• Sonuç bulunamadı

Yoksulluğu Azaltma ve Gelir Sağlama Hedefi

BÖLÜM 2 : MİKROKREDİ UYGULAMALARININ EKONOMİK, SOSYAL VE

2.1. Mikrokredinin Ekonomik, Sosyal ve Mali Hedefleri

2.1.1. Ekonomik Hedefler

2.1.1.1. Yoksulluğu Azaltma ve Gelir Sağlama Hedefi

Como pode ser observado na Figura 4.9, o procedimento contido na etapa E2’ é bem simples. A entrada dessa etapa é uma seção de artigo científico, no nosso caso a seção “Resumo”, que será avaliada quanto a sua adequação textual. Essa seção possui sua estrutura esquemática anotada, produto da etapa anterior. Como saída, tem-se um texto adequado ou inadequado, dependendo dos critérios e da relação deles com a seção do texto em análise.Os bons textos serão utilizados na etapa seguinte, enquanto que os ruins serão descartados. Como núcleo desse procedimento tem-se um conjunto de critérios – rubrica – responsável em grande parte pelo bom resultado dessa etapa.

A seguir serão apresentados os sete critérios (ou dimensões) da rubrica citada. Vale dizer, que os mesmos foram elaborados por Aluisio et al (2005), Schuster et al (2005) e Genoves et al (2007), para realizar a avaliação da adequação textual de abstracts da área de Ciências Farmacêuticas escritos por brasileiros. Assim, para se avaliar uma outra seção qualquer dessa mesma área ou até mesmo um resumo em inglês de uma outra área, é necessário realizar adaptações nos critérios dependentes de domínio. Os não dependentes como, por exemplo, o quinto critério (ou dimensão), não precisa ser adaptado, porque foi desenvolvido com base em textos de diferentes áreas. Das sete dimensões, as três primeiras avaliam o texto como um todo e as outras cada uma das sentenças, atribuindo um dos três

valores: Alto, Baixo e Padrão (ou N/A, isto é “não-aplicável”). Diferentemente do modelo de rubrica apresentado no Capítulo 3, no qual as duas primeiras dimensões apresentadas avaliam o texto como um todo.

Dimensão 1 – Organização e Desenvolvimento de um texto: esse critério é indicado para investigar a estrutura esquemática contida em uma dada seção de um artigo científico, no caso, a seção “Resumo”. Ela objetiva tanto a anotação de componentes essenciais a essa seção em foco, quanto a verificação da ordem que esses componentes devem aparecer no texto. Para tal, são utilizados dois valores: Alto e Baixo. O valor Alto é atribuído quando os componentes principais da estrutura esquemática estão presentes e são apresentados em ordem lógica. Por exemplo, na seção “Resumo” os componentes da estrutura esquemática principal apresentaria a seguinte ordem: Propósito, Metodologia (se houver), Resultados principais e Conclusão. Como nem todos os resumos apresentam a mesma ordem proposta por esse modelo ideal de componentes esquemáticos de um resumo adequado às especificações dos pesquisadores sobre escrita científica, a ordem dos componentes presentes deve obedecer a uma lógica que satisfaça as expectativas do leitor, ou seja, deve conter uma ordem que apresente de maneira lógica as informações descritas. Assim, se houver uma Lacuna, esta deve ser seguida pelo Propósito. Se existir Contexto e Lacuna, a Lacuna deve aparecer depois do Contexto. Mas é possível também haver ciclos de Contexto e Lacuna. O valor Baixo é atribuído quando as condições descritas acima não forem satisfeitas.

Como cada área tem um conjunto de características específicas que fazem variar esse conjunto de componentes principais, sugere-se então, que seja feita uma avaliação empírica para obtenção desse dado. Coletar-se-ia, por exemplo, um conjunto de resumos considerados clássicos na área, isto é, aqueles cuja qualidade é indiscutível. Posteriormente, poderia ser feita uma anotação das estruturas esquemáticas nele contidas, para então se fazer um levantamento daquelas mais recorrentes. Esse tipo de procedimento foi realizado por Biasi- Rodrigues e Jucá (2004) e parte dos resultados obtidos são apresentados na Tabela 4.4, como sugestão de auxílio para se eleger os principais componentes da estrutura esquemática a serem considerados dentro de uma dada área. Vale dizer que se tratou de uma investigação baseada em 32 resumos em inglês de oito áreas diferentes, um número, entretanto, ainda baixo para avaliação estatística.

Área Científica Apresentação Pesquisa Contextualização Pesquisa Apresentação Metodologia Sumarização Resultados Conclusão Pesquisa Eng. Elétrica 0% 50% 100% 100% 0% Eng. Mecânica 100% 100% 50% 0% 0% Sociologia 50% 100% 0% 50% 0% Educação 50% 50% 50% 100% 0% Lingüística 100% 100% 0% 50% 0% Farmácia 50% 0% 100% 100% 0% Enfermagem 100% 100% 0% 50% 0% Economia 100% 100% 0% 0% 0% Total 69% 75% 38% 56% 0%

Tabela 4.4: Tabela ilustrativa de parte dos resultados obtidos nas investigações de Biasi-Rodrigues e Jucá (2004) sobre os componentes da estrutura esquemática mais recorrentes em determinadas áreas. Conforme observado, o componente “Contextualização da Pesquisa” é o mais recorrente em todas as áreas, com 75% de freqüência. Em contrapartida, o componente “Conclusão da Pesquisa” não ocorreu em nenhum dos abstracts investigados. Vale ainda dizer que a estrutura esquemática apresentada na tabela difere um pouco da adotada por nós nessa pesquisa.

Dimensão 2 – Balanceamento entre os componentes: essa dimensão visa verificar o balanceamento do tamanho de cada uma das seções de um artigo científico, em separado. Por exemplo, os resumos, em geral, não devem ultrapassar um limite de 200 a 300 palavras,o que implica na imposição de algumas restrições ao uso de dados componentes utilizados em resumos, como, por exemplo, não supervalorizar a escrita de um contexto com várias sentenças. Para tal verificação, são também utilizados os valores Alto e Baixo. O valor Alto é atribuído para resumos escritos em inglês na área de Ciências Farmacêuticas quando: 1) o Propósito existe e foi escrito em apenas uma sentença; 2) a Conclusão existe e foi escrita em apenas uma sentença; 3) se existir Contexto, não deve ultrapassar 30% das palavras de um abstract. O valor Baixo é atribuído quando as condições descritas acima não forem satisfeitas.

Para se fazer a verificação do balanceamento das estruturas esquemáticas em outras seções de artigos científicos, que sejam ou não da área de Farmácia é interessante realizar o mesmo procedimento sugerido na dimensão anterior: realizar um levantamento empírico com textos da área e seção de artigo científico para a qual se deseja verificar o tipo de balanceamento da estruturação esquemática mais recorrente.

Dimensão 3 – Coerência entre os componentes: essa dimensão visa avaliar a coerência entre os componentes da estrutura esquemática de uma seção, ou seja, verificar se os

componentes estão relacionados entre si de forma a contribuir com a coerência do texto. A coerência pode, grosso modo, ser definida como o resultado de uma não-contradição entre os diversos segmentos de um texto, que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento textual é pressuposto do seguimento que vem a seguir, que por sua vez será pressuposto para o(s) que lhe sucederem, formando assim uma corrente, uma cadeia na qual todos os segmentos estejam concatenados de maneira harmônica. Quando um segmento está em contradição com um anterior, perde-se coerência textual. Para a verificação de tal coerência, também são utilizados os valores Alto e Baixo. Abaixo serão apresentados os critérios que devem estar presentes no momento de verificação da coerência de resumos em inglês da área de Farmácia. Para as outras seções de artigos científicos, outros critérios de coerência devem ser criados, com base em uma investigação empírica, de modo que as características peculiares da seção a ser avaliada sejam consideradas. Além disso, o bom senso também pode ajudar a avaliar a coerência ou lógica existente entre o fluxo da informação contida na seção de texto a ser analisada. Assim, o valor Alto é atribuído à coerência de um resumo em inglês da Farmácia:

1) Se o Propósito estiver relacionado com a Lacuna, em uma relação de fullfilment, isto é, se o propósito realmente preenche a(s) lacuna(s) levantada(s) no componente Lacuna. Interessante notar que como a Lacuna não é um item obrigatório, quando não está presente, ao Propósito é atribuído o valor-padrão (N/A, isto é, “não-aplicável”).

2) Se os Resultados principais estiverem relacionados com o Propósito, em uma relação de accomplishment, isto é, se os resultados que se esperavam encontrar com a pesquisa foram realmente alcançados.

3) Se a Conclusão estiver relacionada com os resultados principais, em uma relação de generalization, isto é, quando o autor consegue generalizar seus resultados no componente Conclusão.

Dimensão 4 – Marcadores coesivos: essa dimensão visa avaliar se as sentenças contidas em cada estrutura esquemática estão coesas, isto é, contém uma relação lógica/coerente estabelecida entre elas. Essa coesão pode se dar por meio de marcadores discursivos, referências pronominais e re-introdução de nomes. O valor Alto é então atribuído se uma dada sentença constitutiva de uma estrutura esquemática estabelece uma relação com pelo menos uma outra sentença da mesma estrutura esquemática. Caso contrário o valor atribuído é Baixo. Se um dado componente possui apenas uma sentença, o valor a ser atribuído é Padrão

(ou N/A, isto é, “não-aplicável”). A seguir são apresentados exemplos de coesão de cada elemento lingüístico citado acima:

- Coesão por marcador discursivo: “Catalase decreased the rate of cysteine oxidation, but the sensitivity to iron was similar in the presence and absence of catalase”. Uma lista com exemplos de marcadores discursivos pode ser consultada no Apêndice 3. (Exemplo retirado do SciPo-Farmácia).

“Dogma dictates that the lethal blow is delivered to microbes by reactive oxygen species (ROS) and halogens, products of the NADPH oxidase, whose impairment causes immunodeficiency. However, recent evidence indicates that the microbes might be killed by proteases, activated by the oxidase through the generation of a hypertonic, K+ rich and alkaline environment in the phagocytic vacuole”. (Exemplo retirado do SciPo-Farmácia). - Coesão por referência pronominal: “In contrast, SAA was not a ligand or agonist for FPR, the high affinity fMLP receptor. Thus, it is the first chemotactic ligand identified for FPRL1”. (Exemplo adaptado do SciPo-Farmácia).

- Coesão por re-introdução de nomes: “In contrast, SAA was not a ligand or agonist for FPR, the high affinity fMLP receptor. Thus, SAA is the first chemotactic ligand identified for FPRL1”. (Exemplo adaptado do SciPo-Farmácia).

Dimensão 5 – Erros técnicos/gramaticais: esse critério tem como motivação identificar possíveis erros técnicos cometidos por brasileiros em geral na escrita de abstratcs. Dessa maneira, é uma rubrica interessante para ser utilizada por professores que queiram desenvolver uma lista de critérios para o julgamento de um texto produzido por um aluno. Mas isso não descarta a possibilidade de se usar todos ou apenas alguns deles para se avaliar a adequação de um resumo a ser inserido na base de casos de um ambiente de auxílio à escrita gerado com nosso CECARL.

Como essa dimensão foi elaborada para explorar a natureza dos erros técnicos comumente cometidos por brasileiros e para encontrar um meio de auxiliar esses alunos a corrigi-los, Genoves et al (2007) analisaram13 114 abstracts provenientes de alunos de áreas como Farmácia, Química, Biologia/Genética, Física e Ciências da Computação.

A Tabela 4.5 apresenta os erros apontados pelo estudo realizado, que são divididos em uso lexical, precisão sintática e correção mecânica.

13

Tipos de erros Correção mecânica P Pontuação CAP Capitalização SP Ortografia Uso Lexical

WU Uso incorreto de uma palavra para expressar um significado pretendido WUCol Uso incorreto de itens lexicais e colocações recorrentes

WF Uso incorreto de formas como (this/these, that/those e pronomes possessivos ou não)

Precisão sintática

ART substituição de um artigo por outro (definido versus indefinido) ART – ausência de um artigo necessário em Inglês

ART+ Presença de um artigo não necessário em Inglês

WO_NP Ordem incorreta das palavras em sintagmas nominais complexos WO_ADJ Ordem incorreta no emprego de adjetivos

WO_S Ordem incorreta do sujeito contido na cláusula principal WO Ordem incorreta da palavra

S+VO Sujeito extra

S-VO Sujeito ausente

SV-O Verbo ausente

POS Classe gramatical

VU Erro no uso do tempo verbal VF Erro na forma do verbo

SVA Erro na concordância entre verbo e sujeito S/PL Erro no uso de substantivo no singular ou plural S/PL_ADJ Usar forma plural para um adjetivo

PORT Utilização de uma palavra da língua portuguesa na escrita em inglês

Tabela 4.5: Tabela traduzida de Genoves et al (2007) sobre a categorização de erros técnicos.

A Tabela 4.6 apresenta os seis erros mais comuns levantadas por esse mesmo estudo.

Erros mais comuns cometidos por estudantes brasileiros %

WU (Uso incorreto de uma palavra para expressar um significado pretendido) 25.8

ART- (Ausência de um artigo necessário em Inglês) 13.4

P (Pontuação) 8.6

SP (Ortografia) 7.6

WUCol (Uso incorreto de itens lexicais e colocações recorrentes) 5.7

ART+ (Presença de um artigo não necessário em Inglês) 4.9

Tabela 4.6: Erros mais comuns cometidos por estudantes brasileiros segundo estudo realizado por Genoves et al (2007).

O valor Baixo é atribuído se a sentença possui pelo menos um erro da Tabela 4.6 e recebe em contrapartida o valor Alto se não houver nenhum dos erros da Tabela 4.6.

Dimensão 6 – Estilo: esse critério, como seu próprio nome indica, visa averiguar o estilo de um texto científico, seja ele resumo, ou qualquer outra das seções contidas em um artigo científico. Dessa maneira, é esperado pela comunidade acadêmica de qualquer área que não haja um estilo coloquial presente na escrita, mas sim expressões lingüísticas características do

gênero científico. O valor Alto é atribuído se há ausência de indicadores estilo coloquial/pessoal, por exemplo, I, my, me, frankly, by the way, de enfáticos (a lot, for sure, really), de partículas discursivas de início de sentenças como well, now, anyway, de sentenças do tipo I mean, I think, I assume, sort of, kind of, you know. Caso contrário, o valor atribuído é Baixo.

Dimensão 7 – Informação Factual: embora haja autores cuja preferência seja a produção de artigos científicos indicativos, a comunidade acadêmica espera encontrar resumos informativos. Resumos indicativos não dispensam a leitura do artigo científico do qual faz parte, pois descreve apenas a natureza, a forma e o propósito do trabalho. Já o resumo informativo contém as principais informações do trabalho apresentado ao longo do artigo, dispensando assim, se desejável, a leitura do texto completo para se saber qual assunto é nele abordado. Dessa maneira, resumos indicativos acabam sendo interpretados como simples ponteiros do conteúdo a ser tratado em todo o artigo e não como um ponto que apresente de forma sucinta as principais informações que serão tratadas com mais detalhes ao longo do artigo científico do qual o resumo faz parte.

A seguir, são apresentados exemplos de cada um dos tipos de resumos citados. Esses exemplos foram retirados do centro de pesquisa jurídica Sílvia Mota, acessível pelo endereço http://www.silviamota.com.br/direito/artigos/resumo.htm.

- Exemplo de Resumo Indicativo: ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 184 p.

Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam erigir uma gramática do texto, uma teoria do texto. São objetos de seu estudo a coesão, o clichê, a frase feita, o ‘não-texto’ e o discurso indefinido. Parte de conjecturas e indagações, apresenta os critérios para a análise, o candidato, o texto e farta exemplificação.

- Exemplo de Resumo Informativo: ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 184 p.

Examina 1500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de vestibulandos pela

oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise na linguagem e, através do estudo, estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental der seus produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a carência

de nexos, de continuidade e quantidade de informações, ausência de originalidade. Também foram objeto de análise condições externas como família, escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de coesão. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que 34,85 dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos termos relacionais: 16,95 apresentam problemas de contradições lógicas evidentes. A redundância ocorreu em 15,25 dos textos. O uso excessivo de clichês e frases feitas aparece em 69,05 dos textos. Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem criativa. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas, pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade, valorizando o devaneio.

Uma sentença receberá o valor Alto se for observado material informativo nas estruturas esquemáticas “Resultados Principais” e em sentenças de Conclusão, a ponto de o leitor não precisar recorrer ao texto todo para obter as informações que deveriam estar contidas nesses dois componentes, informações estas específicas do estudo desenvolvido.

Depois de apresentado esse conjunto de critérios que poderão servir como ponto de partida para o usuário do CECARL gerar um conjunto personalizado para a área em foco da seção de artigo científico que queira avaliar será apresentado o conteúdo da próxima etapa do processo citado, a Etapa E3. Essa trata de outro tipo de recurso lingüístico possível de ser identificado nas seções de artigos científicos, os marcadores discursivos.

4.9 Etapa de Anotação Automática de Marcadores Discursivos e Expressões