3. TÜRK VERGİ YARGILAMA HUKUKUNDA İSPAT VE DELİL
3.3. Vergi Yargılama Hukukunun Delillere İlişkin İlkeleri
3.3.5. Ekonomik Yaklaşım İlkesi
3.3.5.1. Ekonomik Yaklaşım Açısından Muvazaalı İşlemlerin Vergisel
Com um número expressivo de tipografias25 e, por conseguinte, de folhetos e periódicos em circulação, o governo introduziu, além de uma censura prévia – os originais deveriam ser encaminhados à Impressa Régia depois de serem liberados pelos censores régios e pelo Desembargo do Paço –, a obrigatoriedade da autoria expressa, proibindo o anonimato. Aqueles que
desejavam imprimir qualquer manuscrito apresentava-o antes com um requerimento à junta diretora, e só depois do despacho é que podia imprimi-lo; se o manuscrito dizia respeito à religião, à legislação ou à política, era a junta autorizada mandá-lo rever por pessoas de profissão competente, dirigindo-lhes para esse efeito ofício em nome de Sua Alteza Real, e exigindo seu juízo e aprovação por escrito, à vista da qual se mandava imprimir com as correções necessárias, precedendo licença da Secretaria de Estado. AZEVEDO, 1865, p. 179).
A imprensa Régia foi instalada, sob a direção de uma junta formada por José Bernardes de Castro, Mariano da Fonseca e Silva Lisboa, cujo regimento previa que a essa junta competia-lhe, “afora a gerência da oficina, ‘examinar os papeis e livros que se mandassem publicar e fiscalizar que nada se imprimisse contra a religião, o governo e os bons costumes’. Era a censura prévia, a que logo se daria feição adequada” (RIZZINI, 1988, p. 317).
Uma comissão fora criada com o intuito também de examinar todos os documentos e livros a serem impressos e garantir o respeito à religião, ao governo ou à moral. Mais tarde, foi nomeada uma junta de censores – composta por frei Antônio Arrábida, Luís José de Carvalho e Melo, Pe. João Manzone e José da Silva Lisboa –, subordinada à Mesa do
25“Ao que tudo indica, ao longo do Império, desenvolve-se uma intensa atividade editorial nas províncias mais ricas do país; na Corte, evidentemente, mas também na Bahia, no Maranhão e no Grão-Pará. Pernambuco é também uma delas. (GALVÃO & BATISTA, 2003, p.173).
Desembargo do Paço, que tinha o objetivo de examinar os manuscritos que pretendiam chegar à Impressão Régia.
Durante o período colonial, então, havia as proibições da censura tríplice, exercida pela Inquisição, pelo Ordinário e pelo Desembargo do Paço. Por causa disso, muitos livros circulavam de forma ilegal e penetravam nas colônias vindas nas bagagens das pessoas autorizadas a lê-los. O contrabando, na verdade, responsabilizou-se em fazer circular os escritos de livres-pensadores, principalmente, os franceses. As bibliotecas coloniais estavam cheias de livros proibidos, algumas delas, inclusive, descobertas com a devassa de Vila Rica.
Em 1821, o príncipe regente d. Pedro ordenou que cessasse a revisão prévia das obras que se imprimissem “obedecendo-se nesse sentido o decreto das cortes gerais, extraordinárias e constituintes da Nação, e do art. 6º da lei do regulamento da imprensa que determinava, por todas as obras impressas nos estados portugueses, no caso de abuso, fossem responsáveis os autores, editores ou impressores” (BARBOSA, 1900, p.66).
Apesar dessa suposta liberdade de expressão, a Junta Diretora da Imprensa Régia publicou uma declaração em 01 de setembro de 1821, recomendando ao administrador da Impressão Régia, agora Tipografia Nacional, “que não fizesse imprimir manuscrito ou impresso algum, sem ser assinado pelo autor, com o nome reconhecido pelo tabelião” (idem).
Quando, em 1822, o monopólio da Imprensa Régia chega ao fim, as tipografias particulares ganham força, e mais obras didáticas começaram a ser produzidas. Era a Inspetoria Geral de Instrução Primária e Secundária do Município da Corte a responsável por “rever os compêndios adotados nas escolas públicas, corrigi-las e fazê-las corrigir e substituí-las quando necessário”. Além disso, esse órgão convocava o Conselho de Instrução Pública para “examinar os melhores métodos e sistemas práticos de ensino, bem como designar e rever os compêndios utilizados na escola”. (TEIXEIRA, online).
Na República, a direção do ensino e a inspeção dos estabelecimentos de instrução primária e secundária, sob a responsabilidade do Ministério da Instrução Pública, era exercida por um Inspetor geral, um Conselho diretor e inspetores escolares dos distritos.
O inspetor geral, cargo que exigia dedicação exclusiva, presidente nato do conselho diretor, era nomeado pelo governo por decreto. Sua função era o de inspecionar por si, com auxílio do Conselho diretor ou por meio dos inspetores escolares do distrito, as escolas
normais e todos os estabelecimentos de instrução primária e secundária, dentre outras atribuições.
O conselho diretor do Distrito Federal era composto de onze membros: o inspetor geral (presidente); dois reitores do Ginásio Nacional; o diretor da Escola Normal; o diretor do Pedagogium; o diretor do Museu Nacional, um professor primário do primeiro grau; um professor primário do segundo grau; um lente do Ginásio Nacional; dois lentes de cursos superiores, um da Escola de Medicina e outro da Escola politécnica. O Conselho tinha inúmeras funções, dentre as quais, destacam-se:
organizar definitivamente os programas de ensino primário, secundário e normal, assim como as instruções para exames e modelos e formulários estatísticos; e resolver sobre a educação de todo o material escolar e aprovar ou mandar compor livros e quaisquer trabalhos adquiridos do ensino Primário, secundário e normal, favorecendo com prêmios a publicação de obras de grande merecimento (...). (MOACYR, 1941a, p. 58- 9).
A censura, portanto, era um dos primeiros obstáculos a ser vencido pelos autores de livros didáticos. Em termos gerais, eles precisavam construir textos que não ferissem a moral e os bons costumes, que respeitassem e até enaltecessem a religião católica e seus dogmas e que imprimissem em seus leitores o amor à pátria, principalmente no período republicano, momento em que se fomenta um sentimento de identidade nacional.
Como os livros didáticos destinados aos alunos das escolas públicas eram submetidos à aprovação do Conselho Superior da Instrução pública, alguns critérios deveriam ser observados para que eles fossem aprovados, a exemplo dos propostos Veríssimo (1890):
1. Que seja composto com clareza, correção, precisão e método;
2. Que seja feito de acordo com as lições mais aceitas da pedagogia moderna e segundo os melhores modelos em prática nos povos mais adiantados que nós;
3. Que estejam de conformidade com os nossos programas de ensino, ou que a eles se possam adaptar sem dificuldade;
4. Que sejam impressos em bom papel, com tipo graúdo, segundo as preocupações da higiene escolar;
5. Sempre que for possível, sejam copiosamente ilustrados com boas gravuras finas, nítidas e de acordo com o texto;
6. Que o seu preço seja o mais módico possível, podendo o poder competente fazer depender a apreciação do preço máximo que ficará;
7. Que sejam sempre postos à venda cartonados e brochados.
No final do Império e no início da República, muitas dessas exigências eram, particularmente, dirigidas às editoras, como se pode observar nos itens 4, 5, 6 e 7, tornando-as participativas no processo de elaboração do próprio texto. As editoras, por sua vez, adotavam uma política que consistia em exigir do autor a impressão do texto antes mesmo da sua autorização para apresentá-lo às autoridades a fim de ter a certeza de sua adoção nas escolas. Essa obrigatoriedade está presente na legislação de 1885 da Corte26. Assim prevaleceu “a publicação de uma primeira edição que era submetida ao controle estatal e na edição seguinte surgia, na página de rosto, a confirmação da aprovação oficial”. (BITTENCOURT, 2008, p. 55).
Não só editores, mas também autores buscavam meios para que seu livro didático obtivesse o referendum oficial e, assim, ser adotado nas escolas públicas. Uma das estratégias era dedicar sua obra a alguma autoridade, “tecendo elogios, como ‘o mais acrisolado protetor das letras na mesma província’ e, às vezes, acompanhava carta com pedidos de aprovação” (idem). Apesar de todas essas precauções e estratégias, nem todas as obras eram aprovadas e nem sempre conseguiam o êxito do qual dependiam para serem reeditadas.
Mas quem eram os atores referendados de livros didáticos a quem as tipografias e livrarias ofereciam algumas vantagens e, em alguns casos, chegavam a pagar direitos autorais? Quem eram os sujeitos que se submetiam a obediência dos critérios impostos pela censura para a aprovação de suas obras?
Para Bittencourt (2004, p. 479), em princípio, um autor de livro didático deveria ser “um seguidor dos programas oficiais propostos pela política educacional”. Além de acatar as exigências da censura, esse autor deveria estar atento às novidades “pedagógicas”, aos discursos científicos de sua área e, ainda assim, compatibilizar todo esse saber num livro destinado para um público de ensino elementar ou secundário.
Inicialmente, os autores de livros didáticos eram pessoas de confiança das autoridades dos Conselhos de educação, que podiam ser professores, ou juízes, advogados, jornalistas, historiadores, etc. A maioria dos autores de gramáticas, no século XIX, por
26 “2º a aprovação será requerida ao Inspetor pelo autor ou editor ou solicitada ex-oficio por qualquer membro do Conselho diretor; para se resolver sobre a aprovação, deverão ser entregues na Inspetoria 12 exemplares da obra a fim de serem distribuídos pelos membros do Conselho. Os exemplares ficarão arquivados”. (MOACYR, 1939, v. 2, p. 532).
exemplo, exercia, além da função de gramático, e, às vezes, simultaneamente, a de professor, historiador ou jornalista, posições intelectuais múltiplas.
Depois, com a expansão do ensino elementar e com a necessidade de manuais para esses alunos em larga escala, como se verá no próximo tópico, muitos professores que não faziam parte da elite intelectual começaram também a ser convocados para escreverem seus compêndios, até porque os autores famosos, aqueles que participavam do poder não escreviam muito. Autorizaram-se, então, os professores públicos e foram eles considerados capacitados para realizar tal empreitada.
Para incentivá-los, a instrução pública, entre outras atitudes, oferecia vantagens e, às vezes, prêmios:
o reitor de qualquer membro do magistério que escrever compêndio sobre doutrinas professadas no Ginásio terá direito à impressão de dois mil exemplares do seu trabalho por conta do Governo, se o Conselho Diretor julgar essa obra valiosa e de grande utilidade para o ensino. No caso de mérito excepcional da obra terá ainda direito a uma gratificação nunca inferior a um conto de réis. (MOACYR, 1941a, p. 98).
Muitos professores, então, construíam suas obras, desejando, muitas vezes, obter o prêmio27.
A produção de livros didáticos foi se avolumando, e seus autores diversificando-se. Para Bittencourt (2004, p. 479-80), houve, pelo menos, no século XIX, dois grupos de intelectuais “que se sujeitaram às imposições do poder educacional e das editoras”: o primeiro que inicia sua produção com a Imprensa Régia, a partir de 1827 que se preocupava com a organização do ensino secundário no Império; o segundo grupo apresenta um perfil diferenciado que começa a se delinear por volta dos anos 1880, “quando as transformações da política liberal e o tema do nacionalismo se impuseram, gerando discussões sobre a necessidade da disseminação do saber escolar para outros setores da sociedade, ampliando e reformulando o conceito de cidadão brasileiro...”.
Os autores da primeira geração faziam parte da elite intelectual e política nacional. Seu interesse concentrava-se, principalmente, em atender às necessidades políticas atreladas à política educacional cujo objetivo era a formação moral dos indivíduos. Esses autores possuíam ligações com o poder institucional responsável pela política educacional e, geralmente, eram membros do IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) e
27 “Mais do que consumidores passivos, destes objetos para auxílio de suas aulas, os professores tornaram-se sujeitos ativos, seja analisando e avaliando as obras que deveriam ser autorizadas para utilização das escolas (...), seja produzindo tais compêndios. (TEIXEIRA, online ).
também eram professores do Pedro II ou da Escola Militar do Rio de Janeiro, “lugar institucional responsável pelo aparecimento dos primeiros compêndios dedicados ao ensino das disciplinas formadoras da nacionalidade (...)” (BITTENCOURT, 2004, p.482).
Mesmo sendo parte da elite intelectual, os autores não tinham liberdade de escrever o que quisessem. Eles precisavam respeitar as exigências, de um lado, dos editores, tipógrafos e livreiros, e, de outro, dos programas de ensino para o qual se destinavam suas gramáticas.
2.2. O papel das instituições escolares na construção e circulação das gramáticas no