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4. ÖNERİLEN MODEL

4.1. Modelin Akış Diyagramı

(Ao centro, com a bandeira, o padre João Marques)

Acervo: Foto gentilmente cedida por Margarida Antonino da Silva

Além desta imagem, também encontramos registro deste dia no II Livro de Tombo da Igreja, no dia 29 de junho de 1958. Vejamos o que consta no livro .

Com a participação do Brasil na 6ª copa do mundo realizada na Europa [...] a heróica equipe brasileira com o feito memorável dava ao Brasil o “título de campeão mundial”.

Nesta paróquia houve grande regozijo impulsionado pela união estudantil serrabranquense que juntamente com o povo em vivo entusiasmo, pelas ruas da cidade, adoravam os heróis daquela memorável jornada e o Brasil “campeão mundial” (p. 5).

Liderada pela União Estudantil Serra Branquense, como afirma o referido Livro, a população de Serra Branca saiu às ruas da cidade festejando a conquista da primeira Copa do Mundo. É curioso este registro no Livro de Tombo da Igreja, pois notemos que ele reafirma a posição privilegiada do futebol junto à esta população, o que é fortalecido pelas disputas em discussão sobre os times do Vasco e do Flamengo. A alegria estampada na fotografia demonstra que tanto adultos quanto crianças, homens e mulheres, estiveram presentes na

manifestação evidenciando um patriotismo, mediante o apego à bandeira – símbolo nacional, assentado na idolatria dos “heróis” da bola, como vemos na citação Livro de Tombo.

No que concerne ao surgimento dos times Vasco da Gama e Flamengo de Serra Branca, sabemos que sofreram uma forte influência do padre João Marques, que gostava muito de futebol, participando, inclusive, da criação do time do Vasco. João Lôpo, maestro da banda também conhecido por Joca Lôpo, foi quem o auxiliou nesta tarefa. No entanto, este último, após alguns desentendimentos com o padre Marques, e como torcedor flamenguista que era, resolveu, então fundar o time do Flamengo. Isso no ano de 1962. A criação do Vasco foi anterior a do Flamengo, mas ocorreu no mesmo ano.

Os depoentes foram coerentes quando relataram o modo como surgiram esses dois times. Eles foram consensuais quanto a esta versão da fundação do Vasco ser anterior a do Flamengo e relataram também as querelas entre o Sr. João Lôpo e o padre Marques que levaram ao surgimento do segundo. O Sr. João Lôpo nos explica como os fatos se desenrolaram.

O Vasco foi só. Aí depois Leidson, aquele rapaz que o padre criou, começou também fazer parte e começou a puxar pra lá. Puxando, puxando e começou a surgir aborrecimento e eu me desliguei de tudo de lá, entendeu? Eu, flamenguista, fundar o Vasco! Aí então fundei o Flamengo. Tornou-se uma política grande aqui em Serra Branca, sofri muito por causa do aborrecimento da fundação do Flamengo. Resultado: até hoje ainda continuo com o Flamengo. Dentro do Flamengo eu fiz várias atividades, como a escola de música. Criei a banda de música dentro do Flamengo, consegui um apoio muito grande do doutor Inácio Antonino, na época ele era prefeito de São João do Cariri: “Rapaz, você tá com a ideia boa. Criou a parte esportiva daquela parte musical”. E instrumentos? “Rapaz, tá difícil, vamos vê se consigo. Em São João do Cariri tem muito instrumento encostado na prefeitura e não tem banda de música. Eu como tô (?) lá, eu posso lhe emprestar esses instrumentos, aí você começa seu movimento com a banda de música”. E assim foi feito. Fui lá, trouxe os instrumentos e comecei a animar a turma aqui, os meninos. “Tem instrumento, viu. Vamos tocar pra frente a banda”. Comecei a ensaiar, comecei a ensaiar. Nisso, padre Marques que era muito político começou a dá uma inveja nele, começou logo a querer botar, derrubar logo essa minha ideia, acabar logo com a sociedade que eu tinha fundado (João Lôpo, 80 anos).

O Sr. Luiz Gonzaga ao ser questionado sobre a história da criação dos times de futebol do Flamengo e do Vasco de Serra Branca, se alinhou a perspectiva antecedente apresentada pelo Sr. João Lôpo.

Veja bem. Existia o Vasco, e esse Vasco era comandado pelo padre João Marques e Joca Lôpo frequentava muito a Igreja, mas Joca Lôpo flamenguista. Aí Joca Lôpo entendeu de criar o Flamengo, quando entendeu de criar o Flamengo, aí tinha um juiz aqui, Dr. Otacílio Cordeiro, mas muito

católico, essa coisas, e Joca convidou pra fundar o Flamengo e Dr. Otacílio foi primeiro presidente. Dr. Otacílio aceitou. Quando padre Marques soube aí mandou chamar Dr. Otacílio (?). Dr. Otacílio desistiu. Quando Dr. Otacílio desistiu, Joca, eu me dava muito bem com Joca Lôpo, aí Joca disse: “Mas rapaz, o que é que agente vai fazer?”. Eu disse: “Olhe, só adianta se criar esse clube se (?) com uma certa condição”. Eu acho que a pessoa viável pra ser presidente desse clube é Dr. Inácio. Foi feito o São João, Joca, o sonho dele era uma banda de música e, na prefeitura, então, tinha uma banda de música, mas desativada, tinha os instrumentos, eu digo: “esses instrumentos você conseguindo com Dr. Inácio, ele pode emprestar”, aí Joca disse: “Mas eu não falo com Dr. Inácio. Eu sou intrigado, problemas políticos”. Eu disse: “Você quer fazer as pazes?”, aí Joca disse: “Quero”. Eu disse: “Pronto. Então eu falo com Dr. Inácio”. Aí falei com Dr. Inácio, aí Dr. Inácio disse: “Não tem nenhum problema, a gente faz as pazes”. Aí marcamos um encontro na casa de Francisco Moreira com Joca, né? Aí fui eu, Dr. Inácio e Joca até lá, aí lá fizeram as pazes, aí nós fundamos o Flamengo. Esse Flamengo foi fundado onde era aquela igreja ali (?) o salão era de Antônio Bezerra, nós pedimos o salão emprestado e eu fui quem presidi a primeira reunião, né? Então foi Dr. Inácio, tinha um engenheiro aqui que era do DNER, Dr. (?) e Socorro Bezerra, aí fundamos o Flamengo. Quando fundamos o Flamengo aí veio a organização da banda de música e Dr. Inácio, então, quando nós entramos na banda de música, então Dr. Inácio pediu ao padre, em vez de trazer uma banda de música de fora, botasse a banda de música daqui, porque nós tínhamos um maestro muito bom, que era o maestro Vilô, muito dedicado, aí o padre Marques aceitou. Mas Dr. Inácio era de outra corrente, que tinha sido Dr. Inácio quem derrotou Álvaro e os Gaudêncio tinha uma influência muito grande no padre, aí disseram ao padre que não aceitavam. Aí o padre mandou uma banda de música de fora, aí quando foi na procissão nós organizamos a banda de música e levamos pra frente da igreja, quando chegamos la já tinha outra banda de música, aí Dr. Inácio disse “Agora ninguém recua não, toca as duas bandas”, aí saiu uma na frente e a outra atrás (Luiz Gonzaga, 74 anos).

Os times do Flamengo e do Vasco nasceram sob o signo da discórdia. Os desentendimentos entre o Sr. João Lôpo e o pároco local, João Marques, estabeleceram a dissonância no interior do Vasco da qual surgiu o Flamengo, criado pelo então ex goleiro do Vasco, o Sr. João Lôpo153. Na perspectiva do Sr. João, a rivalidade entre os times estava envolta em interesses políticos determinantes para o comportamento dos envolvidos nesta questão. Souza (2008) coletou informações a respeito da criação dos times e também identificou esta conformidade estabelecida pelas memórias da qual falamos.

Existia o Vasco da Gama fundado por Padre João Marques Pereira e a origem do Flamengo deu-se porque Joca Lôpo era goleiro do Vasco, mas se desentendeu com Padre Marques e decidiu fundar o Flamengo. Convidou Dr. Otacílio Cordeiro que era juiz de Direito da comarca de Serra Branca, por sinal muito católico. Por influência do Padre Marques Dr. Otacílio não aceitou. Nessa época Joca Lôpo havia se desentendido com o Dr. Inácio Antonino, mas Luiz Gonzaga de Holanda era secretário da prefeitura de São

153

Na sua entrevista, o Sr. João relata que já era torcedor do Flamengo carioca quando resolveu fundar o time local com a mesma denominação.

João do Cariri e amigo de Joca Lôpo, então Joca pediu para Luiz Gonzaga falar com Dr. Inácio Antonino que aceitou fazer as pazes e marcou uma reunião na casa do Sr. Francisco Moreira (SOUZA, 2008, p. 40).

Analisando estes trechos, confirmamos um consenso entre os moradores quanto à constituição dos times de futebol do Vasco e do Flamengo. Um dado comum foi a relação entre a criação do Flamengo e o surgimento de uma banda de música. Outro elemento que perpassa esses discursos é a presença dos conflitos políticos locais. Ficou nítida a influência das famílias em “guerra” no campo político na estruturação dos times. Portanto, além de lazer, o futebol encobria aspectos relacionados a determinados interesses políticos.

Benzer Belgeler