BÖLÜM II. ULUSLARARASI FİNANSAL RAPORLAMA STANDARTLARI’NIN
2.5. Uluslararası Finansal Raporlama Standartları Esaslı Muhasebe Anlayışının
2.5.1 Yatırımcılar Açısından
No bojo do ideário progressista do Estado Novo diversas mudanças na estrutura social do país se tornaram flagrantes, fazendo emergir demandas em diversos campos. A transição de uma economia essencialmente agrícola para a economia voltada para as atividades industriais trouxeram não apenas a possibilidade de mudança de um país exportador de produtos primários e importador de produtos industrializados – com reflexos evidentes na balança comercial e na dependência da variação cambial (PRADO JUNIOR, 1994) – mas também nas mudanças habitacionais decorrentes do crescimento do processo de centralização em grandes áreas urbanas e o inchaço populacional ocasionado pelo fluxo migratório rural em decorrência da precarização da produção agrícola (PRADO JUNIOR, 2011; LEFEBVRE, 1999; HARVEY, 2008).
112 reflexos durante todo o século XX trouxe consigo grande déficit populacional. O fluxo migratório das zonas rurais, somado ao estabelecimento dos imigrantes europeus que se iniciou no final do século XIX sinaliza a urgente necessidade de se pensar políticas habitacionais – aliadas às políticas higienistas – e “proporcionar” dignidade aos trabalhadores das indústrias, representantes do homem progressista brasileiro. Concomitante a esta necessidade claramente populista por parte do Governo, os grupos de arquitetos modernistas, em oposição aos neoclássicos e ao academicismo impregnado pelas ideias das Escolas de Belas Artes, argumentavam que a nova arquitetura era não apenas uma mudança estética, como também a tentativa de romper o elitismo que pairava na arquitetura. Em suma, era hora de popularizar a arquitetura, substituindo a construção de teatros e palácios por habitações para a população (CAVALCANTI, 2006).
A investida dos arquitetos modernistas na construção de moradias para a população se envolve no manto lecorbusiano, donde o projeto e a construção deve refletir um misto de “razão” e “sensibilidade” cujo centro deve ser a família e o ponto de vista da pessoa humana razão fundante de todos os projetos (LE CORBUSIER25, 1942, apud CAVALCANTI, 2006). Ora, a passagem narrada por Antoniades a respeito da primazia do ponto de vista da pessoa
humana de Le Corbusier junto à família Savoie nos dá claros indícios do quão fictício e
demagógico era este movimento por parte do arquiteto francês e de outros modernistas.
O composto legitimador dos arquitetos modernos primava também por uma conotação ético- ideológica – que coaduna perfeitamente com o momento político que o país atravessava – que os diferenciava dos predecessores e contemporâneos, demarcada na preocupação em construir moradias econômicas e aproximar a arquitetura social. De acordo com Cavalcanti (2006), a primeira obra modernista de habitação popular foram os apartamentos econômicos da Gamboa (figura 3), de Lúcio Costa e Warchavchik, em 1933, sendo coincidente ao lançamento de Casa-grande e Senzala, de Gilberto Freyre. Dessa forma, a obra da Gamboa representaria um abraço por parte dos arquitetos às “ideias de Freyre a respeito da democracia racial e seu otimismo em relação à sociedade brasileira” (CAVALCANTI, 2006, p. 130).
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Figura 3: Apartamentos Econômicos Gamboa Fonte: Instituto Antônio Carlos Jobim.
Esta democracia racial, segundo Gomes (1982), se daria pelas facilidades da vida moderna que tornaria desnecessário o uso de empregadas domésticas, “liberando” esta força de trabalho ao destino das indústrias, que por consequência traria a tão almejada igualdade social e racial. Para Cavalcanti (2006) e Kapp (2006) as intervenções da arquitetura modernista não representaram qualquer possibilidade de inserção social por parte dos trabalhadores, mas, pelo contrário, constituíram outro mecanismo de domesticação destes trabalhadores, e por não romper com
os ideais do objeto arquitetônico como obra de arte, creditado a um autor (artista ou intelectual), com usuários passivos, sejam eles observadores que contemplam a obra, sejam personagens que nela atuam segundo o roteiro estabelecido pelo autor (KAPP, 2006, p. 8)
Este aprisionamento pode ser visto com maior destaque num outro empreendimento modernista de cunhos social26. Em 1947 a prefeitura do Rio de Janeiro decidiu construir em São Cristóvão um conjunto de alojamentos e serviços anexos destinados a funcionários municipais de baixa renda, denominado Conjunto do Pedregulho (figura 4). O projeto, a
26 Outros exemplos da investida modernista na construção de edificações voltadas às camadas “populares” podem ser vistos nos projetos Monlevade – Tradição/vanguarda, de Lúio Costa, e Cidade dos Motores, de Paul Lester Wiener e José Luis Sert.
114 cargo de Affonso Reidy, contemplava 272 apartamentos, projetados a partir de dados levantados com base nos hábitos de 570 famílias cadastradas. A princípio, este levantamento serviria para reduzir o hiato entre a concepção e o uso do objeto arquitetônico. Entretanto, a distância entre a data do cadastramento e a distribuição dos imóveis, provocada pelas constantes mudanças no projeto implicou não apenas uma defasagem dos dados levantados, mas também a redistribuição dos imóveis em desacordo com o perfil traçado no cadastramento, prevalecendo então decisões políticas e protecionistas.
Figura 4: Conjunto do Pedregulho Fonte: EAD/PUCV
O caráter central da usabilidade do objeto arquitetônico por parte de seus habitantes se manteve apenas na proposta inócua modernista (KAPP, 2006). O que se verificou no
Conjunto do Pedregulho foi mais uma nuance do aprisionamento dos pretensos moradores e a
arbitrariedade por parte dos arquitetos. Projetados com uma lavanderia central, era nítido o “cuidado” com assepsia dos moradores, tanto pela limpeza das roupas quanto pelo visual dos prédios, uma vez que, propositalmente, não foram projetados tanques nos apartamentos a fim de se evitar a lavagem “desordenada” de roupas e a sua secagem nas fachadas, maculando, desta forma, a estética arquitetônica. Todavia, o ordenamento desejado sofreu embate direto da resistência dos moradores, cujos hábitos foram mantidos com lavagens de roupa na cozinha ou nas áreas coletivas do conjunto, donde se formava não apenas o instante da assepsia em si, mas a própria convivência entre vizinhos à qual os moradores estavam habituados, também ignorada no projeto modernista de Reidy (CAVALCANTI, 2006).
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