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2.2. Yeni Medya ve Kişisel Verilerin Korunması

2.2.3. Yeni Medya ve Siber Güvenlik

Objetivamente, reiteramos o pertencimento social da família de Gabriel às camadas populares, sobretudo, por apresentarem as seguintes características: pai de baixa escolaridade

– terceira série do Ensino Fundamental -, que exerce ocupação manual, de baixo prestígio social

e sem vínculo empregatício formal; mãe, que exerce ocupação manual de baixo prestígio social e sem vínculo empregatício formal, nível médio de escolaridade, que concluiu já adulta, por meio da EJA; baixa renda familiar. Aliada a essas questões objetivas, outro fatores corroboram para essa classificação social, aqui defendida, tais como: estilo de criação dos filhos baseado

no “crescimento natural”, tal como discutido por Lareau, em que excetuando o tempo da escola

e realização das tarefas escolares, as crianças crescem com uma certa liberdade, ocupando-se de brincarem nas ruas e convivendo com a família extensiva (avós e tios), sem a realização organizada de atividades extracurriculares como a prática de esportes e cursos de línguas; a dificuldade de reconhecimento dos direitos ou de pleiteá-los, no trato com as instituições formais, como nos ficou claro ao Gabriel relatar a cassação da aposentadoria do pai e a revisão do valor da bolsa de assistência estudantil, processos que ocorreram sem um questionamento de ambos (LAREAU, 2007).

Apesar dessas questões acima discutidas, Gabriel foi socializado em um ambiente familiar estável, o que o permitiu incorporar disposições como disciplina e valorização do espaço escolar; disposições que aliadas às políticas públicas de expansão do acesso ao ensino superior o permitiram chegar à universidade. Seus pais o apoiam financeira e emocionalmente em sua trajetória acadêmica. Entretanto, para sua afiliação, outras disposições ainda precisam ser incorporadas.

Gabriel tem dificuldade de participar das aulas de forma mais ativa. Procura um professor, de forma separada, como se sentisse um constrangimento em expor suas dúvidas e demonstrar dificuldade com a matéria; não nos parece também que tenha ocupado outros

espaços da universidade, de forma natural e sem constrangimento, pouco participa dos eventos festivos com seus colegas de curso. Por esses motivos, parece-nos razoável defendermos aqui que nosso entrevistado não se integrou socialmente e academicamente, de forma plena. Gabriel está integrado acadêmica e socialmente, em seu aspecto informal apenas, ele ainda vive o tempo de estranhamento, caminhando para um lento processo de afiliação.

4.3 Natasha

Natasha, no momento da entrevista, estava cursando o terceiro período do curso e tinha 19 anos de idade. É natural de uma pequena cidade do Sul de Minas, onde a família vive, próximo de Itajubá, sede do campus da UNIFEI. É a segunda filha de uma fratria de quatro irmãos. Seu pai é autônomo, tem uma oficina na própria casa e lá trabalha com “coisas que

aprendeu a fazer ao longo da vida”, ocupação que Natasha identifica como serralheiro, “estudou até quinta série no máximo” (Entrevista de Natasha). Sua mãe não trabalha fora de casa e

estudou até a oitava série.62

Seu pai já desempenhou várias funções, como trabalhar em supermercados, loja de móveis, mas, a morte do sogro e a necessidade de cuidar da sogra, portadora de problemas psíquicos, o fez montar uma oficina própria em casa, o que facilitaria o cuidar da avó de Natasha, que passou a morar na mesma casa. A família mora em residência própria, construída com ajuda do avô materno, em um terreno cedido pela Paróquia da cidade.

Nossa entrevistada estudou, durante toda a Educação Básica, inclusive a Educação Infantil, em escolas públicas. Não sofreu nenhuma reprovação. Sempre foi considerada uma boa aluna, com boas notas e bom comportamento. Concomitante ao Ensino Médio, cursou, em um período de 1,5 ano curso técnico em Eletrônica, porém o trancou quando decidiu que iria fazer curso superior. Concluído o Ensino Médio, foi aprovada, primeiramente, em uma faculdade particular de São José dos Campos, onde conseguiu bolsa integral pelo Prouni, mas logo após sua aprovação na UNIFEI Campus Itabira, trancou a matrícula naquela instituição. Ambas as matrículas foram para o curso de Engenharia Elétrica. Sua vinda a Itabira aconteceu contra a vontade dos pais, que prezavam que a filha ficasse mais próximo de casa. Ela é beneficiária do Programa de Assistência Estudantil. Desde o primeiro ano do Ensino Médio, realizou provas do ENEM, na condição de treineira.

Seu irmão, mais velho, concluiu o técnico em Eletrônica e, está fazendo outro curso técnico, não ingressou no Ensino Superior. Os irmãos mais novos estão regularmente matriculados na Educação Básica. Financeiramente, não viveu nenhuma dificuldade ou nenhuma privação das necessidades básicas. O orçamento da família é administrado pela mãe que preza para atender todas as necessidades básicas da família. É ela também a responsável pela cobrança do bom desempenho dos filhos na escola e é descrita como bastante exigente.

A família nos momentos de folgas e férias viaja para a praia e costuma ir para a roça. Com exceção de Natasha, não realizam práticas culturais mais legítimas como ir ao teatro, cinema e leitura.

Natasha sempre participou de atividades extracurriculares, como envolvimento com Organização não governamental (ONG), aulas de violão, gosta de ler e de história do Brasil. Concomitante ao Ensino Médio, trabalhou como estagiária no Fórum da sua cidade e também abriu uma própria loja de confecções. Nossa entrevistada apresenta disposições para determinação, empreendedorismo, dedicação, organização e um sonho de grandeza, de ascensão social.

4.3.1 Práticas socializadoras familiares e condições para o ingresso

no ensino superior

Os pais de Natasha se conheceram em São José dos Campos quando ainda eram adolescentes. Seu pai, natural de Pernambuco, migrou para a região central do Brasil em busca de melhores condições de vida. A família paterna apresenta um itinerário típico de migrantes nordestinos, que chegam à região de São Paulo para reconstruir a vida. Seu pai, entretanto, foi o último dos irmãos que saiu da terra natal, ele foi resistente à migração, chegando, inclusive, a morar com a avó enquanto toda a família já tinha se mudado para o estado de São Paulo. Morou na Bahia, no Mato Grosso, onde trabalhou para o exército e depois se instalou em São José dos Campos, quando conheceu a mãe de Natasha, ainda adolescentes. Eles se conheceram, tiveram filhos, mudaram para a cidade onde Natasha foi criada, se casaram e construíram a vida com a ajuda dos avôs maternos de nossa entrevistada.

Na infância, frequentava as aulas, realizava os deveres de casa e depois estava livre para brincar na rua, com vizinhos e irmãos. Para a mãe, se os filhos tivessem um bom desempenho na escola, poderiam brincar livremente na rua, nesse sentido, não havia controle rígido dos pais. Natasha e seus irmãos foram criados próximos de sua família extensiva, com tios, avôs e primos

maternos. É um tipo de educação baseada no que Lareau classificou de “crescimento natural” (LAREAU, 2007).

Na escola, Natasha e o irmão mais velho sempre foram considerados os melhores da turma e ela sempre se destacou como uma liderança, seja para reivindicar melhorias na sua escola, cujo ensino é descrito como ruim, seja para realizar eventos de confraternização, como a formatura do terceiro ano. Desde nova, demostrou um interesse mais aguçado para a Matemática, interesse que é reforçado pela presença dos professores de Matemática e Física cuja acessibilidade para o diálogo e incentivo à dedicação aos estudos despertou o interesse em Natasha para a engenharia. Esses dois professores parecem ter um papel importante na escolarização de nossa entrevistada:

Desde a quinta série, sempre a mesma coisa. Matemática não. Porque assim, lá meus professores eram bem ruinzinhos, só que o de Matemática e o de Física eram sempre muito bons, eu sempre estudei com eles. Só que Biologia, nossa! Esses professores davam, todos os anos, sempre a mesma coisa, nossa! Era tipo assim, sete anos vendo só Ecologia, você não via nada além disso. Só que tipo, como não mudava de professor, então ela não mudava de assunto. Era todo ano a mesma coisa. Só que, por exemplo Biologia no ENEM foi um fracasso, porque era uma matéria que eu nunca estudei a fundo, porque era matéria que nunca foi dada (Entrevista de Natasha).

Um ponto importante para melhor compreendermos a trajetória de Natasha parece estar relacionado à recusa de seu pai em seguir a trajetória de vida de seus irmãos. Para Natasha, seus pais optaram por viver naquela cidade, do interior, pequena, como uma maneira de criar a família e os filhos, sem a necessidade de grandes salários, mas que pudessem viver juntos:

Porque meu pai não tem muita ligação com a família dele não. Porque na verdade todo mundo saiu de lá e resolveu ir para São Paulo. Na verdade foi para Bahia e depois foi para São Paulo. E meu pai foi o único que não foi. Só que no meio dessa história toda acabou que todo mundo ficou rico, estudando, fazendo um monte de coisas. E meu pai foi o único ‘ovelha negra da família’. Então, a gente não tem muito contato com o povo de lá. A minha avó vai lá, de cinco em cinco anos, vê a gente; às vezes liga, mas não tem muito contato não. Por isso meu pai, meu pai e minha mãe prezam muito, por tipo assim: a gente não precisa de muito dinheiro para ser feliz. Você não precisa ficar rico, não precisa sair, só precisa ficar aqui com a gente (Entrevista de Natasha).

Os pais de Natasha optaram pela vida familiar e, sobretudo, a mãe, sempre buscou manter os filhos sob sua proteção. É rigorosa na educação, principalmente, dos dois mais velhos, cobrando deles desempenho acima de 80%, na escola. Buscou inculcar neles disposições para a obediência, disciplina e sucesso escolar.

A mãe parece ter priorizado um modelo de educação voltado para a austeridade e para o mundo do trabalho. Deseja manter os filhos sob sua proteção, porém sua expectativa foi

frustrada quando Natasha optou por estudar longe de casa, primeiro em São José do Campos, depois em Itabira, ainda que sem o apoio imediato dos pais. Sair de casa seria uma forma encontrada por Natasha para colocar seus planos de ascensão social em ação, ainda que sob a revelia dos pais? Seria uma forma de reviver a trajetória de vida de seus parentes paternos de ascensão social?

No primeiro ano do Ensino Médio, Natasha e seu irmão mais velho foram matriculados no curso Técnico em Eletrônica, por iniciativa da mãe. Porém, Natasha, não deu continuidade ao curso, embora reconheça que por meio dele seu interesse para a área de Engenharia Elétrica foi despertado. Não concluir o curso seria uma forma encontrada por nossa entrevistada de tomar as rédeas de sua trajetória escolar, optando por fazer o curso superior e não seguindo as determinações colocadas pela mãe, que considera que seria suficiente para a filha fazer o técnico e trabalhar na área, na mesma cidade, vivendo junto com a família.

Concomitante ao Ensino Médio, Natasha começou, por conta própria, a vender roupas e depois abriu um próprio comércio, que pareceu lhe dar bastante lucro. Entretanto, sua atuação como estagiária no Fórum da cidade e a necessidade de estudar para o ENEM, a fez fechar a loja. É importante enfatizarmos que ter o seu próprio negócio e o seu salário é uma estratégia adotada por Natasha para não se render às limitações colocadas pela mãe. Foi também a poupança gerada com esses trabalhos que permitiu a Natasha vir estudar em Itabira, sem o apoio direto dos pais:

Porque o jeito da minha mãe barrar a gente era o dinheiro, tipo assim: ‘você não vai estudar em Itajubá porque eu não tenho dinheiro’. Ai eu fiz o técnico no primeiro ano do colegial, eu fiz um ano e meio, só que eu não queria fazer técnico, eu queria fazer faculdade, só que minha mãe não entendia isso. Ela queria que eu fizesse o técnico para eu trabalhar ali e eu não queria. Então, com um ano e meio eu desisti do técnico. Foi quando eu comecei a loja. Mas eu sempre fazia as provas de bolsas, em Itajubá, ai ela sempre que me barrou. Meu irmão, minha irmã e o pessoal lá de casa são assim muito submissos assim a essas ideias da minha mãe. Hoje ela aceita que eu esteja aqui [em Itabira], mas ela não foi a favor de quando eu vim pra cá [para Itabira]. Ai eu tive quer vir bem com minhas pernas mesmo, pesquisar, mesmo, tudo sozinha (Entrevista de Natasha).

Também essa rotina de escola, trabalho e estudar a noite a permitiu inculcar disposição para organização do tempo, o saber estudar de forma autônoma, fatores que favorecerão,

sobremaneira, seu sucesso acadêmico no ensino superior: “Eu ia para a escola de manhã, a tarde eu trabalhava e a noite eu estudava para o vestibular” (Entrevista de Natasha).

Em resumo, podemos afirmar que Natasha foi socializada em um ambiente familiar estável, conviveu com irmãos, tios, primos e avôs maternos próximos e sob a tutela de uma mãe, rigorosa, que incentivava o sucesso escolar dos filhos. Desde nova, apresentou disposição

para a iniciativa própria, estudava sozinha e buscava se destacar nas atividades que realizava. Natasha, ao fazer uma autorreflexão sobre sua trajetória escolar, considera que seu sucesso escolar não decorre de uma capacidade intelectual superior sua, porém, gosta de estudar antes da apresentação do conteúdo pelo professor, antecipando os aprendizados, o que favorece sua boa performance na escola:

Ah uma vez quando eu estava no segundo período, eu já sabia ler, escrever, fazia tudo porque eu aprendi a fazer isso antes de entrar na escolinha, eu tinha uma mania assim de querer aprender as coisas, ai eu fiz uma prova. Na época o governo mandava uma prova para gente. As professoras foram lá falavam que eu atrapalhava muito a sala, porque eu aprendia a fazer as coisas muito rápidas, porque eu lia, tipo eu fazia as coisas muito rápidas. Quando eles estavam ensinando a ler, eu já tinha aprendido a ler. Ai eles me mandaram uma prova assim, para eu fazer, uma prova enorme, para escrever umas palavrinhas idiotas ai eu poderia passar do segundo período para o primeiro ano, ai eu chorei porque minha mãe não deixou eu ir, ai até hoje eu falo, porque eu teria avançado um ano na escola. Mas, minha mãe nunca deixou, eu ter saído do segundo período para o primeiro ano direto. (Entrevista de Natasha)

Essa sua disposição para estudar, pela busca do aprender, associado a um ambiente familiar estável, que lhe proporcionou autoconfiança emocional, associado a uma querer se destacar e trilhar um outro caminho, diferente daquele planejado pela mãe, parecem ter contribuído, sobremaneira, para a longevidade escolar de Natasha. Além do mais, cabe-nos mencionar que a presença dos dois professores, um de Matemática e outro de Física, em um contexto escolar marcado pela precariedade, como mencionado pela nossa entrevistada, parecem reforçar em Natasha sua disposição em querer descobrir coisas novas, fatos novos, viver uma vida nova. Por fim, a realização do curso Técnico em Eletrônica, ainda que não concluído, contribuiu para reforçar o interesse de Natasha para a área de exatas, direcionando- a para o curso de Engenharia Elétrica. Sob essa ótica, essas disposições de Natasha, aliadas às recentes políticas de expansão do acesso ao ensino superior, aqui, sobretudo o REUNI e criação de novos campis universitários, permitiram nossa entrevistada a chegar ao ensino superior.

Um outro ponto que cabe-nos, igualmente, mencionar, seria a representatividade da UNIFEI, sobretudo do curso de Engenharia Elétrica, para a população da região de São Paulo e Sul de Minas. São palavras da nossa entrevistada:

Na verdade, eu sempre quis estudar na UNIFEI. Porque a UNIFEI Itajubá, tipo eu nem sabia o que era engenharia, mas como é perto da minha cidade. O pai da minha prima trabalhava lá, então eu sempre ia com ela para passear. Então, eu achava aquele lugar mais lindo do planeta terra, eu nem sabia o que era engenharia, não sabia nada, mas eu gostava do lugar. Só sabia que alguma hora eu ia acabar estudando lá. Então, quando eu falo que queria transferir para Itajubá é muito mais do que ir para perto de casa, lá é uma idealização que a gente da nossa cidade fala: ‘Nossa, você estuda na UNIFEI!’ É como se fosse. (...) É uma referência. Porque todo mundo lá, porque são

100 anos, então todo mundo vive em função da faculdade, então se você estuda lá, você passa na frente. Só depois que eu fui crescendo, que fui vendo que era Engenharia e tal. Só que a nota lá é muito alta, então eu sabia que entrar direto lá não ia ser possível (Entrevista de Natasha).

Sendo assim, passar na UNIFEI, principalmente no curso em que a universidade é referência no imaginário popular e avaliada positivamente pelos órgãos oficiais, pela oferta de cursos na área de Engenharia, foi uma forma encontrada por Natasha para se destacar. Porém, ela mesma, como a sua disposição de buscar conhecer as regras, antecipadamente, pesquisou sobre os critérios de seleção para ser aprovada, o que a permitiu criar estratégias, para ingressar na UNIFEI Campus Itajubá, ainda que pela via da transferência interna. Natasha identificou sua dificuldade em ser aprovada em Itajubá e reconheceu a impossibilidade de fazer, por limitações financeiras, um ano de cursinho preparatório para o ENEM e por isso optou pelo curso em Itabira, cuja nota de entrada é menor, mas já sabendo que após um ano, poderia solicitar transferência para Itajubá. O que de fato aconteceu: no primeiro semestre de 2014, Natasha tentou, pela segunda vez, o processo seletivo de transferência interna para Itajubá e foi aprovada. A partir do segundo semestre de 2014 já está matriculada em Engenharia Elétrica do campus sede da UNIFEI.

Por fim, a ida de Natasha a Itabira que, a princípio, aconteceu contra a vontade dos pais, que não queriam a filha morando distante da família, só se tornou viável porque a estudante já havia uma reserva financeira, fruto do seu estágio no Fórum e de sua atuação como lojista. Essa reserva cobriu as despesas de Natasha com a mudança de cidade, compra de móveis e bens de uso pessoal, além de custear os seus gastos pessoais até que fosse contemplada com o auxílio financeiro da Assistência Estudantil.

4.3.2 Integração e afiliação no ensino superior

Natasha, na data da entrevista, estava cursando o terceiro período da graduação e não tinha nenhuma reprovação.63 Até o momento não realizou nenhuma atividade extracurricular, como o Programa Jovens Talentos, Monitoria ou Iniciação Científica. É beneficiária do Programa de Assistência Estudantil, dinheiro com que custeia todas as suas despesas na cidade. Tem perspectivas de um intercâmbio internacional, por meio do Programa Ciência sem Fronteiras. Tem média de coeficiente geral de desempenho de 75,3.

Relata que no primeiro período teve dificuldade de se adaptar às demandas do ensino superior, sobretudo, pela defasagem de conhecimento em relação à educação básica. Em disciplinas como Matemática ou Química, que seriam uma espécie de revisão do Ensino Médio, apresentou necessidade de estudar mais que a média de seus colegas uma vez que lhe parecia ser a primeira vez que estava tendo contato com os conteúdos abordados na disciplina. Sabe organizar bem o tempo e conseguiu, apesar das dificuldades relatadas, ser aprovada em todas as disciplinas. Segundo Natasha: “Tipo assim, eu poderia ter tirado notas melhores, mas no primeiro semestre eu tive muita dificuldade, por causa desse negócio, porque muita coisa eu

não tinha aprendido” (Entrevista de Natasha). Porém, no terceiro período já conseguiu atualizar

e mobilizar as disposições necessárias para o bom desempenho acadêmico, cumprindo as

exigências que lhe são colocadas: “Hoje, agora no terceiro, período não tem mais essa

dependência do Ensino Médio, mas no primeiro e segundo período foi mais [complicado]” (Entrevista de Natasha).

Academicamente, em seu aspecto formal, Natasha se encontra integrada, porém, ela nos parece apresentar dificuldades em se relacionar com os professores, seja para procurar um professor para tirar dúvidas, seja para participar das aulas. Se na época da escola ela se destacou como líder de turma, discutindo e tentando buscar melhorias para a escola, na