I. BÖLÜM: YEŞİL PAZARLAMA KAVRAMI VE GELİŞİMİ
1.7. Yeşil Pazarlama Kavramı
Muitos adolescentes se organizam em gangues para sentirem-se poderosos, na visão do grupo entrevistado. As meninas conseguem namorado de uma gangue e, com isto, ficam protegidas e ameaçam quem mexe com elas. O poder está em quem expõem a força e, neste caso, parece que ela está com os adolescentes e não na instituição escola, nem tampouco com os professores.
Ao lado dessa forma teórica de a escola se organizar, os jovens também mantém sua dinâmica e suas forma de agrupamento. As gangues, por exemplo, em Brasília são uma realidade que se destaca. De acordo com estudos feitos em 2004 pela equipe da pesquisadora Miriam Abromovay, o espaço urbano do Distrito Federal é percebido pelos jovens com uma clara segmentação socioespacial, na qual classes e atores sociais exibem acentuadas diferenciação e desigualdade, e não se congregam nos mesmos espaços públicos e privados.
Um dia eu vi o guarda mexendo com as meninas da minha sala, falando que elas eram bonitas, um monte de coisa. O guarda mais novinho, não resolve o problema, ele dá mais corda... ele fica colocando pilha para os meninos brigarem. Teve um dia que eu cheguei nele, porque a menina tava mexendo comigo, daí eu falei: “eu vou brigar com esta menina e não adianta nem você ir lá separar” ai ele falou que eu poderia brigar a vontade que ele não ia fazer nada.Aqui, se os alunos acham que um é mais feio, mais rico, eles batem uns nos outros. Ás vezes um aluno vem com um tênis simples, ai ele fica rindo daquele cara, ele finge que não liga e parte para a agressão, porque ele quer marcar a presença dele de melhor. Aqui na escola o pessoal formava gangs para roubar aqui na escola (GF3).
As brigas são por motivos fúteis, não há pedidos de desculpas, basta um aluno esbarrar no outro para que haja briga. Organizam-se as meninas para baterem umas nas outras e, às vezes, nem sabem por que agridem. Revelam que não acreditam no diálogo, que violência em relação aos sentimentos, às descobertas, ao namoro na adolescência são temas abordados pelos alunos. Como desenvolver o sentimento de gostar de alguém, de criar vínculo com alguém? É muito forte a relação de poder e amor junto. Reforçamo-nos com alguém para nos proteger e não porque sentimos afeto por aquela pessoa. Ou, pelo menos, não há espaço para o poético, o prazer da descoberta, o carinho e o sentimento de bem-querer. As palestras são para dizer que gravidez existe. As adolescentes falam de muitos adolescentes que abortam. O que está sendo abortado? Quem está abortando? Qual é o útero que precisa para acolher essas vidas que estão aí para crescerem e se desenvolverem?
Segundo a pesquisa realizada com jovens na periferia de Brasília em 2004, os jovens afirmam que se sentem estigmatizados, pouco valorizados e desprezados por aqueles que vivem no Plano Piloto. Relatam a precariedade do espaço urbano que lhes resta: violência e falta de oportunidade de empregos, reduzida mobilidade social, pois são pobres e não há recursos públicos disponíveis para eles, sobretudo nas possibilidades para o lazer, questão tão importante para a juventude.
Os jovens pesquisados em 2004 manifestaram que a exclusão social é sentida por eles no dia-a-dia. Sentem a diferença entre pobreza e riqueza de forma e na forma como são tratados, visto que há casos sérios de impunidades de jovens que residem no Plano Piloto e que praticam violências. A desigualdade é uma realidade sentida e expressa pelos jovens entrevistados e por isso, não há desejo de solidariedade com esses jovens pertencentes a classes mais abonadas.
A vivência dos jovens nas gangues revela que a violência aparece como fragmentos da vida social. Para alguns, ela é vista de forma natural ou como uma fatalidade. Outros ainda descrevem a violência física, os problemas familiares, a droga, a bebida, a discriminação social e a exclusão social. A violência é também defesa no caso de agressões, humilhações e roubos ou ainda como forma de satisfação diante de realidade onde há muitas frustrações e necessidades básicas não atendidas
É importante assinalar aqui a potencialidade presente no grupo, que se manifesta na forma de brigas, ou seja, há um movimento constante do grupo. A forma como este se expressa é de forma violenta e não está sendo observada pela escola como uma possibilidade do próprio grupo fazer o movimento para encontrar alternativas de solução de seus problemas que não somente a violência. O princípio da recursividade inclui todas as ações no circuito, possibilitando a auto-organização. As ações violentas são causadoras e produtoras do processo das relações que são estabelecidas naquele espaço.
4.3. DE ONDE NASCE A VIOLÊNCIA, SEGUNDO OS DIRETORES.
É fato que a violência está presente na escola. Isso foi possível constatar pelas falas dos diretores e estudantes. Mas de onde nasce a violência? Onde ela é gerada? Até aqui, foi possível perceber que há dificuldade por parte dos diretores em compreender e nomear os
conflitos. E a violência, como é compreendida pelos gestores da escola? Ela é natural? É manifestação de defesa própria?
4.3.1 Violência e pobreza
Com os conflitos vivenciados na escola e que, muitas vezes, não são tratados de forma educativa, a violência surge como uma das alternativas de solução ou de aumento dos conflitos. Uma das explicações da violência na escola, segundo os diretores entrevistados, é porque a escola está localizada em comunidades que são pobres e violentas. Os diretores optam por uma explicação para a violência na escola: os adolescentes que freqüentam a escola são oriundos de comunidades pobres. Reforça-se a concepção de que pobreza e violência estão diretamente relacionadas e diante dessa realidade não há muito que fazer, pois não estaria no alcance da escola interferir nesta realidade social. Essa forma de compreender as manifestações dos estudantes é ancorada em uma visão de sociedade fragmentada onde as relações entre educação não se articula com o contexto social.
Os alunos arrancam todos os trabalhos. Nós começamos a fazer trabalhos e começamos a colocar nas portas. Nós falamos isso na direção, mas eles (direção) não aceitaram. Disseram: “deixa isso aí que não vai dar certo (GF2).
Tem professor comprometido. O de matemática e o de português. Acho que são os únicos mesmo. Eu já li com a professora de português. É importante trabalhar texto assim com os (alunos) que se interessam porque os que não se interessam entra por um ouvido e sai pelo outro (GF4).
Minha irmã é muito inocente. O professor ficava pegando, chamando minha irmã de gostosa. Um dia eu cheguei e falei pra ele que tinha conversado com meu pai e que eles iam tomar providência. Depois disso ele começou a me perseguir. Eu fazia tudo, ficava quietinha e eu reprovei. Ele falou pra minha mãe que me reprovou porque eu era muito ignorante (GF2).
É constante a luta de força entre os adolescentes e os dirigentes da escola. Fica evidente a falta de sintonia entre a escola e o seu público. Por que isso? De onde vem esse distanciamento? Qual a razão da escola existir? Como os adolescentes vêem a escola? A forma como a escola se coloca na comunidade ainda é correspondente a uma imagem de escola isolada, que tem verdade do conhecimento e que tudo nela precisa estar em ordem. Uma das dificuldades da escola é em relação à comunicação com a comunidade, acolher as necessidades e contar com ajuda da comunidade para desempenhar o seu papel. O potencial criativo do adolescente é deixado de lado e a direção da escola perde a capacidade de
mobilização e deixa de ser o espaço onde os estudantes podem fazer o ensaio de assumir espaços de poder e fazer o exercício da liderança.
Porque a direção não quer e tem falta de interesse. Porque eles têm medo. Igual todo mundo já falou, nesse colégio o diretor só ta aí pra dizer que tem. Ele não faz nada, não toma atitude nenhuma e, principalmente, tem medo dos alunos. Eu acho que tinham que colocar outro diretor para tomar providência. Dentro de uma sala de aula tem um professor, que não ensinou e não pode ter feito isso. Ele tem que insistir. Eles estão aqui para ensinar (GF1).
Então a palavra se torna escassa e a linguagem da agressão física toma o espaço da construção dos argumentos e da convivência com a diferença. A violência é algo do cotidiano da escola. A estética da violência vai tornando seres violentos. Perdem-se os referenciais da palavra, do argumento, do acordo, do esforço pelo bem comum. O comum na escola parece ser a falta de cuidado.
De acordo com Xares:
É necessário termos consciência da importância dessa responsabilidade e de nosso papel como profissionais da educação. Entre as habilidades exigidas, destacamos: saber ouvir; favorecer a comunicação empática; gerar confiança; respeitar o alunado e as demais pessoas do centro escolar; mostrar interesse e compromisso pelos problemas que afetam a consecução da paz e dos direitos humanos; manter a menor distância possível entre a teoria e a prática; e aceitar de forma incondicional todos os alunos (2007, p. 89).
É possível entender que o fato de não haver acolhimento da realidade de cada estudante e das condições de cada escola gera violência. Num lugar onde não há reconhecimento, o crime acaba sendo o palco onde o adolescente pode mostrar algo de si, mostrar que ele pode algo, que ele é forte, que ele vence. A escola passa ser o espaço de disputa e de luta para sobreviver, pois ela não abriu espaço para que os adolescentes possam revelar-se, aprender a respeitar o outro. Segundo os diretores, o grupo de professores se mostra desqualificado para fazer as leituras da realidade e assumir o seu papel de educadores. Eles também se colocam na situação de vítimas da realidade e da situação. O encontro para o diálogo não acontece. Cada um quer vencer o outro.
De acordo com SILVA (2004), é importante substituir a cultura da culpa pela cultura da responsabilidade, pois enquanto não há o processo de todos se envolverem com processos de melhoria para o quadro de violência, a idéia de que alguém é culpado vai se solidificando. É necessário um esforço para o entendimento do todo da sociedade para a compreensão das
razões de ações violentas. O desafio é fugir de explicações simplificadas para problemas que são de ordem complexa, como é o caso da violência em classes menos favorecidas.