3. ORTAOKUL (5-8 SINIFLAR) TÜRKÇE DERS KİTAPLARINDA YER
4.3. Yedinci Sınıf Türkçe Ders Kitabında Yer Alan ve ‘Metin Türü
4.5.1. Características
Analisando-se a legislação e a doutrina sobre as agências reguladoras brasileiras, podem-se extrair algumas de suas atribuições e características julgadas gerais e fundamentais, que muito contribuem para materializar seu importante papel de entes regulatórios.
Uma dessas principais características, emanada de sua natureza de autarquia especial, é a autonomia. Mas autonomia em grau bem mais destacado que o de outras autarquias também dotadas do qualificativo da especialidade, conforme será verificado adiante.
Outra característica marcante das agências é a dita competência regulatória. Essa competência materializa-se pelo poder, no âmbito e limites de matérias delegadas pelo legislador, de criar a norma reguladora, de aplicá-las e de dirimir administrativamente os conflitos suscitados, seja entre concessionários ou agentes econômicos, seja entre esses e o público consumidor.239
Especificamente quanto ao poder normativo, essa é uma das principais características das agências reguladoras, sem a qual se transformariam apenas em meras entidades adjudicatárias.240
Outra marca das agências, utilizada como instrumento de legitimação de sua atuação reguladora, dá-se mediante a garantia de ampla publicidade dos atos e processos de regulação. Cabe destacar que o poder normativo das agências é uma das matérias mais relevantes e polêmicas sobre o tema da regulação. Isso porque mexe com uma das questões fundamentais do Estado Democrático de Direito: a separação dos poderes, a competência para editar normas primárias, a delegação legislativa, a deslegalização etc.
239
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Direito regulatório: a alternativa participativa e flexível para a administração pública de relações setoriais complexas no estado democrático Rio de Janeiro: Renovar, 2003, p. 169-170.
240
ARAGÃO, Alexandre Santos de. Agências reguladoras e a evolução do direito administrativo econômico. Rio Janeiro: Forense, 2006, p. 316.
Essa legitimação é buscada pela garantia de plena abertura processual aos administrados e pela possibilidade ou obrigatoriedade legal da tomada de decisões com a participação das partes envolvidas, o que se denomina de processualidade aberta. Busca-se com tais mecanismos compensar a falta de legitimidade dos gestores por não terem sido escolhidos mediante processos político-eleitorais. Busca-se também legitimação, ao utilizar-se o parâmetro da consensualidade entre as partes, como critério de tomada de decisões, técnica denominada de legitimação pelo processo.241
A respeito da legitimação pelo processo, verifica-se que as atividades administrativas extroversas (aí incluídas as atividades administrativas abstratas das agências reguladoras, que se caracterizam pela possibilidade de tomada de decisões que possam afetar a liberdade e a propriedade das pessoas), somente podem ser legitimadas pela observância do devido processo legal, ante a garantia estatuída na Constituição, em seu art. 5º, inciso LIV.242
Nesse sentido, como forma de legitimação pelo processo, estabelecem as leis que regem as agências reguladoras que o devido processo legal que legitima o exercício da função regulatória somente ocorre quando todos os interesses em jogo, tanto o público, como os dos agentes privados setorialmente envolvidos, forem discutidos, ponderados, negociados. Espera-se que, desse modo, sejam os interesses adequadamente equacionados e formalizados, para, somente depois, serem, finalmente, vazados em normas e decisões reguladoras.243
241
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Direito regulatório: a alternativa participativa e flexível para a administração pública de relações setoriais complexas no estado democrático. Rio de Janeiro: Renovar, 2003,p. 169-170 e 178.
242
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Direito regulatório: a alternativa participativa e flexível para a administração pública de relações setoriais complexas no estado democráticos Rio de Janeiro: Renovar, 2003, p. 179.
243
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Direito regulatório: a alternativa participativa e flexível para a administração pública de relações setoriais complexas no estado democrático. Rio de Janeiro: Renovar, 2003, p. 180..
4.5.2. Atribuições
As agências reguladoras brasileiras, à semelhança de suas congêneres estrangeiras, exercem funções múltiplas, que se distribuem em atribuições administrativas, normativas e judicantes. Ou seja, têm competências híbridas, pois exercem atribuições assemelhadas às três funções do poder estatal.
Mas há de se ressaltar que todas as funções atribuídas às agências reguladoras não são originais, pois não refletem a criação de novas funções estatais. Apenas se produz a dissociação de competências, as quais já existiam, mas eram acumuladas no interior das diferentes estruturas do Estado.244
Destaque-se também, conforme já exposto, que o exercício de funções híbridas pelas agências deve-se à efetivação da tendência de descentralização do poder estatal para entidades e pólos de poder mais diretamente ligados e próximos aos setores para os quais lhes foi outorgada competência reguladora. Dessa forma, como entidades exercentes de atribuições regulatórias de um segmento específico, estabelecem-se as condições propícias à crescente especialização e eficiência no exercício de suas atribuições.
Assim, privilegiam-se os juízos científicos, em vez das valorações meramente político-partidárias, valoriza-se a técnica, em vez das conveniências eleitorais, próprias da antiga Administração centralizada. Sempre, é claro, sem ter a ilusão de que, mesmo juízos técnico-científicos, nunca estarão totalmente desvinculados de uma escolha política.
Observe-se ainda que, de uma maneira geral, algumas atribuições são comuns a todas – ou quase todas – as agências reguladoras brasileiras, a despeito das especificidades de cada um dos diferentes setores em que atuam, destacando-se:
244
JUSTEN FILHO, Marçal. O direito das agências reguladoras independentes. São Paulo: Dialética, 2002, p. 358.
a) controlar tarifas, de modo a assegurar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos, bem como acompanhar e proceder à revisão de tarifas e contraprestações pecuniárias pelos serviços prestados, podendo fixá-las nas condições previstas na lei, bem como homologar reajustes;245
b) universalizar a prestação dos serviços, buscando estendê-los a parcelas da população que deles não se beneficiavam por força da escassez de recursos;246
c) fomentar a competitividade, nas áreas nas quais não haja monopólio natural;247 d) fiscalizar o cumprimento dos contratos de concessão ou permissão ou as atividades do setor;248
e) realizar o arbitramento dos conflitos entre as diversas partes envolvidas: consumidores do serviço, poder concedente, concessionários, a comunidade como um todo, os investidores potenciais etc.;249
f) expedir normas quanto à outorga, prestação e fruição dos serviços;250
g) editar atos de outorga ou autorização, bem como de extinção de direito de exploração ou de prestação do serviço, fiscalizando e aplicando sanções;251
245
Arts. 3º, inciso XI, 15, da Lei nº 9.427/1996; art. 19, inciso VII, da Lei nº 9.472/1997; art. 8º, inciso VI, da Lei 9.478/1997; art. 4º, incisos XVII e XXI, da Lei nº 9.961/2000; art. 4º, incisos VI e VIII, da Lei nº 9.984/2000; arts. 24, inciso VII, e 27, inciso VII, da Lei nº 10.233/2001.
246
Arts. 3º, inciso XII, da Lei nº 9.427/1996; art. 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.472/1997; art. 8º, inciso I, da Lei 9.478/1997; art. 4º, inciso XXIV, da Lei nº 9.961/2000; art. 3º, caput, da Lei nº 9.984/2000; art. 11, incisos VIII e IX, c/c o art. 20, alínea “a”, da Lei nº 10.233/2001.
247
Art. 3º, incisos VIII e IX, da Lei nº 9.427/1996; art. 2º, inciso III, da Lei nº 9.472/1997; art. 8º, inciso I, da Lei 9.478/1997; art. 4º, inciso XXXII, da Lei nº 9.961/2000; arts. 24, inciso IV, e 27, inciso IV, da Lei nº 10.233/2001.
248
Art. 3º, inciso IV, da Lei nº 9.427/1996; art. 19, inciso VI, da Lei nº 9.472/1997; art. 8º, inciso VII, da Lei 9.478/1997; art. 4º, inciso XXIII e XXVI, da Lei nº 9.961/2000; art. 4º, incisos V e XII, da Lei nº 9.984/2000; arts. 24, inciso VIII, 25, inciso IV, 26, inciso VII, e 27, inciso V e § 1º, inciso I, da Lei nº 10.233/2001.
249
Art. 3º, inciso V, da Lei nº 9.427/1996; art. 19, inciso XVII, da Lei nº 9.472/1997; art. 20 da Lei 9.478/1997; arts. 20, alínea “b”, e 25, inciso V, da Lei nº 10.233/2001.
250
Arts. 2º e 3º, inciso I, da Lei nº 9.427/1996; art. 19, incisos IV e X, da Lei nº 9.472/1997; arts. 7º e 8º, incisos VII e XV, da Lei 9.478/1997; art. 4º, incisos VI, VII e XVI, da Lei nº 9.961/2000; art. 4º, inciso II, da Lei nº 9.984/2000; arts. 24, inciso IV, e 27, inciso IV, da Lei nº 10.233/2001.
251
Arts. 3º, inciso II, e 26, caput e inciso I, II e III, da Lei nº 9.427/1996; art. 19, incisos V e XI, da Lei nº 9.472/1997; art. 8º, incisos IV, V, VII e XV, da Lei 9.478/1997; art. 4º, incisos IV, XX e XXVII, da Lei nº
h) celebrar e gerenciar contratos de concessão ou permissão e fiscalizar a prestação do serviço, aplicando sanções e realizando intervenções;252
i) reprimir infrações dos direitos dos usuários;253 j) arrecadar e aplicar suas receitas.254
Verifica-se, assim, ser amplo o espectro de atribuições das agências reguladoras, vez que, conforme já afirmado, no exercício de sua competência, exercem a parcela do poder estatal a elas outorgado, de maneira bastante clara e tripartida entre as três funções clássicas: administrativa, legislativa e judicante, isso tudo, com bastante autonomia.
Tal autonomia, por sua importância, em face de tocar princípios básicos do Estado Democrático do Direito e da separação dos poderes, será objeto do tópico a seguir.