maneira tácita a transitoriedade do mundo que o lança a novas vivências e situações.

129 MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. 2º Edição - São Paulo : Martins Fontes,

1999. (Tópicos),p. 407-408.

130 Cf. CAUQUELIN, Anne. Arte contemporânea: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2005. (Coleção

Todas as Artes)

131 MERLEAU-PONTY, Maurice. A linguagem indireta e as vozes do silêncio. In: ______. O olho e o espírito:

seguido de A linguagem indireta e as vozes do silêncio e A dúvida de Cézanne. São Paulo: Cosac & Naify. 2004, p. 111-112.

132 Id., Fenomenologia da Percepção, op. cit., p. 610-612.

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Os fundamentos apontados neste capítulo visam à ampliação da temática do estudo do corpo na arte contemporânea; e, também, uma compreensão de um corpo sensível e suas correlações com o mundo como inferência de dimensões do fenômeno corporeidade na expressão artística, baseada nos pressupostos fenomenológicos de Maurice Merleau-Ponty. Neste sentido, a título de considerações finais, apresentaremos alguns aspectos da sensibilidade atual que podem ser desvelados pelo estudo da arte atual e das leituras pontianas.

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