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Yetkinlik Bazlı Sitemi Güçlendirmek

8. YENİ BİR MODEL KURARKEN DİKKAT EDİLMESİ GEREKEN

8.5 Yetkinlik Bazlı Sitemi Güçlendirmek

Lembro-me de minha infância e de todas as vezes que ouvi meu pai dizer a respeito da dependência da bebida alcoólica e o mal que esta causava na vida dos homens e mulheres. Acompanhei meu pai por alguns lugares aonde ele, como

36 Paul Johannes Oskar Tillich nasceu em 20 de agosto de 1886 em Starzeddel na Prússia Oriental. Estudou

sucessivamente a filosofia e a teologia em Berlin, Tübingen e Halle, sendo contemporâneo de Karl Barth e Rudolf Bultmann. Suas teses foram dedicadas à filosofia religiosa de Schelling. Ordenado pastor em 1912, participou da Primeira Guerra Mundial como capelão de guerra. Até 1933 lecionou em Berlin, Marburg, Dresden, Leipzig e Frankfurt, onde sucedeu a Max Scheler em 1929.

37 Etienne HIGUET, in http://www.metodista.br/ppc/correlatio/correlatio07 consultado em 12 de dezembro de

representante de AA, ia com a finalidade de iniciar um grupo de AA. Uma dessas viagens apresento para ilustrar o diálogo com a dependência do álcool.

Na década de setenta, ainda com nove anos de idade, fui levado por meu pai a um povoado chamado Marinhos, próximo a cidade de Moeda-MG. Era uma comunidade de pouco mais de mil habitantes, cuja atenção e o cuidado social estavam a cargo da comunidade católica romana, através de uma irmandade que nos dias de hoje possivelmente fosse denominada de pastoral comunitária ou algo semelhante. Acompanhados pela responsável por aquela iniciativa, fomos até a sala onde posteriormente iria funcionar a Sala do AA.

Meu pai organizou as cadeiras e colocou sobre a mesa toda a literatura que havia levado para apresentar aqueles/as que viriam para participar da reunião, inclusive uma placa em acrílico escrita: “Evite o primeiro gole”.

Meu pai iniciou a reunião seguindo a literatura do AA e convidou os presentes para acompanharem a Oração da Serenidade como segue: “Concedei-nos Senhor a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras”. Após um breve comentário sobre a oração, ele passou a testemunhar sobre sua vida e sua condição de alcoólatra e todo o mal que havia sofrido por causa da bebida.

Por ser a primeira reunião e o grupo ali presente vivenciava tudo pela primeira vez, passou a falar sobre a história do AA, sobre os fundadores Bill e Bob. Apresentou a literatura que norteia as reuniões, o famoso Livro Azul, Livro dos Doze Passos e das Doze Tradições. Ia mostrando cada livro e reforçava a importância de conhecer plenamente todo aquele material. Na sequência, o padre que assistia aquela comunidade, teve a oportunidade de abençoar a sala e acolher aos que mostraram desejo de ingressarem na irmandade e encerrou a reunião convidando a todos/as para que em pé acompanhassem novamente a oração da serenidade.

Ficamos naquele local por quatro dias e durante estes dias meu pai dirigiu quatro reuniões, realizou várias visitas e acompanhou o ingresso de vários homens e mulheres naquele grupo que acabara de nascer.

Isto tudo aconteceu provavelmente quando o meu pai já alcançava aproximados sete anos de sobriedade, e já tinha a sua história pregressa como alcoolista em recuperação para contar e compartilhar com todos e todas, que como ele, vinham sofrendo do mal que a dependência proporcionava.

Com este tempo no AA, meu pai já havia passado por todos os passos da recuperação, os famosos Doze Passos38, já havia admitido sua impotência perante o álcool. Tinha retomado sua fé em Deus e a partir disto buscava viver a Sua vontade. Tinha desenvolvido um inventário moral, pediu perdão por suas faltas e por todo o mal que causou sob os efeitos do álcool, permitindo a Deus remover todos os seus defeitos de caráter. Buscava em Deus o livramento para suas imperfeições. Tinha consigo claramente a relação de todas as pessoas que havia prejudicado e se dispôs a reparar os danos causados. Voltava sempre ao seu inventário e se necessário retificava-o, sempre mantendo um contato contínuo com Deus através das orações. Respeitar incondicionalmente a vontade de Deus em sua vida era uma preocupação constante. Desta forma estava cumprindo o décimo segundo passo que afirma, “tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procura transmitir esta mensagem aos alcoólatras e praticar estes princípios em todas as suas atividades”.39

Testemunhar a mudança, levar a outros a resposta que um dia recebera é o ponto de apoio na vida dos que sofriam o mesmo mal, é o resultado da experiência vivenciada a partir do diálogo, aonde o amor, a humildade e a fé no homem, viessem a proporcionar a confiança e o restauro da esperança. Isto porque esta se perdeu num determinado momento. Jung Mo Sung diz que:

“Quem não tem esperança de nada, não pode conhecer nada de novo, pois está fechado no que existe e não se abre para nenhuma novidade. Quem tem esperança deseja algo que ainda não existe e, por isso, é capaz de ver as insuficiências do mundo e as sementes do novo que estão germinando. Ao mesmo tempo, o conhecimento dos limites, das carências e das possibilidade do mundo atual fortalece a esperança de um mundo que supere em todo ou em parte esses limites e problemas e mostre os caminhos do novo que está brotando e florescendo. Por isso, é importante conhecermos as características fundamentais do mundo em que vivemos hoje, para que esse conhecimento marcado pela esperança alimente a nossa esperança” (SUNG, 2005, P:29).

A experiência vivenciada por aquele/a que sofre a Síndrome da Dependência do Álcool é na verdade, aquela que altera significativamente o curso de sua vida.

38 O Programa de Doze Passos (twelve-step program) foi criado nos Estados Unidos em 1935 por William

Griffith e Doutor "Bob" Smith, inicialmente para o tratamento de alcoolismo e mais tarde estendido para praticamente todos os tipos de tratamento de dependência química. Trata-se da estratégia central da grande maioria dos grupos de autoajuda para o tratamento de dependências químicas ou compulsões, sendo mais conhecidos no Brasil os Alcoólicos Anônimos, grupos relacionados como Al-Anon/Alateen, voltados às famílias de alcoólatras e Narcóticos Anônimos. Consultado em 16 de julho de 2009

http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_de_12_passos

Proporciona mudanças, bem como a possibilidade de mudanças tanto na vida social quanto na vida interior da pessoa. Pode também desenvolver experiências transcendentais como a sensação de estar sob o cuidado de Deus tanto na vida pessoal quando na vida do grupo de convivência.

Para Paul Ricoeur, toda palavra tem seu significado não só em si mesma, mas também no efeito que ela proporciona no leitor ou ouvinte, interferindo, influenciando e alterando suas emoções e promovendo novo comportamento ou ações.

Desta forma, fica evidente que o alcoolista quando abordado por uma pessoa sóbria tende a se defender através das palavras, assim como aquele/a que o aborta também tenta o convencer através das palavras. Ricoeur chega a dizer que a palavra tem o poder transformador que faz com que o caído se levante. Em suas palavras: “Cuando nace la palabra, las cosas se transforman em lo que ellas son y El hombre se pone de pie” (RICOEUR, 1968, p:159).

As duas dimensões da palavra para Paulo Freire; ação e reflexão, que se interelacionam mutuamente, ou seja, a dimensão da ação na palavra sem a reflexão é um ativismo e, a dimensão da reflexão na palavra sem a ação é transformado em “palavreria, um verbalismo, ou blábláblá”. O diálogo somente acontece sob a “palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o mundo, [...] por isto, ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra aos demais” (FREIRE, 1987, p:44).

Considerando todo o contexto contemplado e em face de tudo que foi salientado, é possível dizer que a palavra, adquirindo o verdadeiro significado para o qual foi dita, quer seja por quem a proferiu ou por quem a ouviu, cria a oportunidade e abre portas diante do novo, aquilo que era até então desconhecido vem à tona e a possibilidade de ampliar diferentes e novos horizontes fica estabelecida, dando ânimo e esperança a quem já não via a luz no fim do túnel.

A base para todo o processo de compartilhar nas salas de AA é, sem dúvida nenhuma, é o desenvolvimento dos Doze Passos, neles são incentivados os caminhos para as reparações dos erros cometidos, a meditação praticada em grupo ou individualmente. A história pessoal do alcoólico, antes e depois da recuperação, evidencia três ideias pertinentes:

(b) Que provavelmente nenhum poder humano teria conseguido aliviar o seu alcoolismo.

(c) Que Deus poderia e o faria se Ele fosse procurado.

A relação plena com Deus ou como dizem os AAs, o Poder Superior, é o princípio básico para que o alcoolista possa desenvolver o programa dos Doze Passos. Sendo assim há necessidade de um encontro com Deus e a necessidade da conversão segundo William James que afirma:

converter-se é regenerar-se, receber a graça, sentir a religião, obter uma graça, são tantas outras expressões que denotam o processo, gradual ou repentino, por cujo intermédio um eu até então dividido, e conscientemente errado, inferior e infeliz, se torna unificado e conscientemente certo, superior e feliz, em conseqüência de seu domínio mais firme das realidades religiosas. Isto, pelo menos, é o que significa a conversão em termos gerais, quer acreditemos quer não, que se faz mister uma operação divina direta para produzir uma mudança natural dessa ordem (JAMES, 1995, p. 126).

Voltar-se a Deus e entregar-se completamente à Sua vontade é o ponto de partida para o programa de recuperação dos Doze Passos como segue:

1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que as nossas vidas se tinham tornado ingovernáveis.

2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos nos poderia restituir a sanidade.

3. Decidimos entregar a nossa vontade e a nossa vida aos cuidados de Deus, como O concebíamos.

4. Fizemos, sem medo, um minucioso inventário moral de nós mesmos. 5. Admitimos perante Deus, perante nós próprios e perante outro ser

humano a natureza exata dos nossos erros.

6. Dispusemo-nos inteiramente a aceitar que Deus nos libertasse de todos estes defeitos de caráter.

7. Humildemente Lhe pedimos que nos livrasse das nossas imperfeições. 8. Fizemos uma lista de todas as pessoas a quem tínhamos causado danos

e dispusemo-nos a fazer reparações a todas elas.

9. Fizemos reparações diretas a tais pessoas sempre que possível, exceto quando fazê-lo implicasse prejudicá-las ou a outras.

10. Continuamos a fazer o inventário pessoal e quando estávamos errados admitíamo-lo imediatamente.

11. Procuramos através da oração e da meditação melhorar o nosso contacto consciente com Deus, como O concebíamos, pedindo apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a nós e a força para a realizar. 12. Tendo tido um despertar espiritual como resultado destes passos, procuramos levar esta mensagem a outros alcoólicos e praticar estes princípios em todos os aspectos da nossa vida (JUNAAB, 2008).

Paul E. Johnson ao escrever sobre a conversão no tópico Reavivamento e

Sobrevivência do texto Psicologia da Religião, discorre a relação entre a conversão

e o cumprimento dos passos do programa de AA:

Esses passos são características da conversão, como está concebida neste capítulo. Os conflitos dessas pessoas intensificaram-se numa luta desesperada, chegando a uma crise em que são incapazes de negar que

estão destruindo a si próprios e suas relações com aqueles a quem amam e estimam acima de tudo. Até que ponham de lado o orgulho ilusório e admitam honestamente sua inabilidade para controlar seus conflitos sozinhos, continuam repetindo fracasso após fracasso. Quando essas lutas os levam a ver a profundeza de sua necessidade finita, eles começam a procurar um poder maior como sua única esperança. Podem não compreender esse poder misterioso, mas chegam à decisão de transformar suas vidas e entregá-las aos cuidados do grupo que os afiançam. Dessa procura pela finalidade suprema vem uma reação estímulo demonstrada na preocupação que lhes apresentam os alcoólatras abonadores. Então quando lhes chegam nova vida e poder, através de tais relações, podem ver como o crescimento se torna possível através da devoção interpessoal. “Eu” solicitará “Tu” para evoluir na realização maior das potencialidades maduras (JOHNSON, 1964, p. 127).

Cumprir com todos estes passos não é uma tarefa simples, sendo assim a vivência com Deus após o encontro faz com que o alcoolista, agora em recuperação lance-se cada vez mais nos braços do Poder Superior a fim de conseguir um crescimento espiritual. Segundo os AAs, eles buscam o progresso espiritual e não a perfeição. Os princípios que enunciam são guias para progredir e o que pretendem é o progresso espiritual e não a perfeição espiritual.

A experiência vivenciada por um alcoolista é, na verdade, aquela que altera significativamente o curso de sua vida. Embora esta experiência aconteça geralmente em uma sala de AA, pode ser vista como uma experiência religiosa, isto porque trata do interior e do exterior da pessoa convertida, tanto na dimensão humana quanto na dimensão transcendental. Proporciona mudanças na sua vida interior e também na vida social. Pode também desenvolver experiências transcendentais como a sensação de estar sob o cuidado de Deus tanto na vida pessoal quando na vida do grupo de convivência. Johnson afirma que a conversão não transformará tudo instantaneamente é necessário a experiência, o convívio, sendo dado um passo a cada vez, como segue:

É evidente, na seqüência desses passos, que nenhuma conversão transformará tudo instantaneamente para sempre. Aquele que procura deve dar um passo após o outro, não importa quão doloroso ou difícil possa ser. Terá de tornar-se peregrino dedicado a distantes metas que exigem experimentos contínuos na devoção fiel ao objetivo principal ao qual se entrega. Ele falhará e deslizará de volta aos velhos e familiares passos descendentes que o conduziram anteriormente a seu malogro. Então, deve fazer um inventário minucioso e destemido de si mesmo, confessando a Deus e a outro ser humano a natureza exata de seu mau procedimento. Após tais tropeços, deve chegar ao ponto em que está desejoso de que Deus remova esses defeitos e pedir-lhe que o faça. Deve, sistematicamente, abandonar os erros que inflige a outros na medida do possível, para que suas relações humanas possam ser sólidas e construtivas. Precisará praticar a meditação e prece, diariamente, a fim de defrontar o Tu e reunir força e orientação para prosseguir no estágio seguinte da jornada. Deve dirigir-se constantemente até outros necessitados e dedicar suas energias generosamente a auxiliá-los em sua jornada para uma vida melhor (JONHSON, 1964, p. 128).

Permanecer no grupo, frequentar as Salas de AA e procurar vivenciar os Doze Passos são as formas de sustentação para uma vida sóbria a cada dia. Desta forma o alcoolista em recuperação não consegue ver-se fora da irmandade. É neste convívio que busca apoio e espiritualidade para vencer o plano das 24 horas de sobriedade:

O plano das 24 horas é muito flexível. Podemos começá-lo de novo a qualquer momento, seja onde for. Em casa, no trabalho, num bar ou num quarto de hospital, às 4 da tarde ou às 3 da manhã, podemos decidir não tomar uma bebida durante as 24 horas ou nos 5 minutos que se seguem. Continuamente renovado, este plano evita a fraqueza de métodos, como a "lei seca" ou os juramentos solenes. Tanto um período de abstinência como uma promessa chegam a um fim, conforme planejados – de modo que nos sentíamos livres para beber de novo. O dia de hoje, porém, está sempre ao nosso alcance. A vida é diária; o dia de hoje é tudo o que nós temos; e qualquer pessoa pode passar um dia sem beber.

Em primeiro lugar, procuramos viver no presente só para não beber – e vemos que isto funciona. Uma vez que esta idéia se torne uma parte da nossa maneira de pensar, vemos que viver a vida por períodos de 24 horas é também uma forma eficaz e satisfatória que se aplica para lidar com muitas outras questões (JUNAAB, 2007,p.18).

Considerando o plano das 24 horas é importante dizer que após o encontro no grupo com a intenção de abandonar a bebida alcoólica, uma experiência de conversão, o alcoolista em recuperação exercita a cada dia uma nova conversão. Desta forma permanece em comunhão com seus familiares, amigos, com a irmandade de AA, com a sua comunidade religiosa e principalmente com Deus, ou segundo a concepção de AA, com o Poder Superior.

Cabe ressaltar ainda que esta experiência pode ser "reforçada" ou "motivada” por grupos sociais e situações. Isso pode ser o caso em situações tão diversas como grupos de auto-ajuda, cultos e campanhas religiosas de evangelização, etc. A motivação cognitiva e emocional é frequentemente usada para "incentivar" a conversão nos indivíduos e grupos abertos, ou os que buscam a mudança (pessoas que estão experimentando um conflito interno).

Os efeitos da mudança de rumo, comportamento ou porque não dizer da conversão, dependem de fatores de personalidade, da necessidade percebida, do desejo, das circunstâncias sociais, da profundidade da necessidade, ou do conflito percebido e da presença contínua de reforço social. Daí a permanência dos alcoolistas em recuperação sob “Poder Superior” no exercício dos Doze Passos e na prática da Oração da Serenidade que discorro a seguir.

2.4.3 Oração da Serenidade – Uma forma de se manter próximo ao