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Yoksulluk eşdeğer büyüme oranı ölçüsü

4. YOKSUL YANLISI BÜYÜME

4.4 Yoksul Yanlısı Büyüme Ölçüleri ve Ülke Örnekleri

4.4.4 Yoksulluk eşdeğer büyüme oranı ölçüsü

Ministros, presbyteros, officiaes, educadores, homens e mulheres, venham todos demonstrar uns aos outros, e ao mundo, a sua união em Christo, esquecidos das pequenas differenças que os separam organicamente. Unun corpus sumus in Christo. Não somos é verdade, tão monotonamente identicos

como uma pilha de tijollos entre si, porém, pela assistencia do Espírito Sancto, constituimos uma só casa espiritual onde Deus habita e é adorado em espírito e verdade. (EC: 25.06.1903, p. 1)

Desde a edição de estréia, o jornal Expositor Cristão publicou textos de incentivo à união de esforços entre os evangélicos. Na capa da edição de 1º de janeiro de 1886, além do editorial declarando a catolicidade da proposta editorial, o jornal trazia convite da Aliança Evangélica para a Semana Anual de Oração Universal, que seria realizada de 3 a 10 de janeiro de 1886.

A organização surgiu como uma “frente unida evangélica” em reação ao revigoramento do catolicismo no século XIX. Sua oficialização ocorreu em 1846, em Londres, numa reunião que reuniu 800 dirigentes cristãos de várias denominações e de vários países (SANT´ ANA, 1987, p.77-78). Na ocasião, decidiu-se celebrar anualmente uma Semana de Oração em nível mundial. Ao mesmo tempo, a Aliança representou um esforço para descobrir um denominador comum doutrinário, na base do qual cristãos evangélicos (os indivíduos, e não as denominações às quais pertenciam) poderiam juntos promover seus interesses. A Aliança surgiu nos Estados Unidos em 1867, e a grande maioria dos missionários americanos que vieram trabalhar no Brasil já compartilhava do seu espírito, diz Reily (1984, p.245-246). Assim, as chamadas para a Semana de Oração inserem-se no Expositor Cristão anualmente, bem como o registro de recebimento de jornais evangélicos, notícias de eventos realizados em outras denominações e programações da Associação Cristã de Moços. Essa instituição interdenominacional, criada em Londres, em 1844, para proporcionar um ambiente de convivência cristã entre jovens, foi organizada no Brasil em 1892 e teve a primeira convenção nacional noticiada com destaque pela edição de 23 de julho de 1903 do periódico metodista.

Uma das primeiras bandeiras que os evangélicos brasileiros levantaram juntos foi a organização e manutenção de hospitais evangélicos, nos quais eles se sentissem respeitados em sua expressão religiosa:

...é necessidade de primeira ordem, a fundação de um hospital livre do dominio romanista, onde o enfermo acatholico possa ser socorrido médica e espiritualmente, onde possa curar o seo corpo sem ser atribulado em seo espírito; e deante de tão grande necessidade, não poderiamos sinão aprovar e louvar a idéa que se agita e discute entre as communidades protestantes desta cidade – da fundação de um hospital evangelico. (EC: 15.06.1887, p.1)

Em 9 de julho de 1887 foi criada a Associação do Hospital Evangélico, no Rio de Janeiro. Em 1894 foi inaugurado o Hospital Samaritano de São Paulo. Iniciativas semelhantes surgiriam em outros estados, bem como o estabelecimento de cemitérios para protestantes.

A criação da Aliança Evangélica Brasileira, em 1903, também teve bastante destaque no jornal Expositor Cristão, mesmo porque um dos idealizadores da associação foi o missionário metodista John William Tarboux, segundo nos informa a edição de 4 de maio, em matéria de capa institulada “Conferencia Ecumênica Brasileira”:

Estando o Rev. Dr. Tarboux recentemente em Petrópolis, e em conversa com os ministros (evangélicos) residentes naquella cidade, veiu-lhe a idéia de realizar-se em breve, na cidade de S.Paulo, uma

CONFERENCIA ECUMENICA

que constaria de todos os ministros evangélicos e leigos representantes, no Brasil, que pudessem assistir.

S.Paulo é lembrada como o local mais conveniente, porque, logo nos fins de julho, o Synodo Presbyteriano Brasileiro reunir-se-á ali. Consoantemente, a Conferencia Annual Methodista têm de reunir-se na cidade de Piracicaba, dias depois; e os seus membros, quasi todos serão obrigados a passar por essa cidade para alcançar o seu destino.

Além disso, residem em S.Paulo e cidades visinhas ministros da Igreja Baptista, da Lutherana, da Congregacionalista etc, que poderão facilmente ir ali assistir. (EC: 04.05.1903.p.1).17

Nas edições posteriores discutiu-se qual deveria ser nome do evento. Concílio ou Congresso? Ecumênico ou não? Na capa da edição de 14 de maio, editorial comenta a resistência ao termo “ecumênico”:

Agrada-nos conhecer que a idéa levantada nestas columnas de uma conferencia Ecumênica brasileira tem sido aprovada por nossos dignos colegas, O Estandarte, O Puritano, O Christão e também por muitíssimas outras pessoas. Quanto ao nome – que seja Congresso, Concilio, ou Conferencia, tudo vem a ser a mesma cousa. A idéa do Rev. Lino da Costa, de que a palavra ecumenica não deve ser empregada por della ter usado o Papa, não prevalece; pois, tem sempre sido usada por outros (sic) igrejas tambem. (EC:14.05.1903, p.1)

Na edição seguinte, o Expositor Cristão estende-se mais no assunto, em resposta a outro artigo publicado pelo pastor presbiteriano Lino da Costa, ex-padre católico. O texto publicado na capa traz o título A Conferencia “Ecumênica” (com as aspas). Observa-se que a resistência ao termo “ecumênico” está presente sete anos antes do evento que é considerado o berço do movimento ecumênico mundial: a Conferência de Edimburgo, de 1910. Diz o redator do jornal metodista (à época, o missionário norte-americano J.L.Kennedy):

Em que pese a vasta erudição do Rev. Lino da Costa, e o seu conhecimento particular das cousas de Roma, peço vênia para discordar do seu arrazoado sobre a Conferencia Ecumênica em gestação, publicado em o n. 198 do Puritano.

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Manteve-se na citação a formatação dada pelo redator: uso de maísculas e o espaçamento para destacar o termo “Conferência Ecumênica”.

Quer me parecer que antes que houvesse o Papa e a Igreja que do termo se apropriaram para uma significação restrita, havia já a língua grega em que o oikumenicos significava universalidade, generalidade, e seus synonimos. Outrossim, por toda a parte têm os protestantes celebrado suas conferencias e concílios ecumênicos sem que entretanto tivesse o Papa a menor ingerencia em ditas reuniões.

Acredito, pois que ecumenico é o vocábulo com o qual devemos chrismar o primeiro concilio evangélico brasileiro em que tomam parte representantes de todas as organisações reformadas do paiz.

Isto, como se vê, é minha opinião em discordância da do respeitavel missionário synodal. Para mim o essencial é justamente o que advoga o Rev. Lino, isto é, que tenhamos a conferencia, chame-se como se chamar e que a ella concorra o maior numero possivel. Ministros, presbyteros, officiaes, educadores, homens e mulheres, venham todos demonstrar uns aos outros, e ao mundo, a sua união em Christo, esquecidos das pequenas differenças que os separam organicamente. Unun corpus sumus in Christo. Não somos é verdade, tão monotonamente identicos como uma pilha de tijollos entre si, porém, pela assistencia do Espírito Sancto, constituimos uma só casa espiritual onde Deus habita e é adorado em espírito e verdade. Terminando, irmãos, que em vésperas de Conferencia ninguém compre bois ou quinta, ou se case (Lucas XIV 16:20), em uma palavra, que não haja desculpas, reaes ou de occasião, mas que todos quantos puderem se reúnam em conferencia ecumenica, geral, interdenominacional, latitudinária, pan- protestante, ou qualquer que seja o nome! E que desta reunião date uma nova epocha para a Igreja de Deus em nossa Pátria! Amen. (EC: 25.06.1903, p. 1)

O congresso evangélico realizou-se finalmente nos dias 25 a 28 de julho de 1903, em São Paulo, antes do Sínodo Presbiteriano (de 28 de julho a 6 de agosto) e da Conferência Anual Metodista (de 30 de julho a 4 de agosto). Nessa reunião, organizou-se a Aliança Evangélica Nacional, elegendo-se como presidente o Rev. Hugh Clarence Tucker, metodista, e secretário F.F. Soren, da Igreja Batista. A reportagem, publicada na edição de 13 de agosto, informa que foram adotadas, “unanimemente” as seguintes recomendações: 1) que as Casas Publicadoras Evangélicas do Rio de Janeiro se unissem em uma só. 2) que as diversas redações de jornais evangélicos tratassem de publicar uma parte em comum no qual aparecessem “artigos de fundo” sobre questões do dia (tais como espiritismo, positivismo, romanismo, etc. e notícias de todas as igrejas no Brasil. 3) Que as diversas igrejas publicassem uma literatura comum para as escolas dominicais, constando de uma revista para professores e alunos “adiantados”, uma revista “intermediária” e um “jornal ilustrado” para a juventude. (EC: 13.08.1903, p.1)

O jornal informa que a Conferência Metodista que se reuniu logo após o Congresso aprovou a idéia da fusão das casas publicadoras evangélicas no Rio e a literatura comum para as Escolas Dominicais. Segundo Reily, a unificação das imprensas também foi aprovada pelo sínodo presbiteriano, mas não foi executada pelas igrejas. (1984, p.252).

O congresso que resultaria na formação de uma “frente unida” de evangélicos brasileiros contra o ultramontanismo ironicamente precedeu um cisma na Igreja Presbiteriana: no Sínodo reunido em São Paulo, um grupo liderado pelo pastor Eduardo Carlos Pereira desligou-se da Igreja para constituir a Igreja Presbiteriana Independente. O centro da discórdia foi a convicção de Eduardo e seus seguidores de que a Maçonaria era uma organização “incompatível” com a Igreja, posição que o Sínodo não confirmou. A polêmica envolvendo a Maçonaria apenas definiu um quadro que já se desenhava há alguns anos, quando Eduardo C. Pereira começou a liderar um grupo nacionalista, em oposição às lideranças norte-americanas. Como porta-voz, o grupo nacionalista tinha o jornal O Estandarte, fundado em 1893. Em contraponto ao Estandarte, o Rev. Álvaro Reis criou O Puritano, em 1899.

O jornal metodista noticia a crise presbiteriana, lamentando a separação dos “sete ministros dissidentes e treze presbíteros”, mas deixando claro um posicionamento favorável à decisão do Sínodo.18

2.5.1. O sonho de uma união orgânica

O ideal de cooperação permaneceu vivo, no entanto. Segundo Reily, o mais radical dos movimentos visando a cooperação foi a resolução adotada unanimemente pelo sínodo presbiteriano de 1906, nomeando uma comissão para analisar – com uma comissão semelhante da conferência metodista, caso fosse nomeada – a possibilidade e a vantagem da união orgânica entre as duas igrejas. (Reily, 1984, p.252). A comissão metodista chegou a ser formada. O Expositor Cristão de 1 e 8 de agosto de 1907, edição dupla que traz a cobertura da Conferência Anual (evento realizado no dia 25 de julho de 1907, no Rio de Janeiro, sob a liderança do Bispo E. E. Ross) , informa que “os dois assuntos que fizeram alarido (e este não muito grande)” na última sessão foram o Seminário do Granbery e a proposta do Sínodo Presbiteriano concernente à união das duas igrejas:

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Não se pode alegar que o Synodo declarou-se a favor da Maçonaria, apenas deixou a questão no mesmo pé em que a grande parte das egrejas evangelicas na maioria a deixam. Muitos anti-maçons na maioria sustentam que á attitude assumida pelo Synodo é a única compatível coma liberdade de consciência e caridade christã. J.M.K. (EC: 13.08.1903, p.4)

Oferecemos hoje aos nossos leitores o protesto do Rev. Eduardo Carlos Pereira e mais ministros e leigos que se desligaram do Synodo e Igreja Presbiteriana, organizando-se também a Igreja Presbiteriana Independente. Não duvidamos que sejam sinceros estes irmãos dissidentes; mas duvidamos muito da sabedoria do seu ato solene. Agora são independentes; mas de quem? (EC: 20.08.1903, p.2)

Muita questão levantou-se em outra hora sobre a questão da união. Pairava duvida na mente de alguns, quanto á significação da palavra união, e a respeito do arranjo contemplado na proposta. Parecia opinião geral, de que o Bispo também participava, que a Conferencia não olhava com favor qualquer movimento que visava a destruição ou absorção da Egreja Methodista ou das idéas que são representativas da sua theologia e systema de governo. Manifestavam-se, porém, no correr de todos os debates, os mais cordeaes sentimentos de fraternidade christã para com a Egreja-irmã, e nomeou-se uma commissão bem escolhida para tratar do assumpto junto com a commisão já nomeada pelo Synodo, no anno passado.

Na Conferência Anual de 1908, no entanto, o assunto não voltou à pauta de discussões. O Expositor retoma o assunto em 1912. Em editorial publicado no Expositor de 26 de setembro de 1912, o missionário J. L. Kennedy explica que apesar de “apreciar profundamente o espírito cristão da proposta”, as “largas diferenças em doutrina, forma de governo e numerosas dificuldades práticas” inviabilizaram a união orgânica. Ele informa que as duas comissões nomeadas para tratar da possibilidade de união – a metodista e a presbiteriana – nunca se reuniram e que, mesmo em 1912, ainda não era oportuno tratar do assunto.

Mais de duas décadas depois, a hipótese da fusão de igrejas volta a ser discutida pelo jornal, certamente por inspiração da formação da Igreja Unida do Canadá, em 1925, a partir da união de igrejas metodistas, congregacionais e presbiterianas. No metodismo brasileiro, vivia-se um período de transição: a Igreja Metodista no Brasil dava os primeiros passos na condição de Igreja autônoma dos Estados Unidos, fato que ocorreu oficialmente em 2 de setembro de 1930. No ano de 1933, o jornal publica a “Proposta para uma forte Igreja Nacional”, texto do pastor americano John C. Granbery (filho do bispo Granbery, que chefiou a inserção do metodismo no Brasil, no final do século XIX), que passava uma temporada no Brasil. Ele diz:

(...) Depois de passar quasi um ano no Brasil, constantemente em contacto com a obra evangélica, não posso ver alguma razão válida por que as Igrejas metodistas, presbiterianas (dois ramos) e congregacionais não se unam para formar uma Igreja nacional. Em conversação sôbre este assunto com indivíduos tanto metodistas como presbiterianos não houve qualquer objeção séria à união.

(....) Tenho grande respeito e admiração pelos Batistas do Brasil. A sua convicção, energia, zelo e eficiência são bem conhecidos. Todavia, compreendo que a causa do amor cristão é melhor servida quando aquele grupo fica livre para trabalhar por Cristo na sua própria maneira. Os Episcopais estão fazendo um notável trabalho segundo sua própria forma de organização.

Mas não vejo nas Igrejas metodista, presbiterianas e congregacional diferenças importantes. A mentalidade e as formas de culto são praticamente as mesmas. Em Canadá, uma união destas três denominações

é um fato já realizado. Agora mesmo, aparece um livro da história dramática intitulado “Church Union in Canadá”.

Naturalmente, haverá detalhes de reorganização. No momento atual a Igreja metodista se acha no estado mais ou menos fluído, e esta circunstância é uma oportunidade excepcional para tal realização.

Houve causas históricas das divisões eclesiásticas do protestantismo, mas perpetuar no Brasil todos estes grupos denominacionais é desnecessário e irracional. John C. Granbery. (EC: 23.08.1933, p.6)

A opinião de Granbery não refletia o estado de espírito da maioria dos metodistas brasileiros. Para alguns pastores metodistas, a palavra “unionismo” carregava conotação pejorativa, como se pode ver no texto intitulado “Unionismo: O problema do momento”, que traz o aval do próprio redator do jornal – à época, o pastor José de Azevedo Guerra, que havia assumido o jornal em substituição a Silveira19:

Fazemos nosso o editorial de uma Revista Evangélica sobre o assumpto que empolga a mente de alguns ministros de várias denominações – O UNIONISMO.

Houve alguém que já nos tachou de propheta falso quando affirmámos que o unionismo em nosso paiz produzirá o que em outros já succedeu, isto é, o apparecimento de mais uma denominação que levará o nome distinctivo: - IGREJA UNIDA.

(...) Vários collegas estão de accordo com o nosso ponto de vista e o excelente orgam O JORNAL BAPTISTA transcreveu um dos nossos artigos, fazendo ao final pequeno commentario approvando a nossa argumentação.

Que grande desapontamento será para as denominações que se unirem um dia, perdendo as suas características que as fizeram avançar ganhando innumeras almas, quando vierem os grupos que ficam e as que jamais se ligarão, firmes em suas convicções redobrando o esforço, mais zelosas pela pureza dos seus princípios, relativamente progredindo mais que as unidas! É nosso dever enquanto estivermos á frente do orgam official da Igreja Methodista do Brazil apontar aos nossos leitores a razão de ser desta sociedade religiosa, nascido em tempos de decadência moral e espiritual, demonstrando que a sua grande obra só terminará com o regresso de nosso Senhor Jesus.

(...) Não é do aconchego de outros grandes grupos que sentimos necessidade no momento; o de que carecemos é voltar aos primórdios, reavivar as brasas sob as cinzas, inflammar-nos como os pioneiros do Methodismo. Assim feito, porque não pomos emphase em formas ritualísticas, mas na verdadeira reforma de vida, muitos hão de unir-se comnosco sob a mesma bandeira em busca das almas que perecem.

(...) Há uns vinte annos, as diferentes missões evangelicas denominacionaes, estabelecidas em differentes partes do mundo, proclamavam o evangelho cada qual como os seus meios o permittiam, contentando-se com o programma entregue por Christo a seus discipulos. E Deus havia abençoado grandemente a obra.

Iam assim as coisas quando foi convocado pelas potencias ecclesiasticas protestantes o afamado concilio ou congresso missionario de Edimburgo, 1910. Repetimos protestantes, pois o eram contrarios á obra evangelica começada pelos evangelicos nos paizes catholicos, considerando a obra

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missionaria entre seus irmãos catholicos uma offensa. Aos missionários evangélicos que operavam em paizes catholicos, se não se lhes negou assento, não se lhes deu voto em tal concilio. Concilio de união que começa por separação!

“ A união! A união! A união a todo o custo!” se ouvia por todos os âmbitos da terra e de congresso em congresso, pelo campo missionario (...)

Os prelados protestantes do concilio não eram curtos de sabedoria. Comprehendiam claramente que o obstáculo principal para a fusão das igrejas e missões consistia nos diferentes credos das igrejas. As distinctas igrejas e missões fundavam suas crenças essencialmente na Bíblia. O que os dividia era sua fé nas Escripturas. Fóra, pois, o que divide! O estorvo para a união era a Palavra de Deus. Nada ha para estranhar, pois, que nesse ‘primeiro Concilio ecumenico’ de missões se fizessem trabalhos com o fito de solapar os fundamentos christãos, negando a inspiração divina das

Escripturas.

Ao mesmo tempo se começou a rebaixar o christianismo e apreciar os systemas pagãos, afim de encurtar as distancias. Já naquelle congresso foi lançada á cesta, por antiquado, o programma missionário de Christo, ao mesmo tempo que se ponha em relevo, com certo goso, o que ha de bom

nas religiões pagãs.

Os crentes genuinamente evangélicos denunciaram tal congresso unionista: primeiro, por sua união com o mundo; segundo, por seu compromisso com as religiões pagãs; terceiro, por sua solicita amizade com Roma, buscando seu favor; quarto, por sua submissão á critica demolidora, e quinto, por ser um factor poderoso na preparação do caminho para o Anti-Christo. Era, portanto, um concilio mui modernista.

Ao final de vinte annos, em que tem parado este movimento unionista de fusão ou amalgama? Em uma grande potencia, robustecida religiosamente pela crescente apostasia e materialmente por um capitalismo bem remunerado mediante um movimento que cria novas necessidades e novos mercados. (...) Abandone-se, pois, por completo, o erro de pensar que o movimento unionista seja evangélico e que se trate de buscar a salvação das almas pela pregação do evangelho. Queira Deus que os idealistas daqui não se tenham abeberado nos grandes concílios ecumênicos. (EC: 21.11.1934, p.1, grifo nosso)

É interessante observar o conceito que o redator Guerra tem do Congresso de Edimburgo: para ele, havia sido um “concílio mui modernista”. O comentário indica que a polarização entre modernistas e fundamentalistas já era do conhecimento dos brasileiros. Segundo Reily (1984, p. 242), a teoria da evolução orgânica de Charles Darwin, a alta crítica bíblica e o evangelho social foram os elementos principais na “fermentação teológica” que dividiu o pensamento protestante em fundamentalistas e modernistas20. Em suma, o fundamentalismo caracteriza-se pela defesa de uma ortodoxia que, tendo a Bíblia como texto infalível, posiciona-se contra qualquer interpretação científica que se faça do texto sagrado.

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O fundamentalismo, que surgiu como reação conservadora ao “modernismo teológico” deve seu nome ao título de uma série de 12 livretos intitulados The Fundamentals (publicados entre 1909 e 1915) que sintetizavam a teologia conservadora da época. Entre algumas das doutrinas tidas como “fundamentais” estavam o nascimento virginal de Jesus, sua ressurreição corpórea, a inerrância das Escrituras e a iminente volta de Cristo.

A controvérsia entre modernismo e fundamentalismo foi sentida fortemente nos Estados Unidos durante e depois da primeira guerra mundial (depois, portanto, da Conferência de Edimburgo) e apesar do clima teológico conservador brasileiro, chegou aqui também, sobretudo na década de 1940, depois que o movimento se institucionalizou com a fundação do Conselho Internacional de Igrejas Cristãs, em 1948, sob a liderança do pastor presbiteriano norte-americano Carl MacIntire (1906-2002), como se verá no próximo capítulo deste trabalho. Guerra equivoca-se quando afirma que o Congresso de Edimburgo propunha a aceitação de “religiões pagãs”. Veremos no próximo item que o Congresso tinha por objetivo