6. YETKİNLİK MODELLERİ
6.3 Hafeez ve Essmail Araştırma Modeli
O álcool, derivado do árabe alkuhl, que significa essência, constitui-se em um excremento da levedura, fungo com grande apetite por doces. Quando a levedura encontra o mel ou os açúcares das frutas, cereais, ou mesmo batatas, libera uma enzima que converte os açúcares destes materiais em dióxido de carbono e álcool. Este processo é conhecido como fermentação.
Conforme Paula e Pires (2002), o álcool etílico é um líquido volátil, incolor e com odor e sabor característicos, produzido pela fermentação do caldo da cana, de cereais, ou raízes. As primeiras bebidas alcoólicas produzidas pelos homens foram cerveja e vinho, pelo fato da facilidade, pois estes produtos dependem apenas do processo de fermentação.
Anthony apresenta que a ingestão de bebidas alcoólicas vem há mais de quatro mil anos como segue:
Os primeiros indícios do consumo humano de bebidas alcoólicas que continham etanol podem ser encontrados em vasos Paleolíticos e há evidências sobre o aproveitamento humano dessas bebidas há cerca de quatro milênios. Em todas as aparições, o escopo do consumo do álcool na história antiga é essencialmente global, refletindo a facilidade relativa da produção de álcool (p. ex., pela fermentação de frutas e vegetais cultivados localmente, mesmo antes da descoberta dos processos de destilação) (ANTHONY, 2009, p. 3).
A utilização do álcool como medicamento e bebida é extensa e muito antiga. Pesquisas afirmam que há milhares de anos a humanidade utiliza-se do álcool em cerimônias religiosas e em espaços de celebração e recreação.
J. Santo-Domingo (in: Fortes, 1991:1) nos informa sobre as origens da bebida alcoólica, o absinto, por exemplo, pelo homo erectus há aproximadamente 250000 anos; J. Santo-Domingo considera a existência possível de um consumo alimentar ritual nos períodos paleolíticos tardios (30000 a.C.) e, com certeza, o consumo a partir do período neolítico (8000 a 10000 a. C.) (MARIANO, 1999, p. 16).
Esta é, sem dúvida, a afirmação mais antiga que apresenta o uso do álcool. Depois, a afirmação mais corrente é que o álcool vem sendo usado desde os anos 6000 a. C. aproximadamente. Segundo Fortes, no Egito pré-dinástico, já havia cervejas provenientes de diferentes cereais, desde 3400 a. C. As antigas tradições religiosas e posteriormente os gregos sustentavam em suas práticas a adoração a deuses ligados a bebida alcoólica. Um exemplo destes deuses foi Dionísio o então deus do vinho. Isto porque...
O vinho, por sua vez, dentro da cosmovisão das antigas tradições, tinha o significado da imortalidade, pois a seiva, que é a essência do vegetal, simbolizava ‘penhor da ressurreição e imortalidade’ (MARIANO, 1999, p. 17).
Na tradição bíblica o uso do vinho ocupa lugar de destaque em meio ao povo judeu. O vinho era usado nas celebrações do povo para marcar a alegria e a segurança de que o Senhor os estava abençoando, isto fica claro nos textos de Isaías 65,8 – “Assim diz o SENHOR: Como quando se acha mosto num cacho de
uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei por amor de meus servos, que não os destrua a todos”. O salmista afirma que o vinho alegra o coração
do homem [Sl 104:15]. No Novo Testamento temos a famosa transformação da água em vinho em Caná da Galileia, narrada pelo evangelista João no seu segundo capítulo como segue: “E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não
sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo”. [Jo 2:9]
Provavelmente os romanos, que em suas festas faziam menção ao deus Baco pela criação do vinho, foram os responsáveis pela regulamentação da produção e divulgação do vinho em toda a Europa, fazendo dele um fenômeno e permitindo a sua comercialização em alta escala durante os primeiros séculos da era cristã, conforme descreve Mariano:
Na Europa, devido à destilação, o consumo de bebida alcoólica aumentou rapidamente (Fortes, 1991:6). Os italianos conheceram o vinho por volta do século II a. C. Nessa mesma data, na Itália o consumo cresceu significativamente face à expansão da uva e da produção do vinho. (Fortes, 1991:4) (MARIANO, 1999, p. 17).
O processo de destilação de bebida alcoólica é descrito de forma cientifica por volta dos anos 800 pelo alquimista Jabir ibn Hayyan (Geber), foi ele quem inventou o alambique, que é o equipamento utilizado até hoje para a realização da destilação de bebidas alcoólicas. Os árabes foram os responsáveis pela introdução deste processo na Europa, sendo que depois no século XII os cristãos mediterrânicos iniciaram o desenvolvimento do processo de industrialização na fabricação do vinho.
Por muito tempo o uso excessivo do álcool foi visto como um desvio de caráter ou como um problema moral, daí a manifestação da religião afirmando que a embriaguez era um grande pecado e que os fieis precisavam livrar-se dele para uma vida saudável com a divindade. A partir da segunda metade do século XVIII, com o processo da Revolução Industrial e as mudanças sofridas neste tempo, no que diz respeito ao comportamento social na Europa, o consumo excessivo de bebida alcoólica passa a ser visto como doença e responsável pela desordem social, principalmente pela fome e a miséria. Clarissa Mendonça Corradi-Webster, em sua dissertação de mestrado - Uso Problemático de álcool entre pacientes psiquiátricos
ambulatoriais, apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/ USP
Em 1804, na Inglaterra, Thomas Trotter ampliou a discussão, colocando a embriaguez como uma ‘doença da mente’, que como doença deveria ser tratada por um médico, outro pesquisador importante da época, o norte- americano Benjamin Rush, também chamou a embriaguez de ‘doença’ ou ‘de transtorno da vontade’ (CORRADI-WEBSTER, 2004, p. 4).
O alcoolismo é termo usado, a partir da segunda metade século XIX, para identificar o uso abusivo de bebida alcoólica, pelo médico sueco Magnus-Huss, “que se aprofundou no estudo do tema, adotou medidas de controle e prevenção do alcoolismo que serviram de modelo para os países vizinhos” (FORTES, 1991, p. 6). No ano de 1885, o Parlamento sueco vota uma lei proibindo a destilação do álcool e ordenando a comercialização de bebidas, junto a outras medidas das da Ligas de Temperança, foram responsáveis pela sensível redução do consumo de bebidas entre os suecos.
O alcoolismo nas Américas é praticado bem antes da colonização europeia. Os índios da América Central e do Sul já conheciam bebidas alcoólicas obtidas a partir da fermentação do suco de várias frutas e também dos caldos extraídos das raízes de mandioca. Infelizmente, o homem branco fez uso da bebida alcoólica destilada, para adquirir de forma escusa, as propriedades dos nativos, causando assim danos sociais irreparáveis.
A história do álcool e alcoolismo nos Estados Unidos da América é marcada pela presença dos cristãos puritanos que ...
... aceitavam a princípio o uso do álcool: bebidas alcoólicas eram produzidas e somente os excessos eram combatidos. Com o passar dos anos, foram-se tornando cada vez mais rígidos, culminando em atitudes radicais, como aconteceu com a aprovação da lei Volstead, em 1919, combatendo a intemperança e voltando-se para a abstinência total. No entanto, frente às conseqüências desastrosas da aplicação da lei tão rígida, renderam-se ante a evidência dos fatos e, após algum tempo, revogaram a lei, cuja implantação tinha absorvido grande soma de dinheiro, e retornaram a uma legislação mais moderna e tolerante (FORTES, 1991, p. 7).
Nesta mesma época, durante o século XX, muitos países passaram a estabelecer os dezoito anos como a idade mínima para o consumo de bebida alcoólica. Em 1952 é oficializada a identificação do alcoolismo como doença na primeira edição do DSM-I (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Discorders) (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), e posteriormente no ano de 1967, este conceito foi incorporado pela Organização Mundial de Saúde à Classificação Internacional das Doenças (CID-8).
No CID-8, os problemas relacionados ao uso de álcool foram inseridos dentro de uma categoria mais ampla de transtornos de personalidade e de neuroses. Esses problemas foram divididos em três categorias: dependência, episódios de beber excessivo (abuso) e beber excessivo habitual. A dependência de álcool foi caracteriza pelo uso compulsivo de bebidas alcoólicas e pela manifestação de sintomas de abstinência após a cessação do uso de álcool.31
Os índios brasileiros, antes da chegada dos portugueses já faziam uso de bebidas fermentadas como o cauim, do tupi ka’wi, gerada a partir da mandioca cozida ou suco de frutas. O caju e o milho eram usados na preparação destas bebidas. Durante o processo de colonização foram inseridas no Brasil bebidas como os vinhos, cervejas, aguardentes e outros destilados, até então desconhecidos pelos nativos. Com a instalação dos primeiros engenhos para a moenda da cana de açúcar na produção de açúcar e álcool facilitou o acesso da população mais pobre à aguardente, conhecida desde então como cachaça, obtida da fermentação e destilação da borra do melaço. Fortes citando Souto Maior e Gilberto Freyre dizem que a cachaça era oferecida aos trabalhadores escravos, hora com finalidades medicinais, hora como forma de alegrá-los nos feriados e dias de festas religiosas (FORTES, 1991, P. 8).
Souto Maior aponta os senhores de engenho como os mais responsáveis pela difusão do consumo de alcoólicos entre os negros escravos. De qualquer forma, a cachaça, destilado de alto teor alcoólico, contribuiu bastante, pela popularidade alcançada em todo o país (conhecida por numerosa sinonímia em diferentes regiões) e pelo preço muito acessível, para o agravamento da alcoolização da população brasileira (FORTES, 1991, p. 8).
Como vimos até aqui, desde os primórdios da humanidade a ingestão do álcool como bebida tem acompanhado o desenvolvimento sócio-cultural e econômico da população mundial. Com o passar dos tempos e com o uso abusivo das bebidas alcoólicas todas as sociedades sentiram a necessidade na busca de meios para combater o alcoolismo.
Deve ser salientado, também, que as informações mais antigas já registravam, além das embriaguezes comuns, certos tipos especiais de reação aos alcoólicos em determinadas pessoas, assim como o modo de elas se relacionarem com eles a longo prazo. Na Medicina grega, Hipócrates já havia descrito a loucura alcoólica e proibira, como veneno, o uso de álcool pelos epilépticos. É curioso salientar que, sob o ponto de vista médico, sempre houve uma posição ambivalente da Medicina, em diferentes épocas, frente ao problema: empregando alcoólicos para fins medicinais e outras
31 http://www.cisa.org.br/categoria.html?FhIdTexto=25ff28cda5f109c71bb2387dd75df853 consultado no dia 26
de maio de 2010. Conforme citação extraída de Diagnostic Criteria for Alcohol Abuse and Dependence – National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) - Alcohol Alert, No 30, 1995 (http://pubs.niaaa.nih.gov/publications/aa30.htm)
vezes proibindo-os categoricamente. Podemos afirmar que essa ambivalência veio até aos nossos dias (FORTES, 1991, p. 9).