3. TÜRK VERGİ YARGILAMA HUKUKUNDA İSPAT VE DELİL
3.3. Vergi Yargılama Hukukunun Delillere İlişkin İlkeleri
3.3.9. Yerindelik Denetimi Yasağı İlkesi
Escrito em 1875, aprovado pelo Conselho Superior de Instrução Pública da Bahia em 1878 e revisado pela última vez pelo autor em 1914, o Tratado da Língua Vernácula (Gramática) foi somente impresso pela Gráfica Sauer, de Fred H. Sauer, no Rio de Janeiro, em 1932, oito anos depois da morte de seu criador, Brício Cardoso.
56 Com Jerônimo Soares Barbosa, percebe-se a preocupação em romper com a tradição latina gramatical: “esta gramática, porém, é mais um sistema analógico, de regras e exemplos, do que lógico; e posto que reforme muitos abusos das antigas gramáticas, segue com tudo a mesma trilha... e desamparando os princípios luminosos da gramática geral e arrozoada, multiplica em demasia as regras eu poderia abreviar mais reduzindo-as a ideias mais simples e gerais”. (BARBOSA, 1875, p.XIII).
Essa primeira edição esgotara-se rapidamente, conforme informações obtidas na apresentação da segunda edição, mas não há registros sobre o número de exemplares publicados. Sabe-se que, por conta da aceitação dessa obra nos meios culturais, era impossível encontrá-las “quer nas livrarias mais notórias, quer entre bibliófilos especializados na revenda de raridades publicitárias”, conforme a apresentação do Tratado da Língua Vernácula.
Depois de 12 anos da primeira edição, em 1944, foi realizada uma reimpressão a fim de homenagear os cem anos do nascimento do “ex-diretor e ex-professor de Língua nacional da Escola Normal, ex-diretor e ex-professor de Retórica, Poética e Literatura do Atheneu Sergipense, professor jubilado de português no mesmo Instituto de ensino” (currículo do frontispício da obra) e membro da Academia Sergipana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, o professor Brício Cardoso.
Seus filhos – Maurício Graccho Cardoso, Eleyson Cardoso e Hunald Santaflor Cardoso – foram os responsáveis pela apresentação dessa edição e a Livraria Valverde, no Rio de Janeiro, pela impressão. O apoio financeiro foi dado pelo interventor do Estado de Sergipe, Maynard Gomes “em atenção à obra educacional de Brício Cardoso na formação de várias camadas da juventude sergipana, no momento em que, por iniciativa da Imprensa local e do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, se vai comemorar o centenário do catedrático que o compusera por meio de um acurado labor intelectual, e da experiência acumulada em vários lustros de benemérita atividade magisterial”57.
Por ser póstuma, talvez, a segunda edição em nada difere da primeira. Não houve alterações, nem acréscimos, nem cortes.
Antes, porém, de construir sua gramática, Brício Cardoso já publicava no Jornal do Aracaju as Apostillas de Grammatica (aos meus discípulos), futuros capítulos que integrariam a sua única obra desse gênero, o Tratado da Língua Vernácula. A construção, portanto, dessa obra está vinculada diretamente ao ensino da disciplina “Língua Portuguesa” na escola onde seu autor lecionava. Claro está que as apostilas eram direcionadas aos seus alunos, isto é, seus discípulos.
As apostilas de gramática foram publicadas no período que antecedeu à sua admissão no estabelecimento oficial do ensino secundário de Sergipe– Atheneu Sergipense –, ou seja, no período que se estende de 22 de outubro de 1873 a 14 de abril de 187458, período em que era professor do ensino primário superior na cidade de Estância/SE.
Apesar de afirmar no prólogo da gramática que a escrevera não só para “os meus filhos, os filhos dos meus filhos e os filhos dos filhos dos meus filhos” (CARDOSO, 1944, p. 15), mas também para “a dourada intelectualidade dos guapos moços e das formosas moças do meu torrão natal (...)” (idem), suspeita-se que Brício Cardoso publicou suas apostilas metodicamente a fim de ser indicado para a cadeira de Retórica e Poética no Atheneu Sergipense e não somente para “ensinar” aos filhos e discípulos.
Essa hipótese justifica-se pelo fato de somente, entre os anos de 1872, 1873 e início de 1874, haver ele se preocupado com a publicação nos jornais de assuntos relativos à gramática. Depois do ano de 1874, não foram encontradas publicações em jornais locais de suas apostilas. Somente em 1879, ele publicou “Linhas precursoras da próxima publicação da minha gramática nacional” na Gazeta de Aracaju e “Gramática nacional”, nome dado, provisoriamente ao seu Tratado da Língua Vernácula.
Não se sabe ao certo por que Brício Cardoso não publicara em livro neste período, uma vez que existiam tipografias – como a Typografia do Jornal do Aracaju – em Sergipe, que poderiam imprimi-lo. Talvez por razões financeiras ou políticas ou apenas porque não era sua prioridade naquele momento... Outra hipótese é a de que ele não via a necessidade de imprimir sua obra em formato livro apenas porque existiam os jornais, veículo de comunicação primordial no século XIX.
Figura 3: Excerto de o Jornal do Aracaju (01/11/1873)
Os jornais possibilitavam, na maioria das vezes, um retorno, quase imediato, de que os autores precisavam para definir suas teorias antes de lançá-las em livro. As críticas, as réplicas e tréplicas, as conferências e anúncios, tudo era matéria de importância no mundo dos intelectuais daquele período. Escrever para os jornais59, portanto, era exercer seu poder de influência, era uma oportunidade de expor sua erudição a fim de legitimar-se diante de seus pares.
59 No dia 10 de setembro de 1808 foi publicado o primeiro jornal brasileiro oficial: a Gazeta do Rio de Janeiro que trazia notícias sobre a natureza europeia, documentos oficiais, as virtudes da família real, enfim, divulgava pontos a favor da família real e suas origens. Para fazer antagonismo com este tipo de notícia, em paralelo criaram-se os jornais não oficiais. O Correio Brasiliense ou Armazém literário, de Hipólito José da Costa, maçônico foragido que redigia o jornal na Inglaterra e exportava por meio de contrabando para o Brasil, tinha mais de 100 páginas. Era vendido, em média, uma vez por mês. A imprensa sempre atuou como ferramenta para mudanças políticas, e o Brasil, de mesma forma, teve um grupo jornalístico que causou mudanças significativas no cenário social brasileiro. Como exemplo cita-se o jornal A República, surgido no Rio de Janeiro, em 1870, que ficou famoso pela publicação do manifesto republicano. Em São Paulo, o Correio Paulistano agitava a opinião pública sobre a abolição e a República. Nessa época, já havia jornais espalhados por todo o país.
Era nos jornais, principalmente, que Brício Cardoso expunha não só suas preocupações, suas crenças, seus métodos e projetos de ensino, como também seus conhecimentos acerca dos variados assuntos dos quais era autoridade. As questões abordadas envolviam desde as discussões sobre a origem da linguagem às propostas de melhoria na instrução pública sergipana.
Para ele, o jornal era o livro dos livros, o livro-biblioteca. Em suas colunas, “encontram-se todos os mergulhos humanos nos profundos mares, onde há que descobrir; ali nas suas páginas, todos os dramas e comédias do teatro universal do globo, todas as lições científicas, todas as notícias comerciais, a narração de todos os crimes e ridículos dos bastardos protagonistas da vida e todas as informações de que precisamos” (CARDOSO, Brício apud CARDOSO, Hunald, 1944). O jornal, portanto, era um livro de tudo, uma espécie de escola-universidade, “uma vela barata para todos os espíritos”. (idem).
Por pensar assim, talvez, Brício Cardoso tenha usado esse meio de comunicação para veicular todas as informações das quais dispunha a fim de evidenciar sua erudição, sua posição política, suas ideias filosóficas, suas produções literárias. Conforme depoimentos de amigos, ele era capaz de escrever em até três jornais ao mesmo tempo e ser redator único de alguns deles: “Vi-o muitas vezes trabalhar seis horas seguidas sem cansaço, fazer ele só todo o jornal do dia seguinte, escrever um artigo de fundo e ditar a outrem o noticiário, sem falha da inspiração, sem repetir o vocabulário (...) e, sobretudo, sem quebrar em um só ápice aquele inimitável estilo que só em Frei Luiz de Souza encontraria modelo. (MONTEIRO, 1944).
Seu caso, entretanto, não era o único, era apenas “modelar”60. Brício Cardoso foi redator único dos jornais O Republicano (1890-1898), órgão oficial do governo e do Jornal de Aracaju (1894). Foi também ele redator não só da Gazeta de Aracaju (1879-1899), como também o foi de A Notícia (1896-1898) e de O Estado de Sergipe (1898-1904). Em sua maioria eram publicadas produções magisteriais e políticas e, algumas vezes, produções literárias. Além dos periódicos em Sergipe, ele também foi editor de jornais na
60 Nesse período, era comum aos intelectuais a dedicação intensiva aos labores da escrita. Veja-se, por exemplo, Coelho Neto coetâneo de Brício, que escrevera e publicara, num mesmo ano, em 1898, onze livros. Além disso, ainda era um dos mais “assíduos colaboradores da imprensa diária e da revistas mundanas, mestre de cerimônias de festas oficiais e semi-oficiais, paraninfo preferencial dos formandos da cidade e conferencista de sucesso garantido”.(SEVCENKO, 1985, p. 103).
Bahia61. Em alguns deles, Brício Cardoso usou pseudônimos, como dr. Langrado, na Bahia Ilustrada; Calliopio em O Farol e Insciens na seção Pinceladas em A Colmeia.
Outros jornais também receberam a colaboração desse escrito: Correio de Alagoinhas (1908), Sul de Sergipe (1870-1871), Jornal do Comércio (1877-1878), O Guarany (1878-1879); O Tempo (1898-1899), Correio de Aracaju (1906-1918), O Farol (1907-1908), A Colméia (1909), A Cruzada (1918-1922), Phenix (1870), Jornal dos Caixeiros (1870) e A Notícia (1896-1988).
Para Brício Cardoso, era necessário encaminhar as ideias, publicá-las, tão logo chegassem, pois como ninguém as fazia ou as criava, não podia também estorvar-lhes. As ideias possuíam seu próprio tempo e nada as impedia de chegar, nada as podia deter. Aqueles que se lhes opunham, caíam esmagados. Então, era necessário que as manifestasse, dando-lhes vida.
Suas ideias referentes aos estudos da linguagem, portanto, deram à luz O Tratado da Língua Vernácula que é, na verdade, a síntese, ou o agrupamento de suas Apostilas de Gramática, devidamente revisadas, às vezes, alteradas e, em muitos casos, completamente modificadas para atender ao formato que ele quis imprimir à sua obra, somente finalizada em 1875.
No dia 03 de março de 1874, o Jornal do Aracaju publicou “Apostila de gramática. A meus discípulos”, que trata do pronome “se”, assinado por Brício Cardoso, explicitando, neste caso, o público para o qual se voltava. Como já discutido anteriormente, a maioria das gramáticas neste período eram direcionadas aos alunos da instrução pública e privada, e suas lições serviam de apoio didático para outros professores.
As diferenças entre o texto publicado no jornal e o texto revisado para ser impresso em formato livro, às vezes, são substanciais. Geralmente, porém, o autor suprime apenas a invocação “meus amiguinhos”, presente no jornal, como se vê a seguir e permuta “apostila” por “lição”:
Quadro 2- Comparação entre textos publicados em jornal e em formato livro
Jornal do Aracaju Tratado da Língua Vernácula
Meus amiguinhos, ocupa-se nossa apostila de hoje,
de uma questão que não há muito travou um certame renhido os doutos professores de gramática filosófica residentes na Bahia.
Ocupa-se nossa lição de hoje, de uma questão que não há muito travou em certame renhido os doutos professores da gramática filosófica residentes na Bahia. (p. 126).
Não serei eu, meus amiguinhos, que nunca me hei de ir (permitam-me usar de uma palavra do Visconde Almeida Garret) às filagramas e arrendados de finíssimo lavor gótico da língua inimitável de Frei Luiz de Souza, e quebrá-las.
Não serei eu, que nunca me hei de ir (permitam-me usar de uma palavra do Sr. Visconde Almeida Garrett), às filigranas e arrendados de finíssimo lavor gótico da língua inimitável de Frei Luiz de Souza, e quebrá-las. (p. 129).
Outras vezes, ele suprime boa parte da introdução de sua “postila” para se amoldar ao formato de gramática, como ele a compreende:
É tempo agora de passar-me à construção da proposição ou frase em o nosso moderno latim: visto que o encadeamento do meu discurso de ontem chama a postos semelhante matéria para objeto da apostila que começa.
Sob [ilegível] de prévias clarezas essenciais à boa inteligência da doutrina que intento expender, não pretendo, meus amiguinhos, atordoar-vos as orelhas com os tranituosos (sic) arremessos da baldada artilharia dos períodos asiáticos, os quais, na verdade, se alguma causa provam, é simplesmente um vivo desejo de brilhar sem discernimento nem critério, uma pletora de excessos bombásticos em mui desregrada imaginação. O luxo vicioso da palavra, meus amiguinhos, eu o comparo às galas de preço que escondem os herpes corrosivos da cantoneira desenvolta.
Vosso obscurso e consciencioso mestre, não é do número dos que solícitos catam conjunção para dizerem em linguagem puritana, e ainda não ouvida, aquelas mesmas causas já proferidas por todos naturalmente e com simplicidade, nem tão pouco se sente morrer de amores pelas intumescências pedantescas, falsos brilhantes, afetadas delicadezas e impoladas puerilidades.
Livre-o Deus sempre de semelhantes pecados literários; pois que não quer parecer-se com esses homúnculos apontados por Quintiliano, os quais alçavam-se o mais possível nas pontas dos pés, para fingirem-se grandes.
Cada qual de nós não deve querer outra estatura senão a sua própria.
Não é de hoje, nem de ontem, que esta minha desabusada franqueza: simplicidade, clareza, correção, energia, que mais quero? Que mais pode querer um mestre sensato? Que outra origem mais liberal, mais ampla de elevação? Que outro sináculo mais legítimo de merecimento?
Engana-se em mal quem quiser.
Demais, bem ou mal, foram já estreados na apostila de ontem, que se deve considerar como o proêmio desta de hoje, nossos pródramos e exórdios os mais convenientes. Voam as horas62, meus amiguinhos, convém, portanto, não despendê-las em palestras infrutíferas.
Construção e sintaxe, atendei bem, são palavras cujos sentidos muito se aproximam, embora a índole de cada uma lhes faça ter a apresentar notáveis divergências. (Enxerto do texto “Apostila de gramática” publicado, no Jornal do
Aracaju em 11 de abril de 1874). (grifo meu).
62 Neste momento, Brício Cardoso dá a ideia de estar falando diretamente com seu aluno em sala de aula; dá a impressão de que essas apostilas eram aulas que foram transcritas no jornal e não escritas para o jornal.
Toda essa introdução presente no jornal foi substituída, no Tratado da Língua Vernácula –. na lição “Da sintaxe e construção” – por outra de menor rebuscamento, além de ausentar-se do texto, talvez para dar maior imparcialidade à gramática.
Nas lições anteriores foi-nos ensinado o segredo da composição e decomposição da palavra em seus elementos, o segredo da quantidade e acentuação dos mesmos elementos e, finalmente, o da natureza, origem e derivação, não dos elementos das palavras, mas das próprias palavras.
Convém recordar nesta altura que as palavras são os signos representativos de nossas ideias e de suas relações, para que se possa Ter azo de dizer que os signos das ideias e de suas relações não podem por aí andar ao abandono e ao acaso, se queremos que a linguagem expresse toda a infinidade de nossos pensamentos.
Daí a necessidade de concordar, reger e colocar as palavras, segundo os princípios da gramática geral e o uso ao vivo de nosso moderno latim; isto é, a necessidade da sintaxe e da construção.
Digamos alguma cousa de uma e de outra.
Construção e sintaxe são palavras cujos sentidos muito se aproximam, embora a índole de cada uma as faça ter e presentar notáveis divergências. (CARDOSO,
1944, p. 207).(grifo meu)
No momento em que ele retoma o texto escrito para o jornal, ou apenas transcrito, ele faz modificações significativas:
Quadro 3- Modificação entre textos publicados em jornal e em formato livro
Jornal do Aracaju Tratado da Língua Vernácula
Construção e sintaxe, atendei bem (1), são palavras cujos sentidos muito se aproximam, embora a índole de cada uma lhes (2) faça ter a apresentar (3) notáveis divergências.
Construção e sintaxe são palavras cujos sentidos muito se aproximam, embora a índole de cada uma as (2) faça ter e presentar (3) notáveis divergências. Sintaxe é palavra de origem grega, composta de sin,
juntamente, e tassô, pôr em ordem: construção, é amontoar, edificar, vindo struo do grego steréos, sólido, firme.
Sintaxe é a (4) palavra de origem grega, composta
de sin, juntamente, e tassô, pôr em ordem;
construção é palavra de origem latina, construo, ere, (5) amontoar, edificar, vindo struo do grego stereos, sólido, firme.
Há uma marca enunciativa evocando o leitor, ou seu discípulo em sala de aula (1), que foi suprimida no texto da gramática. Substitui-se o complemento indireto (2) pelo complemento direto a fim de atender à correção gramatical. É notável, porém, a substituição do “a” (3) pelo “e”, acarretando a “perda” do “a” de “apresentar”. Talvez tenha sido um erro gráfico no momento em que foram os textos transcritos para o formato livro. Existem também os acréscimos, como o artigo “a” (4), com o intuito de definir melhor seu objeto; e , ampliando a definição da palavra construção em termos etimológicos (5).
Muitos outros exemplos podem ser dados, mas fogem ao que se propôs neste capítulo. As análises são vastíssimas, principalmente se se considerarem os múltiplos caminhos, como a análise do discurso, a teoria da enunciação ou até mesmo a linguística textual. Esse, porém, não é o objetivo deste trabalho.
O fato é que o Tratado da Língua Vernácula foi “ensaiado” nos jornais antes de se tornar um livro. É possível que outras gramáticas tenham tido o mesmo percurso, principalmente em regiões onde as tipografias não existiam ou, se existiam, não davam prioridades à impressão de livros didáticos porque não havia público para consumi-los.
O Atheneu Sergipense já recebia alguns alunos do ensino secundário, mas, neste período, Brício Cardoso era professor do ensino primário superior da cidade de Estância. Em outras palavras, ele não fazia parte, ainda, do quadro de catedráticos do Atheneu. Essa é também uma das hipóteses para que sua gramática não tenha oferecido interesse aos impressores, nem aos de Aracaju, muito menos ainda, aos do Rio de Janeiro, capital do Império.
Publicar nos jornais também pode ter sido uma saída para fazer-se reconhecido em seu meio. Não se sabe, contudo, se as aulas eram antes dadas para depois serem publicadas, ou se ele as escrevia e publicava antes para usar o texto escrito em suas aulas. Os livros didáticos não circulavam com facilidade e nem existiam à mancheia... Era uma forma de suprir, então, essa lacuna? Talvez sim.
Apesar de ter sido publicada em livro em 1932, o Tratado da Língua Vernácula não se encontra entre as gramáticas do período científico. Essa é mais uma prova de que uma periodização requer critérios diferenciados, além de mapear e descrever as gramáticas publicadas no Brasil, atividade que exige projeto de integração entre pesquisadores da história das ideias linguísticas no Brasil.
A gramática de Brício Cardoso foi gestada no século XIX, num momento de transição nas ciências de modo geral: na História, havia, de um lado, o historicismo alemão e a escola metódica; do outro, o positivismo comteano e as inovações de Henri Berr. As teorias de Darwin e Spencer projetaram uma revolução nas ciências, uma quebra de paradigmas, na concepção de Kunh (1991). O positivismo de Comte fez das Ciências Sociais a ciência que governa todas as outras, modificando o viés político para o social.
Na linguística, a partir de meados de 1870, segundo Bastos, Brito & Palma (2006, p. 64), começavam a tomar corpo as ideias novas, importadas da Europa: “modificações sociais, tecnológicas e culturais, as novas ideias linguísticas que traziam as primeiras
manifestações do critério filológico e do método histórico-comparativo, aplicados ao ensino de línguas, deixando para trás grande mobilidade existente nos estudos de Língua Portuguesa”.
Na gramática de Brício Cardoso, então, estão representados todas as inquietações