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Türkiye’de Otel İşletmelerinin Sınıflandırılması

2.2. OTEL İŞLETMELERİNİN SINIFLANDIRILMASI

2.2.3. Türkiye’de Otel İşletmelerinin Sınıflandırılması

Apesar de 2015 ter sido um ano com pauta cheia, o STF deixou para trás alguns casos importantes. O de maior impacto — do ponto de vista econômico ou de repercussão sobre casos sobrestados — está re- lacionado aos planos econômicos e à correção a menor das cadernetas de poupança.

O Banco Central estimou o impacto potencial para os bancos de R$ 149 bilhões caso o Supremo decidisse, conforme defendem os pou- padores, que as instituições inanceiras aplicaram indevidamente os índices de correção deinidos pelos planos Collor I e II, Verão e Bresser.

O cálculo feito pelos advogados dos poupadores é diferente. O impacto para os bancos seria de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. A Procuradoria-Geral da República, que inicialmente apresentou um cál- culo de R$ 441,7 bilhões, reviu suas estimativas e chegou à conclusão de que os bancos tiveram lucro de R$ 21,8 bilhões com a aplicação dos novos índices de correção às cadernetas.

Há hoje no Brasil 957.612 processos parados à espera da decisão do Supremo Tribunal. A indeinição sobre o tema no STF completa oito anos e ganhou contornos inusitados em 2015.

Quatro recursos extraordinários (631.363, 632.212, 591.797 e 626.307) e uma ADPF — 165 — questionam a aplicação dos índices deinidos pelo governo federal nos planos aplicados nas décadas de 80 e 90 para combater a hiperinlação.

Em 2014, o Supremo estava impedido de julgar os processos por falta de quórum. O ministro Joaquim Barbosa havia se aposentado, abrindo vaga no tribunal. E três outros ministros se declararam sus-

peitos para participar do julgamento: Cármen Lúcia, Roberto Barroso e Luiz Fux.

Com sete ministros aptos a julgar os processos, o tribunal entendia não haver quórum para decidir o caso. Seria preciso aguardar a presi- dente Dilma Rousseff escolher o substituto de Joaquim Barbosa para a Corte dispor dos 8 integrantes necessários para deliberar sobre o tema.

O ministro Edson Fachin foi indicado, sabatinado, aprovado pelo Senado, empossado e, em setembro de 2015, também se declarou sus- peito. Assim, a Corte voltou a icar com apenas sete ministros aptos a julgar o tema.

Inicialmente, o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, airmou que não havia alternativa ou forma de contornar a alegada falta de quórum. Os casos, portanto, permaneceriam sem solução.

Contudo, o tema deve ser levado em 2016 a plenário para uma so- lução da Corte. O que não pode acontecer é o silêncio permanente do Supremo ou a espera, por mais uma década, para que o tribunal enim tenha o quórum para decidir a questão.

Também de forte impacto econômico — e sobretudo iscal — o processo que contesta a incidência do ICMS na base de cálculo da Coins está parado no Supremo. O caso é dos mais vultosos em trami- tação no tribunal e está entremeado por manobras e pressões por parte do governo federal.

Em recurso extraordinário (RE 240.785), o STF havia formado maioria para excluir do cálculo da Coins o que é devido de ICMS. O governo conseguiu zerar o julgamento, protocolando uma ação decla- ratória de constitucionalidade (ADC 18). Em 2014, o STF concluiu o julgamento do RE, com decisão em favor do contribuinte, mas sem repercussão geral reconhecida. Há ainda outro recurso (RE 574.706) — este com repercussão geral — que trata do mesmo tema e está libe- rado para pauta desde abril de 2014. A relatora do caso é a ministra Cármen Lúcia.

Outro assunto que o STF insiste em procrastinar é o trânsito em julgado e a consequente prisão do senador Ivo Cassol (PP-RO). O par- lamentar foi condenado há dois anos pelo STF pelo crime de fraude a licitações (AP 565). A pena deinida foi de 4 anos, 8 meses e 26

dias de detenção em regime semiaberto e pagamento de multa de R$ 201.817,05.

Relatora do caso, a ministra Cármen Lúcia levou a julgamento em setembro de 2014 os primeiros embargos de declaração opostos pela defesa do senador. Em dezembro também de 2014, novo recurso foi movido pelos advogados. E até agora os embargos não foram julgados.

Enquanto isso, Cassol permanece no Senado. Solto e impune por um crime que cometeu há aproximadamente 15 anos.

O julgamento em que o tribunal decidiu ser a Lei de Anistia (Lei 6.683, de 28 de agosto de 1979) compatível com a Constituição de 1988 completa seis anos em abril de 2016 (ADPF 153).

E até hoje pendem os embargos de declaração que contestam a apli- cação da lei para agentes responsáveis pelo sumiço de militantes de es- querda e qual deve ser a postura do Estado brasileiro diante da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que julgou não ser a Lei de Anistia óbice para o julgamento e punição de agentes estatais acusa- dos de crimes de lesa-humanidade.

Na falta de resposta do Supremo, o PSOL ajuizou uma nova ADPF — 320 — para questionar especiicamente a anistia aos crimes de desapa- recimento forçado.

As duas ações são relatadas pelo ministro Luiz Fux. Não há sinal de quando serão enim liberadas para julgamento.

Também estão no gabinete do ministro Luiz Fux alguns processos que, se levados a plenário, podem extinguir o pagamento de penduri- calhos a magistrados brasileiros.

Fux concedeu, em setembro de 2014, liminares que garantiram a todos os juízes do Brasil o recebimento de auxílio moradia — no valor de R$ 4.377,73 — aos magistrados, mesmo para aqueles que moram em casa própria. Em dezembro de 2015, a conta paga pelo contribuin- te superava R$ 1 bilhão.

O ministro Fux, cobrado ao longo do ano pelos colegas e diante das críticas públicas à sua decisão por parte de integrantes da Corte, não liberou o processo para a pauta de julgamentos. E enquanto isso o auxílio moradia continua sendo pago mensalmente, a despeito da crise econômica.

Também no gabinete do ministro dormita um pedido de vista no processo que pode declarar a inconstitucionalidade da legislação que criou diversos benefícios para os magistrados do Rio de Janeiro. O ministro Fux pediu vista do processo em maio de 2012 e até hoje não o devolveu. Entre os ministros Fux e Lewandowski, formou-se notável coalizão em defesa dos interesses políticos e materiais dos juízes.

Outras duas liminares concedidas monocraticamente por integran- tes da Corte permanecem na dependência do referendo do plenário.

A primeira delas — na ADI 5.017 — suspendeu os efeitos da emen- da constitucional que criou os Tribunais Regionais Federais da 6ª, 7ª, 8ª e 9ª Regiões. A liminar foi deferida pelo ministro Joaquim Barbosa, durante o recesso de julho de 2013. Com sua aposentadoria, o proces- so foi distribuído para o ministro Luiz Fux. O processo está concluso ao novo relator desde março de 2014. Falta apenas ser liberado para julgamento.

O segundo caso é ainda mais polêmico. A ministra Cármen Lú- cia, em pleno funcionamento da Corte, concedeu uma liminar na ADI 4.917, ajuizada pelo governador do Rio de Janeiro, suspendendo as novas regras estabelecidas na lei 12.734/2012 para a partilha dos re- cursos dos royalties do petróleo. A decisão precária data de março de 2013. E não há previsão de quando será julgada.

A ministra Rosa Weber, por sua vez, deferiu uma liminar em se- tembro de 2013 (também fora do período de recesso, como deine a lei que regula as ADIs), suspendendo a eicácia de diversos dispositivos de resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que restringiu o uso de aditivos em cigarros. Para além do caso concreto, o julgamento tratará do poder de regulação das agências e pode ter impac- to sobre outras áreas, como telefonia, saúde e energia.

Há ainda uma lista de processos que tramitam com certa lentidão, mas que iguraram em 2015 na pauta de julgamentos do plenário — apesar de não terem sido chamados.

Em 2015, o ministro Luís Roberto Barroso promoveu uma au- diência pública para ouvir especialistas e representantes de diversas crenças sobre o ensino religioso nas escolas públicas do País.

A ADI 4.439, da Procuradoria-Geral da República, pede à Corte que dê à lei 9.394, de 1996, interpretação conforme à Constituição, determinando que os professores não sejam representantes de uma re- ligião especíica.

Este processo está no STF desde 2010, mas passou a ser relatado pelo ministro Barroso em 2013. Pelas projeções do ministro, este caso será julgado em 2016.

O Supremo posterga também a decisão sobre o foro competente para o julgamento de autoridades acusadas de improbidade administra- tiva. O tema é discutido na PET 3.240. O ministro Barroso pediu vista do caso no dia 19 de novembro. O assunto chegou a ser pautado ao longo de 2015, mas não foi decidido.

Adia igualmente uma decisão na ADI 3.239, ajuizada pelo DEM, contra o decreto que regulamentou a demarcação das terras ocupadas por remanescentes de quilombolas. O processo começou a ser julgado em 2012, quando o relator, ministro Cezar Peluso, proferiu voto. A ministra Rosa Weber pediu vista, mas já devolveu os autos para conti- nuidade do julgamento.

Na mesma situação está a ADI 3.952. A ministra Cármen Lúcia pediu vista, em 2010, da ação proposta pelo Partido Trabalhista Cris- tão (PTC), que contesta o “cancelamento sumário” do registro especial das empresas tabagistas acusadas de sonegação iscal.

Neste caso, era relator o ministro Joaquim Barbosa, que se manifes- tou contra a possibilidade do cancelamento sumário. A ministra já devol- veu o processo para continuidade do julgamento e pode abrir divergência. Um assunto com forte impacto sobre a economia e a geração de empregos também está na agenda do STF para 2016: o conceito de atividade-im para casos de terceirização.

O tema será discutido no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713.211, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal. O relator da matéria, ministro Luiz Fux.

No agravo, a Celulose Nipo Brasileira S/A (Cenibra) questiona decisão da Justiça do Trabalho que, em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Guanhães e Região, foi condenada a se abs-

ter de contratar terceirizados para executar funções que se confundem com a atividade-im da empresa.

O ministro Fux airmou no julgamento no plenário virtual que o tema em discussão — a delimitação das hipóteses de terceirização diante do que se compreende por atividade-im — é matéria de índole constitucional.

A espera de decisões políticas, o Supremo mantém fora da pauta dois temas complexos e de forte implicação nas contas públicas.

O primeiro trata da guerra iscal. O tribunal reconheceu a reper- cussão geral do RE 851.421, em que os ministros analisarão a possibi- lidade de perdão de dívidas tributárias surgidas em decorrência de be- nefícios iscais implementados no contexto de guerra iscal e que foram declarados inconstitucionais pela Corte.

Alguns ministros consideram que a solução deste caso — assim como o julgamento de outros casos, como os embargos de declaração no Recurso Extraordinário 635.688 (que atinge os produtos da cesta básica) — depende das negociações políticas entre Executivo, Congres- so e estados pela uniicação de alíquotas do ICMS e a composição de um fundo para compensação de perdas.

O segundo caso trata da possível alteração dos parâmetros de re- muneração dos recursos depositados no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Na ADI 5.090, o Partido Solidariedade questiona dispositi- vos das Leis 8.036/1990 (artigo 13) e 8.177/1991 (artigo 17), que pre- veem a aplicação da Taxa Referencial (TR) na correção dos depósitos nas contas vinculadas ao FGTS. O relator da ação é o ministro Luís Roberto Barroso.

O Congresso discute a possibilidade de alterar a lei, estabelecendo novo índice de correção. Caso não chegue a uma conclusão, o ministro Barroso deverá levar o caso a julgamento.

As indicações

O Congresso Nacional tirou da presidente Dilma Rousseff a possibi- lidade de indicar cinco novos ministros do Supremo Tribunal Federal

ao aprovar a proposta de emenda à Constituição que elevou de 70 para 75 anos a aposentadoria compulsória no serviço público.

A votação da chamada PEC da Bengala, em maio deste ano, fez parte de uma estratégia política de dissidentes do governo e de oposi- cionistas para diminuir o poder da presidente Dilma Rousseff. E gerou algumas consequências imediatas. O ministro Celso de Mello, que se aposentaria em 2015, pôde permanecer no cargo. E o ministro Marco Aurélio Mello, que deixaria o tribunal em 2016, terá mais cinco anos de judicatura.

A outra consequência: em vez de poder indicar cinco novos mi- nistros para o Supremo até o inal do mandato, em 2018, a presidente só teria mais uma indicação a fazer. E o nome seria escolhido naquela mesmo mês da aprovação da PEC da Bengala.

O ministro Joaquim Barbosa aposentou-se no início de agosto de 2014. A vaga permaneceu aberta até maio de 2015. A presidente indi- cou o advogado Luiz Edson Fachin no dia 14 de abril.

Fachin fora cotado em outros momentos para o Supremo. Fora cotado para uma das vagas já no governo Lula. Mas sempre fora pre- terido. Construiu, ao longo desse período, uma candidatura próxima de setores do PT, ligados por exemplo à Igreja Católica e a movimentos sociais.

Também por isso, Fachin enfrentaria um dos processos de indi- cação mais difíceis da história. Seu nome foi rapidamente atrelado ao PT: um vídeo em que pedia voto para a presidente Dilma na campa- nha de 2010 foi republicado e difundido pelas redes sociais. Sua vida proissional também foi escarafunchada. E foi levantada contra ele a suspeita de que teria advogado irregularmente enquanto procurador do estado do Paraná.

Fachin contratou uma assessoria de imprensa para auxiliá-lo ao longo do processo de indicação. E, de forma inédita, também usou as redes sociais para se defender das restrições ao seu nome. Fachin gravou vídeos com respostas aos ataques que sua escolha sofria e os publicou nas redes.

Apesar das diiculdades e das chances reais de rejeição, o nome de Fachin passou na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça

— por 20 votos contra 7 — e pelo plenário do Senado — 52 votos contra 27.

Fachin assumiu a cadeira de ministro do Supremo, mas não a pos- tura de um ministro novato. Nestes primeiros meses de Corte e como “bucha de canhão”, como é chamado o primeiro ministro a votar de- pois do relator, Fachin defendeu posições com segurança e, em alguns casos, abriu a divergência que ao inal prevaleceu.

Assim como Fachin, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, enfrentou um processo conturbado de recondução. As investiga- ções da Lava Jato e a abertura de inquérito contra iguras importantes do Congresso, em especial de integrantes do PMDB, colocaram em risco o segundo mandato de Janot na Procuradoria.

Nas eleições internas, promovidas pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Janot foi o mais votado. Desde o início do governo Lula, seguiu-se a tradição de indicar o nome pre- ferido pela categoria. E não haveria razão para a presidente Dilma Rousseff preterir Rodrigo Janot.