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2.7. Yiyecek-Đçecek Đşletmeleri Đşgören Eğitimi

2.7.1. Turizm Eğitimi,Tanım, Önemi ve Gereği

2) “HOMENAGEM DA NOVA RENASCENÇA A SAMPAIO BRUNO” REVISTA NOVA RENASCENÇA, vol. XV, n. 59 – Outono de 1995

A “Nova Renascença” e a política cultural

Ao longo de mais de uma década, desde que foi fundada, em 1980, como uma associação cultural independente, a Nova Renascença assumiu, no contexto do processo democrático português, uma atitude livremente empenhada nas grandes questões da nossa vida cívica. Oriunda de um sector de intelectuais de espírito pluralista e dialogante, que a partir do Porto e do Norte, na linha de uma renovação e actualização dos valores herdados da “Renascença Portuguesa”, lançaram uma revista aberta aos mais diversos domínios – literários, artísticos, científicos – da criação e do pensamento contemporâneo, tanto no plano nacional como internacional, ela tem-se mantido sempre acima de querelas sectárias, defendendo uma postura tolerante, em que possam convergir todos quantos tenham uma postura a dizer ou uma obra a perfazer, universalmente projectadas, sem fronteiras.

Por isso mesmo, a Nova Renascença, nunca pôde deixar de rejeitar e de repudiar toda e qualquer forma ou veleidade de dirigismo cultural, bem como de prepotência e arrogância política, de que acabamos de ter um triste exemplo nos últimos anos, como já tivemos num passado mais ou menos recente.

É, pois, com grande expectativa e esperança que a Nova Renascença vem seguindo a viragem em curso na nossa vida pública, por vontade democrática da maioria do povo português, aguardando uma mudança profunda dos métodos de governação, nomeadamente no que à cultura respeita, tanto mais que ela foi considerada, com a educação, uma das prioridades nacionais.

Em primeiro lugar, impõe-se o respeito estrito da liberdade e da autonomia dos sujeitos culturais, sem qualquer tipo, directo ou indirecto, de dirigismo, de proteccionismo ou de exclusão, dentro do princípio constitucional segundo o qual “o Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, ideológicas ou religiosas”.

Em seguida, espera-se que todas as formas de clientelismo e de corrupção, que até aqui afectavam as atividades culturais patrocinadas, apoiadas ou financiadas pelo Estado, sejam rigorosamente abolidas, moralizando-se a gestão administrativa das instituições públicas implicadas nas áreas de competência do Ministério da Cultura.

Enfim, confia-se em que uma política baseada numa cultura democrática autêntica atenda sobretudo à criação de condições propícias a que a comunidade intelectual portuguesa exerça com a plenitude possível as suas potencialidades, suscitando um confronto vivo e estimulante das idéias, bem como a livre iniciativa de projectos culturais diversificados, num clima de emulação pluralista, em que a qualidade e o mérito se substituam ao falso prestígio e à promoção desenfreada de grupos ou de pessoas, como vem sendo pecha corrente.

A Nova Renascença velará, quanto a ela, com atenção cuidada e com sentido crítico alerta, pelo cumprimento das linhas fundamentais de programa cultural apresentado ao país, em cuja concretização se propõe sinceramente cooperar com empenhamento, sem deixar de manter a sua isenção e independência.

Tanto no que respeita à defesa da nossa identidade e do nosso patrimônio cultural, como à promoção da leitura e do livro, ao apoio às diferentes modalidades de criação cultural, às relações culturais externas e a tantos outros domínios, é de facto urgente uma nova política democrática. Mas o essencial é que não voltem a repetir-se métodos (e perversões) como as que recentemente conhecemos. A Nova Renascença espera que a moralização da nossa vida cultural, no quadro dos direitos e das liberdades fundamentais, anuncie, sem complacências nem transigências, uma nova fase da nossa vida cívica, num clima de diálogo e de independência dos sujeitos criadores e de todos os cidadãos.

A “NOVA RENASCENÇA”

Homenagem da “Nova Renascença” a Sampaio Bruno

Como já o fez para com outros vultos precursores do seu projecto cultural, a Nova

Renascença dedica este número a uma figura fulcral do pensamento filosófico e político do nosso

país e da nossa cidade, na viragem do século passado e no advento do actual: Sampaio Bruno. O autor de A Idéia de Deus foi, na verdade, além de um dos principais mentores do ideário republicano, a que se entregou plenamente, com o 31 de Janeiro, tendo-se então exilado em Paris, um exemplo ímpar de independência de espírito, que o conduziu a assumir posições heterodoxas, tanto no plano ideológico como religioso, produzindo uma obra de reflexão e de erudição que incidiu sobre todos os grandes problemas nacionais e internacionais da sua época, sem deixar de ter uma dimensão profética, cujas repercussões foram largas, na linha de uma certa tradição portuguesa e patriótica, mas com alcance universalista.

Para dar uma visão espectral e multifacetada da personalidade complexa de Bruno, foram convidados a colaborar neste número os participantes num colóquio que teve lugar no Centro UNESCO do Porto, por iniciativa de dois membros eminentes do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, o malogrado Professor Francisco da Gama Caeiro, a cuja memória a Nova Renascença presta peito, e o Dr. Antonio Braz Teixeira, a quem se deve a organização desta coletânea de comunicações, a que se juntaram algumas outras supervenientes, e a quem a nossa revista fica por isso muito grata.

A exemplo d’A Águia, que em 1915, no seu número 48, aquando da morte de Bruno, lhe consagrou um número especial, a Nova Renascença reúne aqui novos contributos qualificados para o conhecimento da sua vida e da sua obra profundas, densas e irradiantes. Desde as suas primeiras posições e intervenções filosóficas e culturais até aos seus livros de maturidade, de teor ontológico, metafísico, teodiceico ou político, incluindo os estudos que dedicou à literatura, à música e incidentalmente a outras artes, são abordados neste número quase todos os domínios onde a inquietação intelectual do grande pensador e homem público deixou a sua marca, caracterizada essencialmente pela liberdade radical, como busca incessante e como sentido permanente do pensar, do sentir e do agir, tanto na vida íntima como na polis.

É preciso que num país que, segundo Bruno, não é propenso à especulação filosófica, sendo vítima de uma mentalidade retrógrada e inquisitorial, as jovens gerações redespertem para o conhecimento daqueles que procuraram, rompendo as barragens de todos os poderes autoritários, lutar contra um atavismo alienante. Agora que se vai revelando toda a extensão da incultura e da deseducação que nos têm nos últimos tempos (des)governado, chegou a hora de valorizar alguns dos paradigmas da nossa autentica cultura democrática, tal o autor de livros tão importantes como

Análise da Crença Cristã, A Geração Nova, Notas do Exílio, A Idéia de Deus, O Encoberto, Os Cavaleiros do Amor e tantos outros, sem esquecer, o Manifesto dos Emigrados da Revolução Republicana Portuguesa do 31 de Janeiro de 1891, que ficou a assinalar indelevelmente o heroísmo

e o patriotismo dos republicanos do Porto.

Enquanto a nossa cidade e o nosso país não prestam a Bruno a grande homenagem nacional que merece, a Nova Renascença rende-lhe, com este número, a justiça intelectual de que é digno, como o fez no seu tempo a Renascença Portuguesa.

Ao Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, que nos deu a honra de colaborar com a nossa revista, os nossos agradecimentos renovados e o nosso incentivo a que prossiga, dos dois lados do Atlântico, uma cooperação cultural fraterna, dentro do espírito que Bruno em O Brasil Mental propugnou, e que tão necessária é hoje para superar ressentimentos e desentendimentos negativos e estéreis, que só povoam mentes e mentalidades tacanhas e medíocres, quando se impõe, antes, com elevação e grande exigência intelectual, construirmos juntos, com outros povos irmãos, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

A “NOVA RENASCENÇA”

Anexo # 30

EDITORIAL “TEIXEIRA DE PASCOAES E O ESPÍRITO RENASCENTE”

REVISTA NOVA RENASCENÇA, vol. XVII, n. 64/65/66 – Inverno / Primavera / Verão de 1997

Teixeira de Pascoaes e o espírito renascente

“Portugal não caminhará para a frente sem se apoderar primeiro do seu espírito; distante dele, seria um corpo adormecido e parado”. (Teixeira

de Pascoaes)

É em tempos de indigência espiritual que as reservas culturais de um povo, guardadas no seu íntimo, lhe permitem renascer de novo de si mesmo, do fundo de uma qualquer decadência. Essas reservas não podem ser dilapidadas pelos que apenas sabem gerir, como agora se diz, uma mediocridade rasa e sem alma. Elas devem ser, sim, o fermento de uma ressurreição para os que

souberam preservar, face à degenerescência circundante, as energias criadoras, redespertadas para os valores matriciais da comunidade, isto é, para o espírito que na sua diversidade lhes é comum.

Por isso se tornam hoje preciosas as manifestações de fidelidade à memória de quantos encarnaram, em momentos críticos da vida nacional, esse espírito renascente. E isso tanto mais quanto se trate não de uma postura apologética, provinda de um poder ou de uma ortodoxia, mas sim de uma atitude livre e independente de reconhecimento pelos que, nas suas idéias e nas suas obras, foram porventura incômodos para a doxa dominante na sua época.

Neste horizonte, ficar-se-á a dever à Universidade católica Portuguesa uma iniciativa que a honra e honra a sua missão, ao promover a celebração de uma figura como a de Teixeira de Pascoaes, que, na sua profunda espiritualidade, ao Catolicismo não era afecta, mas atingiu, pela autenticidade e pela altura do seu vôo poético, as culminâncias de uma experiência de religiosidade que continua a interpelar a consciência adormecida de muitos católicos acomodados. O colóquio que, em Janeiro de 1995 no quadro da Faculdade de Teologia teve lugar, e de que publicamos aqui as Actas, foi uma ocasião única de estudar, nas suas múltiplas e complexas facetas, a personalidade do poeta do Saudosismo, que foi o mentor emblemático de um movimento cultural e cívico de grande alcance nacional e universal, que na nossa cidade irradiou: a Renascença Portuguesa. O debate acerca do autor de Marânus foi sem dúvida enriquecido pelo facto de, além da vertente poética da sua obra multímoda, aí terem sido abordadas as suas incidências filosóficas, religiosas e espirituais, numa interdisciplinaridade de perspectivas que iluminou muitos aspectos não só da sua idiossincrasia intelectual mas das suas relações com o conjunto da sua geração e com as grandes tendências do pensamento, da literatura e da arte, na viragem do século passado para o actual.

O projecto mitopoético de Pascoaes nem sempre tem sido devidamente valorizado e compreendido, devido a preconceitos ideológicos tenazes. As interpretações do Saudosismo são em geral redutoras e parciais, não se querendo ver nele um movimento em que a poesia se ergue à dimensão de uma espiritualidade aberta, tanto na sua matriz religiosa como patriótica, ao mesmo tempo enraizada e de alcance universalista. Impõe-se, pois, restituir-lhe o seu sentido mais largo, relendo-o a uma nova luz.

Logo no texto liminar de apresentação da Renascença Portuguesa na 2ª série d’A Águia, Pascoaes defendia uma visão abrangente do seu ideário, caracterizada essencialmente pela tolerância: “por mais diferentes que sejam as nossas idéias, sob o ponto de vista religioso, filosófico ou artístico, poder-nos-emos sempre entender, porque há um lugar em que todos os princípios e idéias fraternizam”. Noutro texto superveniente, ele respondia assim aos que não compreendiam o seu pensamento, disponível ao pluralismo das idéias e das sensibilidades: “eu jamais afirmei que as concepções estética, filosófica ou religiosa compreendidas na saudade sejam absolutas, verdadeiras, definitivas. Seria contraditório com a própria essência do nosso divino sentimento”.

Esse “divino sentimento” era o de uma espiritualidade livre e criadora. Se no Saudosismo português ela se afirmava, para Pascoaes, como uma síntese do Paganismo e do Cristianismo, cujos elementos mitopoeticamente se fundem nas figuras de Jesus e Pã, o poeta concebia-o como uma forma específica de religiosidade nacional, mas ao lado da de outros povos de que é civilizacionalmente herdeira: “Adoremos o espírito, o nosso belo espírito, implantemo-lo na nossa terra, que é santa porque gerou a saudade, como os desertos trovejantes da Palestina criaram Jeová, e os viçosos, harmoniosos vales gregos, criaram Orfeu e Apolo”.

É certo que Pascoaes concebeu, como forma de ritualização da religiosidade saudosista, uma “Igreja Lusitana”, diferente da Católica. Mas isso porque no Catolicismo Ibérico – segundo ele mais espanhol do que português – as fogueiras inquisitoriais “tentaram queimar para sempre esse espírito original, criador e livre, não católico nem romano”, que era o do nosso Cristianismo. No entanto, Pascoaes fazia questão de afirmar: “eu não odeio o Catolicismo, como não odeio nenhuma religião. Todas representam formas, mais ou menos imperfeitas, de uma viva tendência eterna e superior da alma humana”. Afirmação que se opunha a qualquer tipo de integrismo ou de nacionalismo lusitano.

Como se sabe, diferentemente de Pascoaes, Leonardo Coimbra, cujo Criacionismo foi o correspondente filosófico do Saudosismo poético, evoluiu na sua longa marcha espiritual para a conversão ao Catolicismo. Ele separou-se do autor de São Paulo e de Regresso ao Paraíso pela recaída constante deste num paganismo panteísta, enquanto o seu era o “caminho de Cristo”, tendo sempre como horizonte a Ressurreição, através do Amor universal. A religiosidade dos homens da Renascença Portuguesa era na verdade múltipla: Jaime Cortesão, quanto a ele, assumiu um “misticismo naturalista”, de inspiração franciscana, a que se manteve fiel até à morte. Essa religiosidade era, numa palavra, antidogmática, contrária a qualquer fanatismo ou ortodoxia.

Foi por não ter sabido dialogar com esses espíritos livres que a Igreja Católica, como o reconheceu D. António Ferreira Gomes, cometeu para com eles no passado vários erros e injustiças. Mas hoje ela redime-se disso com honra e dignidade espiritual, ao celebrar em Pascoaes o poeta religioso e livre, que assim rezava ao Espírito Divino:

“Orar, é a gente ver a Deus em si

E ver-se a gente em Deus. Nessa visão, Homens da terra, os olhos consumi! A esse fogo deitai o coração!