2. ÖN BİLGİLER ve LİTERATÜR ARAŞTIRMASI
2.2. Makine Öğrenmesi
2.2.3. Yararlanılan Makine Öğrenmesi Algoritmaları
Acervo: Foto gentilmente cedida por Margarida Antonino da Silva
O Sr. Severino comenta a respeito da participação das moças que trabalhavam como garçonetes durante a festa, para auxiliar às candidatas nas suas respectivas barracas, realçando sua habilidade como locutor e a oportunidade vislumbrada por elas de conseguir um namorado, por isso a disponibilidade para a festa, ao contrário das últimas décadas, quando o interesse, da juventude em geral, reside apenas em participar dos bailes nos clubes e encara a prestação do serviço na festa com menosprezo, por isso, a necessidade de pagar pelo serviço de garçom da organização do festejo.
Era aquela festa de conhecer um rapaz de fora numa banca, que era bonito, aquele negócio todinho. Naquela época era assim, era muitas meninas. Hoje não se oferece ninguém, se chama e ninguém vai. É preciso pagar garçons pra poder, pra fazer esse tipo de serviço. Hoje o pessoal não quer mais isso não. Nem nos sítios mesmo, até nos sítios ocorreu essa mudança muito grande. Então, aquele tempo era uma festa pras meninas. Eu fazia até a fofoca quando uma desaparecia do pavilhão. Eu dizia: “Olha, a fulano de tal, a garçonete tá namorano fora do pavilhão”, aí eu chamava e era aquela festa. Hoje não, os garçons homens e eles vão é pago mesmo. Quer dizer que houve uma mudança muito grande (Severino, 56 anos).
D. Maria Santina lembra outro aspecto, que eram as roupas usadas pelas meninas e moças que desfilavam pelo pavilhão, seja como candidata a rainha, seja como garçonete.
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No centro: Maria da Conceição Bezerra (rainha); Esquerda (baixo para cima): Margarida Antonino, Maria do Socorro Lôpo e Adeilde Vilar; Direita (baixo para cima): Alice Antonino, Maria do Socorro Bezerra e Renaura Morais.
(...) vestidos e vestidos mais bonito, quem podia. É porque eles vestia as garçonete, parece, as fia do finado Eduardo, Olga, não sei se Olga foi garçonete não, sei que a irmã dela foi. Cada vestidão godê azulzinho e outros vermelho. Era azul e vermelho na época (Maria Santina, 88 anos).
O fato de D. Maria Santina rememorar os vestidos provavelmente se relaciona com seus trabalhos com costura. Aliás, na ocasião da entrevista ela nos apresentou peças feitas por ela mesma, demonstrando a sua disposição apesar do avanço dos problemas de saúde por causa da idade. Ela relata as viagens que fazia a Campina Grande para adquirir material de costura.
Comprar tecido pros filho e tinha uma costurera lá. Uma prima, sobrinha do finado Zé Augustinho. Filha de Chiquin de Jorge. Minha parenta, eu ia pra casa dela. Lá fazia as compras, sacos de roupa assim. Pra mim e pra minha irmã. E... aí ela dava, tinha umas figurinha e eu comprava figurinha, ela tirava os modelo pra ela, ela dava os modelo pra mim... e assim vivia a vida. Graças a Deus! Tinha o meu roçadin de algodão. Vendia o meu algodão e eu e o, o marido dava um dinheiro de comprar as roupa dos menino, e assim vivendo (Maria Santina, 88 anos).
As compras feitas em Campina Grande rendiam roupa para toda a família, além disso, a viagem resultava em um reencontro com a prima com quem trocava “figurinhas” de roupas, quem eram modelos nos quais se baseavam para criarem suas próprias roupas. Outro aspecto ressalvado por D. Santina foram os lucros com a venda do algodão que era a garantia da aquisição de modelitos que seriam exibidos nas comemorações de final de ano, dentre elas, a festa da Padroeira.
Em Serra Branca, entre as décadas de 1950 e 1960, houve o auge da produção do algodão. De acordo com Souza (2007) esta produção era vendida aos proprietários dos armazéns de descaroçamento que existiam no município. D. Santina relata que “(...) as rôpa só era no fim do ano. Eu costurava muito. Eu costurava e comprava rôpa pa, pa família. As vezes eu ia em maio e em setembro. O homi só dava dinheiro pra comprar quando vendia o algodão” (Maria Santina, 88 anos). Entre estes proprietários estavam Joaquim Gaudêncio, Vicente Correia, Antero da Cunha Torreão, Honorato Brandão, Joaquim Borda, Francisco Moreira, dentre outros (SOUZA, 2007, p. 31). A relação entre o excedente gerado com a venda do algodão e aquisição de alguns produtos ausentes no cotidiano também foi identificada por este autor na sua pesquisa com idosos do município sobre as memórias dos trabalhadores da cultura do algodão:
É evidente a importância atribuída pelos entrevistados ao algodão que, segundo os mesmos, gerava uma renda extra e relativamente considerável, com a qual poderiam saldar suas dívidas, comprar itens de vestuário (esse
ponto foi falado por vários entrevistados), fazer a manutenção das propriedades (consertar cercas, fazer pequenas barragens), comprarem gêneros alimentícios (em especial nos anos de crise de produção na cultura de subsistência do feijão e milho), até mesmo as despesas com festas de casamentos, às vezes eram pagas com rendimentos provenientes da produção do algodão (p. 32).
Sobre o desenrolar da festa no pavilhão ao longo da noite, o Sr. Severino detalhou como se dava, relembrando sua atuação como locutor.
Eu mesmo sou locutor de pavilhão em toda a região aqui, todo ano eu faço várias festas e há uma mudança muito grande, né? Naquela época a gente participava do pavilhão, eu me lembro que começava a festa... 8 (oito) horas da noite terminava a missa. No pavilhão, as garçonetes já estavam no pavilhão, banda de música97, animação (?). Hoje, começa 11 (onze) horas da noite, né? Tá como se fosse um clube, no clube começa onze horas a festa né? Então, até isso houve essa mudança. Pavilhão muito animado, a gente só bastava botar duas difusoras daquela no pavilhão pra mil pessoas e agradava. Hoje tem que ser um som desses bom mesmo porque assim o povo não vai. E mudou muito o pavilhão. É, eu me lembro que todo ano quando eu fazia a festa de pavilhão tinha uma música que ficava durante o ano todinho o povo cantando, foi o sucesso do pavilhão. Era uma música de Roberto Carlos, ficava, identificava mesmo a festa da Padroeira (Severino, 56 anos).
A banda se apresentava nas alvoradas do dia 08 de dezembro pelas ruas da cidade, como já mencionou o Sr. Luiz Gonçalves, para acordá-la e anunciar que o dia da santa Padroeira havia chegado. De acordo com os entrevistados, nas décadas de 1950 a 1970 era ela a responsável pela animação do pavilhão, marcando, inclusive, as memórias dos moradores com os sucessos musicais do ano98.