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2. KURAMSAL TEMELLER

2.2 Temel Radyometri

2.2.7 Yayılan ıĢıma

A organização funcional com departamentos especializados é um legado dos sis- temas de gestão baseados em escala e custo, que se constitui no maior inimigo dos esforços do QRM (SURI, 1998a). Suri (1998a) recomenda que o layout da fábrica comece a ser mudado de funcional para celular, já no início do projeto de QRM, mas alerta que não se deve tentar trans- formar a empresa inteira em células de uma só vez, pois isso fez com que muitos esforços e metodologias de melhoria, como a reengenharia, fracassassem. Em vez disso, deve-se começar por identificar e focar em uma situação em que exista uma clara oportunidade de benefícios resultantes da redução de lead time, o que é denominado por Suri (1998a) de segmento de mer- cado alvo focado ou Focused Target Market Segment (FTMS), e formar a primeira célula em torno deste FTMS, e depois repetir para outros FTMSs.

Apesar de o conceito de manufatura celular já existir há várias décadas, o QRM amplia este conceito de várias formas para atingir novos níveis de flexibilidade, uma vez que as células da forma como têm sido implantadas na indústria são bastante inflexíveis, pois pos- suem fluxo linear com sequência fixa de operações e intervalos fixos (takt-time) pré-especifi- cados, dentro dos quais cada passo precisa ser realizado. No QRM as células são sempre proje- tadas em torno de um FTMS e definidas como sendo “um conjunto de recursos multifuncionais, dedicados e co-instalados capazes de completar uma sequência ininterrupta de operações con- templando todos os trabalhos pertencentes ao FTMS especificado” (SURI, 2010a).

Na definição anterior existem várias palavras importantes, as quais foram cuida- dosamente escolhidas pelo seu significado específico (SURI, 2010a), destacadas a seguir:

 Recursos dedicados: os recursos alocados em uma célula QRM são completa- mente dedicados àquela célula. Isso significa que uma máquina instalada em

uma célula deve ser usada única e exclusivamente para executar os trabalhos atribuídos à referida célula (que estão no FTMS), e não para outros trabalhos. No QRM é absolutamente proibido trazer trabalhos que não estão no FTMS para serem executados na célula, nem mesmo para aproveitar o tempo que as máqui- nas pertencentes à célula ficam ociosas. Ao se forçar a introdução de trabalhos não pertencentes ao FTMS, na célula, desorganizam-se as operações da célula, resultando assim uma série de efeitos disfuncionais em cascata, tais como tem- pos de setups maiores que o padrão da célula, formação de filas, esperas, etc.;  Recursos co-instalados: os recursos que formam uma célula devem estar fisi-

camente localizados próximos uns dos outros, em uma área claramente demar- cada como sendo a célula. Geralmente isso implica em mudança física de má- quinas e pessoas para uma nova área. Com isso pode haver resistência em todos os níveis organizacionais. No entanto, os benefícios da co-instalação não devem ser subestimados, e os gestores devem ficar atentos. Primeiro, o simples fato da mudança física de ativos e a criação de uma área designada de célula QRM emite uma mensagem clara para o resto da organização de que a direção está compro- metida com a estratégia do QRM e disposta a investir o que for necessário para o seu sucesso. A segunda mensagem que fica de tudo isso e o que efetivamente está-se dizendo aos funcionários é que o tempo para a mudança é o agora e que para se ter sucesso não se pode mais continuar “tocando o negócio” da mesma maneira que se fez até o momento, pois é preciso repensar a estrutura da organi- zação a fim de mantê-la competitiva. Segundo Suri (2010a) este é um passo muito importante nessa direção;

 Recursos multifuncionais: O principal objetivo da manufatura celular é aban- donar a estrutura funcional em que um grupo de recursos executa uma função para uma nova estrutura de organização, e um número de passos funcionais (tra- balhos) diferentes é completado em uma mesma área. Embora a ideia de que nas células os recursos devem ser multifuncionais (i.e., capazes de realizar diferentes funções) pareça ser um conceito bastante óbvio, observa-se, no entanto, a im- plantação de muitas células mal concebidas, como no caso de uma fábrica onde várias fresadoras CNC foram agrupadas sob um banner que dizia “Célula de Fresadoras”. O termo multifuncional foi incluído na própria definição de célula QRM para evitar a ocorrência desse tipo de confusão (SURI, 2010a);

 Completar uma sequência de operações: A ideia aqui é que, uma vez que o trabalho chega na célula, é realizada uma série de operações antes dele sair, e o mesmo não deve ter de sair e retornar para a célula repetidamente. Suri (2010a) ressalta que as células QRM são mais flexíveis que as células tradicionais, pois as sequências de operações podem ser diferentes para diferentes trabalhos no FTMS e os trabalhos podem retornar para a mesma máquina para realizar uma segunda ou, mesmo, uma terceira operação. Mas o ponto crucial é que todas as operações são realizadas dentro da célula e, quando a peça deixa a célula, esta não precisa mais retornar.

Uma célula ideal deveria incluir todas as operações, desde a matéria-prima até o produto acabado, pronto para expedição. Porém, nem sempre é possível incluir todas as opera- ções em uma célula somente, em especial quando se produz produtos muito complexos, o que envolve a realização de dezenas ou, mesmo, centenas de operações. Contudo, existem diferen- tes maneiras de se usar células menores e mais gerenciáveis para construir produtos complexos. Ao invés de somente uma célula, a maneira mais comum é lançar mão de um conjunto de célu- las, algumas células para executar as operações de fabricação, outras para fazer montagem de subconjunto e outras para montagem final. Dessa forma, cada produto final usa uma combina- ção diferente de células para satisfazer suas necessidades de produção, utilizando o POLCA, que é uma ferramenta do QRM para fazer o controle e a coordenação do fluxo de materiais entre as células.

Benzer Belgeler