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Yeni Türk Ceza Kanunu’na göre uygulama esasları

A. Mülga 765 Sayılı Türk Ceza Kanunu ile Mülga 647 Sayılı Ceza İnfaz Kanunu Dönemindeki Düzenlemeler

2. Yeni Türk Ceza Kanunu’na göre uygulama esasları

A partir de 1850, com a promulgação da Lei No601, a Lei de Terras, foi

instituído que a única forma legal de aquisição de terras era a compra registrada das porções do território oferecidas pelo Estado. A lei tentou reparar o estado de coisas produzido pelo período de predomínio da posse com a proposta de medidas reparadores e conformadoras. A Lei de Terras é instituída como uma revisão do regime das sesmarias e acaba por ratificar o regime de posses. Mais do que reconhecer a propriedade, no Artigo 5º, a referida lei estimula uma corrida pela possessão quando afirma que não só o cultivo legitima a posse, como ainda possibilita ao posseiro adquirir a mesma porção que possua, dada a sua capacidade econômica demonstrada pela produtividade das possessões no momento da promulgação da lei. A única ressalva que faz é que essa não exceda em extensão à última sesmaria concedida na mesma comarca.

Apesar de não reverter a situação gerada no período de posses, de 1822 a 1850, e da dificuldade de sua aplicação, a Lei de Terras é uma obra de vulto para a época. Um dos maiores ganhos oferecidos pela sua promulgação foi realçar os limites do que eram terras do Estado e de particulares, pois definiu claramente o que se denominavam de terras devolutas. Os critérios estabelecidos foram o de não haverem título legítimo, não terem sido concedidas por sesmarias, não se encontrarem em posses legitimadas pela lei ou não estarem submetidas a algum tipo de uso público de qualquer instância. A lei ainda contornava a ―desgovernança‖ criada pelo regime de posses, deixada a critério e iniciativa dos povoadores. Para tanto, foi instituído o registro paroquial das terras, o que não esgotava a questão dada a sua superficialidade, mas era de grande auxílio.

O registro paroquial, se não possuía o caráter cadastral, serviu ao menos do ponto de vista estatístico, oferecendo até os dias de hoje, com imprecisões pela falta de padronização e método nas demarcações, para se colher informações documentais sobre o período. Além disso, estabeleceu oficialmente as relações entre confinantes, bem como entre proprietários, núcleos povoadores e entrepostos de transporte; além disso, firmou direitos como os de servidão, desapropriação para estradas e a retirada de águas desaproveitadas. Nesse item, foi fundamental para as primeiras considerações sobre os espaços urbanos, a subordinação da questão imobiliária dentro do perímetro urbano e na questão da expansão das malhas sobre a propriedade agrária. Outra inovação da lei foi a reserva de terras para a fundação de povoações e para a colonização dos indígenas. Complementam, ainda, e aperfeiçoam essa legislação o Decreto No

1.318, de 30 de janeiro de 1854, o de 8 de maio de 1854, a Portaria No385, de 19 de dezembro de 1855, e o Decreto No6.129, de 23 de fevereiro de

1876.

A concessão de terras, como foi instituída pela legislação6

, se deu por dois elementos fundamentais, mas alternativos: o contrato e o título. O primeiro deveria ser realizado pelas Tesourarias da Fazenda quando a venda fosse realizada em hasta pública e, o segundo, deveria ser emitido pelo Presidente da Província onde as terras se situassem quando não transitada por fora de hasta pública. Contudo, na prática as Tesourarias também emitiam títulos das terras adjudicadas, mas segundo Bevilaqua (1928 apud LIMA, 1954:101) ―As concessões de terras publicas sempre dispensaram no nosso direito a transcripcão.‖ Situação que não se alterou com o Código Civil de 1916, que sistematizou que a transcrição objetiva deveria não só fornecer prova da propriedade, mas também presumir a legalidade da aquisição e dar publicidade à transferência do domínio; tudo no âmbito apenas do direito privado. Nesse sentido, tanto o contrato quanto o título, atento ao fato de que foi tarefa do Poder Público dar publicidade aos atos contratuais, podiam igualmente ser considerados como sinônimos. Remonta daí a instituição do reconhecimento da propriedade pelo contrato, o que está sendo muito utilizado na compreensão das relações entre as populações e a ocupação do solo urbano até a atualidade.

O efeito pretendido por essa transformação jurídica foi a garantia da propriedade desvinculada da efetiva ocupação e a sua monetarização, o que produziu um referencial de valor de troca e também como garantia hipotecária. Entendeu-se como situação consolidada as áreas de cultivo comum, e o restante, que estivesse desocupado, só poderia ser adquirido em hasta pública. A terra então passa a ter outro papel na estrutura econômica, pois permite servir como lastro no financiamento da atividade produtiva. Além disso, a imobilização do capital migra da mão-de-obra para o meio de produção, o que permite uma nova ordenação e o desenvolvido do sistema de produção agrícola e da proto-indústria que se originava, com maior aporte financeiro.

A questão da terra passa, então, a ser associada legalmente à questão da mão-de-obra. A mesma lei que instituiu o regime de terras e garantiu a propriedade trata simultaneamente a questão da mão-de-obra, justapondo a regulamentação da imigração de colonos europeus para substituírem a mão-de-obra escrava à questão do parcelamento e ocupação territorial. Nesse sentido, a estratégia da legislação era também garantir que o colono cumprisse o seu papel como agente produtivo, evitando que ele se tornasse mais um elemento na disputa espacial às custas do Estado ou dos Fazendeiros. Em paralelo, sobre as mesmas pressões populacionais, cabe também comentar que tal zelo não se dá apenas em função da imigração, mas também em relação à abolição da escravatura, o que pode ser vista sobre aspectos econômicos e espaciais. Sintetiza a questão José de Souza Martins, nos permitindo compreender a interface entre a terra e a escravidão do seguinte modo: ―o acesso à terra no Brasil é livre quando o trabalho é escravo; no momento em que se implanta o trabalho livre, ela passa a ser cativa‖. (MARTINS, 1979 apud ROLNIK, 1997:23)

Sendo um momento propício para se pensar numa reforma agrária que fixasse o negro liberto ao campo, dando a ele condições de sobrevivência e participação no processo produtivo, perdeu-se a oportunidade de precaver-se quanto a dois problemas fundamentais para a formação sócio-econômica do território: A incorporação do negro na estrutura econômica e, portanto, a sua cidadania; e a realização de uma transformação das estruturas geográficas, o que acarretará em graves problemas de disposição das cidades ante a pressão das massas alienadas do espaço nos períodos subseqüentes.

Neste ponto, entende-se a amplitude do debate em torno da questão dos valores, da oferta e da demanda estabelecidos na Lei de 1850. Não se tratando apenas de uma avaliação dos recursos auferidos pela venda das terras — o que nos faria reafirmar a necessidade de valorizar moralmente um colono negro — mas, também, de uma regulação da disposição da mão-de-obra, a referida lei procura com uma única disposição regular a questão da mão-de-obra, da colonização, da territorialidade e das competências da Administração Pública. Contrariamente, porém, o que se viu além da concentração em latifúndios foi um sobrepreço cobrado pelas terras oferecidas para leilão, ante o medo dessas se tornarem propriedades de uma população improdutiva e pouco empreendedora, mas apenas subsistente. Além do mais, a diretriz governamental com relação à mão-de-obra era bastante instável ante as pressões externas, assim como de alguns setores internos pela abolição, pela incorporação da mão-de-obra européia e a própria existência de mão-de-obra cabocla — dispersa, mas numerosa —, tudo isso ante o predomínio de alguns setores dependentes da escravidão.

A questão de fundo é justamente essa substituição do escravo pela terra como lastro de riqueza, antes imobilizada como renda capitalizada na mão-de-obra, depois como bem de produção. A Lei de Terras então foi menos meio e mais resultado dessa transformação, pois, através desse estatuto jurídico criado, a propriedade poderia ser oferecida em garantia para empréstimos destinados à produção, e o seu valor se eleva rapidamente. Quando a terra adquire valor, passa a ser fundamental a precisão no parcelamento e a identificação de limites exatos. Além dos resultados econômicos e sociais, o reflexo nas estruturas espaciais, principalmente as urbanas, pode ser percebido com a distinção da propriedade para fins utilitários e da propriedade para fins econômicos, na medida em que institui o parcelamento como meio de produção espacial e econômica. Essa visão pode ser resumida do seguinte modo:

A separação entre a propriedade e a efetiva ocupação ocasionou uma transformação radical na forma da cidade, na medida em que aparecem a figura do loteamento ou arruamento, o desenho das ruas e lotes prévios ao próprio ato de construir. A desconformidade do tecido colonial representou a posse do chão no momento da edificação, sem desenho, previsibilidade e demarcação prévios do lote e da rua, mais do que a filiação a um padrão estético ligado a uma tradição pinturesca. As terras eram doadas sem serem precisamente demarcadas, o que abriu espaço para litígios em torno de linhas demarcatórias da exata localização das ‗servidões‘. Diante da irregularidade das ruas e do alinhamento nas edificações, a Câmara

condicionou em São Paulo, em 1831, a concessão de novos lotes à elaboração de um plano de arruamento. (ROLNIK 1997:25)

Na cidade de São Paulo, a obrigatoriedade desse planejamento se deu a partir de 1831 e a Lei de Posturas, que rege essencialmente o trânsito, na verdade demarca a servidão pública. Em síntese, pode-se dizer que a evolução da legislatura urbanística transcende a questão técnica, estética ou espacial, agindo diretamente sobre uma ―reserva de valor historicamente estratégico‖. (Rolnik 1997:25)

O termo ―ocupação‖ passa, de fato, a ser considerado institucionalmente e empregado na Lei de 1850 e no Regulamento de 1854. Não regrado por uma disposição ideológica, como o definimos hoje, mas subordinado apenas àquele espírito ausente que será a nossa marca nas questões jurídicas até o final do século XX, que associa fatores econômicos e sociais como justificativa ora para não respeitar a lei pelo cidadão, ora para o Poder Público não fiscalizar o seu cumprimento adequadamente. O nosso modelo era único, não só no delineamento da lei, como na sua afronta e no seu desrespeito.

Quanto a isto, cabe ressaltar também que são os modelos administrativos luso-brasileiros também em nada semelhantes aos demais, principalmente aos norte- americanos, até mesmo naquilo em que ilusoriamente se parecem. A pequena propriedade norte-americana foi uma estratégia de colonização, porém regrada por valores de equiparação sócio-econômica, estabelecida pela estima ao direito individual e protegido pelo Estado. No nosso caso, a pequena propriedade foi uma iniciativa à margem das instituições, omisso o Estado em propor instrumentos legais e políticas econômicas equalizadoras ou fazer valer algum direito individual ou de incrementar alguma política social eficiente; mas oferecendo hipocritamente como forma social compensatória a negação de uma fiscalização rigorosa e negligenciando sua obrigação de inibi-las, permitindo uma acomodação sócio-espacial, principalmente nas cidades.

Todavia, ainda mantemos os princípios ‗communais‘ nessa perspectiva, tornando a ocupação uma condição da necessidade, tanto individual quanto do Estado. No caso brasileiro não se trata da ‗occupatio‘ romana, mas sim a ocupação ‗pro deserto‘, ou seja, subordinada à obrigação da tomada do território. As cidades, nesse sentido, são instrumentos desse avanço colonizador. Então, tanto a facilidade da posse,

a desproteção do vasto território, o incipiente poder de fiscalização, o desamparo das paragens e a mobilidade de ocupação desmedida dos posseiros logo transformaram o mecanismo da posse em uma ação de caráter latifundiário, incentivada e difundida pelo imaginário megalomaníaco legado pela legislação das sesmarias. ―A tendência para a grande propriedade já estava definitivamente arraigada na psicologia da nossa gente.‖ (LIMA, 1954:54) Aí se estabelecem os conflitos ideológicos-econômicos-culturais que sobreviveriam até os dias de hoje. A idéia de que o território brasileiro deveria ser ocupado rapidamente, de que havia terras sem limites e de que essa ocupação poderia ou não se dar à revelia do Poder Público.

À época da colonização, a dependência da economia desse sistema de utilização instantânea da terra apenas interessava à metrópole. Porém, inadvertidamente, sobrevive à independência e à República, como um encadeamento cultural, uma premissa original. Transformam-se as estruturas políticas e econômicas, mas a legislação é esvaziada de significado e tornada incipiente por costumes culturalmente consolidados.

A Lei de 1850 termina o regime jurídico da posse, porém, reconhecendo a aquisição da propriedade nesse sistema. Contudo, mesmo corrigindo os excessos, fugiu de impor uma reforma agrária ou ao menos um processo de distribuição planejada da colonização nas fronteiras agrícolas. Criou-se a lei, mas não a condicionaram à realidade, temendo os efeitos sobre a economia e sobre a organização social. Do mesmo modo, não se tinha ainda bem claro qual o destino que seria dado à escravidão ou à população de libertos. Ocupou-se o Estado apenas da formalidade da legitimação da posse com alguma redução dos domínios, referenciando-se com os padrões doados em sesmarias na mesma porção do território. ―A ocupação de terras devolutas foi, então, inequìvocamente proibida e o dano traduzido pela derrubada de matos e queimadas, qualificado como crime punível com a multa de cem mil réis e a pena de dois a seis meses de prisão.‖ (LIMA, 1954:54)

Sintetizando, apesar do seu caráter inovador e dos avanços semeados, a Lei de 1850 não surtiu o efeito esperado. Esclarece-nos Cavalcanti (1896 apud LIMA, 1954:75) que, além disso, o recurso arrecadado com as vendas pouco mais do que cobrirem os gastos com as demarcações; e nunca houve na Repartição Central um

único mapa ou inventário completo que listasse todas as demarcações e a sua destinação. Não se registrara se as terras haviam sido vendidas, concedidas, dadas gratuitamente ou destinadas à serventia pública. Tronou-se então urgente a revisão da Lei de Terras.

O Ministro da Agricultura formou, em 1878, uma comissão para a criação de um anteprojeto da proposta reformadora. Inúmeras idas e vindas dos projetos perpassaram ministros e regente; foram-se os cargos e até a monarquia; e só sob a República, imbuídos do espírito progressista que assolou a nação com a queda do antigo regime, é que se fez algum curto avanço no sentido de reformar a Lei de Terras.

1.1.5. Muito território, nenhum espaço para habitar: o primeiro