3. TÜRK VERGİ YARGILAMA HUKUKUNDA İSPAT VE DELİL
3.5. Vergi Yargılama Hukukunda İspat Yükü…
3.6.17. El Defterleri
Crítico de Descartes, Arnauld, um dos maiores defensores do jansenismo, escreveu, com Pierre Nicole (1625-1695), um manual de lógica, que mais tarde seria conhecida como a lógica de Port-Royal – abadia onde ocorriam suas atividades. Nesta obra, Arnauld questionou o método geométrico cartesiano, proposto por Descartes, em que toda a natureza do universo deveria ser explicada de forma matemática, através da dedução, vendo cada etapa ligada a uma etapa antecedente numa cadeia ininterrupta de raciocínio geométrico.
Para desenvolver os princípios da Lógica de Port-Royal, Arnauld publicou, em 1660, junto com Claude Lancelot – autor de Nouvelle méthode pour apprende la langue
latine, cujos princípios foram baseados nas ideias de Blaise Pascal –, a Grammaire générale et raisonnée contenant les fondemens de l’art e parler, expliques d’une manière claire et naturelle, em cujas páginas analisou a linguagem, sob o ponto de vista da razão, ou seja, para eles, a linguagem era de natureza racional. O argumento que dá sustentação teórica a essa análise é o de que a gramática é universal, pois ela é um conjunto de processos mentais universais75.
Nesse mesmo período, a gramática que circulava em França era a de Vaugelas, Remarques sur la langue française, obra que se preocupava com o bom uso da linguagem, contrastando, portanto, com a de Port-Royal que buscava os fundamentos e a estrutura da linguagem por meio da razão.
Na França, era o racionalismo que, por meio do método dedutivo, conclamava a razão como único recurso para atingir o conhecimento sobre a validade de um argumento ou a verdade de uma ideia.
Uma das preocupações dos seguidores do racionalismo, como Leibniz –“ao mesmo tempo um dos iniciadores da gramática comparada e o precursor da lógica simbólica, com o seu projeto de característica universal” (NEF, 1995, p.112) –, em relação à linguagem era buscar as leis universais que regiam as línguas.
Em relação à origem da linguagem, apesar de não excluir totalmente a possibilidade de uma monogênese radical, Leibniz sustenta, em sua obra filológica, que a origem da linguagem está no momento após o Dilúvio no momento em que se dividem os filhos de Noé: Jafé, Sem e Set. Recusa a ideia de uma monogênese hebraica e acredita que o estudo das línguas pertence ao domínio das ciências históricas.
Se tivéssemos que esboçar o projeto em que Leibiniz apenas tocou de leve no decorrer de toda a sua vida, deveríamos falar de um imenso edifício filosófico-linguístico que contemplava quatro momentos fundamentais: I) a identificação de um sistema de nomes primitivos, organizados em um alfabeto do pensamento, ou enciclopédia geral; II) a elaboração de uma gramática ideal, da qual o seu latim simplificado era um exemplo (...); III) eventualmente, uma série de regras determinando a pronúncia dos caracteres; IV) a elaboração de um léxico de caracteres reais, a respeito dos quais fosse possível fazer um cálculo capaz de levar o locutor a formular automaticamente proposições verdadeiras.” (ECO: 2001, p. 326.).
A questão das ideias inatas foi controversa entre essas duas escolas. De um lado, Locke, Berkeley e Hume negavam a existência na mente humana de quaisquer ideias
75 Sobre o percurso filosófico e histórico de Port-Royal e a gramática do mesmo nome, ver Basseto & Murachco (1992). Sobre a constituição da gramática e sua importância e influência na construção das gramáticas posteriores, ver Bezerra (1985); Fávero (1996) e Kristeva (1969).
anteriores à experiência; de outro, os racionalistas, como Leibniz, admitiam a existência de ideias inatas como base de toda a certeza do conhecimento humano, incluindo entre elas as ideias de número e figura e conceitos lógicos e matemáticos.
A ideia de que o homem era capaz de aperfeiçoar as línguas, e mesmo criá-las, para satisfazer as necessidades do seu próprio tempo, talvez, tenha sido fomentada e desenvolvida a partir do reconhecimento conquistado pelas línguas vernáculas da Europa provocado pela queda do latim como língua internacional do saber e da autoridade.
Inventar uma nova língua76 que possibilitasse a comunicação do progresso das ciências e do comércio no mundo civilizado era uma preocupação da época, tanto dos racionalistas quanto dos empiristas, como se verá adiante. Não era a ideia de uma língua universal, como o esperanto, mas uma língua que pudesse expressar de forma direta e universal, por meio de símbolos criados para esse propósito e aos quais se atribuiria determinada pronúncia, o saber, o pensamento e as ideias. Leibniz e Wilkins empreenderam estudos nesse sentido.
Na Inglaterra, Bacon lançava as bases do empirismo, como visto anteriormente, corrente que preconizava a necessidade da experiência e da investigação ativa e pessoal para o conhecimento dos fenômenos da natureza; em outras palavras, todo o conhecimento humano deriva das impressões sensoriais e das operações que o espírito por meio da abstração e generalização exerce sobre tais impressões, ou seja, por meio do método indutivo. A finalidade do conhecimento não é a “contemplação da verdade, mas a compreensão das leis que permitirá ao homem o domínio da natureza, como está contido em sua máxima: saber é poder.” (ANDRADE, 1970, p. 139).
Para Bacon, a linguagem tinha uma função comunicativa. Entendia a língua muito mais a partir de sua facticidade, isto é, de seu uso social e histórico, do que como uma lógica. Insistia na diversidade semiótica, diferenciando signos diagramáticos e signos linguísticos quando se refere aos hieróglifos, aos ideogramas e as palavras e gestos. Estabeleceu a diferença entre gramática descritiva de uma língua particular e gramática geral ou filosófica e pensou em construir uma língua ideal para a comunicação do saber utilizando, a partir da analogia entre palavras e coisas, os elementos e as características mais evidentes de um determinado número de línguas já existentes.
76 “Além de pretenderem alcançar maior progresso científico, evitar as controvérsias estéreis e facilitar a comunicação entre os homens cultos de todas as regiões, os eruditos que refletiram sobre a criação de línguas universais estavam também motivados por outros fatores: tornar mais fácil o comércio, unir as igrejas protestantes e desenvolver a ciência criptográfica”. (ROBINS, 1983, p.92).
No campo dos estudos linguísticos, o empirismo inglês, durante os séculos XVI e XVII, descreveu e sistematizou os sons pertinentes à língua inglesa e produziu uma análise formal de sua gramática a fim de modificar o modelo gramatical de Prisciano e Donato. Dentre os foneticistas, encontram-se J. Hart, Bullokar, A. Hume, R. Robinson, C. Butler, J. Wallis e W. Holder, em cujo trabalho Elements of speech, publicado em 1669, estabeleceu uma teoria geral sobre a pronúncia, relacionando as diferenças consonantais a diferenças de contato entre um órgão e outro e as diferenças vocálicas a diferentes graus de abrimento.
Enquanto o pensamento empírico fomentava os estudos fonéticos e as revisões gramaticais das diversas línguas, o racionalismo francês dava as bases para a construção de gramáticas filosóficas, especialmente as que se vinculavam às escolas francesas de Port- Royal77. A mais importante delas foi a Grammaire generale et raisonée, escrita por Arnauld e Lancelot, conhecida, entre nós, como Gramática de Port-Royal.
Em resumo: desde o século XVI, os debates entre empiristas e racionalistas contribuíram, sobremaneira, para a divergência entre as posições referentes à linguagem. Os empiristas “ressaltavam as diferenças existentes entre as línguas e a necessidade de reajustar as categorias e classes à luz dos dados observados, enquanto que os racionalistas insistiam em procurar o que entre as línguas havia de comum sob as discrepâncias superficiais”. (ROBIN, 1983, p.100).
A descoberta, porém, do sânscrito, no século XVIII, mudaria o cenário linguístico. Em 1786, Sir William Jones apresentou sua comunicação num congresso em Calcutá, afirmando que o sânscrito, língua clássica da Índia, tinha um parentesco com o latim, o grego e as línguas germânicas. Em 1803, A. W. von Schlegel iniciou seus estudos do sânscrito e, posteriormente, em 1819, assumiu a cadeira dessa língua na universidade de Bonn, designado por Wilhelm von Humboldt. Os estudos do sânscrito são vistos pelos historiadores da linguística como principal fator para o desenvolvimento das investigações comparativas e históricas do início do século XIX.
Ainda no século XVIII, uma pergunta afligia os linguistas: qual a origem da linguagem? Condillac, empirista francês que se apropriava dos conceitos de Locke, e Rousseau, enciclopedista que se antecipava ao movimento anti-racionalista romântico, propuseram-se, inicialmente, discutir a origem e o desenvolvimento da linguagem. Ambos,
77 “Estas instituições religiosas e educacionais foram fundadas em 1637 e se dissolveram em 1661 devido a lutas de cunho político e religioso”. (ROBINS, 1983, p. 98).
porém, viam a origem da linguagem nos gestos demonstrativos e imitativos e nos gritos naturais e admitiam que o “vocabulário abstrato e a complexidade gramatical se desenvolveram a partir de um vocabulário anterior, concreto e individual, sujeito a poucas distinções ou imposições gramaticais”. (ROBINS, 1983, p.120).
Para instigar os estudiosos da linguagem sobre sua origem, a Academia Prussiana, em1769, oferecia um prêmio para quem respondesse a seguinte questão: se o homem, sem qualquer espécie de ajuda, podia ter desenvolvido a linguagem até o estágio em que se encontrava, como, em caso de resposta afirmativa, teria realizado tal empreendimento? O prêmio fora concedido a Herder que afirmou serem a linguagem e o pensamento inseparáveis e, por causa da interdependência entre o pensar e o dizer, os esquemas conceptuais e a literatura popular das diferentes comunidades humanas só poderiam ser adequadamente compreendidos e estudados por meio das suas próprias línguas. Assim, como a linguagem dependia do pensamento para existir, os dois tiveram uma origem comum e foram progredindo simultaneamente. Em sua obra Ideias sobre a filosofia da história da humanidade, Herder propõe designar o domínio do humano como objeto da ciência a partir do progresso da física, da formação da história natural, da metafísica, da moral e acima de tudo da religião.
No século XIX, os estudos linguísticos voltaram-se para a história das línguas indo- europeias e a comparação entre elas. Foram os alemães os maiores responsáveis pelo desenvolvimento dessas investigações. Dentre os primeiros comparativistas, que também foram estudiosos do sânscrito, citam-se Schlegel (1767-1845), Franz Bopp (1791-1867) e Max Muller (1823-1900). Nos estudos histórico-comparatistas, ainda convém citar Ramus Rask (1787-1832), Jacob Grimm (1785-1863), e Humboldt (1767-1835).
Schlegel talvez seja o responsável pela expressão “gramática comparativa” quando propôs o estudo das estruturas internas das línguas, a morfologia, para se compreender o relacionamento linguístico genético. Os primeiros comparativistas estavam, sobretudo, interessados em confrontar a morfologia do sânscrito com a de outras línguas indo- europeias, especialmente do grego e do latim.
Bopp, ao buscar compreender o estado originário do indo-europeu, acabou descobrindo os princípios da gramática comparativa. Seu principal objetivo era o de reconstruir a estrutura gramatical originária da língua cuja desintegração deu origem aos idiomas da família indo-europeia. Como, nessa época, considerava-se a prevalência dos estudos comparativos nas explicações históricas da língua por permitirem apontar a noção
de que as mudanças eram degenerações de um estado de língua primitiva, Bopp analisou as formas variáveis das línguas indo-européias, concluindo que as flexões eram resultantes do “processo de redução a afixos de palavras subordinadas que antes apareciam separadas ao lado de outras subordinantes...” (ROBIN, 1983, p.140). Coube a ele, portanto, “formular o princípio de mudança das línguas que, idênticas na origem, sofrem modificações que obedecem a certas leis, e produzem idiomas tão diversos como o sânscrito, o grego, o latim,o gótico e o persa”.(KRISTEVA, 1969, p.231).
Friedrich Max Müller, discípulo de Franz Bopp, retomou o estudo da Avesta78 e a publicação do Rigveda-Samhita, mantendo-a de 1849 a 1874 (6 volumes). É a coleção com 51 volumes The sacred books of the East, publicada entre os anos de 1879 e 1910, sua mais rica contribuição para os estudos, principalmente, das religiões e da mitologia comparada.
Ramus Rask escreveu gramáticas que sistematizavam as línguas antigas norueguesa e inglesa. Para isso, ele estudou as relações etimológicas, comparando-as sistematicamente e estabelecendo correspondências entre os sons de uma língua e os de outra. Por ele se preocupar mais em classificar as línguas do que em descobrir seu desenvolvimento histórico, sua ciência é considerada como tipológica.
Se Rask criara um método comparativo, os irmãos Grimm deram sua contribuição instituindo o método histórico. Apesar de Bopp já ter empreendido uma comparação metódica entre as principais famílias do indo-europeu do ponto de vista morfológico, mas sem precisar os sons comparativamente, os irmãos Grimm interpretam as correspondências fonéticas vendo-as como resultado de uma transformação. (Cf. MALMBERG, 1974).
A gramática escrita pelos irmãos Grimm é considerada como marco da linguística germânica. Baseando-se nos estudos de Rask, eles elaboraram as leis fônicas que configurariam a base e estrutura da família indo-europeia e de outras famílias linguísticas. Apesar de serem conhecidas entre os linguistas como leis de Grimm, na verdade eles não a denominaram assim, chamando-a apenas de mutação sonora. Convém lembrar, no entanto, que tanto Grimm quanto Bopp foram inspirados pelo nacionalismo e historicismo românticos com quem conviveram. Por causa disso, Grimm, por exemplo, se apropriou das ideias de Herder para explicar “o estreito vínculo de uma nação e sua língua com a dimensão histórica da linguagem, vendo, com efeito, a mutação fônica que recebeu o seu
78 Avesta é o nome das mais antigas escrituras zoroastra da Pérsia que datam de 500 a.C. Constitui-se de um conjunto de hinos, também conhecidos como gathas, que falam do deus criador Ahura Mazda. Neste hinário, estão incluídos a liturgia, as preces comuns, os mitos e as observâncias religiosas.
nome uma primitiva forma de manifestação de independência por parte dos antepassados dos povos germânicos”. (ROBIN, 1983, p. 139).
Os estudos da filologia românica também contribuíram para a instituição do método histórico-comparativo. Era a România considerada como peça fundamental para as investigações acerca do parentesco das línguas, uma vez que conheciam a língua-mãe, o latim. Friedrich Diez (1794-1876) escrevera Gramática das línguas românicas, cuja introdução é constituída por duas partes: na primeira, apresenta-se uma comparação entre o latim e o grego a fim de encontrar elementos em comum às línguas românicas; na segunda parte, seis dialetos são analisados quanto a sua origem e seus elementos característicos. Na verdade, Diez “aplicou às línguas românicas o método histórico-comparativo que Franz Bopp usara no estudo das línguas indo-européias e Jacob Grimm no das línguas germânicas”.(BASSETO, 2009, online).
Considerado o pai da filologia românica, Diez consagrou-se com a análise histórica da língua francesa, aproximando-a das outras línguas românicas, depois de ter defendido a tese de que as línguas românicas eram descendentes do latim vulgar e não do clássico, como acreditavam alguns estudiosos. Os estudos de Diez contribuíram para a construção de vários trabalhos acerca da língua francesa, como História e formação da língua francesa de J. J. Ampère (1841) e História da língua francesa, em dois volumes, de E. Littré (1863).
Humboldt, irmão do geógrafo e etnógrafo A. von Humboldt, foi um dos mais profícuos linguistas dessa época. Voltado para problemas da linguística geral, ressaltou o aspecto criativo da habilidade linguística de todo ser humano. A linguagem deveria ser identificada com a “capacidade viva que tem os falantes de produzir e entender enunciados e não como produtos observáveis que resultam do ato de falar ou de escrever”.(ROBINS, 1983, p. 141). A capacidade da linguagem é, portanto, uma “propriedade essencial da mente humana, pois nenhum fator do meio ambiente poderia de per si fazer surgir uma língua. Em virtude da própria natureza dessa capacidade mental, as línguas são suscetíveis de se alterarem, adaptando-se às exigências das circunstâncias”. (idem).
Apesar de admitir a universalidade da linguagem, ele segue os passos de Herder no que se refere às peculiaridades de cada língua relacionadas às idiossincrasias da nação ou grupos de indivíduos que a usam. Mais uma vez, percebe-se aqui a relação entre a língua e
nacionalidade. Influenciado também pela teoria da percepção de Kant79, Humboldt relativiza-a e a adapta ao campo linguístico, de modo que a característica inerente de cada língua se torna responsável pela ordenação e categorização dos dados da experiência. Por cauda disso, os falantes de línguas diversas vivem em mundos parcialmente diferentes e possuem diferentes sistemas de pensamento.
Uma das contribuições humboldteanas mais conhecidas nos estudos linguísticos diz respeito à classificação tipológica das línguas. Baseando-se na estrutura das palavras, Humboldt as classifica em isolantes, aglutinantes e flexionais80. No final do século XIX, suas ideias serviram de inspiração para várias linhas de investigação, como as de Wundt (1832-1920), quando desenvolveu seus estudos sobre psicologia linguística e psicologia nacional e as da escola estética e idealista de Vossler, que usou suas afirmações sobre individualidade, criatividade e potencialidade artística de cada língua.
Schleicher (1821-1868) foi um dos maiores representantes da linguística histórica e teórica. Como se interessava pela filosofia, pelas ciências naturais, especialmente a botânica, e pela linguística, Schleicher preocupou-se em estudar a natureza e forma de uma hipotética língua matriz e seus descendentes, construindo, posteriormente, uma árvore genealógica para representar as relações entre essa língua matriz e as línguas indo- européias conhecidas a partir de seus conhecimentos acerca da classificação das espécies de plantas. Este modelo genealógico forneceu um meio de apresentar não só o conjunto dos membros de uma família linguística, como também um quadro da história de toda a família e das relações temporais entre os seus membros. Sua filiação teórica está vinculada aos princípios naturalistas, consonantes com as ideias darwinianas, uma vez que ele se considerava a linguagem como um organismo natural e, portanto, deveria ser estudada segundo os métodos das ciências naturais. Assim, as línguas isolantes, aglutinantes e flexionais, conforme a classificação das línguas em Humboldt, deveriam ser vista como representação ascendente de diferentes etapas históricas do desenvolvimento linguístico
79Em sua teoria da percepção, Kant afirma que “as sensações produzidas pelo mundo exterior são ordenadas pelas categorias ou intuições impostas pelo entendimento, especialmente as categorias de espaço, tempo e causalidade”. (apud ROBINS, 1983, p.142).
80 As línguas isolantes são aquelas cujas unidades vocabulares são formadas por monossílabos, denominados raízes, como o chinês; as aglutinantes são aquelas cujas palavras são compostas de raízes. Destas, uma exprime a ideia principal; a outra se transformam em prefixos e sufixos, para indicarem as várias modalidades da ideia. As flexivas, também chamadas de orgânicas ou amalgamantes são aquelas em que os elementos aglutinados se modificam, na parte final, para exprimirem os acidentes da ideia. (Cf. COUTINHO, 1978).
Esse modo de considerar a linguagem como organismo submetido a leis necessárias, levou Schleicher a ser um dos pioneiros da linguística geral, corrente sucessória da linguística histórica. Para Kristeva (1969, p.242),
ele queria chamar a esta disciplina de Glottik, e fundá-la com base em leis análogas às leis biológicas. Mas este positivismo, transposto mecanicamente das ciências naturais para a ciência da significação, só podia ser idealista, pois não tinha em conta a especificidade do objeto estudado: a língua como sistema de significação e como produto social.
Whitney, entretanto, opôs-se a Schleicher e Max Müller, quando concebeu a língua não como um fato natural, mas um fato social.
Logo, a linguística não é uma ciência natural, mas histórica. A grande inovação dessa ideia está no fato de que o termo ‘organismo’ na época atingia o campo da metafísica. Para ele, a linguagem não é uma faculdade, mas deve ser estudada como uma instituição de invenção humana. Há também a tese de que a linguagem é um utensílio da comunicação: a linguagem é um instrumento, não um poder, uma faculdade; é um produto imediato deste pensamento, um instrumento. (SILVA, 2009).
No último quartel do século XIX, porém, os neogramáticos, representados, principalmente, por Osthorf e Brugmann, tentam reivindicar para a linguística o status de ciência. Para eles, se admitissem que as mudanças linguísticas fossem facultativas, contingentes e desconexas como pensavam seus antecessores, estariam afirmando que a linguagem, objeto de estudos, não poderia receber um tratamento científico. Era a ideologia positivista, então, seu maior aliado.
Segundo a teoria neogramática, eram as correspondências sistemáticas existentes entre os planos fônicos das línguas que demonstravam estarem elas relacionadas, e não