2.4 ENERJİ ARZI
2.4.2 Yenilenebilir (Alternatif) Enerji Kaynakları
Desde os primórdios das leis do direito de propriedade intelectual, esses aparatos legislativos têm sido mediadores da constante tensão entre os interesses individuais e coletivos (MERGES, 1995), conforme a análise histórica que passamos a expor.
Antes de nos aprofundarmos na origem histórica das patentes, tema mais relevante em relação ao objeto da presente investigação, merecem ser apresentados alguns breves comentários acerca das origens da adoção de marcas, do direito autoral e dos direitos de cópia.
No caso do emprego de marcas, é possível afirmar que elas são tão antigas quanto o próprio comércio. Desde que a economia humana evoluiu a ponto de produtores se especializarem na produção de bens para terceiros, passaram a serem adotadas marcas com letras e símbolos para identificar o produtor, a exemplo da confecção de vestuário e cerâmicas. Algumas marcas, registradas em artefatos produzidos na China, Índia, Pérsia, Egito, Roma e Grécia, datam de mais de 4000 anos. Eram usadas com vários propósitos: como uma espécie de propaganda para potenciais compradores, como comprovação de origem na resolução de disputas de propriedade e como garantia de qualidade quando a
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Ainda que William M. Landes e Richard A. Posner, ligados a Chicago Law School, sejam considerados representantes da corrente Law and Economics, de tendência neoclássica, nota-se que seus argumentos elencados nesse tópico possuem muitos pontos de convergência com as críticas aos princípios da propriedade intelectual postuladas pelos autores da Economia Política.
marca do artefato comercializado estava associada a uma boa reputação (MERGES et al., 2010).
Ao resgatar a história do direito autoral, Araya e Vidotti (2010) registram o protesto do poeta espanhol Marco Valério Marcial, no século I d.C., contra aqueles que, indevidamente, se apropriavam da autoria de sua obra poética (MARCIAL, 1984).45
As autoras concordam com Goldschmidt (1943) e McLuhan (1977), quando esses autores afirmam que, na Idade Média, o conteúdo informacional não era considerado a expressão da personalidade e opinião de outro homem. Naquele período,
O interesse por autores e títulos de autenticidade não existia, pois a produção intelectual refletia o conhecimento de alguns, adquirido ao longo do tempo, baseado sempre no conhecimento de outros anteriores a eles. [...] Não era somente o usuário de manuscritos que mostrava indiferença quanto à autoria ou ao período exato em que a obra tinha sido escrita. O autor nem sempre se manifestava explicitamente em sua obra. Ele próprio não lhe atribuía originalidade, pois ela era somente o espelho do conhecimento registrado no passado. Assim, era frequente o anonimato da produção medieval (ARAYA, VIDOTTI, 2010, p.60-61).
Segundo McLuhan (1977) e Araya e Vidotti (2010), a partir da década de 1440, com o emprego da chamada imprensa de Gutemberg, a palavra impressa passa a ser o primeiro bem produzido em grande escala, comercializado e produzido uniformemente. Para os autores, a palavra impressa está diretamente relacionada com a criação numa economia de mercado, baseada em produtos idênticos e sistema de preços.
Com a adoção em larga escala da impressa de tipos móveis, modificam-se os conceitos de originalidade e autoria. O autor de uma obra passa a ser considerado uma fonte de originalidade e inspiração criadora espontânea e surge a necessidade de legislar sobre as publicações, principalmente as criações literárias (MCLUHAN, 1977; ARAYA, VIDOTTI, 2010).
Em semelhante direção Merges et al. (2010) afirmam que a disseminação da imprensa no ocidente forneceu o ímpeto para o estabelecimento da proteção do direito de cópia, em primeiro lugar na república de Veneza, que se tornara, na época, a capital da impressão. O primeiro monopólio para impressão de livros nos territórios venezianos teria sido concedido ao primeiro impressor da cidade, por cinco anos, a partir do ano de 1469. 46
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O poeta chama-os de plagiários, em analogia à Lei Fábia de Plagiariis do século II a.C. que declarava réu de plágio aquele que vendesse, ocultasse, doasse ou trocasse, deliberadamente, um homem que fosse livre (ARAYA, VIDOTTI, 2010). Segundo o epigrama Un plagiario de Marcial (2004, p.89): “Corre el rumor de que tú, Fidentino, lees mis versos al público como si fueran tuyos. Si quieres que se diga que son míos, te enviaré gratis los poemas; si quieres que se diga que son tuyos, compra esto: que no son míos”.
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Merges et al. (2010) registram que a tecnologia de impressão foi criada no extremo oriente bem antes de Gutemberg. O primeiro livro impresso e datado, produzido no ano de 868, foi a escritura budista conhecida
Já no caso da invenção da patente, esta também pode ser atribuída aos venezianos do século XV, quando os artesãos italianos, principalmente aqueles que trabalhavam com vidro, se espalharam pela Europa e, ao voltar com novas expertises, levaram também a ideia da proteção legal da invenção. Em troca por retornar com novas habilidades e experiências, desfrutavam de privilégios monopolísticos (MERGES, 1995; ALBAGLI, MACIEL, 2012).
Assim, o primeiro aparato legal voltado para a questão das patentes foi criado pelo Senado veneziano em 1474, quando a prática começou a ser regularizada. O ato provado pelos senadores de Veneza estabelecia:
Fica decretado [...] que toda pessoa que construir qualquer dispositivo novo e engenhoso nessa cidade [...] deve noticiar o escritório do nosso Conselho de Bem-Estar Geral [...]. Sendo vedada a qualquer outra pessoa em qualquer dos nossos territórios ou cidades fazer qualquer dispositivo adicional em conformidade ou similar ao referido, sem o consentimento e licença do autor, pelo período de dez anos. E se alguém construí-lo, violando o presente documento, [...] o citado infrator deve ser obrigado a pagar a ele cem ducados, e o dispositivo deve ser destruído imediatamente (MERGES et al., 2010, p.125).
Importante destacar que esse ato veneziano reservava à República o direito de usar qualquer invenção sem compensar o inventor, o que representa, segundo os autores, uma tentativa pioneira de conciliar o interesse individual com o bem da comunidade, problema esse que continua a desafiar as atuais leis de propriedade intelectual.
As patentes chegaram à Grã-Bretanha no século XVI, quando eram usadas pelos monarcas para induzir os artesãos estrangeiros a introduzir na Inglaterra as tecnologias que estavam sendo desenvolvidas no continente europeu (MERGES, 1995).
Portanto, o que mais tarde se tornaria o sistema de patentes anglo-americano originou-se com um instrumento mercantilista – o que hoje seria chamado de uma política de comércio internacional estratégico (MERGES et al., 2010, p.126).
O objetivo dessa estratégia era atrair imigrantes que tivessem habilidades e qualificações específicas, por meio a promessa de privilégios exclusivos. No entanto, ironicamente, no século XVIII, a própria Grã-Bretanha passou a mostrar preocupação quando o problema se inverteu e seus avanços técnicos começaram a vazar para rivais no exterior, como as suas colônias na América (MERGES et al., 2010, p.126)
Segundo Perelman (2002), esses fatos históricos sugerem que as patentes tenham sido inicialmente um veículo para roubo da informação alheia e não para promover a invenção.
como Diamond Sutra, pioneira na adoção da tecnologia de impressão em blocos. O primeiro dispositivo de impressão dotado de tipos móveis foi inventado na China em 1041.
Esse tipo de prática se espalhou por toda a Europa durante os séculos XVI e XVII, quando os privilégios eram garantidos para inventores, artesãos inovadores e empreendedores. A patente era, então, um entre vários gêneros de privilégios como os alvarás, franquias, licenças e regulamentos emitidos pela Coroa ou pelo governo local dentro da lógica vigente no período mercantilista. Trata-se, portanto, de uma prática desenvolvida simultaneamente em muitos estados mas com diferentes nuances (MACHLUP, PENSORE, 1950).
No início do século XVII, as patentes eram distribuídas de maneira abusiva pela Coroa inglesa, privilegiando os nobres cortesãos. Este fato ensejou a criação do Estatuto dos Monopólios (Statue of Monopolies) de 1624, que pode ser considerado a primeira lei de patentes de uma nação moderna. Opondo-se ao sistema de privilégios da realeza, ele foi chamado de Carga Magna dos direitos dos inventores, pois estabeleceu o princípio de que apenas ao "verdadeiro e primeiro inventor" seria garantido o monopólio da patente (MERGES, 1995).
Em fins do século XVIII, três países de destaque já tinham seus sistemas legais de patentes. A Assembleia Constituinte francesa aprovou sua lei de patentes em 1791. Nos Estados Unidos da América, o Congresso aprovou sua lei em 1793. Nos cinquenta anos seguintes, o sistema de patentes regulado por lei se espalhou por diversos outros países, como Áustria (1810), Rússia (1812), Prússia (1815), Bélgica e Holanda (1817), Espanha (1820), Bavária (1825), Sardenha (1826), Vaticano (1833), Suécia (1834), Portugal (1837) e Saxônia (1843) (MACHLUP, PENSORE, 1950).
Mas a questão das patentes também foi objeto de análises críticas que tiveram grande alcance e influência no passado. As controvérsias surgiram principalmente na Inglaterra, França, Alemanha, Holanda e Suíça entre os anos de 1850 e 1875. Machlup e Penrose (1950) apresentam um resgate histórico destes embates, sucintamente apresentados a seguir.
Na Inglaterra, diversas sugestões foram discutidas no sentido de reformular a lei e até mesmo de aboli-la totalmente. Defenderam esta última ideia o jornal The Economist de Londres, o Vice-Presidente da Junta Comercial, inventores de destaque, membros do Parlamento, representantes de distritos manufatureiros como Manchester e Liverpool.
Na Alemanha, um forte movimento contra as patentes de invenções também ganhou força. Para atacar o protecionismo das patentes, argumentou-se em favor do livre mercado, e os economistas foram quase unânimes na condenação do sistema. Associações Comerciais, Câmaras de Comércio, o Governo da Prússia e o Chanceler Bismarck recomendaram a reforma ou abolição da lei de patentes.
Nesta ocasião, a Suíça era o único país industrial na Europa que permanecia sem um sistema de patentes. A adoção de sistema de patentes foi rejeitada em 1849, 1851, 1854 e duas vezes em 1863, tendo nesta última vez o suporte de economistas políticos de grande reconhecimento, que consideravam a proteção das patentes perniciosa e indefensável.
Na Holanda, o movimento antipatente estava, mais do que em qualquer lugar, ligado ao movimento a favor do livre-mercado. A funcionalidade do sistema de patentes era questionada, sem que houvesse um acordo para reforma da lei que satisfizesse as partes envolvidas. Em 1869, o sistema foi abolido na Holanda.
Machlup e Penrose (1950) argumentam que no fim dos anos 1860 a causa da proteção das patentes parecia completamente perdida. Porém, um forte contra-ataque foi organizado por aqueles que defendiam o sistema de patentes. Entre os anos de 1867 e 1877, foram empregadas técnicas intensivas de propaganda neste sentido. Foram formadas sociedades para a proteção das patentes, resoluções foram propostas e endereçadas aos jornais diários, palestrantes foram delegados para argumentar em reuniões de associações profissionais e de comércio. Panfletos e folhetos foram largamente espalhados. Foram criadas competições que premiavam os melhores textos em defesa dos sistemas de patentes. Petições foram submetidas a governos e legisladores. Reuniões internacionais foram organizadas e compromissos firmados com os grupos inclinados a endossar a reforma liberal do sistema de patentes.
No entanto, Perelman (2002) concorda com Machlup e Penrose (1950) quando estes argumentam que estas não foram as principais razões para que o sistema de patentes sobrevivesse e de fato se reforçasse, a partir do início da década de 1870, apesar de todas as pressões que vinha sofrendo. O principal fator responsável para sedimentação da lógica a da propriedade intelectual teria sido, na verdade, o simultâneo enfraquecimento do movimento de livre-mercado decorrente da grande recessão econômica que se abateu sobre a Europa naquela época. A partir da grande depressão de 187347, o movimento a favor das patentes ganhou força, assim como ganhou força o movimento protecionista contrário ao livre-mercado. Um a um, os países aprovaram leis reforçando os princípios do patenteamento: em 1874, a Inglaterra; em 1877, a Alemanha; em 1887, a Suíça; e em 1912, a Holanda, último bastião do livre comércio de invenções. Merges et al. (2010) afirmam que a Convenção de Paris, assinada em 1883, é produto dessa primeira onda de internacionalização do campo das leis de patentes.48
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Os impactos da crise de 1873 foram de tal magnitude que ela foi chamada de grande depressão até a ocorrência da crise de 1930 (PERELMAN, 2004).
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O objetivo principal da Convenção de Paris foi garantir uma data de prioridade uniforme para solicitação de patente em diferentes países. O requerimento de uma patente em um país signatário dá ao requerente 12 meses
Dado o caráter decisivo da crise econômica na institucionalização do sistema de patentes, Merges (1995) afirma que o direito de propriedade intelectual nasceu com uma resposta a falhas de mercado. Em outras palavras, os mecanismos de propriedade intelectual foram adotados quando o mercado não foi capaz de prover o tipo de resultado econômico que os governantes desejavam.
Em semelhante direção, a análise da evolução histórica do sistema de patentes permite que Perelman (2002) afirme que, ao contrário de representar o pináculo do sucesso do mercado, os direitos de propriedade intelectual são uma expressão de falhas de mercado. As patentes e outros direitos de propriedade intelectual vêm à tona quando os mercados ameaçam entrar em processo de autodestruição.
No caso dos Estados Unidos, Perelman (2003) destaca que, nas seis primeiras décadas do século XIX, as empresas não remuneravam os inventores, e o país nem sequer reconhecia os direitos de cópia. Com a acentuada depressão da década de 1870, aqueles defensores do livre mercado, que consideravam a propriedade intelectual um monopólio feudal, passaram a buscar desesperadamente por qualquer coisa que oferecesse lucros em níveis desejáveis.
Os direitos de propriedade intelectual também foram convenientemente empregados por corporações norte-americanas para driblar as imposições da lei antitruste (Sherman Antitrust
Act) promulgada em 1890. Até então, as empresas ignoravam a propriedade intelectual de inventores independentes. A partir desta ocasião, as patentes passaram a ser defendidas pelas grandes corporações que podiam financiar suas próprias pesquisas e, desta maneira, manter seu poder de mercado, que estava ameaçado pelas políticas que combatiam a prática do truste. No entanto, estas firmas tiveram antes que se engajar na modificação da lei de propriedade intelectual, tendo em vista que a legislação vigente concedia o direito de deter patentes apenas a indivíduos, não a empresas. Esta mudança na lei evidencia a derrubada dos direitos do ‘verdadeiro e primeiro inventor’. Em seu lugar, tem início a legitimação da apropriação privada, por parte das empresas, do produto intelectual dos sujeitos inovadores (PERELMAN, 2002).
Merges et al. (2010) afirmam que a história do sistema de patentes nos Estados Unidos ao longo do século XX revela oscilações entre períodos de maior ou menor proteção.
Durante as décadas de 1920 e 1930, cresceu a percepção de que grandes companhias detentoras de portfólios de patentes estavam muito poderosas, quando veio à tona uma série de ações anticompetitivas de corporações cujas patentes dominavam seus respectivos mercados. Na ocasião, os tribunais norte-americanos tornaram-se menos propensos a reforçar os direitos
de prazo para que ele decida se é conveniente requerer a patente em outro(s) país(es) e se prepare para os procedimentos legais devidos (MERGES et al., 2010).
de propriedade e passaram a punir mais os titulares das patentes que excedessem o escopo das concessões de suas patentes.
Na década de 1940, ganha força o recrudescimento do sistema de patentes nos Estados Unidos. Enquanto o país direcionava todos os seus recursos disponíveis para o esforço de guerra, as forças armadas convocaram engenheiros e cientistas para aperfeiçoar uma vasta gama de novas tecnologias, no curto prazo. Ao fim da guerra, havia um consenso no Congresso norte- americano em favor do fortalecimento do sistema de patentes, o que se refletiu em 1952 na aprovação da maior revisão do código de patentes norte-americano desde o século XIX (MERGES et al., 2010).
Em outra circunstância histórica, no final dos anos 1960, quando a prosperidade dos anos de ouro do pós-guerra começou a desmoronar com a queda dos excedentes de exportação norte-americanos, novamente o recrudescimento dos direitos de propriedade intelectual ganhou força com a justificativa de salvar a economia e retirar do vermelho a balança comercial norte- americana. Assim como no século XIX, neste contexto, os empresários também percebem na propriedade intelectual meios de aumentar os lucros quando as condições econômicas começam a azedar (PERELMAN, 2003, 2004).
O autor também aponta algumas situações em que o governo desconsiderou a lei de patentes para impor o fim de litígios que emperravam o progresso de algumas tecnologias, especialmente aquelas em que havia forte interesse militar, com nos casos clássicos do rádio transmissor, da aviação e dos semicondutores.
No caso da transmissão via rádio, que em seus primórdios necessitava ser aprimorada para permitir a comunicação marítima plena, o progresso tecnológico esteve travado até o governo entrar em ação para acabar com os litígios entre as diversas companhias que reivindicavam direitos de propriedade intelectual sobre os elementos básicos daquela tecnologia.
Já no caso dos primórdios da aviação, o problema não era a competição entre várias patentes, mas a existência de uma única patente básica atribuída aos irmãos Wright. Este fato impedia o avanço do progresso tecnológico que poderia se dar com a entrada de outros concorrentes neste segmento. A situação se tornou tão séria que, durante a Primeira Guerra Mundial, os órgãos de defesa norte-americanos forçaram a instituição de um licenciamento cruzado automático para os interessados em atuar no mercado da aviação.
Em relação ao segmento de semicondutores, a ação governamental se deu para combater a prática de engenharia reversa que começou a prejudicar a indústria de eletrônicos dos Estados Unidos no final dos anos 1970, quando as firmas japonesas impuseram uma rivalidade agressiva
neste setor. A prática de engenharia reversa, até então usual naquele segmento, foi formalmente vetada para o projeto de circuitos integrados (chips) por um novo tipo de propriedade intelectual especialmente criado pelo Congresso norte-americano para esta finalidade.
Todos esses fatos históricos levam Perelman (2002) a questionar o argumento daqueles que defendem os mecanismos de patentes como medidas que fazem avançar o progresso tecnológico e científico. O autor afirma que o direito de propriedade intelectual mostra ter uma tendência escorregadia para o lado da conveniência. Quando a propriedade intelectual é conveniente para aqueles que detêm o poder na sociedade, seus defensores fingem que as patentes oferecem uma rara combinação de eficiência e moralidade. Por outro lado, quando a propriedade intelectual incomoda interesses poderosos, ela é sumariamente descartada. Perelman afirma ainda que essa hipocrisia persiste até os dias de hoje, o que fica evidente quando as mesmas empresas que defendem com veemência a propriedade intelectual são acusadas de violar, sem escrúpulos, a propriedade intelectual alheia.
Após esse percurso em que buscamos discutir o direito de propriedade intelectual a partir do ponto de vista crítico e a partir do resgate histórico da sua gênese e evolução, cabe-nos indagar como a propriedade intelectual se apresenta hoje, na era da informação.
Esse é o propósito do próximo tópico, construído a partir das reflexões de alguns autores que abordam o cenário atual a partir da discussão da acumulação primitiva e dos cercamentos (enclosures) que precederam o nascimento do capitalismo. Nossa análise também privilegia a ideia de que está em curso a instituição de um novo regime econômico que se fundamenta na propriedade intelectual e que é fortemente fomentado pelos Estados Unidos, país cuja política de informação nacional passa a representar a mais significativa materialização dessa construção social.