2.11 Türkiye’de Eğitimleri ve Uygulanan Programlar
2.11.1 Yerleştirme
Outro mecanismo de obtenção de restrições que é foco de importantes e controversas discussões, dentro da Teoria da Otimidade, é o de Conjunção Local. Em nossa análise, tal mecanismo será empregado para a obtenção de restrições responsáveis pela distinção entre segmentos com diferentes pontos de articulação em coda, de modo que tais oposições respeitem à Restrição de Combinação entre Hierarquia e Estrutura, proposta por de Lacy (2002, 2006). Será através da Conjunção Local, dessa forma, que explicaremos a proibição a [f] em coda no português brasileiro, bem como os diferentes padrões de aquisição encontrados entre as codas com plosivas [k], [p] e [t], na interlíngua.
Proposto por Smolensky (1995), o esquema de conjunção de restrições pode ser da seguinte forma definido:
(09)
Conjunção Local de Restrições (Smolensky, 1995)
A Conjunção Local de duas restrições C1 e C2 em um domínio D, C1&DC2, é violada sempre que ambas as restrições C1 e C2 são violadas dentro de um dado domínio.
Para verificarmos o papel exercido por uma restrição conjunta, o tableau abaixo, de caráter explicativo, tem o objetivo de demonstrar a ação da Conjunção Local em uma hierarquia de restrições:
(10) C1&C2 C3 C2 C1 )a
*
b*!
a1*!
)b1*
)a2*
b2*! * *
Vemos, a partir dos pares de candidatos acima, a ação da conjunção das restrições C1 e C2. Considerando-se C2 e C1 como restrições de marcação, concluímos que a língua em questão permite uma estrutura marcada ou outra (o que podemos ver nos pares de candidatos [a, b] e [a1, b1]), mas não as duas ocorrendo ao mesmo tempo no mesmo domínio. A restrição conjunta [C1 & C2] impede justamente esses casos. Em outras palavras, ainda que C2 e C1 já estejam baixas no ranking, elas podem, ainda, ter seus efeitos sentidos contra a restrição C3, o que acontece através de [C1 & C2]. Conforme explica McCarthy (2002), é como se ambos os membros da restrição, C1 e C2, conspirassem contra C3.
Com base na caracterização acima, vemos que tal mecanismo permite que restrições que se encontram mais baixas na hierarquia, sob certas condições, voltem a ter os seus efeitos de oposição sentidos como se elas fossem ranqueadas em uma posição alta no ranking. Por exemplo, ainda que uma língua já admita a ausência de onsets e a presença de codas, a mesma língua, através da restrição conjunta [ONSET & NOCODA]σ, pode evitar que esses dois aspectos ocorram em uma mesma sílaba, impossibilitando padrões silábicos como o encontrado na pseudo-palavra “ak”. Excluímos, desse modo, o pior do pior, que seria a combinação, em um mesmo domínio, de duas condições “ruins”. Vale ressaltar, ainda, que o
mecanismo permite que um ou ambos os membros da nova restrição conjunta sejam, já, uma restrição conjunta.
Para que a restrição conjunta desempenhe o seu papel adequadamente, duas questões são fundamentais. Em primeiro lugar, fica claro que seus efeitos só serão sentidos se a conjunta se encontrar em uma posição mais alta no ranking do que cada uma das restrições individuais que a compõem [C1&C2]D >> {C1,C2}. Em segundo lugar, mas não menos importante, a especificação do domínio prosódico em que a conjunta opera não pode ser desconsiderada; caso contrário, podemos ter uma restrição conjunta superpoderosa, exercendo efeitos em ambientes sobre os quais não deveria atuar. Bonilha (2005) demonstra a diferença entre uma restrição conjunta com e sem especificação de domínio, ao tratar de seus dados de aquisição fonológica. Os tableaux abaixo, transcritos de Bonilha (2005), demonstram a necessidade de definição do domínio fonológico para a análise adequada dos dados:
(11)
/seis/ NotComplex (nucleus) & NoCoda
MAX I/O NotComplex
(Nucleus) NoCoda a) )ses
* *
b) )sej* *
c) sejs*! * *
/meias/ a) / meas* *
b) / meja* *
c) mejas*! * *
(12)
/seis/
NotComplex (nucleus) &
NoCoda (σ) MAX I/O
NotComplex (Nucleus) NoCoda a) )ses * * b) )sej * * c) sejs *! * * /meias/ a) meas *! * b) meja *! * c) )mejas * * (Bonilha, 2005, p. 87)
Vemos que, sem a caracterização do domínio, a restrição conjunta exerce efeitos em ambientes fonológicos em que sua ação não deveria se fazer sentir. Ainda que a definição do domínio pareça, em princípio, não fazer diferença sob um input como /seis/, tal caracterização é fundamental para o bem decorrer da análise, ao considerarmos a palavra /meias/. A partir dessa forma de input, o candidato [mej.as]32 incorre uma violação da restrição conjunta que não apresenta a caracterização de domínio. O candidato em questão, entretanto, não viola [NotComplex (nucleus) & NoCoda]σ, em que a especificação do domínio se mostra clara: a mesma sílaba.
A razão para essa diferença é clara: o núcleo complexo e a coda silábica não se encontram na mesma sílaba. Ao restringirmos o domínio da restrição conjunta à sílaba, temos que nenhuma das duas sílabas em [mej.as] viola ao mesmo tempo as duas restrições submetidas à Conjunção Local; dessa forma, a restrição conjunta não é violada. Entretanto, sem uma definição clara do domínio em que a restrição conjunta deve ser violada, não há nada que limite tal restrição de considerar violações referentes a sílabas diferentes. Cremos
32 É importante salientar que, na análise da autora, o ditongo [ej] é considerado como integrante de um núcleo complexo.
que se mostra claro, assim, o fato de que as restrições componentes da conjunta precisam ser violadas em um mesmo domínio.
O mecanismo de Conjunção Local, conforme vemos, mostra-se como uma maneira de evitarmos o desrespeito a oposições que já se mostram vencidas na língua. Notamos a necessidade, entretanto, de considerar a existência de critérios de limitação do mecanismo, para que possamos impedir a Teoria de Conjunção Local de se tornar superpoderosa. Encontramos, na literatura da área, diferentes propostas de como controlar tal mecanismo. Destacamos, nesse sentido, os trabalhos de Moreton & Smolensky (2002) e Lubowicz (2002, 2005, 2006), além dos trabalhos de Ito & Mester (1998), Bakovic (1999, 2000) e Fukazawa & Miglio (1998)33. Das propostas de limitação supracitadas, interessa-nos, sobretudo, a de Fukazawa & Miglio (1998). Para esses autores, a conjunção deve ser limitada a restrições de uma mesma família, limitação essa que adotaremos em nosso trabalho.
Bonilha (2005) questiona a acepção do termo “família” empregada em Fukazawa & Miglio (1998). Conforme aponta a autora, o termo “família” pode ser pensado tanto em um sentido mais amplo, em que seria concebido em termos dos três grandes grupos de restrições (marcação, fidelidade e alinhamento), ou, ainda, sob uma perspectiva mais restrita, a partir da qual restrições tais como Dep [+ATR ] e Dep [HI] pertenceriam a uma mesma família, porém No Labial e No Coda, por exemplo, não. No presente trabalho, defendemos, também, a necessidade de conjunção de restrições pertencentes a uma mesma família, ainda que não tenhamos a intenção de discutir a acepção de termo família a ser utilizada, de modo a concebermos como possível, dessa forma, a conjunção de restrições que pertenceriam à mesma família em um sentido amplo do termo.
33 Para um maior detalhamento acerca das limitações impostas por cada uma dessas propostas, sugerimos a leitura de Lubowicz (2006).
Além disso, conforme também lembra Bonilha (2005), é importante questionar se as restrições de Conjunção Local se encontram depositadas em CON. No que diz respeito a essa discussão, destacamos a posição de autores como Smolensky (1997), Fukazawa & Miglio (1998) e Fukazawa (1999, 2001), que acreditam que é o operador de conjunção “&”, e não as restrições conjuntas per se, que se encontra na Gramática Universal34. Essa visão, de fato, mostra-se como uma maneira de limitar o conjunto universal de restrições. As restrições conjuntas são vistas, por esses autores, como específicas de língua, enquanto o mecanismo de conjunção “&” é visto como universal.
Conforme podemos ver a partir de toda a discussão acima apresentada, o debate acerca da Conjunção Local se mostra em pleno andamento, não havendo, ainda, um consenso entre os pesquisadores. Em nossa análise, conforme já afirmamos, a noção de Conjunção Local será importante para nossa proposta de silabação da coda no PB. Entretanto, acreditamos na necessidade de limitações à teoria, de modo que se possa restringir a ação do operador “&”. No presente trabalho, em consonância com Fukazawa (1999, 2001) e Fukazawa & Miglio (1998), vemos a possibilidade de Conjunção Local como o último recurso a ser empregado pelo indivíduo. Não conceberemos, portanto, a utilização de restrições conjuntas redundantes, ou seja, que podem vir a ter seus efeitos expressos por meio de restrições simples (não- conjuntas). Conforme veremos mais detalhadamente em nossa análise, ainda que o operador “&” se mostre disponível ao falante, a sua ação deve ser limitada.
Desde que foi proposta por Smolensky (1995), a teoria de Conjunção Local já foi utilizada para dar conta de uma grande variedade de casos de análise. Lubowicz (2006) faz um levantamento das principais questões de investigação e dos mais significativos trabalhos
34 Para uma visão de OT de cunho conexionista, que não concebe a existência da Gramática Universal, aconselhamos a leitura de Bonilha (2005).
que recorrem à Conjunção Local, a saber: (a) a Condição de Coda (ITO & MESTER 1998); (b) a Hierarquia de Sonoridade (SMOLENSKY, 1995); (c) Restrições a clusters e ao contato silábico (BAERTSCH 1998, 2002, BAERTSCH & DAVIS 2003); (d) Efeitos de Ambiente Derivado (LUBOWICZ 2002, ITÔ & MESTER 2003); (e) Harmonia vocálica (SMOLENSKY 1997, BAKOVIC 2000); (f) Chain Shifts (KIRCHNER 1996, MORETON & SMOLENSKY 2002, BECKMAN 2003); (g) Dissimilação (ALDERETE 1997, ITO & MESTER 1998); (h) Fenômenos referentes ao acento (ALDERETE 1999); (i) Aquisição de Linguagem (LEVELT & VAN DE VIJVER, 2004)35. No que diz respeito a que tipos de restrições são submetidas à conjunção, encontramos na literatura trabalhos que propõem tanto a conjunção de duas restrições de marcação, bem como outros trabalhos que propõem a conjunção de duas restrições de fidelidade (para dar conta de chain shifts, tais como os trabalhos de Kirchner 1996 e Moreton & Smolensky 2002). Há, além disso, restrições caracterizadas pela conjunção de uma restrição de fidelidade e uma de marcação (LUBOWICZ 2002, ITO & MESTER 2003)36. Vemos, assim, a abrangência dos processos que podem ser tratados com esse mecanismo.
Com relação a trabalhos que prevêem a operação do mecanismo de conjunção “&” ao longo do processo de aquisição de linguagem, precisamos destacar os trabalhos de Bonilha (2003b, 2005). Bonilha (2003b) propõe que o mecanismo de Conjunção Local se mostra ativo no processo de aquisição de L1, de modo que as restrições conjuntas possam ser criadas pelas crianças mesmo em casos em que os dados do adulto não fornecem uma fonte de motivação para a sua construção37. Nesse sentido, além da tarefa do aprendiz de chegar ao ranking de
35 Acrescentamos, a esta categoria, os trabalhos de Bonilha (2003b, 2005), que prestam uma importante contribuição para a Teoria de Conjunção Local, conforme veremos ainda nesta seção.
36 Essas últimas são utilizadas para dar conta dos efeitos de ambiente derivado.
37 Sob a proposta de Bonilha (2003b, 2005), restrições conjuntas que, com o processo de aquisição da linguagem, acabam sendo demovidas, não exercendo mais papel na gramática, podem ser desconstruídas. Além da presença do operador “&”, a autora acredita, também, na existência de um operador de desconstrução associado ao
restrições da L1, o processo de aquisição de linguagem implica, também, a formação de restrições conjuntas que exercerão papel em sua gramática. Já em Bonilha (2005), a autora, além de conceber o operador “&” à luz de uma fonologia conexionista, propõe limitações adicionais à formação de restrições conjuntas. Além da necessidade de posicionamento alto na hierarquia, a autora restringe a conjunção de restrições apenas a membros mais marcados nas sub-hierarquias universais, o que se revela como um importante fator limitador do mecanismo de conjunção, em sua análise.
A análise que apresentaremos nos Capítulos 6 e 7 defenderá a idéia de que o mecanismo de Conjunção Local se mostra disponível, também, no aquisição de L2. Inspirados em Bonilha (2003b), argumentaremos que o mecanismo de Conjunção Local será o responsável pela não-emergência de [f] em coda, no português brasileiro; esse mesmo esquema de conjunção será utilizado, a partir da evidência positiva da L2, para a obtenção de restrições que façam a distinção entre as plosivas labiais, dorsais e coronais em posição final. Ressaltamos, dessa forma, a importância do mecanismo de Conjunção Local em nossa análise, pois será através de tal mecanismo que a oposição a ponto de articulação em coda será expressa.