7.1 BULGULAR VE YORUM
7.1.4. Görüşülen Kişilerin Hane ve Yaşam Bilgileri
7.1.4.1. Yardım Öncesi ve Şu Anki Eşya Sahipliliğinin Karşılaştırılması
Todos os entrevistados relataram que positiva ou negativamente foram influenciados por suas famílias, ao longo da vida. Algumas delas, invariavelmente, nutriram certas expectativas do que seria deles no futuro, tendo em vista as grandes facilidades e/ou dificuldades demonstradas durante a infância. Fica clara a crença de que a existência das altas habilidade/superdotação gera nas famílias uma expectativa de sucesso profissional, como se ele pudesse ser garantido pelo simples fato de a criança ter habilidades acima da média, facilidade no aprendizado e bom desempenho na realização de determinadas atividades.
Para João, o incentivo e apoio da família são tidos como fundamentais para um crescimento saudável e uma boa adaptação ao mundo. “O fato de o meu pai ter feito
psicologia acho que ajudou muito a gente a não... não ter nenhum trauma quanto a isso nem nada, apesar de eu ter uma criação muito legal, ele sempre valorizou muito leitura, a gente
gostava sempre de ler, ia ao shopping jogar fliperama e passar numa livraria eram as duas coisas divertidas de se fazer”. Refere ainda que foi criada uma expectativa em relação ao seu futuro profissional devido à sua facilidade em lidar com crianças. “No ginásio e na escola,
obviamente, foi criada uma expectativa um pouco grande, por conta do programa [de enriquecimento curricular] e dessa coisa do livro, foi criada uma expectativa sobre o que eu
seria, sobre o que eu faria e as expectativas deles acho que não era que eu fosse virar jornalista. Minha mãe queria que eu fizesse Medicina, queria que eu fosse pediatra”.
Rafael conta que sua família era de acadêmicos que o incentivavam em seus estudos,
“minha mãe é professora, meu pai, já falecido, era professor, meu padrasto é professor, então, todo mundo tinha uma cabeça meio ligada à academia. Não era assim histericamente incentivado, mas era incentivado sim, era visto como uma coisa legal”. Como tinha sérias dificuldades de relacionamento “fui meio que colocado como aves raras, uma pessoa
diferente, então, sabe, aquela coisa meio louco, meio gênio, deixa ele lá no canto dele, vai saber o que dá para esperar desse cara”. Como não havia expectativa de êxito “eu me cobrei
e a partir de eu me cobrar, eu fui para frente (...) acho que me livrando desses estereótipos familiares que eu consegui ir para frente”.
Paulo tinha interesses “excêntricos, como estudar dinossauros”, mas sua família interferiu em suas escolhas “disse que eu deveria aprender Inglês porque era importante,
embora eu não tivesse qualquer interesse nesta língua”.
Carla foi cobrada pela família para ser a melhor, a mãe queria que ela ministrasse aulas particulares para os primos, que não se saíam bem na escola. Além disso, a mãe tentava lhe arrumar amigas para brincar, mas seus interesses eram diferentes dos de seus pares de idade. Ela afirma que foi uma adolescente rebelde e usou drogas, fazia de tudo para chocar os pais e quebrar o estereótipo de filha perfeita “a família me cobrava porque eu tinha que ser a
filha bonitinha, que tira 10”, mas ao perceber que os decepcionava, entrou em conflito e resolveu isto em terapia, concluindo que a revolta não vale a pena. “Depois de muito tempo
de terapia, eu cheguei à conclusão que deixe eles [os pais] pensarem assim, teve uma época
da minha vida que foi muito forte, que eu tentei provar justamente o contrário, que eu não era aquela pessoa, por mais que eu gostasse de fazer determinadas coisas, mas eu queria ser uma pessoa normal (...) Tem um agravante aí muito forte, que eu sou filha única, então acaba, de certa maneira, tudo caindo em cima de mim”.
Somente Marcos não fez referência à cobrança dos pais, até porque sua infância se deu em um contexto atípico e ele refere que foi “muito, muito estimulado positiva e
negativamente” pelo ambiente no qual estava inserido, uma vez que nasceu e viveu os primeiros anos em meio à Guerra22. Em relação à família, constituída por ele, quando adulto, afirma ter encontrado dificuldades para administrar seus 3 casamentos anteriores, atualmente está em seu 4º casamento, tem 5 filhos e por ser disperso e concentrado em seus interesses, acaba deixando a companheira de lado. “Sempre disseram que eu saio do ar e saio mesmo, é
como se eu apagasse, como se fosse um desmaio físico num gigantesco tormento mental que é uma coisa chata quando você tá convivendo com alguém. As pessoas me cobram, as pessoas me cobram, mas eu to aprendendo a ser cobrado, tanto é que no meu casamento atual as coisas estão correndo bem porque eu to aprendendo”.
Para Landau (2002, p. 156), os pais devem tomar o cuidado de não projetar em seus filhos desejos não realizados, evitando pressioná-los, pois “uma criança pressionada por seus pais opõe-se a seus objetivos, desenvolvendo resistência para aprender”.
Landau (2002, p. 159) afirma que sua experiência com grupos de pais aponta que a maior dificuldade apresentada por eles relaciona-se à “discrepância entre o desenvolvimento intelectual e o emocional”. Essa assincronia é uma característica marcante e, segundo Alencar (1986, p. 31) “Apesar de ser comum, entre os alunos mais brilhantes, uma maturidade física, social e emocional acima da média, nem sempre isto ocorre, podendo uma disparidade ser observada entre aspectos do desenvolvimento intelectual, social, emocional e físico”.
É comum os pais lidarem com a identificação de seu filho, procurando aumentar o nível de enriquecimento de seu ambiente, buscando várias formas de estimulá-lo, centralizando sua atenção no desenvolvimento dessas habilidades e deixando de lado outros aspectos e áreas do conhecimento, que precisam ser levados em consideração (CHAGAS, 2007).
Costuma ocorrer um estímulo ao desenvolvimento cognitivo, sendo que a educação passa a ser colocada como prioridade, havendo um incentivo para que seus filhos se tornem independentes e dirijam sua formação acadêmica de modo que sua vida profissional seja um reflexo de suas habilidades acima da média. Essa interferência dos pais nas escolhas dos
filhos e a exigência de bons resultados puderam ser percebidas nos relatos de Paulo, João e Carla.
Os pais precisam aprender a lidar com essas questões, estando presentes na vida de seus filhos e acompanhando-os em suas descobertas e experimentos. Devem, também, estar atentos aos sinais que seus filhos dão de satisfação ou insatisfação e oferecerem todas as possibilidades viáveis de desenvolvimento de suas habilidades, sem a pressão e a cobrança por resultados. Um ambiente seguro e estável é o que eles precisam oferecer para que seus filhos cresçam de modo saudável.