Durante uma conversa, o falante pode ser interrompido caso o(s) outro(s) participante(s) envolvido(s) na conversa tenha(m) (i) problemas para compreender a mensagem, ou porque o falante acredita que o(s) outro(s) participante(s) tivera(m) problemas de compreensão e, por isso, o falante decidiu interromper a interação para verificar se a mensagem havia sido compreendida, por exemplo. Outra possibilidade é a interrupção da conversa devido à (ii) discordância com o que foi dito. Nesse caso, a interação será interrompida por um turno como “this is not true”, “I do not agree with you”, “you are wrong” etc.. De acordo com os conceitos de NEGOCIAÇÃO isso é equivalente a dizer que a estrutura esperada das trocas pode ser interrompida. Os movimentos que interrompem a troca (ou a aborta) são conhecidos como movimentos dinâmicos. Quando a interrupção da estrutura da troca é relacionada a compreensão de conteúdo da mensagem (i), significa que a interrupção tem foco ideacional e, nesse caso, são conhecidas como rastreamento. Quando a interrupção da estrutura da troca é relacionada à discordância sobre o que havia sido falado, significa que a interrupção tem caráter interpessoal e, nesse caso, a interrupção é conhecida como desafio. O uso de rastreamento ocorreu freqüentemente durante todas as sessões síncronas online, enquanto o uso de desafio foi menos freqüente. Entretanto, foi o uso de desafio que se destacou durante um trecho específico de uma das sessões síncronas que aconteceu na fase 2 (sessão G). Isso porque o
133 movimento desafio foi usado freqüentemente nesse trecho: durante aproximadamente 10 minutos, houve intenso uso de desafio (chall), justificação (just) e resposta ao desafio (rchall). O intenso uso de desafio parece ter acontecido devido a uma declaração polêmica feita por um dos alunos, que gerou interesse dos participantes e fez com que se engajassem em uma interação mais dinâmica:
Exemplo 84
K1 (20:38:26) Student C: But students lose their interest if class has no multimedia support,
K2 don´t you think?
K1 Student J: and it is partof their lives nowadays... chall Student N: I`m not sure I agree with Student C.
just Media is a tool enhanced by technology but there are important affective tools which help learning
rchall Student B: IYes, N I think it´s just one more tool
chall Student J: Nowadays, just chalk and board is not interesting to teenagers. (just a comment) chall Guest: Student C, about students being bored without multimedia ... students are bored
because they are not engaged not because of the technology.
just Its like giving a kid a new toy. The newness wears off and the problem returns. Technology needs to be intentional, purposeful, and not just entertainment. rchall Student B: I totally agree
rchall Student J: yea, teaching witha purpose, always
rchall Guest: Hi Student J ... do you think chalk boards should be interesting?
just Should a pencil? Should a computer screen? What I am trying to get at is that it isnt the technology, its what you use the technology to do ... no object is inherently good or bad for education, it is how we use it as teachers.
rchal Student D: I totally agree S!!!
rchall Teacher E: It is not possible to say that students will learn more only because they have technology at school, for example….
rchall Student J: I understood what you mean... rchall Guest: Yes Teacher E.
rchall (20:47:29) Student D: Yes, E! They can have technology! But if they do not have good teachers to use this technology...
O horário do envio dos turnos, mantidos na primeira e penúltima linha do exemplo 84, permite verificar a duração do trecho de desafio durante a entrevista (quase 10 minutos). É possível verificar também que a interrupção da estrutura de troca foi
134 desencadeada pelo movimento conhecedor primário (K1) enviado pela aluna C, em que ela expressa seu ponto de vista sobre suporte multimídia como motivador na sala de aula, ao afirmar que os alunos perdem o interesse na aula caso não haja uso de recursos multimídia (“But students lose their interest if class has no multimedia support”). Esse movimento K1, desempenhado pela aluna C, desencadeia dois movimentos de desafio (chall) que marcam a opinião contrária de dois outros participantes. O primeiro movimento de desafio foi criado pela aluna N (“I`m not sure I agree with Student C.”). E o segundo movimento de desafio foi desempenhado pela convidada (Student C, about students being bored without multimedia ... students are bored because they are not engaged not because of the technology.). Estes dois movimentos de desafio desempenhados pela aluna C e pela convidada geram, por sua vez, movimentos de justificativa (just) e uma série de movimentos de resposta a desafio (rchall), como é apontado pela representação de movimentos dinâmicos do lado direito da nomenclatura dos movimentos. Cada cor de seta representa um bloco de desafio, justificativa e resposta. Elas têm sua origem no movimento principal que originou o desafio, seja esse movimento principal um movimento conhecedor primário (K1) ou outro desafio. Esse trecho de desafio envolveu um total de 16 moves e foi o mais intenso identificado de todas as sessões síncronas investigadas. Embora possa ser considerado um momento de digressão da entrevista, pois os participantes abandonaram a seqüência de pergunta e resposta por aproximadamente 10 minutos, esse trecho de desafio indica o engajamento dos participantes em uma discussão. Dessa forma, sessões síncronas online em contexto educacional também podem funcionar como suporte para esse tipo de linguagem em contexto educacional. Porém, parece necessário que o tópico de discussão interesse os participantes de forma polêmica. Além disso, se o objetivo for o de que os participantes discutam um tópico em comunicações síncronas pode ser necessário conscientizá-los antes da sessão sobre o tipo de movimentos adequados a esse tipo de interação.