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Yeşil İşletme ve Yönetim Uygulamaları

3.5. ARAŞTIRMA BULGULARININ DEĞERLENDİRİLMESİ

3.5.2. Otellerin ÇYS ve Çevresel Duyarlılık Kapsamındaki Faaliyetleri İle İlgil

3.5.2.12. Yeşil İşletme ve Yönetim Uygulamaları

Joaquim Falcão

I

soladamente, a atitude do ministro Lewandowski é, sem dúvida, a favor da transparência democrática que deve reger as relações entre três poderes. O diálogo foi correto. O país ganhou.

Na trajetória histórica recente, porém, essa conduta se opõe ao encontro no Porto, este ano, do presidente Lewandowski com a presi- dente Dilma. Sem imprensa, sem informação. Fora da agenda oicial e de qualquer gabinete. Em país estrangeiro.

Qual das três atitudes deve prevalecer para um aperfeiçoamento democrático?

Digo três, e não duas, de propósito.

Ao receber o presidente Cunha abertamente agora, uma, ao rece- ber a presidente Dilma de forma fechada há alguns meses, duas, ica explícita uma outra atitude, três.

É a seguinte: os encontros serão abertos ou fechados dependendo da conveniência discricionária do Presidente do Supremo.

O uso estratégico dessa discricionariedade não é neutro.

O estado democrático de direito precisa de previsibilidade nas re- lações entre os poderes. Um rito deinido, a liturgia dos poderes conta, lembraria o presidente Sarney.

Esta previsibilidade é indispensável sobretudo quando existem questões no Supremo que envolvem membros dos outros poderes.

Nesses casos, a imparcialidade do Supremo é julgada concreta- mente pela opinião pública. Pelos cidadãos. Pelas partes. Pela nação. Exemplo para toda a magistratura. Visível. Palpável.

A audiência com a presença da imprensa provocou duas consequên- cias principais.

A primeira, mais clara e mais conjuntural, é que o presidente Cunha revelou sua estratégia mais uma vez. Abusar de processualis- mos contra o direito substantivo. Forma contra substância. O direito contra a justiça.

Aposta no “Senhor Sobrenatural de Almeida”, diria Nelson Rodri- gues. Aquele que faz o gol sobrenatural. Fora dos autos.

A segunda, e mais institucional, é a que o presidente Lewando- wski revelou. Pode haver ampla transparência no Supremo, a favor e não contra a indispensável crença dos cidadãos de que o Supremo é imparcial.

Mais do que uma atitude discricionariamente lexível, a conduta do ministro Lewandowski pode ser uma regra a ser seguida. Faria bem ao estado democrático de direito.

Pedro Cantisano

“E

sse negócio que fazem agora, campanha para ser minis- tro do Supremo, é uma vergonha”, disse o ministro Cé- lio Borja ao projeto História Oral do Supremo, da FGV Direito Rio. Em seu depoimento, Eros Grau elabora:

“(…) o sujeito que vai para o Supremo pedindo para ir, ele che- ga com débitos. Não vou dizer que necessariamente sejam débitos de prestar favor em troca, ou pagar favor, mas ele chega condicionado nas suas pré-compreensões (…) Ele não tem autonomia, e não é de vonta- de, ele não tem autonomia de compreensão.”

Para chegar ao Supremo, é preciso ter conexões políticas. É o que apontam as dez entrevistas até agora publicadas pela FGV. O projeto, que ouviu ministros aposentados e em atividade, tem como um de seus objetivos entender os caminhos que levam ao mais alto tribunal do país. Quase todas as entrevistas tocam, direta ou indiretamente, na questão dos apoios políticos necessários para chegar ao cargo. Mas qual deve ser a atitude do potencial indicado — deve-se buscar apoio ativamente? Fazer campanha?

Ao darem declarações como aquelas, Borja e Grau procuraram ainda marcar uma distância entre as práticas atuais e outras épocas da história do Supremo — épocas de maior comedimento e respeita- bilidade. “Esse aí [o STF atual] é uma contrafação daquele tribunal”, critica Grau.

Mas nem todos os ministros se posicionam de maneira tão irme ou crítica. Em várias entrevistas, podemos perceber como as histórias sobre a cadeia de fatos que levou cada ministro ao Supremo são, muitas vezes, repletas de contingências. Carlos Velloso foi cogitado, pela pri-

meira vez, porque se sentou ao lado de um colega melancólico, numa van indo para Angra dos Reis. Sidney Sanches já estava na praia, de férias, quando foi abordado sobre a possibilidade de ocupar o cargo.

Os relatos, em alguns momentos conscientemente talhados pelos entrevistados, não negam que de fato ocorrem campanhas, mesmo que o próprio candidato não interira. É como se a indicação acontecesse com os ministros. “Eu não me mexi”, diz Aldir Passarinho. Sejam as campanhas deliberadas ou não, os cabos eleitorais são variados: um ministro da Justiça, outros ministros do próprio STF, associações de magistrados, presidentes de tribunais estaduais e até um cardeal. As campanhas são, claro, informais, de bastidores, feitas em conversas telefônicas, jantares e cartas.

Em meio a declarações frequentemente cuidadosas sobre um tema tão delicado e ao mesmo tempo tão pouco discutido, o depoimento do ministro Nelson Jobim se destaca. Jobim relata com riqueza de deta- lhes, até onde a memória alcança, uma conversa pessoal com o então candidato a presidente Fernando Henrique Cardoso: “Escuta, Fernan- do, (…) o que é que tu acha (sic) da possibilidade de eu ser indicado para o Supremo?”. Em outra conversa, complementa Jobim, FHC aca- ba respondendo: “Eu vou me eleger e eu vou acabar te (sic) convidan- do. Não sei se tu vais aceitar na época”.

Evidentemente, não houve qualquer dúvida no caso dos entrevis- tados. Na linha do brocardo atribuído ao lendário ministro Pedro Les- sa, lembrado em vários depoimentos, “cargo de ministro do Supremo não se pede, mas também não se recusa”. Jobim não é exceção. As campanhas, ainda que não anunciadas e sem a participação do candi- dato, parecem ser regra, em uma Corte cujo caráter político é evidente e inevitável.

Felipe Recondo Rodrigo Kaufmann

“M

elindrosa e sagrada”, a função que a presidente Dil- ma Rousseff terá de exercer em fevereiro próximo. Era assim, com estas duas palavras, que Rui Barbosa deinia a tarefa dos presidentes da República de indicarem nomes para preencher uma vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF): me- lindrosa e sagrada.

Uma citação de mais de 100 anos, mas que apareceu recentemente na correspondência entre um ministro em via de deixar o Supremo e um presidente da República, a quem caberia substituí-lo. E duas pa- lavras que bem traduzem a demora da presidente Dilma Rousseff em indicar o substituto do ministro Joaquim Barbosa para o tribunal.

Já se vão seis meses desde que o ministro se aposentou. As preo- cupações da presidente estiveram, evidentemente, voltadas para a re- novação de seu mandato e, neste momento, para a composição de seu governo. Se por um lado a demora na indicação de um nome é ruim para o Tribunal a reduzir parte de sua autonomia institucional (o Pre- sidente Floriano Peixoto, por exemplo, utilizou-se do estratagema da demora nas indicações em 1894 para inviabilizar a Corte em virtude do prejuízo do quórum plenário), não se nega também o peso e a im- portância desse momento a exigir plena serenidade e total atenção do Presidente da República, especialmente na concorrência de um período eleitoral. O início do ano legislativo e a superação de alguns obstáculos abrem o processo de escolha.

A Constituição, no seu artigo 101, estabelece um requisito obje- tivo e induvidoso: idade superior a 35 anos e inferior a 65 anos. As

duas outras exigências constitucionais são intangíveis: notável saber jurídico e reputação ilibada.

A mistura desses requisitos constitucionais com a percepção do presidente de que esta é uma escolha que não admite erros torna a elei- ção um ritual complexo, com alta carga de subjetividade. Assim, cada presidente estabelece sua lógica para decisões nem sempre infalíveis.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu um critério que poderia ser bem identiicado com a ideia de pluralidade. Nas indica- ções que fez, foram ao STF um nordestino, uma mulher, um afrodes- cendente, um ministro com peril mais conservador, dois advogados, um juiz de carreira, um magistrado oriundo da advocacia. Este é um bom critério? O gênero da escolha pode se sobrepor aos requisitos ne- cessários para a função nobre de resguardar a Constituição? Certo ou errado, bom ou ruim, é preciso recordar que o presidente reconheceu a alguns auxiliares certa insatisfação com suas escolhas.

Para chegar ao nome, adotava um método particularmente intuiti- vo, servindo-se de sua sensibilidade política para chegar ao escolhido. Ele testava os nomes, soltava-os despretensiosamente para aliados e conselheiros, ouvia os comentários, coletava informações desinteressa- das, avaliava as reações positivas e negativas.

Foi assim, dizem pessoas próximas ao ex-presidente, que o mi- nistro Luiz Fux icou pelo caminho numa das eleições em que apare- cia como forte candidato à vaga, em 2010. Naquela época, Luiz Fux era ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e amealhava apoios das mais diversas colorações e bandeiras. Estava, portanto, fortemente apadrinhado.

O presidente Lula dizia, conforme os relatos, que não indicaria alguém que era apoiado pelo economista e político Delim Neto e, ao mesmo tempo, por João Pedro Stédile, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Luiz Fux veio a ser indicado pela presidente Dilma Rousseff, em 2011, ainda em razão da composi- ção de forças em torno de seu nome.

Mas este foi um ponto fora da curva, para usar os termos do mi- nistro Luís Roberto Barroso. Depois dessa primeira indicação, a pre- sidente concebeu um processo hermético para a deinição de quem

nomearia para a Corte. Os nomes aventados são escrutinados em su- cessivas reuniões pela presidente e seus auxiliares. Se faltar alguma informação que a presidente considere fundamental, interrompe-se as conversações até que os dados lhe cheguem. Na última escolha, além de tudo, decidiu entrevistar pessoalmente aqueles que julgava à altura para o posto. Somente com base nessa informação já é possível iden- tiicar uma outra característica do novo processo seletivo: ele se inicia aparentemente de forma — por assim dizer — exógena. Não há um link ou uma relação de coniança direta do presidente com o novo nome que está sendo avaliado e, daí, a necessidade de submetê-lo a uma entrevista e buscar novas informações. Pode-se apontar uma ex- ceção, mas seria apenas uma.

De acordo com integrantes do governo, é possível identiicar al- guns parâmetros nas nomeações da presidente. A idade é um critério visível pelas indicações feitas até o momento. O mais novo dos indica- dos, o ministro Luís Roberto Barroso, tinha 55 anos quando nomeado. O ministro Fux faria 58 anos no mês seguinte à sua posse. O ministro Teori Zavascki foi escolhido aos 64 anos. E a ministra Rosa Weber tinha 63 anos quando indicada.

Outro critério é a discrição do candidato. A última indicação bem mostrou isso. Quem se autopromoveu, alardeou que tinha chances ou mesmo que já estava escolhido, acabou alvejado por estratégias palacia- nas e, no inal das contas, preterido. E a mancha pode ser permanente.

Autocandidatos aparentemente não têm mais vez com a presiden- te. Num dos processos de indicação, o número de pessoas que se can- didatavam à vaga era tamanho que os conselheiros da presidente libe- raram listas de quem pedia audiência para tratar do assunto. Foi uma forma de expor os autocandidatos ao ridículo e, por isso, queimá-los.

Autocandidatos aparentemente