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1.5. Yiyecek-Đçecek Đşletmeleri

1.5.5 Yiyecek Đçecek Đşletmelerinin Sınıflandırılması:

172 Obras em Prosa, Ed.cit., p. 557. 173 Obra Poética, Ed.cit,. p. 192.

outro feitio de passarem pelas ruas e de se debruçarem das janelas... Cada hora ele construía em sonho essa falsa pátria, e ele nunca deixava de sonhar...175

Pessoa ele mesmo escreveu: “o maior poeta da época moderna será o que tiver mais capacidade de sonho”176.

A sonhar o deixaremos, como no “túmulo de Christian Rosencreuts: Ah! Mas aqui, onde irreais erramos,

Dormimos o que somos, e a verdade, Inda que enfim em sonhos a vejamos, Vemo-la, porque em sonho, em falsidade177.

Despertos que estamos, nós, nesta vigília cívica e poética, deste lado da morte, da vida, apenas nos resta cumprir a divisa que nos legou para a eternidade:

Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos – a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania178.

Anexo # 13

III MANIFESTO POR UMA “NOVA RENASCENÇA”

REVISTA NOVA RENASCENÇA, vol. VI, n. 21 – Inverno de 1986

Somos Portugueses que escrevem para a Europa, para toda a civilização.

FERNANDO PESSOA

São passados e cumpridos já mais de cinco anos sobre o lançamento do nosso primeiro Manifesto ‘Por uma Nova Renascença’ e da revista que corporizou um projeto cultural gerado no Porto e no Norte, mas cuja irradiação nacional e internacional se tornou um facto. Como o reiteramos num segundo Manifesto, publicado em 1982, quisemos que ele ‘correspondesse às exigências cívicas e éticas de enfrentar uma crise de identidade’, por cuja superação sempre lutamos, “buscando nas raízes originárias de uma pátria hoje dispersa pelo mundo, mas que tarda a reencontrar-se a si mesma após a perda de um império secular, as reservas de energia criadora que nos permitissem sair de uma letargia alimentada pelo imobilismo de um Estado centralizado e decadente”.

A essa decadência contrapúnhamos e contrapomos nós, ao aproximar-se o fim deste século, a esperança numa outra ‘Renascença Portuguesa’, como a que no seu dealbar sonhou uma geração confiante nas promessas da República, que as realidades e as vicissitudes da vida política

175 “O Marinheiro”, in Obra Poética, ec.cit., p. 613.

176 Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Ed.cit., p. 157. 177 Obra Poética, Ed.cit., p. 125.

infelizmente não confirmaram, dando lugar a um regime ditatorial de que só recentemente nos libertamos. Isso se deveu, pensamos, à falta de uma consciência cultural das nossas classes dirigentes, incapazes de compreender que é na simbiose dos valores civilizacionais da tradição e da modernidade, do enraizamento e da errância, que reside a maneira de Portugal ser e estar na Europa e no mundo, com independência e liberdade.

Passado o que foi um período difícil de confusão ideológica e de tentações totalitárias, que se seguiu à reinstauração da Democracia, devido à abdicação de princípios por parte de tantos que cederam às alienações e facilidades da conjuntura, tornava-se necessário redespertar os Portugueses para aqueles valores fundamentais, nas nossas novas condições históricas. A essa tarefa metemos ombros, sem alardes nem fogos-fátuos, certos de que o trabalho discreto e a razão serena seriam suficientes para mobilizar vontades e abrir caminhos para o futuro. Nos domínios complementares da criação e do pensamento, do saber e do fazer, pluralmente assumidos, algumas clareiras se rasgaram: desde a poesia e as artes às ciências exatas e humanas, em particular as da linguagem, da comunicação e da significação, numa interdisciplinaridade fecunda e num polílogo permanente.

O apoio das forças vivas da cidade e da região, do País interior e da Diáspora, onde a nossa mensagem chegou, permitiu-nos não só sobreviver mas alicerçar a nossa implantação e assegurar a nossa expansão progressiva. É tempo, pois, de darmos mais um passo em frente, que coincide com a adesão de Portugal às Comunidades Européias. Nesse horizonte comunitário situamos desde o início o destino próximo dos Portugueses, “sem perda da sua identidade nem abandono da sua missão de povo que, do Ocidente ao Oriente e do Oriente ao Ocidente, ligou civilizações e disseminou uma língua múltipla”. Para lá das dimensões política e econômica da integração, consideramos que ela deve ter antes de mais uma dimensão cultural, para a qual poderemos dar um contributo importante, com a nossa personalidade própria e enquanto mediadores universais.

Para que não se trate de uma mera veleidade nem de uma simples proclamação retórica, decidimos assim que, a partir de 1986, ano do nosso ingresso nas Comunidades, a ‘Nova Renascença’ passe a inserir, numa nova série que com o seu n. 21 se inicia, colaboração tanto em língua portuguesa como nas outras línguas européias, quer nacionais quer regionais, generalizando uma prática que aliás já se ensaiou com êxito na 1ª série, através da colaboração de escritores, intelectuais e cientistas de vários países onde a revista se tornou conhecida. Pensamos que, como vem sendo insistentemente afirmado em simpósios, colóquios e publicações de âmbito comunitário, é o plurilingüismo uma das riquezas culturais mais importantes da Europa, que lhe permitiu um contato múltiplo com as outras civilizações, para o qual Portugal deu uma contribuição decisiva. Na nova fase da vida portuguesa em que vamos entrar, a ‘Nova Renascença’ prosseguirá, como até aqui, a sua missão, agora numa perspectiva mais alargada, sem transigências nem complacências, estimulando o diálogo e a tolerância, voltada para a modernização autêntica e para a qualidade intelectual, através da valorização da criatividade, da imaginação e da investigação séria, a um nível não apenas nacional mas europeu e universal. Para nos darmos a conhecer melhor aos outros, começando por nos conhecer a nós mesmos, se isolacionismos nem proteccionismos deletérios, sem complexos de inferioridade ou superioridade narcísicos, mas simplesmente com a nossa presença natural de Portugueses que somos e queremos continuar a ser, teremos de aprender a conviver quotidianamente num espaço cultural europeu que volta a ser a nossa pátria comum no mundo.

Se formos capazes de assumir-nos como “Portugueses que escrevem para a Europa, para toda a civilização”, como dizia Fernando Pessoa, então, como ele também profetizou, “terá começado a dilatação da alma européia que representa uma Nova Renascença”.

Porto, 31 de Janeiro de 1986.

Anexo # 14

TEXTO “FERNANDO PESSOA E A LÍNGUA DE BABEL” de JOSÉ AUGUSTO SEABRA