3.1. Materyal
3.1.1. Deney Düzeneği Kurulumu
O pontificado de Paulo VI (1963/1978) mantém a política de abertura joanina, e até a amplia no que se refere às questões do desenvolvimento/subdesenvolvimento dos povos e da relação dos católicos com o movimento socialista. A Encíclica Populorum Progressio (1967), e a Carta Apostólica Octogésima Adveniens (1971), são os indicadores desse novo olhar vaticano em relação ás questões sociais e políticas.
A Encíclica Populorum Progressio**, em sua primeira parte, ao colocar a questão do desenvolvimento integral do homem não se exime de tratar do dilema reforma ou revolução. Em meio à tensão mundial acirrada pelas potências hegemônicas, EUA e URSS, não ignora que “é grande a tentação de repelir pela violência” a miséria social e a conseqüente degradação humana. Ao optar pela reforma, Paulo VI considera que esta não vingará se não
* Coisificação: Com base nos ensinamentos de Pio XII a encíclica conceitua alienação: “a pessoa humana como
tal não só não pode ser considerada como mero objeto ou elemento passivo da vida social, mas, muito pelo contrário, deve ser tida como o sujeito, o fundamento, e o fim da mesma” (PT - 26).
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for elaborado um plano global onde o poder público não esteja totalmente manietado pela iniciativa privada. Quanto à opção revolucionária, ainda que condenada, é justificada moralmente em “casos de tirania evidente e prolongada que ofendesse gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudicasse o bem comum do país” (PP, 30-31).
Em relação à propriedade privada a encíclica apóia-se na autoridade dos Padres da Igreja, quando defende a reforma agrária e afirma que, esta “não constitui para ninguém um direito incondicional e absoluto”. O direito à propriedade deve subordinar-se ao direito maior que é o do bem comum de toda a comunidade: “Construiu-se um sistema que considera o lucro como motor essencial do progresso econômico, a concorrência como lei suprema da economia, a
propriedade privada dos bens de produção como direito absoluto, sem limite nem obrigações sociais correspondentes”. Condena a ditadura do capital que gera o “imperialismo internacional do dinheiro”, e as oligarquias dos países subdesenvolvidos que gozam de
civilização requintada enquanto a maioria dos pobres vegeta na miséria (PP, 23- 26).
Numa perspectiva propositiva, a encíclica aponta em direção a um desenvolvimento solidário
da humanidade. Num mundo dividido por dois sistemas antagônicos, ameaçando-se reciprocamente com armas nucleares, Paulo VI defende um Fundo Mundial “sustentado por uma parte da verba das despesas militares, para vir em auxílio dos mais necessitados” (PP, 51). Só uma colaboração mundial supera a miséria dos povos subdesenvolvidos e promove um diálogo fecundo e pacífico entre os povos. Paulo VI adverte que a paz não será alcançada sem a justiça social, tampouco pode ser reduzida à ausência da guerra É nesse sentido que devemos entender a frase que se tornou a tese emblemática da encíclica – Desenvolvimento è
o novo nome da paz.
A Carta Apostólica Octogésima Adveniens (14/05/1971) foi dedicada ao cardeal Maurice Roy presidente da Comissão Pontifícia “Justiça e Paz”, para marcar o 80º aniversário da Encíclica
Rerum Novarum de Leão XIII (1878/1903). No contexto histórico da Carta Apostólica, “a Igreja encontra-se ante dois grandes desafios da segunda metade do século XX: a modernidade e a pobreza” (CAMACHO, 1995: 339). Paulo VI reafirma a necessidade de retomar o ensino de seus predecessores para a um mundo em transformação, e lembra que diante da diversidade histórico- cultural dos povos torna-se difícil “tanto pronunciar uma palavra única, como propor uma solução que tenha valor universal”. Compete às comunidades cristãs locais a tarefa de discernir, com base nos Evangelhos e nos ensinamentos sociais da
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igreja, qual o melhor caminho para realizar as transformações sociais, políticas e econômicas que se fazem necessárias e urgentes (AO, 01-04)
A Carta Apostólica aborda os problemas sociais decorrentes do êxodo rural, da urbanização acelerada e da relação destes com a industrialização. O resultado de um processo que visa o lucro sem limites é o empobrecimento do proletariado e a degradação do meio ambiente. Com a exploração predatória da natureza, o homem não só corre o risco de destruir-la, como ele mesmo torna-se vítima dessa degradação (AO, 21). Convoca os cristãos a participarem na construção de cidades mais humanas que respondam à dupla aspiração do homem contemporâneo, à igualdade e a participação.
Na carta, o papa afirma que o caminho que pode levar os cidadãos a realizarem os anseios de igualdade e participação é a democracia: “Não compete nem ao Estado, nem sequer aos partidos políticos que estariam fechados sobre si mesmos, procurar impor uma ideologia, por meios que viessem a redundar em ditadura dos espíritos, a pior de todas” (AO, 25). Define os sistemas ideológicos como “convicções supremas acerca da natureza, da origem e do fim do homem e da sociedade”. As ideologias são legítimas desde que não impostas por repressão. Paulo VI retoma o Vaticano II para reafirmar que, contra a ditadura dos espíritos, as idéias devem convencer “pela sua própria força de verdade” (AO, 25). Contra a ideologia marxista, rejeita o materialismo e a dialética da violência, bem como a sujeição da liberdade individual ao coletivismo. Contra a ideologia liberal condena sua exaltação do individualismo, a ganância do lucro e o desejo de poder, a pretexto de defender a liberdade.
O cristão não pode aderir quer seja a ideologia marxista ou liberal, porem, chamado a construir uma nova sociedade ele não pode alienar-se de sua responsabilidade cívica. Que fazer se marxismo e liberalismo são os dois pólos ideológicos que fundam a maioria dos movimentos sociais e políticos? Paulo VI retoma a Pacem in Terris para afirmar que nada impede que o cristão assuma compromissos com os movimentos históricos desde que estejam “em conformidade com as normas da reta razão e interpretam as justas aspirações humanas” (AO, 30). A Carta evita uma posição de condenação radical e propõe ao cristão agir com
discernimento. Adverte para a idealização que os cristãos fazem do socialismo onde vêem apenas os ideais de justiça, solidariedade e igualdade, e do liberalismo com sua defesa da eficiência econômica e iniciativa pessoal contra as o coletivismo (AO, 35).
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incapacidade do socialismo burocrático, do capitalismo tecnocrático e da democracia
autoritária de resolver os problemas da liberdade, justiça e igualdade. Mesmo que o desejo utópico possa constituir-se numa fuga das responsabilidades imediatas, faz-se necessário reconhecer que “esta forma de critica da sociedade existente provoca muitas vezes a imaginação prospectiva para, ao mesmo tempo, perceber no presente o possível ignorado, que aí se acha inscrito, e para orientar no sentido de um futuro novo” (AO, 37). No final não só retoma a questão da necessidade de uma distribuição mais justa dos bens; seja nas comunidades nacionais, ou no plano internacional, como volta a condenar as ideologias
revolucionárias as quais alcançando o poder de Estado suprimem as liberdades democráticas e, instauram novas formas de injustiças (AO, 43-45).