3.2. Metot
3.2.1. Yerçekimi Kuvveti ve Yanal Kısıtlama Ağlarına Dayalı Hesaplama
Para os setores mais conservadores da hierarquia católica, suas divergências com a TdL devem-se muito mais ao método do que aos objetivos, ou seja, não haveria discordância quanto à opção pelos pobres, por uma sociedade justa e respeitadora dos direitos dos humanos: “todos concordamos que há conflitos sociais, interesses antagônicos, estruturas injustas, situações de pecado, opressão, exploração do homem pelo homem”
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(KLOPPENBURG, D. 1985: 107). As divergências ocorrem, segundo Kloppenburg, porque os adeptos da TdL se colocam contra essa violência institucionalizada desde a perspectiva da
analise marxista. Dom Rossi, ao se referir às verdades, erros e perigos na TdL observa que foi a situação de miséria social do continente latino-americano que a originou. Essa é a
verdade que não se pode negar, mas, ao buscar a resposta para esse pecado social, os adeptos da TdL: tomam a evangelização pelo “caminho político-partidário, emocional, faccioso, mais ou menos materialista, de inspiração e prática marxista” (ROSSI, D. 1998: 441).
Na cúria romana a Sagrada Congregação Para Doutrina da Fé, sob a presidência do Cardeal Joseph Ratzinger, na Instrução Sobre Alguns Aspectos da “Teologia da Libertação” também pretende demonstrar os desvios prejudiciais à fé, que estão contidos neste modo de fazer teologia. Ela reconhece “o escândalo das gritantes desigualdades entre ricos e pobres – quer se trate de desigualdades entre países ricos e países pobres, ou de desigualdades entre camadas sociais dentro de um mesmo território”, mas condena o uso que os teólogos da libertação fazem do instrumental de análise marxista da realidade (INSTRUÇÃO, p. 8).
Para a cúpula vaticana, os teólogos da libertação devem ser criticados, pois partem da tese de que a perspectiva dos oprimidos e revolucionários é o referencial de verdade: “Os critérios teológicos da verdade vêem-se, deste modo, relativizados e subordinados aos imperativos da luta de classes”. (INSTRUÇÃO, p.33). A Instrução condena o imanentismo historicista no qual os teólogos da libertação incorrem ao assumir a tese da luta de classes como motor da história: “A história torna-se assim uma noção central. Afirmar-se-á que Deus se fez história” (INSTRUÇÃO, p.28). A TdL incorreria no monismo histórico* por não fazer distinção entre a história profana e a sagrada.
O outro tema polemizador entre a TdL e os conservadores é o da Igreja dos Pobres. Segundo o conservadorismo católico o sentido cristão do pobre é desvirtuado na TdL, posto que ela faz um “amálgama pernicioso entre o pobre da escritura e o proletariado de Marx; (...) e o combate pelos direitos dos pobres transforma-se em combate de classes na perspectiva ideológica da luta de classes”. (INSTRUÇÃO, 1984: 31). Assim ao conceber o pobre desde a perspectiva marxista de classe, a TdL propõe a luta revolucionária como meio de sua libertação, mas os cristãos não podem ter a violência como meio de superação das injustiças:
* MONISMO “Do grego monos = um, único. Em filosofia, doutrina comum a vários sistemas que tenta reduzir
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“não foi com a revolução que Cristo, seus Apóstolos e sua Igreja, lograram a abolição da escravidão” (ROSSI, D. 2002: 89).
Também o conceito de Reino de Deus estaria impregnado da hermenêutica marxista segundo o Cardeal Ratzinger. Ele critica Jon Sobrino cujas teses indicam que o Reino de Deus deve ser compreendido desde a práxis de Jesus e não como abstração escatológica. Para Ratzinger esse teólogo não só rompe com o dualismo corpo-alma, natural-sobrenatural, imanência- transcendência, presente-futuro, como transforma a realidade histórica em Reino (RATZINGER, 1984: 114). Dom Kloppenburg afirma que Gutierrez e Boff incorrem no mesmo erro: o primeiro quando diz que “lutar por um mundo justo... será significar a vinda do Reino; e Boff porque afirma que o Reino de Deus ‘se encontra em processo dentro da história sempre e lá onde se constroem a justiça e a fraternidade e onde os pobres são respeitados e feito agentes de sua própria história’” (KLOPPENBORG, 1985: 120). Para a cúpula vaticana essas interpretações desconsideram o caráter escatológico do Reino de Deus, negam a transcendência do homem, sacralizam a política e abusam da religiosidade do povo em
proveito de iniciativas revolucionárias (INSTRUÇÃO, 1984: 42).
O denominador comum de toda a crítica conservadora à TdL é o fato desta ter assumido algumas categorias de análise marxista da história. Mesmo admitindo as contradições do capitalismo, os conservadores o vêem como o mal menor. Se os pecados do capitalismo contra os direitos humanos são inegáveis, muito mais o são “os horrores e pecados do socialismo marxista contra o homem e sua liberdade”, sobretudo a liberdade religiosa (LEPARGNEUR, 1979: 114). Dom Rossi condena a visão acrítica dos teólogos da libertação em relação ao mito da libertação marxista e do paraíso proletário e denuncia que os direitos individuais “a começar da liberdade religiosa, não têm vigência nos países dominados pelo marxismo” (ROSSI, D. 1985: 95). A crítica conservadora questiona a TdL até mesmo em relação ao tema da Segurança Nacional: “por que silenciar ou negar o perigo marxista que pesa hoje sobre a América Latina?” (LEPARGNEUR, 1979: 44).
Para os teólogos da libertação a teologia tradicional, na medida em que se apóia no pensar metafísico, acaba por alienar-se das contradições históricas reais, e não faz senão coexistir e legitimar um sistema de opressão. Uma Igreja nesta perspectiva é “absolutamente incapaz de entender e de transformar o caráter irracional, desumano e contraditório da realidade econômica, política, cultural e religiosa. É uma igreja sem fé e sem esperança” (RICHARD, 1982: 28-91). É para melhor compreender a realidade histórica que os teólogos de libertação
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se utilizam do instrumental de análise marxista como mediação analítica: “se você é por uma sociedade de classes dominantes o funcionalismo lhe convém; agora, se você se coloca do lado oposto o marxismo se oferece como mediação” (BOFF, 1979: 1048).
Ao se utilizarem do instrumental de análise marxista os teólogos da libertação o fazem de forma autônoma, ou seja, “trata-se de ciência (saber controlado pela experimentação e verificação) e não de filosofia (interpretação universalizante do ser e da história global),” (BOFF-BOFF, 1980: 51-2). A TdL se apropria da teoria social marxista e não do
materialismo dialético*. É certo que em Marx, a teoria materialista e a teoria social estão juntas, mas, “do ponto de vista lógico, porém, não há uma dependência direta entre a filosofia materialista e a teoria social marxista” (CAVAZZUTI, 1984: 72). O cristão pode se apropriar da teoria social de Marx, sem necessariamente aceitar o seu ateísmo.
Em relação ao ateísmo, do qual se serve o pensamento conservador e reacionário, para
demonizar o marxismo, Hugo Assmann afirma que Marx - Engels tinham “verdadeiro horror de manifestações agressivas contra a religião em nome de um ateísmo militante” (ASMANN, 1985: 320). O materialismo histórico de Engels não impede-lhe de enxergar um duplo significado para o fenômeno religioso: alienação e utopia, ou seja, a religião tanto serve para reproduzir e justificar o status quo, quanto para contestá-lo: “Engels não poderia ter previsto a teologia da libertação, mas, graças a sua análise dos fenômenos religiosos do ponto-de-vista da luta de classes, trouxe à tona o potencial de protesto da religião e abriu caminho para uma nova abordagem ao relacionamento entre religião e sociedade” (LOWY, 2000: 21).
Contra o esquerdismo dogmático, a TdL não só redimensiona o caráter utópico e não alienado da religião, como também contribui, segundo Maduro, para dinamizar “a força dos oprimidos em suas lutas revolucionárias”. Contra o conservadorismo católico, que ressoa o anticomunismo militante das classes dominantes, a TdL promove a dessatanização do
marxismo, na mesma medida em que o relativiza e desmistifica (MADURO, 1990: 64).
* MATERIALISMO DIALÉTICO. “Foi elaborado por Engels, sob a influência da mentalidade cientificista do
século passado (séc. XIX) e, sobretudo da teoria de Darwin, e foi transformado por Stálin no catecismo que cada comunista devia aprender. Criticado, hoje, até por alguns marxistas, pretende ser a explicação cientifica da origem e da evolução do universo. O conceito chave dessa filosofia é a dialética da natureza – transposição da teoria da luta de classes ao mundo da realidade física. Por ser materialista, esta filosofia é a negação da visão cristã do mundo” CAVAZZUTI, Tomas. Pastoral e Análise Social – A Contribuição Do Marxismo, Caderno do CEAS, nº 94. nov/dez de 1984. p. 71).
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